domingo, 16 de dezembro de 2012

Estudos no Sermão do Monte / parte 14 – A LETRA E O ESPÍRITO


A LETRA E O ESPÍRITO

 

Este texto, apenas um guia para falar à minha igreja sobre este assunto, tem como fonte Estudos no Sermão do Monte, de Martyn Lloyd-Jones. Trata-se de um resumo da parte que fala sobre a letra e o espírito, mesclado com algum comentário meu.

 

01. Chegamos a uma parte do Sermão do Monte em que Jesus vai fazer declarações acerca da lei usando a fórmula “ouvistes o que foi dito... eu, porém vos digo...”.

02. Em outras palavras, Jesus está dizendo: “esta é a pregação que vocês têm ouvido nas Sinagogas quando ali buscam instrução Bíblica, mas EU vos digo...”. E então Jesus passa a ensinar que aquilo que os Escribas e Fariseus diziam não era exatamente o que a Lei realmente ensinava.

03. Leiamos, então, Mateus 5.21-48

04. Ora, amados, em todos os tempos, nessa questão de distorção do texto sagrado, os homens continuam os mesmos, e hoje não é diferente. Por “boas” ou “más” intenções ou por falta de compreensão (que pode ser fruto de relaxamento no estudo), nós podemos facilmente distorcer o texto bíblico. Temos que cuidar para não fazermos isso e temos que cuidar para não sermos enganados por aqueles que isso fazem.

a.    Um clássico exemplo de texto ampla e constantemente distorcido é o de Filipenses 4.13...

05. Para o que esse ensino de Jesus, com os exemplos que foram dados e da forma como foi feito, abre os nossos olhos? Façamos algumas considerações:

 

I. Abre os nossos olhos para o fato de que o espírito da lei importa mais que a letra da lei.

 

01. Por exemplo, na questão do homicídio, observando-se simplesmente a letra da lei, enquanto não se assassina uma pessoa, a lei está sendo cumprida. Este era o entendimento dos Escribas e Fariseus, mas Jesus, dando ênfase ao espírito da lei, vai ensinar que, na verdade, toda a nossa atitude para com o próximo deve ser correta e amorosa.

02. A letra da lei obviamente tem a sua importância, mas ao espírito da lei deve ser dado o lugar de proeminência.

 

II. Abre os nossos olhos para o fato de que a conformidade à lei não deve ser concebida apenas em termos de ações.

 

01. Os pensamentos, os desejos e os motivos, isto é, aquilo que provoca as ações, são igualmente importantes. O ato tem importância, mas ele não é o único elemento importante. A condição íntima, a atitude do coração é constantemente observada.

02. Temos aqui, meus amados irmãos, um grande princípio válido para muito daquilo que a gente faz ou deixa de fazer. Por exemplo, no capítulo 6, vamos encontrar Jesus falando sobre esmola, oração e Jejum que são praticados, mas que “não chegam a Deus” por causa da motivação.

03. Às vezes a gente faz aquilo que a Palavra de Deus orienta com a motivação correta, e isso é muito bom. Às vezes a gente faz aquilo que a Palavra de Deus orienta, mas com a motivação errada, e isso não é bom. E às vezes a gente não faz como ato visível aos homens algo que Deus em Sua Palavra nos orienta a não fazer, mas faz como ato invisível aos homens, porém visível a Deus...

 

III. Abre os nossos olhos para o fato de que devemos conceber a lei também positivamente e não apenas negativamente.

 

01. Nas palavras de Lloyd-Jones:

 

O propósito final da lei não é meramente o de impedir que pratiquemos certos erros; seu objetivo real é conduzir-nos por um caminho positivo, a fim de que não somente façamos o que é direito, mas também que amemos o que é direito... O conceito judaico da lei era [bem] negativo. Não devo cometer adultério, não devo cometer homicídio, e assim por diante. Mas nosso Senhor salientou, do princípio ao fim, que aquilo que realmente chama a atenção de Deus, em nós, é que sejamos amantes da retidão. Deveríamos ter fome e sede de justiça não apenas negativamente, [não apenas] evitando aquilo que é mau... Desafortunadamente, ainda há pessoas que parecem pensar acerca da santidade e da santificação em termos puramente mecânicos. Elas pensam que enquanto não se tornarem culpados de alcoolismo, do jogo... tudo lhes irá bem. A atitude delas é puramente negativa. Não parecem ficar preocupadas quando se mostram invejosas, ciumentas ou despeitadas com os seus semelhantes. O fato de [se viver] marcado pelo orgulho da vida não parece ter, para elas, a mínima importância, contanto que não pratiquem certas coisas...

 

IV. Abre os nossos olhos para o fato de que o propósito da lei, conforme Jesus expôs, não é o de simplesmente conservar-nos em uma atitude de obediência a certas regras, mas é o de promover o livre desenvolvimento de nosso caráter espiritual e levar-nos ao conhecimento de Deus.

 

01. Em outras palavras, o objetivo da lei de Deus não é que estejamos sob algumas regras para que haja “opinião pública favorável” a nosso respeito, e sim imprimir em nós uma qualidade distintiva.

02. Os escribas e Fariseus tinham a reputação, mas não tinham o caráter espiritual condizente com a reputação que os judeus comuns lhes atribuíam.

03. A lei de Deus não existe para nos dar boa reputação. Ainda que isso possa acontecer, não devemos cumpri-la tendo em vista este objetivo. O objetivo da lei de Deus é nos levar a dar a Deus o lugar supremo em nossas vidas; e nos levar a viver de forma élosa para com a honra e a glória de Deus.

 

Concluindo

 

01. Nas palavras de Lloyd-Jones:

 

A disciplina na vida cristã é algo bom e essencial. Contudo, se nosso principal objetivo e intuito é nos conformarmos à disciplina que tivermos delineado para nós mesmos, isso bem poderá vir a constituir-se a mais grave ameaça contra nossas almas. O jejum e a oração são coisas recomendáveis; porém, se jejuarmos duas vezes por semana e orarmos em uma hora determinada todos os dias, meramente a fim de pormos em execução a norma disciplinar que estabelecemos para nós mesmos, então é que teremos perdido inteiramente de vista o objetivo inteiro do jejum e da oração. Não há qualquer valor em qualquer dessas coisas, assim praticadas... Se durante esse período não se tiver acentuado a minha qualidade de humildade de espírito... se a minha fome e sede de justiça e de Deus não se tiver aumentado grandemente, então terá sido dispensável qualquer coisa que porventura eu tenha feito... Poderíamos nos tornar culpados do mesmo erro no que concerne à adoração pública. Se a adoração pública for transformada em uma finalidade em si mesma, se meu único objetivo em um púlpito for pregar um sermão, e não esclarecer a meus ouvintes o bendito evangelho de Cristo, a fim de que você e eu venhamos a conhecê-Lo e a amá-Lo melhor, então minha pregação terá sido perfeitamente inútil...

 

Este texto, apenas um guia para falar à minha igreja sobre este assunto, tem como fonte Estudos no Sermão do Monte, de Martyn Lloyd-Jones. Trata-se de um resumo da parte que fala sobre a letra e o espírito, mesclado com algum comentário meu.

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