sexta-feira, 21 de outubro de 2016

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

João 15:9-15

 

“Amai-vos Uns ao Outros” é originalmente lição 2 da revista de EBD Adultos nº 7, da Editora Cristã Evangélica, lição escrita por Pr. Agnaldo Faissal J. Carvalho.

Tomei a liberdade de fazer várias modificações/adaptações para ser aplicada à Igreja Batista em Muqui em cultos de meio de semana, mas o teor da mensagem continua o mesmo.

 

1.    “Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” – Este é o grande mandamento que Jesus nos deixou; e a experiência tem demonstrado que este não é um mandamento muito fácil de ser obedecido.

2.    Nunca foi fácil a convivência entre os homens. Os antigos romanos até tinham o costume de dizer que o homem é o lobo do homem. O francês Jean-Paul Sartre deixou escrito: o inferno são os outros. E outro alguém observou e escreveu que todo dia alguém crucifica alguém.

3.    São experiências assim que evidenciam o quanto é difícil cumprir esse mandamento de Jesus. Quem pode fazê-lo na integra, verdadeiramente, seguindo o modelo de Jesus? Bem, há bastante gente que parece fazê-lo, mas de verdade mesmo, do jeito que tem que ser, tendo como modelo Jesus podemos dizer que só aqueles que contam com a ajuda de Deus podem fazê-lo; aqueles que foram lavados pelo sangue do Cordeiro e regenerados pelo poder do Espírito Santo, e mesmo assim, com um certo grau de dificuldade, não da parte do Espírito Santo, mas de nossa humanidade caída.

4.    Entretanto, apesar da dificuldade, esse mandamento de Jesus permanece sendo para nós, conforme veremos, uma necessidade vital, um desafio constante e uma bênção inestimável da qual nenhum de nós pode abrir mão.

5.    Primeiro pensemos no fato de ser o mandamento para nós uma necessidade vital.

 

I. UMA NECESSIDADE VITAL

 

1.    Obviamente, quando falamos sobre amar uns aos outros como sendo uma necessidade vital para nós, falamos em relação à nossa existência cristã. Amar uns aos outros é vital para a nossa existência cristã.

2.    Por que? Por pelo menos duas razões bem claras na Palavra de Deus:

a.    A primeira é porque é por cumprir esse mandamento que somos/seremos reconhecidos como discípulos / ou como cristãos / ou como pessoas que têm uma existência cristã. Foi Jesus quem o disse e João registrou em 13:35: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”

b.    E a segunda é porque, segundo aprendemos com 1 João 4:8, “aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”.

3.    Outra pergunta, que até fizeram certa feita a Jesus, é: quem é esse “outro” a quem devo amar? É uma boa pergunta, porque os judeus, por causa de uma interpretação equivocada de Levítico 19:18, onde Deus lhes disse: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo...”, achavam que só deveriam amar pessoas do seu povo, da mesma raça. E nós, se olharmos apenas para João 13:35 e nos esquecermos do contexto neotestamentário geral, poderemos nos equivocar e ficar pensando que esse amor requerido  por Jesus é para ser manifestado apenas a pessoas de entre nós. Mas, olhando para o contexto geral das Escrituras, aprendemos que:

a.    Aquele a quem devo amar pode estar sentado ao meu lado na igreja, mas também pode estar caído lá fora em alguma calçada;

b.    Aquele a quem devo amar pode ser meu amigo, mas também pode ser meu inimigo;

c.    Aquele a quem devo amar pode ser alguém que fala bem de mim, mas também pode ser alguém que fala mal de mim;

d.    Aquele a quem devo amar pode ser alguém que me apoia, mas também pode ser alguém que me persegue; alguém que me faz o bem, mas também alguém que me maltrata;

e.    Aquele a quem devo amar pode ser alguém amável, mas também pode ser alguém “intragável”.

f.     Enfim, aquele a quem devo amar é... toda e qualquer pessoa. (Até o Jean Willis)

4.    Agora pensemos no fato de que o amor é um desafio constante:

 

II. UM DESAFIO CONSTANTE

 

1.    É um desafio por causa de nós mesmos, porque a natureza humana é “ensimesmada” – há até quem reclame de falta de manifestação de amor para com ele em circunstâncias da vida e que não consegue enxergar que ele próprio não manifesta esse amor para com os outros. Cobra PARA si e é até capaz de cobrar DOS OUTROS PARA OS OUTROS, mas não cobra de SI MESMO. Então, nós somos muitos voltados para nós mesmos, faz parte da nossa natureza, e, por isso mesmo, “sair de nós” para manifestar amor pelos outros, é um desafio, e um desafio constante.

2.    É um desafio constante por causa das outras pessoas, porque, como vimos, não podemos selecionar algumas pessoas para amarmos e excluir outras, e algumas pessoas são bem difíceis.

3.    É um desafio porque, em algumas circunstâncias, para amar, vamos trilhar um caminho contrário àquilo que é pensamento comum no mundo. Exemplos:

a.    O pai do pródigo trilhou um caminho contrário àquilo que é pensamento comum no mundo;

b.    Jesus, quando agiu como agiu para com Zaqueu ou para com a pecadora que lhe lavou os pés com lágrimas e lhos enxugou com os cabelos ou quando lá da cruz orou pelos seus algozes ativos e passivos pedindo perdão para eles trilhou um caminho contrário àquilo que é pensamento comum no mundo.

c.    E o que você faria no lugar de certo menino que, por causa de uma paralisia cerebral, tinha gestos descontrolados e sofria de uma terrível gagueira, sendo objeto de risos por parte de seus colegas? Pois esse menino, certa feita, em um acampamento de igreja, foi eleito pelos colegas para proferir um breve sermão. Eles o elegeram porque pensaram que seria muito engraçado ouvi-lo pregar. E ele sabia disso. O que você faria em seu lugar? O que você diria? Pois veja o que ele disse, com bastante dificuldade por causa de suas limitações: Tenho três coisas a lhes dizer hoje: a primeira é que eu sei que Deus me ama; a segunda é que eu sei que Deus ama a todos vocês; e a terceira é que, sabendo que Deus me ama e que ama a todos vocês, então eu ao amo também. Não é uma direção contrária àquele que é o pensamento comum neste mundo em que vivemos? Sim, é! E, por isso mesmo, um desafio! Mas o plano de dar boas risadas naquela noite foi substituído por muita comoção e muitas lágrimas porque aquele menino decidiu trilhar caminho contrário àquilo que é pensamento comum no mundo.

4.    É um desafio constante por muitas razões, mas é um desafio ao qual devemos “encarar de frente”, porque somos servos do Senhor Jesus e ele nos deu este MANDAMENTO.

5.    E, por último, esse mandamento de Jesus é para nós uma bênção inestimável da qual não devemos abrir mão.

 

III. UMA BÊNÇÃO INESTIMÁVEL

 

1.    O amor recíproco nos estimula a viver uns em favor dos outros, por exemplo:

a.    Agindo com generosidade – Veja em 2 Coríntios 9.10-12 a oração de Paulo pelos Coríntios naquela ocasião – Que Deus multiplique a vossa sementeira; que Deus vos enriqueça; não simplesmente para serem ricos e viverem esplendida e regaladamente, mas para que tenhais condições de serem ainda mais beneficentes / generosos.

b.    Socorrendo e servindo ao próximo – Veja Romanos 12.13. Repartir com os necessitados e receber bem os que vêm para estar conosco, em especial aqueles que vêm para fazerem conosco a obra do Senhor (com vêm os Davs e alguns pastores para estarem conosco no próximo mês). Bem, obviamente sabemos que isso requer um pouco de sabedoria para não sofrermos abusos, como o que presenciei pessoalmente em um tempo em Foz: uma família que se dizia necessitada e recebia cesta básica da igreja (e talvez do PROVOPAR e talvez até de mais algum lugar), até um dia, um domingo, em que após o culto passei em frente à casa e eles estavam na maior festa regada a churrasco e cerveja – e não era um fato isolado, uma comemoração, mas um costume.

c.    Encorajando – Veja 2 Coríntios 1.3-4 – Deus nos consola em nossa tribulação, isto é, Ele nos chama para o seu lado e nos encoraja e fortalece pela consolação, e nós devemos fazer isso também uns com os outros.

d.    Procedendo com benignidade – Veja Efésios 4.31-32 – Gentileza, amabilidade.

e.    Sendo prestativos Sendo dispostos a servir – Veja 1 Pedro 4.10 – “Cada um administre...”. Administrar = diakoneo = Servir – Com aquilo que Deus colocou em suas mão, sirva...

f.     Sendo sensíveis – Veja Romanos 12.15

g.    Dando bons conselhos – Veja Colossenses 3.16

2.    Dito isto, peço que você agora imagine nós deixando de lado todas as nossas diferenças e agindo assim uns para com os outros, imagine esse como sendo o “ambiente” natural de nosas igreja, e me diga se não é uma bênção inestimável!?

 

CONCLUSÃO

 

1.    “Amai-vos uns aos outros”.

a.    Uma necessidade vital;

b.    Um desafio constante;

c.    Uma bênção inestimável.

2.    Amai-vos uns aos outros é possível quando ao olharmos para as pessoas substituímos os NOSSOS olhos pelos olhos DE DEUS. Um exemplo para encerrarmos: Surgiu em nossa cidade nesses últimos dias, não diria um medo, mas um princípio de medo entre as crianças, quanto à figura do “andarilho”. Não sei por que! Um andarilho é apenas alguém que, por alguma razão, se torna um peregrino pelas estradas, e, geralmente se apresenta aparentemente sujo, barbudo e vítima de extrema pobreza. Mas surgiu o medo, e, de certa forma os adultos, por medo também, não por eles mesmos, mas por suas crianças, incentivam o medo. Daí passamos a “olhar” o “andarilho” com “maus olhos”. Mas, faça o seguinte: “troque os olhos”, os seus olhos pelos olhos de Deus... Quem é esse andarilho? Por que ele se tornou andarilho? Qual é a sua história?... “Amai-vos uns aos outros” inclui o andarilho...

 

Só pela graça e pela misericórdia de Deus,

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

Muqui – Outubro de 2016

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O PAI DO PRÓDIGO

O PAI DO PRÓDIGO

 

Lucas 15.11-32

 

1.    Lucas é o narrador desta história que lemos. O único narrador. Você não vai encontrar esta parábola em mais nenhum dos evangelhos.

2.    Lucas foi um médico, o “médico amado” (Cl. 4.14), companheiro e cooperador de Paulo, e que escreveu, além deste evangelho, o livro de Atos.

3.    O Evangelho de Lucas foi escrito por volta do ano 60 d.C., principalmente para os gregos e seu tema é Cristo como Homem. É o único que fala sobre a infância de Cristo, e revela mais sobre a vida de oração de Jesus. As parábolas nele incluídas geralmente mostram a preocupação de Cristo pela humanidade perdida, e esta, conhecida como “A Parábola do Filho Pródigo”, é uma delas.

4.    Na maioria das vezes em que tomamos esta parábola para ler e meditar, nossa mente se concentra na pessoa do Filho pródigo (gastador). Às vezes no irmão do Filho pródigo, e quase nunca no Pai. Hoje quero pensar com vocês na pessoa do pai, mais precisamente nas atitudes daquele pai para com aquele filho, a princípio ingrato.

5.    Alguns versículos da Palavra de Deus aparentemente nos são mais preciosos que outros, isto é, gostamos deles ao ponto de os memorizarmos e citarmos em diversas situações. Um deles é o Salmo 119:105: “Lâmpada para os meus pé é a Tua Palavra, e luz para os meus caminhos”, texto que significa que é na Palavra de Deus que encontramos orientações sobre como agir diante das diversas situações que se nos apresentam neste mundo de trevas.

6.    Pois bem, uma destas muitas situações que enfrentamos, no caso, como igreja, diz respeito a como proceder para com aqueles que fazem parte de nossa igreja e que acabam por agir como o pródigo da Parábola: resolvem sair, vivem uma vida dissoluta e depois resolvem voltar. Como proceder?

7.    Para uma situação assim, penso que nesse texto, nas atitudes do pai do pródigo, encontramos uma boa quantidade de luz. Então vamos analisar esta parábola, desta feita com o nosso olhar voltado para as atitudes do pai.

 

PRIMEIRA ATITUDE: não segurou “à força”, por algum artifício, por alguma espécie de chantagem ou mesmo alguma “palavra aterrorizante”, aquele filho que não queria mais estar em sua presença.

 

1.    Pois bem, aí temos um exemplo de atitude: não segurar à força quem não quer de jeito nenhum ficar. Aliás, partiu do próprio Jesus para alguns que queriam segui-lo, a “chamada de atenção” quanto ao fato de que isso não era algo tão fácil de fazer e que eles precisavam pensar bem se queriam mesmo. Nas palavras do próprio Jesus: “As raposas tem covis e as aves do céu têm ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”.

2.    Isso nos leva a algumas considerações:

a.    Nossas doutrinas e princípios são claros e evidentes – todos sabemos, ainda que talvez não na íntegra, quais são as nossas crenças, quais são as nossas práticas, o que podemos e/ou devemos fazer e o que não podemos e/ou não devemos fazer.

b.    Falando “por tabela” (quem lê entenda), ninguém, depois de certa idade, é obrigado a estudar ou mesmo ir à escola, mas quem não quer – resolutamente, indubitavelmente e racionalmente – não quer, nem deveria estar matriculado.

c.    Não é salutar alguém estar só de “corpo presente”, seguro por alguma outra razão que não a sua vontade pessoal.

                                  i.    Acontece que às vezes seguramos com alguma espécie de “ameaça”...

                                ii.    Acontece que às vezes o “pródigo” até já se foi, mas nós insistimos em segurar pelo menos o seu nome anotado em algum papel. Quando fazemos isso por “dó” e porque pretendemos tentar mais uma vez resgatar o pródigo, ainda vá lá, mas quando a razão é, se não uma ideia pelo menos uma impressão de que nome no papel faz alguma diferença diante de Deus...

3.    Penso que essa atitude possa ser uma luz para nós. O que fazer com quem não quer resolutamente, decididamente, ficar? Deixe-os ir... e ore por eles... e de vez em quando dê uma “olhada na estrada” na esperança de que eles, decididamente, por vontade própria, um dia retornem.

 

SEGUNDA ATITUDE: apesar de não segurar, a esperança cultivada no coração do pai era a de que seu filho um dia retornaria, e ele aguardava ansioso por esse dia.

 

1.    Bem, acho que foi mais ou menos com essa mensagem que fechei o tópico anterior.

2.    Essa á a atitude de, apesar de deixar ir, não esquecer facilmente aquele que se foi e esperar que ele volte. Daí, então, você poderá:

a.    Orar por quem um dia se foi;

b.    Mostrar, se tiver oportunidade, que as portas continuam abertas;

c.    Convidar, se tiver oportunidade, para se fazer presente conosco, sem nenhum constrangimento, em ocasiões especiais.

3.    Mantenha seu coração aberto...

4.    “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e luz para os meus caminhos” – E para onde aponta a luza da palavra de Deus em uma situação como essa? O que diz a palavra? Ela diz: cultive a esperança de retorno e mantenha o seu coração aberto. Não segure, mas também não feche o coração.

 

TERCEIRA ATITUDE: recebeu com alegria o filho que voltou e o recebeu como filho e não como um subordinado.

 

1.    Paulo escreveu sua segunda carta aos Coríntios apenas um ano após a primeira. Ele estava em grande aflição espiritual. Talvez até em parte por causa do teor de sua primeira carta, carta em que ele precisou tratar de alguns problemas bem difíceis daquela igreja, começou a surgir lá uma onda de desconfiança em relação a Paulo, até mesmo desconfiança em relação à sua autoridade apostólica. Paulo então defende sua autoridade colocando diante da igreja evidências de sua sinceridade no serviço a Deus. Mas isso ele o faz sob grande aflição. Daí nós vermos na carta uma grande quantidade de termos que expressam sofrimento na mente no coração e no corpo, termos como “aflições”, “angústia”, “apedrejado”, “atribulado”, “jejuns”, “açoites”, “fraco”, “fraqueza”, “fome”, “choro”, “perseguido”, “tribulações”, “tristeza”... junto com “consolação”, “consolado”, “alegria”, “triunfo”, “regozijo”... Entretanto, apesar da grande aflição, a certa altura, no capítulo 6, ele lhes diz que seu coração não estava estreitado, e sim dilatado para eles, isto é, ele estava disposto a ser generoso e recebê-los com abraço e amor.

2.    A atitude de Paulo é um reflexo dessa atitude desse pai da parábola contada por Jesus. Será que o pai foi acometido de uma amnésia e esqueceu o que o filho houvera feito? Não! O que aconteceu foi que durante todo o tempo em que o filho esteve longe, sendo-lhe causa de grande sofrimento, ele não estreitou o coração para ele, antes o manteve dilatado. “Seu lugar está aqui, filho..., e para ser filho, e não subordinado”.

3.    O coração daquele pai não foi tomado – porque ele não deixou – de desconfiança e medo de que seu filho pudesse novamente fazer a mesma coisa.

4.    Será que era impossível de isso acontecer? Claro que não! Poderia acontecer! E pode! (que Deus nos livre, mas pode!). Mas possibilidade é só possibilidade e não fato! Fato era que seu filho, naquele momento estava de volta demonstrando grande arrependimento em seu coração, e isso era o que importava – o amanhã cuidará de si mesmo, basta a cada dia o seu mal.

5.    Então, para onde aponta a “lâmpada, a luz” que é a Palavra de Deus quando alguém, mesmo tendo sido ingrato, mesmo tendo vivido dissolutamente, e talvez até mesmo tendo falado mal da “casa do pai” volta arrependido? Aponta para “receba com alegria”. Às vezes é difícil, dá vontade de “apagar a luz”, ignorar, ou colocar algumas objeções bem inteligentes, bem justificáveis humanamente falando para não agir assim; mas, se dizemos em alto e bom som, quase como que proferindo um credo, que “lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e luz para os meus caminhos”, então, como ir em direção contrária?

 

QUARTA ATITUDE: não ficou a lamentar e a “lançar em rosto” as perdas ocasionadas pela atitude do filho.

 

1.    Essa foi a atitude do irmão do pródigo, mas não do pai.

2.    Também não encontramos em Jesus essa atitude de “lançar em rosto” ou de ficar se referindo a quem foi fulano no passado ou o que fulano fez, quando o fulano vem a ele arrependido. Encontramos nos escribas e fariseus e em alguns outros, mas não em Jesus.

a.    Zaqueu era publicano, cobrador de impostos para o império romano, o chefe deles em Jericó. Muitos se lembraram disso e fizeram referência a isso, mas Jesus não...

b.    Mateus também era publicano, e Simão era zelote, membro de um partido nacionalista judeu no tempo de Cristo que usava de violência em oposição ao domínio romano. Mateus e Simão eram “cão e gato”, e ambos foram chamados por Jesus para comporem o colégio de discípulos.

c.    Prostitutas deveriam ser apedrejadas... mas Jesus as salvava, obviamente mediante seu arrependimento e fé em Jesus.

3.    Zaqueu, Mateus, Simão, prostitutas convertidas... essa gente certamente fazia Jesus “negativamente famoso” aos olhos de muitos, mas quando elas (essa gente) atenderam ao chamado ou foram a Jesus foram recebidas e perdoadas. Obviamente eram ensinadas e fortalecidas a abandonarem seus pecados, mas prontamente recebidas.

4.    O pai não ficou a lamentar e a lançar em rosto as perdas... Isso é luz para nós no que respeita a qual deve ser nossa atitude em situação como essa.

 

QUINTA ATITUDE, e última: não ficou preocupado com o que as pessoas pudessem pensar ou falar dessa sua atitude de receber com tanta alegria e tão prontamente o filho ingrato e esbanjador.

 

1.    Será que ninguém falou mal? Será que ninguém criticou?

2.    Certamente que sim! Mas o que importa? O importante é que “este meu filho estava morto e reviveu, tinha se perdido e foi achado. Então, trazei depressa a melhor roupa e vesti-lho, ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; trazei o bezerro cevado e matai-o e comamos e alegremo-nos”.

 

CONCLUSÃO

 

1.    O Pai do Pródigo:

a.    Não segurou “à força”, por algum artifício, por alguma espécie de chantagem ou mesmo alguma “palavra aterrorizante”, aquele filho que não queria mais estar em sua presença.

b.    Cultivou no coração a esperança de que seu filho um dia retornaria, e ele aguardava ansioso por esse dia.

c.    Recebeu com alegria o filho que voltou e o recebeu como filho e não como um subordinado.

d.    Não ficou a lamentar e a “lançar em rosto” as perdas ocasionadas pela atitude do filho.

e.    E não ficou preocupado com o que as pessoas pudessem pensar ou falar dessa sua atitude de receber com tanta alegria e tão prontamente o filho ingrato e esbanjador.

2.    Esses são os cinco pontos que me vieram à mente para compartilhar com os irmãos, mas não poderia concluir sem dizer que a atitude desse pai foi em relação a um filho que voltou realmente arrependido, e deu provas disso. Se há verdadeiro arrependimento não há porque ter reservas. Tiveram desconfiança de Saulo, mas Deus disse para irem cuidar dele porque era um vaso escolhido desde o ventre da mãe e que dali por diante experimentaria o que é sofrer pelo nome de Jesus.

3.    Que a palavra de Deus seja de fato nossa luz em circunstâncias assim.

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Muqui, Outubro de 2016