domingo, 30 de setembro de 2012

Estudos no Sermão do Monte / Parte 6 – Bem aventurados os misericordiosos


BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS

 

 

Estudo baseado em:

“A Felicidade Segundo Jesus”, de Russel Shedd

e “Estudos no Sermão do Monte”, de Martyn Lloyd-Jones

 

 

“bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”

(Mateus 5:7 RC)

 

01. Bem aventurados os Misericordiosos, é o nosso tema desta manhã.

02. Antes, porém, vamos relembrar o que já vimos até aqui nessa série de estudos sobre o sermão da montanha.

a.    Já vimos que “bem-aventurados são os humildes/pobres de espírito”, e que ser humilde de espírito significa reconhecer que diante de Deus nada somos e nada temos; dependemos inteira e desesperadamente de Jesus; somos mendigos espirituais. É certo que em Cristo temos tudo, Mas “em Cristo” e não “em nós”.

b.    Já vimos que “bem-aventurados são os que choram”, e que esse “choro”, essa “lamentação”, é por causa de nossa condição de pecadores e é por causa da condição em que estão aqueles pecadores que ainda não se renderam a Jesus e a condição do mundo por causa de muitos desses ainda não redimidos.

c.    Já vimos que “bem-aventurados” são os mansos, e que essa mansidão consiste de entregarmos a Deus o nosso “eu”, a nossa vontade pessoal, submetendo-nos à Sua vontade em tudo.

d.    Já vimos que “bem-aventurados são os que têm fome e sede de justiça”, e que essa “justiça”, e que isso significa anelar por ser completamente livre do pecado; ser positivamente santo.

e.    E vimos que:

                                  i.    Dos humildes de espírito é o reino dos céus;

                                ii.    Os que choram são consolados pela esperança que têm em Cristo, e, no tempo certo, no tempo de Deus, serão completamente consolados porque não haverá mais as causa pelas quais choram;

                               iii.    Os mansos herdarão a terra;

                               iv.    E os que têm fome e sede de justiça serão fartos, completamente satisfeitos.

03. Agora vamos ao nosso tema.

04. Comecemos por pensar sobre:

 

O QUE É MISERICÓRDIA?

 

05. O Dr. Russel Shedd em “A Felicidade Segundo Jesus” propõe duas definições principais:

a.    É uma qualidade divina pela qual a compaixão nos afeta de modo suficientemente profundo para nos fazer aliviar o sofrimento do próximo. É compaixão ativa por aqueles que sofrem. Assim como o bom samaritano, que achou o judeu ferido na estrada de Jericó e lhe demonstrou bondade inesperada, todos os misericordiosos agirão de modo semelhante.

b.    Misericordioso descreve a pessoa que perdoa o malfeitor que pratica o mal sofrido pelo inocente. É, portanto, a disposição de oferecer perdão àqueles que podem ou não merecê-lo.

06. Uma historinha contada pelo mesmo autor na mesma obra acima citada nos ajudará a ter um maior entendimento:

 

“Certo pastor, para esclarecer ao filho a diferença entre graça e misericórdia, aproveitou um ato de desobediência do filho. Disse ao filho que iria castigá-lo com dez cintadas. Quando o pai levou o filho desobediente para o quarto e lhe ordenou que se ajoelhasse ao lado da cama, só lhe deu cinco cintadas. O filho ficou perplexo: “Não fiquei de receber dez?”. “Sim”, disse o pai, “mas quero que você compreenda o que é misericórdia”. Mais tarde, o pai convidou o filho para sair e tomar um sorvete. “Mas não estou de castigo?”. “Sim, é verdade, mas quero que você entenda o que é a graça”.

 

07. Graça, amados, diz respeito a algo bom que recebemos mesmo sem merecer. E misericórdia é quando merecemos algo que consideramos ruim, como uma surra, por exemplo, mas não o recebemos.

08. Misericordioso é aquele que, mesmo sabendo que o outro merece o desprezo, punição, talvez até o abandono, não age para com ele dessa forma, antes, age com amor.

 

09. O próprio Deus é o melhor exemplo de ser misericordioso:

 

“Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade.” (Salmos 103:8 RC)

 

a.    O Salmo 136 é um salmo onde o salmista exorta a render graças ao Senhor pelos seus diversos atos de misericórdia. Nesse salmo é repetido 26 vezes o refrão: “porque a Sua misericórdia dura para sempre”

b.    Outros textos:

 

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia...” (Efésios 2:4 RC) e

“... o Senhor é muito misericordioso e piedoso.” (Tiago 5:11 RC)

 

10. Por ser Deus misericordioso, Ele exige que as suas criaturas, aquelas que foram criadas à Sua imagem, nós, portanto, também sejam misericordiosas.

 

a.    O profeta Miquéias, com muita propriedade, dirigido pelo Espírito Santo de Deus, deixou registradas as seguintes palavras:

 

“Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.” (Miquéias 6:6-8 RA)

 

b.    Na época dos apóstolos os rabis ordenavam que se exercesse misericórdia no sentido de perdão a um irmão que pecara contra o outro, até três vezes. Nesse contexto Pedro chega diante de Jesus e até é excepcional sugerindo o dobro e mais um para o número de perdão, mas Jesus vai além... veja o texto:

 

“Então, Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete.” (Mateus 18:21-22 RC)

 

11. O Senhor quer que o seu povo seja um povo misericordioso, que exerça misericórdia de maneira rica, abundante, nas situações fáceis, bem como nas difíceis.

 

12. Então, resumindo,

 

a.    misericórdia é a compaixão em ação, é manifestação de bondade, de perdão, mesmo àqueles que só merecem o desprezo, o abandono e a punição.

b.    Deus é o maior exemplo de ser misericordioso, Ele é o Pai das Misericórdias,

c.    e requer dos seus que sejam misericordiosos assim como Ele o é – É isso que Deus requer de nós, e nada menos que isso. 

 

13. Já entendemos bem o que é misericórdia, e já vimos que devemos ser misericordiosos porque Deus requer isso de nós. Vejamos, entretanto,

 

MAIS ALGUMAS RAZÕES PARA O EXERCÍCIO DA MISERICÓRDIA

 

14. Vejamos quatro razões:

 

a.    Os misericordiosos têm motivo para esperar misericórdia da parte de Deus.

                                  i.    Não queremos dizer com isso que alguém será salvo por boas obras. De forma alguma, pois Efésios 2.8 e 9 diz que é pela graça que somos salvos, e que isto não vem de nós, é dom de Deus; não vem das obras para que ninguém se glorie (pedir alguém para ler o texto).

                                ii.    Mas os que já são salvos pela graça de Deus e exercem misericórdia em abundância, são e serão objetos da abundante misericórdia divina.

 

b.    A segunda razão está no fato de que levamos o nome de Deus.

                                  i.    Nascemos de novo do Espírito Santo;

                                ii.    somos filhos de Deus, o povo de Deus,

                               iii.    e como poderemos não evidenciar algumas características do Pai que nos deu vida?

1.    Quando estudamos 1 João vemos que o filho de Deus não vive pecando porque o que permanece nele é a divina semente, uma metáfora biológica utilizada por João para demonstrar que aqueles que se tornam filhos de Deus pela fé em Jesus passam a possuir a natureza de Deus. O termo “semente” é tradução da palavra “sperma”.

                               iv.    Sendo assim, o filho de Deus não apenas “não vive pecando”, como “vive a evidenciar características do Pai”, sendo uma delas a misericórdia.

                                v.    Você leva o nome de Deus? Você é filho de Deus? Você age misericordiosamente para com as pessoas?...

 

c.    Terceira razão: Jesus nos deixou o exemplo para seguirmos as suas pisadas.

 

d.    E a quarta razão é: Há galardões que serão dados copiosamente aos misericordiosos.

                                  i.    Em Mateus 10.42 Jesus diz haverá galardão até por um copo de água fria que for oferecido.

 

15. Mas fará bem observarmos o seguinte:

 

a.    Há pessoas que têm um dom especial de exercer misericórdia.

                                  i.    Romanos 12.8 mostra a existência desse dom (veja o texto).

                                ii.    Muitos há que suportam males e afronta no exercício da misericórdia, sem desistir. Veja as histórias de “José” e do capelão “Khoo” a partir da página 79 do livro “A Felicidade Segundo Jesus”.

                               iii.    Quantas pessoas poderiam procurar um bom emprego, que lhes renderia um bom salário, mas gastam suas forças tentando resgatar bandidos, drogados, prostitutas, meninos de rua...? As suas escolhas e valores são orientados pela misericórdia.

 

16. Feita essa observação, passemos a considerar agora,

 

O GALARDÃO DOS MISERICORDIOSOS

 

17. Qual é?

18. O que diz o texto?

a.    “alcançarão misericórdia”

19. E como é que alcançaremos misericórdia?

20. Veja a consideração de Martyn Lloyd-Jones:

 

Ø  Oh, sim, naquele dia haveremos de precisar de misericórdia;

Ø  no fim, precisaremos de misericórdia,

Ø  no dia do julgamento, quando cada um de nós tiver de postar-se de pé diante do tribunal de Cristo, prestando-lhe contas por aquilo que tivermos feito por intermédio do corpo (precisaremos de misericórdia).

Ø  Certamente transparecerão ali coisas erradas e pecaminosas, e, naquele dia, precisaremos da misericórdia do Senhor.

Ø  Mas, graças a Deus,

o   se a graça de Cristo está em nós,

o   se o Espírito do Senhor está em nós,

o   e (por conta disso) somos misericordiosos,

o   haveremos de receber misericórdia naquele dia.

Ø  O que me torna misericordioso é a graça de Deus.

Ø  A graça divina torna-me, de fato, misericordioso.

Ø  Por conseguinte, tudo gira em torno desse conceito.

o   Se ali eu não for considerado misericordioso, então é que jamais pude entender a graça e a misericórdia de Deus,

o   é que estou fora de Cristo,

o   é que ainda estou em meus pecados,

o   é que ainda não fui perdoado”...

 

 

Estudo baseado em “A Felicidade Segundo Jesus”, de Russel Shedd

e “Estudos no Sermão do Monte”, de Martyn Lloyd-Jones

domingo, 23 de setembro de 2012

Estudos no Sermão do Monte / Parte 5 – Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça


BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA

Fontes: “Estudos no Sermão do Monte”, de Martyn Lloyd-Jones e “A Felicidade Segundo Jesus”, de Russel P. Shedd

“bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt. 5:6)

01. O termo justiça tem andado bastante na boca do povo nestes últimos tempos.
02. As pessoas têm clamado por ela e muitos têm reclamado diante da falta da mesma.
03. E, uma grande questão na qual devemos pensar diante desse fato é: o que cada um tem em mente quando fala em justiça?

a. O que será que uma mãe está pensando quando, diante de um filho morto pelas balas de um assassino inescrupuloso, clama por justiça?
b. O que será que alguém que diz que irá fazer justiça com as próprias mãos está realmente querendo dizer?
c. O que será que uma autoridade policial está pensando quando aconselha a que se deixe o caso com a justiça?
d. O que será que o apresentador do programa policial quer dizer quando diz que se a justiça da terra não fizer nada a justiça divina vai dar um jeito?
e. O que será que realmente se quer dizer quando se diz que o mundo é injusto, que precisamos ser justos uns com os outros... ?
04. Você já parou pra pensar nisso?
05. Vemos que a justiça tem sido entendida de maneira variada pelas pessoas em geral e que também esse entendimento tem sido variado dependendo da circunstância.
06. E o que será que JESUS quis dizer com essa bem-aventurança?
07. É um assunto interessante.
a. Não tenhamos pressa.
b. Vamos digerir bem devagar até chegarmos a um bom entendimento da questão.
08. Já tivemos ocasião de dizer o que significa a expressão “bem-aventurado”.
09. Você ainda se lembra?
a. Significa “feliz”, verdadeiramente feliz.
10. Jesus está dizendo, então, que verdadeiramente feliz é o homem que tem fome e sede de justiça.
11. Note que Jesus usa aqui a figura da fome e da sede para expressar como deve ser o nosso desejo por justiça.
12. A fome tem efeitos impressionantes sobre o corpo.
a. Começa com a falta de glicose no sangue,
b. vem a tremedeira,
c. a fraqueza,
d. o desmaio.
13. A sede é ainda pior.
14. Também já tivemos ocasião de dizer que ser feliz é uma dos principais objetivos do homem em geral.
a. A organização da vida, em todos os seus aspectos, a mania pelos prazeres, a busca pelo dinheiro, a energia e o entusiasmo despendidos na tentativa de entreter as pessoas, e outras coisas mais, demonstram isso.
b. Deus também quer que o homem seja feliz. Deus não criou o homem para ser triste.
c. Mas é interessante que ao falar de algo que devemos desejar com tal intensidade, descobrimos que esse algo não é a felicidade em si, mas a justiça.
d. Entretanto, se alcançarmos a justiça, essa justiça a que Jesus se refere, uma vez dela fartos, seremos felizes, verdadeiramente felizes.
15. Prestemos bastante atenção, irmãos, porque esta passagem tem muito a nos ensinar. E uma das coisas que ela tem a nos ensinar é que

Como servos de Deus a nossa busca MAIOR NÃO deve ser por uma “bênção” ou mesmo pela felicidade.


16. Quanta gente há nas igrejas e que vivem correndo apenas atrás de “bênçãos”!
17. Agora, quando penso nisso, me lembro de uma conversa que ouvi em frente a uma determinada igreja há muitos anos.
a. A conversa girava em torno de pedir coisas a Deus.
b. Um dos que conversavam estava feliz porque havia conseguido o que pediu, e, da próxima vez iria pedir mais.
18. Há muita gente, muito crente, que faz da “bênção” (material, física) um fim em si mesma.
19. E pior, o incentivo para tal vem da própria liderança das igrejas.
a. Os testemunhos que são dados (as campanhas de marketing da igreja) giram quase sempre em torno de bênçãos materiais e físicas.
20. É certo que Deus é um Deus abençoador, e é certo que nós precisamos dessas “bênçãos” e até podemos e devemos buscá-las em Deus. Entretanto, não é certo fazermos delas o objeto de nossa busca maior.
21. Há também muita gente cujo objetivo maior na vida é ser feliz.
22. A felicidade tornou-se, para muitos, um fim em si mesma, e vale qualquer coisa para ser “feliz”, inclusive ser infiel, desobediente à Palavra de Deus.
23. Muitos estão colocando a felicidade acima da justiça, e o que esses muitos não se dão conta é que nessa busca desenfreada, descuidada, estão encontrando a tristeza ao invés da felicidade.
24. Se colocarmos a felicidade no lugar que pertence à justiça, nunca encontraremos a verdadeira felicidade.
25. Imagine alguém que esteja sofrendo de alguma enfermidade dolorosa.
a. Qual será o seu grande objetivo?
b. Em geral, o grande objetivo é livrar-se da dor. Ninguém gosta de sentir dor.
i. Conheci um pastor que tinha um problema sério na coluna, problema esse que lhe causava grandes e constantes dores. Esse problema já o acompanhava há alguns anos, e ele dizia que estava tão acostumado a sentir dor que quando ela sumia por algum tempo ele ficava com saudades. Mas era só brincadeira. Ele também não gostava de sentir dor, e ninguém gosta, assim como ninguém gosta de ser infeliz.
c. Diante disso, faz-se tudo o possível para livrar-se da dor.
d. Agora, imagine que esse alguém vá a um médico e conte a ele das suas dores. Qual é o dever desse médico? Ele deve prescrever um remédio para o alívio da dor, mas o seu dever primário é descobrir a causa da dor e tratar dessa causa. Se o médico apenas dá um remédio para a dor, o enfermo talvez fique, pelo menos por uns tempos, livre de sua dor e pareça estar bem de saúde, mas a causa de sua enfermidade continuará presente, e, mais cedo ou mais tarde a dor voltará e poderá ser já tarde demais.
26. Esse é o mal dos homens no que respeita à felicidade.
a. Eles sentem-se infelizes, se sentem incomodados com isso e apelam para coisas, lugares, afazeres, que os façam esquecer-se de sua infelicidade.
b. Crentes também há que se embrenham nessa busca, e vão de convenção em convenção, de igreja em igreja, de experiência em experiência...
c. Eles não param para pensar que existe uma causa, talvez muito mais profunda do que eles imaginam, para essa infelicidade, e que o que deve ser tratado é a causa.
d. Não se dão conta de que a “causa” talvez esteja no fato de que a justiça esteja ocupando um lugar inferior em suas vidas ou talvez até lugar nenhum.
e. Estão com “dor”, estão com fome e sede de “bênçãos”, de felicidade, de “experiências”, de coisas; mas nunca serão fartos.
27. Os que têm fome e sede DE JUSTIÇA é que serão fartos, e, juntamente com essa justiça vem a tão almejada felicidade.
28. Verdadeiramente felizes são os que têm fome e sede de justiça.
29. Não é preciso correr atrás da felicidade.
30. Deus nos criou para sermos felizes.
31. A felicidade, a verdadeira, faz parte de um “pacote”, ela “vem junto”.
32. Busquem em primeiro lugar o reino de Deus e a Sua justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas.
33. Passemos então a considerar o que está envolvido nessa “justiça” a que Jesus se refere.

Quando pensamos em “justiça”, nessa a que Jesus se refere, na justiça segundo Deus, NÃO devemos direcionar o nosso pensamento para aquilo de que tanto se fala em nossos dias, isto é, uma espécie de retidão geral.

34. Muito se fala hoje em dia sobre a necessidade de uma certa retidão geral (talvez porque ela esteja bastante em falta) – lealdade nos acordos firmados; honestidade nos negócios; políticos sérios, honestos; e por aí vai.
35. Não é errado se falar sobre isso, e até é bom que se fale sobre isso. Precisamos mesmo dessas coisas, e como precisamos!
36. Mas o evangelho cristão não para nesse ponto; a justiça cristã não consiste somente nisso.
37. Em Mateus 5.20 Jesus enfatiza o fato de que a justiça dos que são seus deve ser maior, deve “exceder” a dos Escribas e Fariseus; deve ser maior do que essa justiça comum que vemos por aí.
38. Há pessoas (e como as há, especialmente na época das eleições) que falam com eloqüência sobre esse tipo de justiça, mas que ignoram completamente o que seja justiça “pessoal”.
a. Por exemplo, fala-se muito em “lealdade”:
i. lealdade política,
ii. lealdade entre nações...,
b. mas no campo pessoal mostram-se desleais, por exemplo, desleais para com o cônjuge.
39. O conceito de retidão e de justiça, que a Palavra de Deus nos apresenta vai além, é maior, é mais profundo e não aponta meramente para a respeitabilidade geral ou para a moralidade geral.
40. Outra coisa:

Essa justiça de que Jesus fala, pela qual devemos ansiar, NÃO é a justificação, e, de certa forma, vai além da justificação.


41. Você sabe o que é a justificação da qual a Bíblia fala? Vou dizer pra você:
a. Justificação é um ato divino de efeito judicial, através do qual Deus decreta o perdão e a absolvição do pecador e o declara justo. O indivíduo que “morre” e “nasce de novo”, “nasce” justificado, com todo o seu passado de culpa anulado.
b. A justificação é a restauração do homem àquela posição original de comunhão, e pode ser definida como uma mudança de estado de culpa e conseqüente condenação, para o estado de absolvição e aceitação.
c. A Bíblia declara enfaticamente que o homem é pecador e, portanto, culpado diante de Deus...
i. Diante do tribunal de Justiça divino ele está condenado,
ii. mas Jesus Cristo, que foi achado sem culpa alguma, tomou o lugar do pecador e pagou a sua pena, satisfazendo assim as exigências da lei.
iii. Então, o culpado é julgado e absolvido na base de que a pena foi paga por Cristo.
iv. Por estar em Cristo ele não pode ser achado com culpa.
v. É por isso que Deus, através do apóstolo Paulo, declara, em Romanos 8.1, que não resta mais nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.
d. No A. T. a palavra é empregada para significar DECLARAR justo em sentido legal, e não TORNAR justo em sentido moral.
e. No Novo Testamento o verbo justificar tem a mesma significação que no Antigo Testamento, com uma afirmação ainda mais forte de que é uma DECLARAÇÃO ou IMPUTAÇÃO de inocência, e não uma transformação moral.
f. Algo que se vê claramente em muitas passagens bíblicas é que “Justificar” não significa “fazer justo”, e sim, “APRESENTAR COMO JUSTO”, ou “DECLARAR JUSTO”.
g. Em sentido legal, portanto, a justificação não trata diretamente do caráter ou conduta do homem. Diante de Deus ele não é justo em si mesmo, pelo seu próprio caráter; mas ele é apresentado como justo por causa da justiça daquele em quem ele está: Cristo.
42. Vemos então que a justificação é algo maravilhoso que Deus em Cristo fez por nós, mas que não nos torna justos em sentido moral, não tira de nós a natureza pecaminosa que temos, e é por isso que essa justiça pela qual anelamos vai além, porque essa justiça APONTA PARA O DESEJO DE RECEBER LIBERTAÇÃO DO PECADO EM TODAS AS SUAS FORMAS E EM SUA PRÓPRIA MANIFESTAÇÃO.
43. Vejamos isso por partes:
a. Ter fome e sede de justiça significa anelar por ser livre do pecado, porque o pecado nos separa de Deus O nosso maior desejo, como pessoas que crêem em Deus como Ele é apresentado pelas Escrituras é, ou pelo menos deveria ser, o de estar bem com Deus, todos os dias durante todos os seus 86.400 segundos. Isso acontece? Se não, por que? Não é por causa do pecado? Esse desejo por justiça é, em outras palavras, o desejo de se estar bem com Deus em todos os segundos de todos os nossos dias, mas há o pecado que se interpõe, e, então essa justiça diz respeito a um desvencilhar-se por completo do pecado porque o pecado é rebelião e gera separação.
b. Ter fome e sede de justiça significa anelar por ver-se livre do domínio do pecado, e mais: do próprio desejo de pecar – O desejo pelo pecado é algo extremamente forte em nossa natureza carnal. É fato que, mesmo depois de reconhecermos que determinada coisa é pecado, mesmo depois de conseguirmos não ser mais dominados por determinada coisa, o desejo ainda vem à tona, senão sempre, pelo menos de vez em quando. E crente é aquele que deseja ser liberto de todas essas coisas.
c. Resumindo, ter fome e sede de justiça é desejar ver-se livre do próprio “eu” em todas as suas facetas.

44. Então, NÃO se trata da justificação, um ato de Deus em nosso favor.
45. Vamos adiante:

Ter fome e sede de justiça É anelar por ser positivamente santo, por despojar-se do velho homem que se corrompe pelas concupiscências do engano e revestir-se do novo homem que é criado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade.

46. Leia Efésios 4.20ss
47. Sempre que estudamos sobre a santificação vemos que ser santo significa ser separado.
a. Separado por Deus e para Deus;
b. separado das coisas que não são de Deus,
c. das coisas que não O dignificam,
d. das coisas que não O agradam,
e. separados para as coisas que O agradam.
48. Em Romanos 13 temos várias orientações importantes, mas no último versículo, o 14, lemos que devemos nos revestir do Senhor Jesus e nada dispor para a nossa carne no tocante às suas concupiscências.
49. Aquele que tem fome e sede de justiça é aquele que tem o anelo por uma vida assim, uma vida que exiba o fruto do Espírito em cada uma de suas ações, na totalidade de sua vida e atividades.

Ter fome e sede de justiça significa ter, como supremo desejo, o de conhecer a Deus e desfrutar de companheirismo com Ele; o de ser parecido com o próprio Senhor Jesus.


50. O objetivo de Deus em Cristo, para nós, está expresso em Romanos 8.29 (Ler o texto)

51. VAMOS RELEMBRAR O QUE VIMOS ATÉ AQUI


a. Como servos de Deus a nossa busca maior não deve ser por uma “bênção” ou mesmo pela felicidade.
b. Quando pensamos em “justiça”, nessa a que Jesus se refere, na justiça segundo Deus, não devemos direcionar o nosso pensamento para aquilo de que tanto se fala em nossos dias, isto é, uma espécie de retidão geral.
c. Essa justiça de que Jesus fala, pela qual devemos ansiar, não é a justificação, e, de certa forma, vai além da justificação.
i. É um anelo por ser livre do pecado, porque o pecado nos separa de Deus;
ii. É um anelo por ver-se livre do domínio do pecado, e mais: do próprio desejo de pecar;
iii. É um anelo por ver-se livre do próprio “eu” em todas as suas facetas.
d. Ter fome e sede de justiça é anelar por ser positivamente santo, de despojar-se do velho homem que se corrompe pelas concupiscências do engano e revestir-se do novo homem que é criado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade.
e. Ter fome e sede de justiça significa ter, como supremo desejo, o de conhecer a Deus e desfrutar de companheirismo com Ele; o de ser parecido com o próprio Senhor Jesus.
52. Vemos então que é algo muito mais a nível pessoal do que geral.
a. É a MINHA vida encaixando-se nas “regras” de Deus.
b. Sou EU transformado por Deus, conforme Deus, para poder estar diante desse Deus que é Santo.

PASSEMOS AGORA A UMA OUTRA QUESTÃO


Por que muitos não estão famintos e sedentos por essa justiça?

53. Façamos apenas algumas considerações; pensemos em algumas hipóteses; são hipóteses fortíssimas, mas lembre-se: não estamos a julgar ninguém aqui, estamos apenas dando, digamos assim, subsídios para cada um fazer uma “autoanálise”. Vamos a essas considerações/hipóteses:
a. Muitos não estão famintos e sedentos por essa justiça porque estão ensoberbecidos (enfatuados, arrogantes) com a sua própria justiça imaginária. Não param para observar o que Deus diz. E também acham que o simples fazer é justiça. Veja um exemplo em Lucas 18.9-14.
i. Quanta gente enfatuada há dentro das igrejas! Quanta gente há que pensa que sem eles determinada igreja deixará de existir!!!
1. Mas, por favor, não pense em ninguém que não você; não julgue ninguém. Pense apenas em você analisando se você não é assim
b. Muitos não estão famintos e sedentos por essa justiça porque estão com o coração cheio, repleto, transbordante de amor pelo mundo e seus deleites.
i. Se ficam sem dinheiro sentem falta e só fazem reclamar;
ii. se ficam privados do usufruto de alguma coisa deste mundo, têm a mesma atitude;
iii. se são obrigados a passar um dia sem refeição sentem-se injustiçados e queixam-se;
iv. mas qualquer desculpa esfarrapada lhes serve de motivo para não participar de um banquete espiritual que porventura Deus queira lhes propiciar.
c. Muitos não estão famintos e sedentos por essa justiça porque levam mais a sério as diversões, o lazer, a folga, do que a justiça. A novela, o futebol, o aconchego da casa depois do cansaço do dia é melhor que o banquete de Deus. Acordar mais tarde no Domingo, ou mesmo acordar mais cedo, mas ficar tranqüilo em casa é bem melhor do que vir pra igreja estudar a Bíblia com irmãos (às vezes tem fórmula 1 na TV, outras vezes vôlei, programas de pesca...).
d. Muitos não estão famintos e sedentos por essa justiça porque ocupam o seu tempo com controvérsias, discussões tolas, em falar mal dos outros... ao invés de com conversas saudáveis, compartilhamento de motivos para orar, de experiências... Diante disso, a fome e sede de justiça, de “santidade”, jamais virá. É como se Deus oferecesse um belo pedaço de carne, mas a pessoa preferisse roer um osso.
e. Muitos não estão famintos e sedentos por essa justiça porque estão cansados demais para Deus. Como disse alguém: “Têm que voltar para a casa do Pai, mas lá é tão “longe”, que preferem continuar comendo as alfarrobas que os porcos comem”.
f. Muitos não estão famintos e sedentos por essa justiça porque não se preocupam em evitar aquilo que é contrário a ela. Não podemos obter essa justiça pelos nossos próprios méritos, mas podemos refrear-nos de fazer coisas que sejam obviamente contraditórias à mesma.
g. Muitos não estão famintos e sedentos por essa justiça porque negligenciam o estudo da palavra, a oração, a comunhão, enfim, as “coisas que são de cima”, dificilmente teremos essa fome e essa sede se negligenciarmos tais coisas.
h. Muitos não estão famintos e sedentos por essa justiça porque estão com os seus olhares desviados de Jesus e focados em coisas outras.
54. Vejamos agora algumas...

... Sugestões para aumentar a fome e a sede de justiça.


55. Apenas duas sugestões:
a. Procure manter sua saúde espiritual perfeita. O desejo de comer, a “fome” pressupõe em geral saúde perfeita. A fome diminui quando a saúde não vai bem.
b. A outra sugestão encontramo-la bem expressa em 1 Timóteo 4.7-8: “Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade. Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.”
i. “EXERCITA-TE” na piedade. Piedade no grego é “EUSEBIA”, e significa santidade, religiosidade, adoração a Deus. Então, exercita-te nessas coisas, mas exercita-te muito, e não só um pouquinho. William R. Inge disse: “É perfeitamente lógico e inevitável que se passarmos [a maior parte das] das dezesseis horas diárias de nossa vida desperta a pensar sobre coisas deste mundo, e apenas [um pouquinho] a pensar sobre Deus e nossas próprias almas, este mundo parecerá duzentas vezes mais real que Deus ou que as nossas almas”
56. Finalizando:

O galardão dos que têm fome e sede de justiça


57. “Serão fartos”. Essa é a promessa de Jesus.
58. Termino com as palavras de Russel Shedd:
“O galardão dos famintos por justiça é a fartura que Deus lhes dará. Serão satisfeitos assim como o Servo do Senhor, que “verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito” (Is. 53.11). Deus providenciará o banquete dos justos, que se fartarão. Na festa das bodas do filho do rei (Mt. 22.1-14), os convidados não compareceram porque tinham outros interesses. Eles com certeza não sentiram fome pelo banquete especial. Mas para os que tomaram os seus assentos – os mendigos, os indigentes, os famintos e os favelados – o banquete foi uma festa incomparável. Por duas razões eles foram os mais bem-aventurados. Primeira, porque é óbvio que receberam um privilégio imerecido, o qual nem em sonhos poderiam imaginar. Segunda, porque estavam realmente com fome. A alegria desfrutada pelos convidados de um banquete deve ser proporcional à fome que sentem”.
“Os santos que estão esperando as Bodas do Cordeiro podem antegozar com inestimável prazer o tomar assento à mesa com Jesus Cristo em seu reino (Lc 14.15; Ap 19.9). A essa altura a promessa da perfeição já terá sido concretizada. Já não haverá mácula nas vestes dos redimidos que as lavaram no sangue do Cordeiro. Finalmente, a justiça de Cristo, a nós imputada, será transformada em justiça de Deus como realidade concreta. “Santos e irrepreensíveis” (Ef 1.4) são termos que descrevem a perfeição do cristão, que então passará a ser uma realidade inabalável. Quando tocar a última trombeta, num abrir e fechar de olhos, todo o esforço gasto na busca da justiça será coroado pela justiça concreta, e essa bem-aventurança tornar-se-á uma realidade eterna”