domingo, 30 de setembro de 2012

Estudos no Sermão do Monte / Parte 6 – Bem aventurados os misericordiosos


BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS

 

 

Estudo baseado em:

“A Felicidade Segundo Jesus”, de Russel Shedd

e “Estudos no Sermão do Monte”, de Martyn Lloyd-Jones

 

 

“bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”

(Mateus 5:7 RC)

 

01. Bem aventurados os Misericordiosos, é o nosso tema desta manhã.

02. Antes, porém, vamos relembrar o que já vimos até aqui nessa série de estudos sobre o sermão da montanha.

a.    Já vimos que “bem-aventurados são os humildes/pobres de espírito”, e que ser humilde de espírito significa reconhecer que diante de Deus nada somos e nada temos; dependemos inteira e desesperadamente de Jesus; somos mendigos espirituais. É certo que em Cristo temos tudo, Mas “em Cristo” e não “em nós”.

b.    Já vimos que “bem-aventurados são os que choram”, e que esse “choro”, essa “lamentação”, é por causa de nossa condição de pecadores e é por causa da condição em que estão aqueles pecadores que ainda não se renderam a Jesus e a condição do mundo por causa de muitos desses ainda não redimidos.

c.    Já vimos que “bem-aventurados” são os mansos, e que essa mansidão consiste de entregarmos a Deus o nosso “eu”, a nossa vontade pessoal, submetendo-nos à Sua vontade em tudo.

d.    Já vimos que “bem-aventurados são os que têm fome e sede de justiça”, e que essa “justiça”, e que isso significa anelar por ser completamente livre do pecado; ser positivamente santo.

e.    E vimos que:

                                  i.    Dos humildes de espírito é o reino dos céus;

                                ii.    Os que choram são consolados pela esperança que têm em Cristo, e, no tempo certo, no tempo de Deus, serão completamente consolados porque não haverá mais as causa pelas quais choram;

                               iii.    Os mansos herdarão a terra;

                               iv.    E os que têm fome e sede de justiça serão fartos, completamente satisfeitos.

03. Agora vamos ao nosso tema.

04. Comecemos por pensar sobre:

 

O QUE É MISERICÓRDIA?

 

05. O Dr. Russel Shedd em “A Felicidade Segundo Jesus” propõe duas definições principais:

a.    É uma qualidade divina pela qual a compaixão nos afeta de modo suficientemente profundo para nos fazer aliviar o sofrimento do próximo. É compaixão ativa por aqueles que sofrem. Assim como o bom samaritano, que achou o judeu ferido na estrada de Jericó e lhe demonstrou bondade inesperada, todos os misericordiosos agirão de modo semelhante.

b.    Misericordioso descreve a pessoa que perdoa o malfeitor que pratica o mal sofrido pelo inocente. É, portanto, a disposição de oferecer perdão àqueles que podem ou não merecê-lo.

06. Uma historinha contada pelo mesmo autor na mesma obra acima citada nos ajudará a ter um maior entendimento:

 

“Certo pastor, para esclarecer ao filho a diferença entre graça e misericórdia, aproveitou um ato de desobediência do filho. Disse ao filho que iria castigá-lo com dez cintadas. Quando o pai levou o filho desobediente para o quarto e lhe ordenou que se ajoelhasse ao lado da cama, só lhe deu cinco cintadas. O filho ficou perplexo: “Não fiquei de receber dez?”. “Sim”, disse o pai, “mas quero que você compreenda o que é misericórdia”. Mais tarde, o pai convidou o filho para sair e tomar um sorvete. “Mas não estou de castigo?”. “Sim, é verdade, mas quero que você entenda o que é a graça”.

 

07. Graça, amados, diz respeito a algo bom que recebemos mesmo sem merecer. E misericórdia é quando merecemos algo que consideramos ruim, como uma surra, por exemplo, mas não o recebemos.

08. Misericordioso é aquele que, mesmo sabendo que o outro merece o desprezo, punição, talvez até o abandono, não age para com ele dessa forma, antes, age com amor.

 

09. O próprio Deus é o melhor exemplo de ser misericordioso:

 

“Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade.” (Salmos 103:8 RC)

 

a.    O Salmo 136 é um salmo onde o salmista exorta a render graças ao Senhor pelos seus diversos atos de misericórdia. Nesse salmo é repetido 26 vezes o refrão: “porque a Sua misericórdia dura para sempre”

b.    Outros textos:

 

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia...” (Efésios 2:4 RC) e

“... o Senhor é muito misericordioso e piedoso.” (Tiago 5:11 RC)

 

10. Por ser Deus misericordioso, Ele exige que as suas criaturas, aquelas que foram criadas à Sua imagem, nós, portanto, também sejam misericordiosas.

 

a.    O profeta Miquéias, com muita propriedade, dirigido pelo Espírito Santo de Deus, deixou registradas as seguintes palavras:

 

“Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.” (Miquéias 6:6-8 RA)

 

b.    Na época dos apóstolos os rabis ordenavam que se exercesse misericórdia no sentido de perdão a um irmão que pecara contra o outro, até três vezes. Nesse contexto Pedro chega diante de Jesus e até é excepcional sugerindo o dobro e mais um para o número de perdão, mas Jesus vai além... veja o texto:

 

“Então, Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete.” (Mateus 18:21-22 RC)

 

11. O Senhor quer que o seu povo seja um povo misericordioso, que exerça misericórdia de maneira rica, abundante, nas situações fáceis, bem como nas difíceis.

 

12. Então, resumindo,

 

a.    misericórdia é a compaixão em ação, é manifestação de bondade, de perdão, mesmo àqueles que só merecem o desprezo, o abandono e a punição.

b.    Deus é o maior exemplo de ser misericordioso, Ele é o Pai das Misericórdias,

c.    e requer dos seus que sejam misericordiosos assim como Ele o é – É isso que Deus requer de nós, e nada menos que isso. 

 

13. Já entendemos bem o que é misericórdia, e já vimos que devemos ser misericordiosos porque Deus requer isso de nós. Vejamos, entretanto,

 

MAIS ALGUMAS RAZÕES PARA O EXERCÍCIO DA MISERICÓRDIA

 

14. Vejamos quatro razões:

 

a.    Os misericordiosos têm motivo para esperar misericórdia da parte de Deus.

                                  i.    Não queremos dizer com isso que alguém será salvo por boas obras. De forma alguma, pois Efésios 2.8 e 9 diz que é pela graça que somos salvos, e que isto não vem de nós, é dom de Deus; não vem das obras para que ninguém se glorie (pedir alguém para ler o texto).

                                ii.    Mas os que já são salvos pela graça de Deus e exercem misericórdia em abundância, são e serão objetos da abundante misericórdia divina.

 

b.    A segunda razão está no fato de que levamos o nome de Deus.

                                  i.    Nascemos de novo do Espírito Santo;

                                ii.    somos filhos de Deus, o povo de Deus,

                               iii.    e como poderemos não evidenciar algumas características do Pai que nos deu vida?

1.    Quando estudamos 1 João vemos que o filho de Deus não vive pecando porque o que permanece nele é a divina semente, uma metáfora biológica utilizada por João para demonstrar que aqueles que se tornam filhos de Deus pela fé em Jesus passam a possuir a natureza de Deus. O termo “semente” é tradução da palavra “sperma”.

                               iv.    Sendo assim, o filho de Deus não apenas “não vive pecando”, como “vive a evidenciar características do Pai”, sendo uma delas a misericórdia.

                                v.    Você leva o nome de Deus? Você é filho de Deus? Você age misericordiosamente para com as pessoas?...

 

c.    Terceira razão: Jesus nos deixou o exemplo para seguirmos as suas pisadas.

 

d.    E a quarta razão é: Há galardões que serão dados copiosamente aos misericordiosos.

                                  i.    Em Mateus 10.42 Jesus diz haverá galardão até por um copo de água fria que for oferecido.

 

15. Mas fará bem observarmos o seguinte:

 

a.    Há pessoas que têm um dom especial de exercer misericórdia.

                                  i.    Romanos 12.8 mostra a existência desse dom (veja o texto).

                                ii.    Muitos há que suportam males e afronta no exercício da misericórdia, sem desistir. Veja as histórias de “José” e do capelão “Khoo” a partir da página 79 do livro “A Felicidade Segundo Jesus”.

                               iii.    Quantas pessoas poderiam procurar um bom emprego, que lhes renderia um bom salário, mas gastam suas forças tentando resgatar bandidos, drogados, prostitutas, meninos de rua...? As suas escolhas e valores são orientados pela misericórdia.

 

16. Feita essa observação, passemos a considerar agora,

 

O GALARDÃO DOS MISERICORDIOSOS

 

17. Qual é?

18. O que diz o texto?

a.    “alcançarão misericórdia”

19. E como é que alcançaremos misericórdia?

20. Veja a consideração de Martyn Lloyd-Jones:

 

Ø  Oh, sim, naquele dia haveremos de precisar de misericórdia;

Ø  no fim, precisaremos de misericórdia,

Ø  no dia do julgamento, quando cada um de nós tiver de postar-se de pé diante do tribunal de Cristo, prestando-lhe contas por aquilo que tivermos feito por intermédio do corpo (precisaremos de misericórdia).

Ø  Certamente transparecerão ali coisas erradas e pecaminosas, e, naquele dia, precisaremos da misericórdia do Senhor.

Ø  Mas, graças a Deus,

o   se a graça de Cristo está em nós,

o   se o Espírito do Senhor está em nós,

o   e (por conta disso) somos misericordiosos,

o   haveremos de receber misericórdia naquele dia.

Ø  O que me torna misericordioso é a graça de Deus.

Ø  A graça divina torna-me, de fato, misericordioso.

Ø  Por conseguinte, tudo gira em torno desse conceito.

o   Se ali eu não for considerado misericordioso, então é que jamais pude entender a graça e a misericórdia de Deus,

o   é que estou fora de Cristo,

o   é que ainda estou em meus pecados,

o   é que ainda não fui perdoado”...

 

 

Estudo baseado em “A Felicidade Segundo Jesus”, de Russel Shedd

e “Estudos no Sermão do Monte”, de Martyn Lloyd-Jones

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