segunda-feira, 18 de março de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 19 - Sobre Juramentos

 

 

SOBRE JURAMENTOS

 

Fonte de consulta:

O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. R. N. Champlin - Candeia

 

Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor.  Eu, porém, vos digo que, de maneira nenhuma, jureis nem pelo céu, porque é o trono de Deus,  nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei,  nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.  Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna. (Mateus 5:33-37 RC)

 

01. O costume de fazer juramentos era mais antigo que a lei, e foi adotado pela lei civil como algo necessário. Veja um exemplo:

 

Sobre todo negócio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado miúdo, sobre veste, sobre toda coisa perdida, de que alguém disser que é sua, a causa de ambos virá perante os juízes; aquele a quem condenarem os juízes o pagará em dobro ao seu próximo.  Se alguém der a seu próximo a guardar um jumento, ou boi, ou ovelha, ou algum animal, e morrer, ou for dilacerado, ou afugentado, ninguém o vendo,  então, haverá juramento do SENHOR entre ambos, de que não meteu a sua mão na fazenda do seu próximo; e seu dono o aceitará, e o outro não o restituirá. (Êxodo 22:9-11 RC)

 

02. Mas esse algo necessário foi banalizado e passou a ser utilizado de qualquer forma e por qualquer motivo. Juravam pelo céu, pela terra, por cidades como Jerusalém, por partes do corpo humano (como a cabeça), pela sinagoga, pelo templo, e muitas vezes pelo nome de Deus (ou por respeito ao nome de Deus), modificando o som, às vezes fazendo o nome de Deus significar outra coisa, pelo modo de sua pronúncia (...). Mas Os judeus consideravam que só o juramento feito em nome de Deus era importante e exigia cumprimento.

03. E essa multiplicação de juramentos, aliada ao pensamento de que só o juramento feito em nome de Deus era importante e exigia cumprimento, criou um espírito superficial e inclinado à mentira. Talvez possamos exemplificar com o costume entre crianças (não sei se tem ainda hoje) de fazer algum juramento para um coleguinha, com uma das mãos escondidas e fazendo “figa” com os dedos, sinal este que supostamente a livra do cumprimento do juramento.

04. Aí vem Jesus e diz: “... de maneira nenhuma, jureis... Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna”.

05. Segundo Champlin, quatro são as possíveis interpretações dessa ordem de Jesus:

a.    não jurar, se o juramento não estiver de acordo com a reverência devida a Deus.

b.    Não jurar ignorantemente, como os judeus.

c.    Não jurar de maneira superficial, como os judeus, ficando excluídos, entretanto, os juramentos civis, neste ensino.

d.    Trata-se de uma proibição absoluta para qualquer tipo de juramento, sob qualquer circunstância.

06. Continuando com o pensamento de Champlin:

 

Como ideal mais elevado, provavelmente seria melhor não jurar, especialmente na comunidade cristã. O homem honesto, aprovado por Deus e que vive no espírito da lei, jamais teria necessidade de jurar, bastando o simples sim ou não. Jesus interpreta o espírito da lei, o ideal da humanidade. Lembrando-nos disso, podemos afirmar que a simples interpretação das palavras de Jesus, seria exatamente esta, "De modo nenhum jureis, nem pelo céu..." etc. Contudo, infelizmente a sociedade não regenerada não pode atingir tal ideal perfeito, porque há grande número de indivíduos indignos de confiança, e não seriam suficientes as simples palavras "sim" ou "não" para inspirar e garantir confiança nos tribunais de justiça. Assim, posto que a sociedade humana é imperfeita, tornam-se necessários os juramentos (...) Assim sendo, Jesus não proibiria juramentos exigidos pela lei, que fazem parte do costume legal em muitos lugares. Cristo proíbe o espírito imprudente e orgulhoso com que faziam grandiosas, mas falsas declarações em nome de Deus, em nome do lugar onde Deus habita (os céus), ou em nome de algum lugar associado ao seu nome, como o Templo de Jerusalém. Deus não é obrigado a apoiar estes juramentos imprudentes, e o homem santo não pode esperar que Deus o faça (...) A garantia da honestidade do indivíduo deve ser a confiança na sua simples palavra. Provavelmente Jesus insistiria que tal honestidade deve ser inspirada pela consciência da presença de Deus e a relação do homem para com o Senhor. O homem cônscio da presença de Deus, não mente. Tal honestidade não requer a confirmação de qualquer juramento.

                                                                                                                                                                  

07. Creio que não precisamos nos estender muito sobre esse assunto e concluir observando que quando se fizer necessário, por questões legais, diante da justiça (num tribunal, por exemplo), o crente poderá prestar juramento. Entretanto, fora disso, principalmente entre nós, a palavra do crente deve ser, como asseverou Jesus, sim, sim, não, não, e isto significa que o crente deve ser uma pessoa sempre confiável.

 

Muqui, Março de 2013

domingo, 10 de março de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 18 - O Divórcio


O DIVÓRCIO

 

Estas considerações têm como fontes:

 

1) O livro Estudos no Sermão do Monte, de Martyn Lloyd-Jones e

2) Textos do Pastor José Barbosa Neto sobre Divórcio e Novo casamento, divulgados em grupos de discussão e enviados a mim particularmente a meu pedido.

 

Ao Pr. Barbosa Neto minha especial gratidão.

 

01. O assunto que agora temos diante de nós é um assunto delicado. Por um lado, mais ou menos fácil de ser tratado porque o ensinamento a respeito está relativamente claro nas escrituras. Entretanto, por outro lado, extremamente difícil por envolver o sentimento humano, a sexualidade humana e por sua prática já estar novamente bem banalizada por fatores diversos dentre eles talvez a nossa omissão em tratar do mesmo de tempos em tempos.

02. Apesar de ser um assunto delicado não podemos omiti-lo nessa nossa empreitada de estudar o sermão do monte. Não podemos simplesmente “pular” os versos 31 e 32 de Mateus 5. Temos então, diante de nós, a tarefa de analisar e enfrentar com honestidade aquilo que é determinado pelas Escrituras Sagradas.

03. Comecemos por ler, primeiro Mateus 5.31 e 32 e depois Mateus 19:3-9, Deuteronômio 24:1-4 e 1 Coríntios 7:10-15.

04. À medida que formos analisando o assunto vamos ler novamente esses textos.

05. Primeiro pensemos em O QUE A LEI DE MOISÉS REALMENTE ENSINAVA / OBJETIVAVA.

06. Vejamos novamente o texto de Deuteronômio 24.1-4:

 

“Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então, será que, se não achar graça em seus olhos, por nela achar coisa feia, ele lhe fará escrito de repúdio, e lho dará na sua mão, e a despedirá da sua casa. Se ela, pois, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem, e se este último homem a aborrecer, e lhe fizer escrito de repúdio, e lho der na sua mão, e a despedir da sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer, então, seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a tomá-la para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois é abominação perante o SENHOR; assim não farás pecar a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá por herança.” (RC)

 

07. Algo que não podemos deixar de observar na dispensação mosaica é que a palavra “adultério” não é mencionada dentro do assunto referente ao divórcio.

08. A razão para tal “omissão” provavelmente reside no fato de que na ocasião a mulher que fosse pega em adultério era apedrejada até à morte e, como as mulheres é que eram repudiadas e não o contrário, em caso de adultério o casamento chegava ao fim não por um processo de divórcio, mas pela sentença de morte.

09. Qual era, pois, o objetivo e o propósito da legislação mosaica no tocante ao divórcio?

10. Levando-se em conta especialmente o que Jesus disse em Mateus 19, a conclusão mais óbvia a que podemos chegar é que o objetivo da concessão do divórcio foi colocar ordem em uma situação que se tornara inteiramente caótica. Nas palavras do Pr. José Barbosa Neto, ao considerar o assunto quando de uma discussão sobre “divórcio e novo casamento” em grupos virtuais dos quais participo quase como que apenas expectador, “a regulamentação do divórcio foi uma concessão para lidar com o resultado do pecado e não uma expressão do propósito de Deus para a humanidade”.

11. O que acontecia era que os homens deixavam suas mulheres por quaisquer razões, algumas delas grosseiramente injustas e que conduziam muitas mulheres e crianças a sofrimentos intermináveis e indizíveis. Com a instituição/concessão do divórcio,

a.    O repúdio à esposa ficaria limitado a determinadas causas – o homem teria que provar, diante de duas testemunhas, que havia na esposa algum motivo especial que se constituísse em “impureza” ou “imundícia”, antes de repudiá-la.

b.    Qualquer homem que viesse a repudiar sua mulher teria que dar-lhe uma carta de divórcio – Ele não poderia mais simplesmente dizer que não queria mais a sua mulher e despedi-la de casa, sujeitando-a até a ser acusada de adultério e apedrejada. Era, portanto, uma proteção para a mulher.

c.    O homem que repudiasse sua mulher, dando-lhe carta de divórcio, não poderia mais contrair novas núpcias com ela – O objetivo era provavelmente mostrar àquela gente que o casamento não é uma aventurazinha qualquer da qual se pode entrar e sair à vontade e conforme quisesse. Quem desse carta de divórcio à sua mulher teria que fazê-lo de forma permanente.

12. Novamente nas palavras do Pr. Barbosa Neto, “O propósito da lei era proteger a mulher das artimanhas de um esposo imprevisível e talvez cruel. Desta forma, a lei não foi estabelecida para estimular o divórcio”.

13. Lloyd Jones assim se expressou sobre essa questão:

 

Quando examinamos a questão sob esse prisma, notamos que a legislação mosaica está muito longe de ser aquilo que antes pensávamos que fosse, especialmente aquilo que os escribas e os fariseus ensinavam a respeito. Seu objetivo era o de impor certa ordem a uma situação que se tornara inteiramente caótica. O estudioso pode observar que essa sempre é uma característica de todos os pormenores da legislação mosaica. Tomemos, por exemplo, a questão da vingança, ou seja, “olho por olho, dente por dente”; assim preceituava a lei mosaica. Sim, mas qual era o objetivo de uma determinação como essa? Não era ensinar ao povo judeu que se um homem danificasse um olho de outro homem, a vítima podia retaliar de igual maneira. Não, mas o seu propósito era o de dizer: ninguém tem o direito de matar um homem por causa de uma ofensa desse tipo; antes, será olho por olho; ou então, se alguém danificar um dente de outrem, será dente por dente e não mais que isso. A legislação inteira a respeito visava restaurar a ordem a um estado caótico, limitando as consequências e legislando a respeito de cada situação em particular. Ora, a lei atinente ao divórcio preceituava precisamente a mesma coisa.

 

14. O divórcio na legislação mosaica foi uma “concessão” por causa da “dureza dos vossos corações”.

15. Vejamos agora um pouco sobre O ENSINO DOS FARISEUS E DOS ESCRIBAS.

16. Veja novamente a parte de Mateus 19.3-9 em que os escribas e fariseus perguntam a Jesus sobre a carta de divórcio na legislação mosaica. Eles perguntaram: “... Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?... “

17. Percebe-se que os escribas e os fariseus interpretavam e ensinavam equivocadamente a lei de Moisés sobre o divórcio. Eles diziam que a lei de Moisés “ordenava” que um homem se divorciasse de sua mulher, sob variadas condições. Entretanto, o que a lei de Moisés fazia era “conceder”, “permitir” sob determinadas condições.

18. Além de interpretar e ensinar erroneamente acerca do divórcio segundo a lei de Moisés, entendendo-o como um mandamento ao invés de uma concessão, eles interpretavam e ensinavam também erroneamente quanto aos motivos pelos quais um homem podia divorciar-se de sua esposa. Qualquer coisa que lhes parecesse insatisfatória era motivo para eles. Se algum homem simplesmente achasse que já não gostava mais de sua esposa isso já era motivo suficiente para dar-lhe carta de divórcio.

19. E o resultado era que terríveis injustiças vinham sendo novamente cometidas contra a mulher. O que realmente importava para eles era a outorga da carta de divórcio.

20. Vamos além. Vejamos agora O ENSINO DE JESUS.

21. Vamos ler novamente Mateus 5.31-32 2 19:3-9:

 

“Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.” (RC)

 

 “Então, chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea  e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne?  Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.  Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?  Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza do vosso coração, vos permitiu repudiar vossa mulher; mas, ao princípio, não foi assim.  Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.” (RC)

 

22. O que Jesus ensinou é que Deus nunca, em parte alguma, ordenou o divórcio.

a.    O comentário do Pr. José Barbosa Neto sobre este assunto é bem interessante. Veja:

 

... há uma absoluta diferença entre ordenança e permissão. Divórcio não é uma ordenança e sim uma permissão, não nos esqueçamos disso jamais. Jesus, como supremo e infalível intérprete das Sagradas Escrituras, explicou o verdadeiro significado de Deuteronômio 24.1-4. Deus instituiu o casamento, não o divórcio! Deus não é autor do divórcio; o homem é responsável por ele! Diferentemente do casamento, o divórcio é uma instituição humana. Não obstante o divórcio ser reconhecido, permitido e regulamentado na Bíblia Sagrada, ele não foi instituído por Deus! O divórcio é uma inovação humana... é uma evidência clara de pecado, o pecado da dureza de coração...

 

23. Jesus ensinou que se há uma razão que permita a alguém o divórcio, esta é a “prostituição” ou “relações sexuais ilícitas” (porneia = qualquer relação sexual que não seja com o cônjuge). E com isso Jesus estava a ensinar que dali por diante nenhuma mulher seria mais apedrejada até à morte por causa de adultério. Se alguém quiser tomar alguma providência em relação a algum caso de adultério, essa providência deveria ser o divórcio. Obviamente o perdão é preferível ao divórcio, mas, mesmo assim, por causa da dureza de nossos corações (de quem se nega a perdoar até na primeira vez e por causa de quem insiste em continuar na prática da infidelidade conjugal), fica permitido o divórcio nesse caso.

24. Reforçando, com palavras do Pr. Barbosa Neto,

 

O divórcio não é uma ordenança divina. Ele não é compulsório nem mesmo em caso de adultério, mesmo que estejamos diante da permissiva cláusula de exceção da qual Jesus falou! O perdão e a restauração são sempre preferíveis ao divórcio. Mas... nem sempre isso é possível!...

 

25. Esse é o ensino de Jesus. Mas ainda temos o ensino apostólico, O ENSINO DE PAULO.

26. Veja novamente 1 Coríntios 7.10-15:

 

“Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido.  Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.  Mas, aos outros, digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe.  E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe.  Porque o marido descrente é santificado pela mulher, e a mulher descrente é santificada pelo marido. Doutra sorte, os vossos filhos seriam imundos; mas, agora, são santos.  Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz.” (RC)

 

27. Paulo está, neste texto, admitindo o divórcio quando há deserção por parte do cônjuge incrédulo no caso de um casal em que uma das partes passou a servir ao Senhor e a outra não. Caso haja consentimento por parte do cônjuge não convertido em manter a relação, não se deve recorrer ao divórcio, mas, caso haja uma recusa, o divórcio é permitido. Assim, como bem se expressou o Pr. Barbosa Neto, o apóstolo Paulo proíbe a prática do divórcio entre crentes. Contudo, ele aprova o divórcio nesse caso de deserção e abandono: “Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz”.

28. Novamente percebemos que a indissolubilidade do casamento é a regra geral e o divórcio apenas uma exceção.

29. Devemos notar também, nesse caso de Paulo, que a iniciativa de mover a ação do divórcio não deve ser do crente, cabendo a ele apenas aceitar se a outra parte o promover. Nesse caso, a parte “inocente” é “passiva” enquanto que no caso de Jesus a parte “inocente” é “ativa”.

30. Resumindo,

a.    O propósito de Deus para o casamento é que ele seja indissolúvel enquanto ambos os cônjuges estiverem vivos;

b.    Na lei mosaica o que houve foi uma “concessão” sob algumas condições para por ordem a um caos onde as mulheres e crianças eram extremamente prejudicadas;

c.    Jesus permite o divórcio também como uma “exceção” no caso de infidelidade conjugal;

d.    E Paulo também aponta uma outra “exceção”: quando um dos cônjuges se converte a Cristo e o outro não, se não há consentimento da parte não convertida em permanecer casada, então o divórcio, nesse caso, fica permitido.

31. Mas ainda precisamos pensar em uma outra questão: E QUANTO A CONTRAIR NOVAS NÚPCIAS?

32. Novamente nas palavras do Pr. Barbosa Neto:

 

O novo casamento é permitido para aqueles que se divorciarem pelas duas razões nas Escrituras: infidelidade e abandono.  Se o divórcio é legítimo, o novo casamento também o é... O divórcio e o novo casamento não são considerados legítimos aos olhos de Deus fora das cláusulas exceptivas de infidelidade e abandono... Aos olhos de Deus aquele casamento não foi dissolvido. Divórcio ilegítimo não dissolve o vínculo conjugal!... Mesmo que um juiz tenha concedido à certidão de divórcio, aos olhos de Deus aquela relação permanece intacta. Jesus disse: “O que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mateus 19.6). Nenhum ser humano tem autoridade ou competência para desfazer o vínculo conjugal. Por isso, mesmo que o divórcio tenha sido legítimo pelas leis humanas, pode não ser legal aos olhos de Deus... De acordo com o ensino de Jesus o novo casamento só é permitido quando a causa do divórcio for relações sexuais ilícitas. A legitimidade do divórcio autentica e legitima o novo casamento. Não tem sentido falar em divórcio legítimo e proibir o novo casamento. Onde acontece um divórcio legítimo, pavimenta-se o caminho para novas núpcias.

 

O apóstolo Paulo aponta a outra cláusula exceptiva para o divórcio e o novo casamento: o abandono do cônjuge incrédulo. (I Coríntios 7.15). A incredulidade do cônjuge não é motivo para divórcio (I Coríntios 7.12-14), mas o abandono sim (I Coríntios 7.15). O divórcio por abandono dá ao cônjuge abandonado o direito de se casar novamente. A legitimidade do divórcio para a pessoa que foi abandonada abre o caminho para um novo casamento também legítimo, pois o abandono dissolve o casamento... E para o novo casamento do crente divorciado, Paulo apresenta uma norma condicional: “mas somente no Senhor” (I Coríntios 7.39). O casamento tem que ser uma união em todas as áreas da vida e a religião tem que entrar como fator de união. O casamento “no Senhor” implica uma identidade religiosa profunda, isto é, os dois não podem apenas crer no Senhor, mas precisam, juntos, servi-Lo!

 

33. E para concluir, se você quer “andar direito” de acordo com a Bíblia no tocante a esse assunto:

a.    Se você é solteiro(a), antes de se casar analise bem a pessoa que você pretende que seja seu futuro cônjuge;

b.    Se você é casado(a) não divorciado(a) não se divorcie por qualquer motivo. Não se esqueça de que só há duas cláusulas de exceção e de que um divórcio fora dessas duas cláusulas não é legítimo diante de Deus e não lhe dá direito a novas núpcias;

c.    Se você é casado e já considerou ou ainda considera a possibilidade da infidelidade conjugal, esqueça isso! Lembre-se de que a permissão para novas núpcias, nesse caso, é apenas para a parte inocente;

d.    E se você “já entornou a água do balde”, arrependa-se e peça perdão a Deus e não erre novamente.

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Muqui, Março de 2013

 

 

Estas considerações têm como fontes:

 

1) O livro Estudos no Sermão do Monte, de Martyn Lloyd-Jones e

2) Textos do Pastor José Barbosa Neto sobre Divórcio e Novo casamento, divulgados em grupos de discussão e enviados a mim particularmente a meu pedido.

 

Ao Pr. Barbosa Neto minha especial gratidão.

 

sábado, 2 de março de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 17 - A Mortificação do Pecado


A MORTIFICAÇÃO DO PECADO

 

Baseado em “A Mortificação do Pecado”

Capítulo XXII de “Estudos no Sermão do Monte”

Martyn Lloyd-Jones – Editora Fiel

“Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.” (Mateus 5:29-30 RC)

 

01. Que palavras fortes, não?

02. Elas deveriam nos levar a pensar com mais seriedade sobre a gravidade do pecado.

03. O quão a sério eu (nós) tenho (temos) levado o pecado?

04. O pecado é algo de gravidade extrema e eu (nós) não deveria (deveríamos) brincar com ele.

05. Deixando de lado qualquer outra razão para Jesus assim se pronunciar, devemos entender que Jesus estava ensinando, ao mesmo tempo:

a.    A real e horrenda natureza do pecado;

b.    O terrível perigo no qual o pecado nos envolve e

c.    A importância de tratarmos o pecado de forma radical, desvencilhando-nos dele de forma definitiva.

06. Por mais valioso que seja algo para uma pessoa, se esse algo lhe chegar a servir de armadilha, levando essa pessoa a tropeçar, então essa pessoa deve desfazer-se desse algo.

07. Obviamente não vamos arrancar um olho ou qualquer outra parte de nosso corpo literalmente; mas há coisas das quais podemos e devemos literalmente nos desfazer.

08. Nunca deveríamos relaxar e tratar com pouca seriedade o problema de nosso pecado pessoal. Por isso há algumas coisas que faremos bem em observar e entender:

 

I. Devemos perceber tanto a natureza do pecado quanto as suas consequências.

 

01. É muito fácil desenvolvermos uma visão míope acerca da gravidade do pecado, tornando-o infinitamente menos grave do que ele realmente é.

02. Essa visão míope da gravidade do pecado é um dos fatores, talvez o principal, que nos tem impedido de viver uma vida mais santificada.

03. Precisamos, então, de “óculos espirituais”. E esses óculos nos ajudarão a enxergar pelo menos três fatos que dizem respeito à natureza e consequências do pecado:

a.    Primeiro fato: O pecado não se resume a “atos pecaminosos”. Em outras palavras, “não somos pecadores porque cometemos atos pecaminosos, e sim, cometemos atos pecaminosos porque somos pecadores”. E isso quer dizer que você pode não estar cometendo nenhum ato pecaminoso no momento, e isso já ser assim com você há algum tempo (se é que isso é possível), mas ainda assim você continua sendo um pecador.

b.    Segundo fato: Pecado é pecado independente do “tamanho”, independente de ser “grave” ou “leve”. Em certo sentido, talvez diante dos homens e em relação aos homens, há pecados “mais graves” e “menos graves”. Quem pode negar, por exemplo, citando algo dito por Jesus, que diante dos homens um ato consumado de adultério seja menos grave que o adultério enclausurado nas profundezas da mente humana? Entretanto, diante de Deus, Jesus nos dá assim a entender, ambos são gravíssimos. Isso é algo deveras importante e de que às vezes temos nos esquecido. Pecado é pecado e sempre será exclusivamente pecado. Por nos esquecermos disso temos nos tornados grandes praticantes de pecados. Por tratarmos com menor importância alguns atos pecaminosos, como uma “mentirinha branca”, por exemplo, temos nos tornado pecadores praticantes sem percepção de que por esses pecados precisamos nos ajoelhar diante de Deus com arrependimento e súplica por perdão. E por assim agirmos e assim estarmos nos tornando, tem havido no seio da igreja uma carência de servos de Deus santificados. Você sabe o que significa ser santificado?...

c.    Terceiro fato: As consequências do pecado foram e são desastrosas.

                                  i.    Consequências do pecado para o pecador não regenerado: Perdição eterna. Veja alguns textos que descrevem essa perdição:

1.    O próprio texto que lemos fala de “fogo eterno”.

2.    Em Marcos 9 o lugar de perdição é retratado como um lugar onde “o seu bicho não morre e o fogo nunca se apaga”.

3.    Em Apocalipse o lugar é retratado como sendo um lago que arde com fogo e enxofre.

4.    Mateus 25 fala do local como sendo um lugar onde há tormento eterno.

                                ii.    Consequência para o nosso Redentor: Foi o nosso pecado, o meu e o seu, que levou Jesus à Cruz – Veja Isaías 53. Foi o pecado em mim e você que levou o Eterno Filho de Deus a suar gotas de sangue no Getsêmani; foi o pecado em mim e você que levou Jesus a suportar toda a agonia e todo o sofrimento a que ele foi sujeito, sofrimento esse que ultrapassou em muito a barreira do sofrimento físico – por que será que, na cruz, Jesus ora ao Pai dizendo: “Eloí, Eloí, lama sabactani: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste”? Voce e eu possuímos uma natureza tão maligna que tudo isso se fez necessário. Isso é o pecado! Tão grave assim é a poluição do pecado que existe em nós.

04. Não devemos ser ignorantes quanto à gravidade do pecado!

05. Devemos procurar detestar, odiar o pecado com toda a força do nosso ser. Ao pecador devemos amar como Cristo nos amou, mas ao pecado temos que detestar, especialmente ao nosso pecado pessoal. Precisamos chorar, lamentar por causa do pecado – Bem aventurados os que choram – e precisamos ter fome e sede de Justiça conforme já ficou bem entendido sobre o que vem a ser essa justiça.

06. “... se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.”

 

II. A importância da alma e de seu destino eterno.

 

“... corta e atira para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.” (Mateus 5:30 RC)

 

01.  Quantas vezes Jesus disse isso? – Duas – Duas vezes a fim de dar mais ênfase ao que ele estava querendo ensinar.

02. Obviamente, sabemos, essa palavra de Jesus visa não que decepemos literalmente parte de nosso corpo, e sim ensinar não só a gravidade do pecado como também a importância de nossa alma e seu destino eterno.

03. Dentre as obras que restaram e estão por aí, da Biblioteca Alice Reno (Biblioteca da Igreja Batista em Muqui), há um livrinho escrito por William Carey Taylor intitulado “Os Mandamentos de Jesus”. Nesse livrinho o autor faz uma classificação de tudo aquilo que ele considerou como sendo “ordenado” por Jesus. Essa “ordem” que encontramos aqui em Mateus foi colocada na classificação que ele denomina de “Mandamentos Hiperbólicos”, isto é, mandamentos que não devem ser tomados “ao pé da letra”, mandamentos que não são para serem cumpridos porque o objetivo de Jesus não é que os cumpramos e sim que tenhamos a nossa atenção voltada para algo que ele objetiva nos ensinar e, para isso, lança mão de uma figura de retórica, a hipérbole, que consiste em exagerar para produzir maior impressão no espírito.

04. E a respeito de quê Jesus quer nos chamar a atenção?

05. Mais uma vez afirmo: Jesus quer nos chamar a atenção para a gravidade do pecado e a importância de nossa alma e seu destino eterno.

06. O que Jesus está a nos ensinar é que qualquer coisa neste mundo que nos sirva de armadilha contra o bem estar eterno de nossa alma deve ser renunciada.

07. Em Lucas 14.26 lemos a fortíssima declaração de Jesus: “Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:26 RC)

a.    Ora, obviamente Jesus não está ensinando que para sermos seus discípulos devemos odiar e abandonar nossos familiares e nem deixá-los de lado de forma inconsequente. Familiares e a própria vida.

b.    Se não, então o que devemos entender dessa passagem?

c.    Trata-se de uma linguagem de contraste e significa que ser discípulo de Jesus, e, consequentemente, o bem estar eterno de nossa alma é mais importante ATÉ MESMO do que familiares e a própria vida. Deixar familiares de forma inconsequente se eles não nos impedem a caminhada com Deus? NÃO!!! Mas se eles quiserem impedir e não aceitarem “levar a vida” conosco caso não voltemos atrás em nossa fé...

d.    Agora, se é assim no que respeita a essas “coisas” que nos são tão caras, o que dizer de outras menos importantes?

08. Jesus está nos mostrando da forma mais clara possível que a importância da alma e do seu destino é tal que TUDO o mais deve ser subserviente a isso; TUDO o mais dever ser secundário em relação a isso.

09. Meu querido irmão, membro desta abençoada igreja, a Igreja Batista em Muqui, você já conseguiu perceber que a coisa mais importante que você tem a fazer neste mundo é se preparar para a eternidade?

10. Não estou com isso querendo diminuir a importância da vida neste mundo e nem das coisas boas que você faz; mas, enquanto você vai vivendo esta vida e fazendo aquilo que lhe cumpre fazer, você deve viver e fazer como quem está se preparando para a eternidade e para a glória que o espera. E, portanto, deve evitar aquelas coisas que são prejudiciais à sua alma. “Corta e atira para longe de ti”, disse Jesus.

11. Diante disso lhe pergunto: O que em sua vida está precisando ser “cortado e lançado para longe de ti”?

12. E talvez eu até deva perguntar se você não está lançando para longe ti coisas que não deveria lançar enquanto traz para perto de ti, para o contexto de sua vida, aquilo que deveria lançar para bem longe...

a.    Paulo, escrevendo aos Colossenses, nos exorta a que busquemos as coisas que são de cima e pensemos nas coisas que são de cima e não nas que são de terra... Creio que entendemos muito bem o que ele quer dizer; creio que entendemos bem que devemos dar prioridade às coisas celestiais. Mas não é que muitas vezes fazemos o contrário?

                                  i.    “Éééé”, pastor? Sim, “éééééé”! Quando, de forma costumeira, não esporádica, deixamos de lado a igreja, a leitura da Bíblia, a oração e outras coisas mais, concernentes ao reino de Deus, e vamos ver TV, navegar na internet, sair com os amigos, jogar futebol ou outra coisa qualquer desse naipe, não estamos exatamente fazendo uma inversão de prioridades?

b.    No mesmo capítulo de Colossenses somos orientados a nos despirmos do velho homem com seus feitos e nos vestirmos do novo. Não fazemos o contrário às vezes?

                                  i.    Veja lá nesse texto, e veja também em outros textos, de forma meticulosa para não deixar “passar batido” coisas “menores”; veja lá quais são os feitos do “velho homem”, da “velha criatura” e quais são os feitos do “novo homem” e com sinceridade me responda se muitas vezes não fazemos o contrário do que deveríamos fazer.

13. Meu querido irmão, que importância tem para você a sua vida com Deus? Que importância tem para você a sua alma? Para Jesus essas coisas tem importância extrema ao ponto de ele se expressar de forma hiperbólica dizendo que se alguma parte de seu corpo lhe traz prejuízo nessa área é melhor cortar essa parte do corpo e lançá-la para bem longe de ti, porque é melhor ter um corpo defeituoso do que ser ele todo lançado no inferno.

14. Deu pra entender, meu caro irmão em Cristo? Então não fique por aí “cambaleando” na vida cristã; assuma-a de forma radical, trazendo sempre à memória que o pecado, seja Ele qual for, por ser cometido contra um Deus eterno e eternamente Santo, é grave; e também traga sempre à mente que o bem estar eterno de sua alma é mais importante que tudo, até mesmo mais importante que a sua própria vida.

 

III. A importância da mortificação do pecado.

 

01. Paulo, escrevendo aos Colossenses, no mesmo capítulo 3 já citado, orienta os crentes a “mortificarem” ou “fazerem morrer” a natureza terrena.

02. O mesmo ele diz escrevendo aos Romanos, em 8.13. Veja: “porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.” (RC)

03. Ora, isso é muito correto em face da gravidade do pecado e a importância da alma, conforme aprendemos com Jesus e conforme podemos aprender em o Novo Testamento como um todo.

04. Um dos significados de mortificar é “privar de poder, destruir a força de...”.

05. As palavras severas de Jesus nos levam então a pensar, com respeito ao pecado, que é importante “privá-lo de poder” ou “destruir a sua força” sobre nós.

06. Como? O que podemos fazer de nossa parte para que o pecado deixe de ter esse poder sobre nós.

07. Apenas algumas sugestões práticas:

a.    Nunca devemos “nutrir a carne” – Paulo diz exatamente isso em Romanos 13.14: “... revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.” (RA)

                                  i.    Isso significa que preciso, o quanto for possível, evitar “alimentar” a minha carne no tocante às suas inclinações pecaminosas (e em alguns casos eu diria que temos que evitar alimentar a inclinação carnal do nosso próximo). Exemplos:

·         O que estou procurando ver/ler na internet, TV, cinema, revistas, livros, na rua...

·         Como estou namorando...

·         Como estou me vestindo... (a forma como eu me visto pode alimentar meu próprio desejo sexual ao me sentir “provocante” e pode alimentar o desejo sexual do meu próximo).

·         Como estou reagindo:

ü  Diante de injustiças sofridas ou provocações – minha carne talvez seja inclinada à ira, ao rancor, à amargura... Mas no momento em que percebo que isso começa a acontecer devo dar um “basta”, “tirar do coração”, “não deixar esses sentimentos se fortalecerem”, “cortar o mal pela raiz”...

ü  Diante de críticas ou mesmo elogios – rancor... orgulho...

                                ii.    Devemos procurar perceber qualquer coisa que esteja alimentando nossas inclinações pecaminosas e “cortar o mal pela raiz”.

b.    Precisamos restringir deliberadamente a carne reagindo radicalmente a cada sugestão e insinuação que pretenda levar-nos na direção do mal. Devemos orar e vigiar.

c.    E precisamos, mais uma vez, perceber o preço imenso que teve de ser pago para que fôssemos libertos do pecado.

d.    E, ainda, precisamos fazer tudo isso com humildade na dependência do Espírito Santo de Deus, porque sem Ele todo o nosso esforço será inútil. Nas palavras de Lloyde-Jones:

 

Se tentarmos mortificar a carne contando apenas com nossas próprias forças, produziremos um falso tipo de santificação, que nem poderia ser denominada santificação. Por outro lado, se percebermos o poder e a verdadeira natureza do pecado, se percebermos o terrível domínio que o pecado exerce sobre o ser humano, bem como seus efeitos poluentes, então notaremos que somos totalmente falidos de espírito, totalmente pobres, e haveremos de pleitear constantemente aquele poder que somente o Espírito de Deus nos pode propiciar. Dotados, portanto, desse poder, seremos capazes de “arrancar o olho” e de “cortar a mão”, mortificando a carne e dessa forma dar solução ao problema. Entrementes, o Senhor continuará operando em nós, e avançaremos até que, finalmente, poderemos vê-Lo face a face, postos de pé diante dEle, no estado de quem é impecável, sem qualquer culpa, nem mancha e nem qualquer motivo de reprimenda.

 

Conclusão

 

01. Nunca nos esqueçamos:

a.    Pecado é coisa “grave”;

b.    Pecado é pecado independente de ser “grande” ou “pequeno” aos olhos de quem quer que seja. Diante de Deus é pecado e precisa de arrependimento e confissão;

c.    Nunca se esqueça da importância da alma e seu destino eterno e de que sua vida neste mundo deve ser encarada como uma preparação para a vida no porvir. Isso é o mais importante e qualquer outra coisa é secundária em relação a isso e se necessário for deve até ser renunciada.

d.    E diante disso vemos a importância da mortificação do pecado, isto é, de destruir a força do pecado em nós, privá-lo de seu poder em nós, combatendo-o e não provendo nossa carne de qualquer coisa que o alimente.

02. Convido-os a encerrarmos o presente estudo lendo juntos novamente Mateus 5.29-30:

 

“Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.” (Mateus 5:29-30 RC)

 

03. Que assim seja!

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

Baseado em “A Mortificação do Pecado”

Capítulo XXII de “Estudos no Sermão do Monte”

Martyn Lloyd-Jones – Editora Fiel

 

 Muqui, Março de 2013