segunda-feira, 18 de março de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 19 - Sobre Juramentos

 

 

SOBRE JURAMENTOS

 

Fonte de consulta:

O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. R. N. Champlin - Candeia

 

Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor.  Eu, porém, vos digo que, de maneira nenhuma, jureis nem pelo céu, porque é o trono de Deus,  nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei,  nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.  Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna. (Mateus 5:33-37 RC)

 

01. O costume de fazer juramentos era mais antigo que a lei, e foi adotado pela lei civil como algo necessário. Veja um exemplo:

 

Sobre todo negócio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado miúdo, sobre veste, sobre toda coisa perdida, de que alguém disser que é sua, a causa de ambos virá perante os juízes; aquele a quem condenarem os juízes o pagará em dobro ao seu próximo.  Se alguém der a seu próximo a guardar um jumento, ou boi, ou ovelha, ou algum animal, e morrer, ou for dilacerado, ou afugentado, ninguém o vendo,  então, haverá juramento do SENHOR entre ambos, de que não meteu a sua mão na fazenda do seu próximo; e seu dono o aceitará, e o outro não o restituirá. (Êxodo 22:9-11 RC)

 

02. Mas esse algo necessário foi banalizado e passou a ser utilizado de qualquer forma e por qualquer motivo. Juravam pelo céu, pela terra, por cidades como Jerusalém, por partes do corpo humano (como a cabeça), pela sinagoga, pelo templo, e muitas vezes pelo nome de Deus (ou por respeito ao nome de Deus), modificando o som, às vezes fazendo o nome de Deus significar outra coisa, pelo modo de sua pronúncia (...). Mas Os judeus consideravam que só o juramento feito em nome de Deus era importante e exigia cumprimento.

03. E essa multiplicação de juramentos, aliada ao pensamento de que só o juramento feito em nome de Deus era importante e exigia cumprimento, criou um espírito superficial e inclinado à mentira. Talvez possamos exemplificar com o costume entre crianças (não sei se tem ainda hoje) de fazer algum juramento para um coleguinha, com uma das mãos escondidas e fazendo “figa” com os dedos, sinal este que supostamente a livra do cumprimento do juramento.

04. Aí vem Jesus e diz: “... de maneira nenhuma, jureis... Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna”.

05. Segundo Champlin, quatro são as possíveis interpretações dessa ordem de Jesus:

a.    não jurar, se o juramento não estiver de acordo com a reverência devida a Deus.

b.    Não jurar ignorantemente, como os judeus.

c.    Não jurar de maneira superficial, como os judeus, ficando excluídos, entretanto, os juramentos civis, neste ensino.

d.    Trata-se de uma proibição absoluta para qualquer tipo de juramento, sob qualquer circunstância.

06. Continuando com o pensamento de Champlin:

 

Como ideal mais elevado, provavelmente seria melhor não jurar, especialmente na comunidade cristã. O homem honesto, aprovado por Deus e que vive no espírito da lei, jamais teria necessidade de jurar, bastando o simples sim ou não. Jesus interpreta o espírito da lei, o ideal da humanidade. Lembrando-nos disso, podemos afirmar que a simples interpretação das palavras de Jesus, seria exatamente esta, "De modo nenhum jureis, nem pelo céu..." etc. Contudo, infelizmente a sociedade não regenerada não pode atingir tal ideal perfeito, porque há grande número de indivíduos indignos de confiança, e não seriam suficientes as simples palavras "sim" ou "não" para inspirar e garantir confiança nos tribunais de justiça. Assim, posto que a sociedade humana é imperfeita, tornam-se necessários os juramentos (...) Assim sendo, Jesus não proibiria juramentos exigidos pela lei, que fazem parte do costume legal em muitos lugares. Cristo proíbe o espírito imprudente e orgulhoso com que faziam grandiosas, mas falsas declarações em nome de Deus, em nome do lugar onde Deus habita (os céus), ou em nome de algum lugar associado ao seu nome, como o Templo de Jerusalém. Deus não é obrigado a apoiar estes juramentos imprudentes, e o homem santo não pode esperar que Deus o faça (...) A garantia da honestidade do indivíduo deve ser a confiança na sua simples palavra. Provavelmente Jesus insistiria que tal honestidade deve ser inspirada pela consciência da presença de Deus e a relação do homem para com o Senhor. O homem cônscio da presença de Deus, não mente. Tal honestidade não requer a confirmação de qualquer juramento.

                                                                                                                                                                  

07. Creio que não precisamos nos estender muito sobre esse assunto e concluir observando que quando se fizer necessário, por questões legais, diante da justiça (num tribunal, por exemplo), o crente poderá prestar juramento. Entretanto, fora disso, principalmente entre nós, a palavra do crente deve ser, como asseverou Jesus, sim, sim, não, não, e isto significa que o crente deve ser uma pessoa sempre confiável.

 

Muqui, Março de 2013

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