segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 34 - Entrai pela porta estreita

 

ENTRAI PELA PORTA ESTREITA

 

Estudo 34 da série "Estudos no Sermão do Monte

 

 

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;  E porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” (Mateus 7:13-14 RC)

 

1.    Chegamos ao ponto em que Jesus caminha para a conclusão de seu sermão.

2.    O objetivo de Jesus neste sermão, conforme temos podido ver nos estudos que já fizemos, foi, primeiro, levar aqueles que são seus a perceber qual é a sua natureza, e, segundo, mostrar-lhes como devem manifestar essa natureza em seu viver diário.

3.    Jesus veio viver neste mundo, como homem, para, do meio do mundo formar para si um povo especial, um povo para fazer parte não mais do "reino do mundo", ainda que estando nele, mas do "reino de Deus", do "reino da luz", do "reino dos céus". E, neste "sermão do monte" Jesus está dizendo: "Neste reino é assim que se comporta". Quem dele fizer parte:

a.    Será humilde de espírito;

b.    Será alguém que lamenta pelo pecado seu pessoal e pelo pecado em geral;

c.    Será dotado de espírito de mansidão;

d.    Será alguém com fome e sede de justiça;

e.    Será misericordioso;

f.     Será limpo de coração;

g.    Será pacificador;

h.    Deverá ser sal da terra e luz do mundo;

i.      Deverá ser portador de uma justiça superior à dos escribas e fariseus;

j.      Deverá fazer as coisa próprias do reino não para sua glória ou promoção pessoal, mas para a glória de Deus;

k.    Deverá ser alguém ocupado em acumular tesouros no céu e não na terra;

l.      Deverá ter o reino de Deus como prioridade;

m.   Deverá evitar julgar erradamente o próximo;

n.    E por aí vai...

4.    É como se Jesus houvesse declarado: "Esse é o caráter do reino que estou formando, e esta é a vida que eu quero que vocês vivam".

5.    Agora Jesus está chegando ao fim desse sermão e vai fazer algumas aplicações, sendo a primeira essa que temos diante de nós: "Entrai pela porta estreita...", ou: "Eu sei que essa porta que estou acabando de lhes apresentar é estreita, mas entrem por ela, porque é ela que conduz ao reino celestial, à vida eterna".

6.    Então pensemos apenas neste fato hoje: A vida cristã é representada e deve ser apresentada como sendo "estreita / apertada" desde o seu início até o seu fim.

7.    É muito importante destacar esse fato porque ele é imprescindível no momento em que formos evangelizar alguém. Desde o princípio a pessoa que está sendo evangelizada deve ser conscientizada dessa estreiteza; ninguém deve ser "enganado para entrar". Não devemos usar de artifícios fraudulentos. Não foi assim que Jesus agiu?

a.    Um escriba disse querer seguir a Jesus, e o que foi que Jesus lhe disse? – Veja Mateus 8.19-20...

8.    "O evangelho de Jesus Cristo anuncia abertamente, sem qualquer transigência e abrandamento, que a vida cristã é algo que começa por uma porta estreita e apertada e continua por um caminho apertado. Desde o próprio começo é absolutamente essencial que tomemos consciência disso" (Lloyd-Jones).

9.    Mas, por que? O que faz da vida cristã uma vida "apertada"?. Cito apenas três razões:

a.    A primeira razão é que tal vida, de verdade, só é possível através de uma, apenas uma pessoa: Jesus Cristo.

                                  i.    Ele é a porta das ovelhas... (João 10.7ss.)

                                ii.    Ele é o caminho... (João 14.6)

                               iii.    Ele, e só ele, tem as palavras de vida eterna... (João 6.68)

                               iv.    Ele é o único nome... (Atos 4.12)

                                v.    Ele, e somente ele! Não há portaS, não há caminhoS, não há nomeS; há porta, caminho e nome... no singular...

b.    A segunda razão pela qual a vida cristã é "estreita" é o fato de que para se vivê-la há coisas que deverão ser renunciadas, "deixadas do lado de fora", porque não podem passar junto conosco por essa porta estreita.

                                  i.        Devemos renunciar o mundanismo – A maneira de viver do mundo. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, dedica o capítulo 6 a informar-lhes que a graça não nos permite permanecer no pecado. No verso 19 ele lhes diz que no passado eles se apresentavam ao pecado para viver no pecado, mas agora deveriam se apresentar para servirem à justiça para santificação. E nos versos 21 a 23 ele pergunta que fruto colheram daquela vida que tinham antes e depois diz que uma vez libertos devem viver uma vida santificada. João escreveu: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.  Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.” (1 João 2:15-16 RC)

                                ii.        Sendo assim, muitas vezes até mesmo a companhia das pessoas com quem antes tínhamos certa comunhão precisam ser renunciadas; se não em todas, pelo menos em muitas ocasiões precisam ser renunciadas. (exemplo de quando fomos a uma excursão no Rio Grande do Sul...). Nunca falaram isso pra você? Não dá para participar com os seus amigos não convertidos de tudo o que eles fazem...

                               iii.        Devemos renunciar o "eu". O "eu" não passa na porta estreita – "Não mais eu, mas Cristo vive em mim", deve ser o nosso lema. E se assim o é/for:

1.    Seremos mansos...

2.    Amaremos... até aos inimigos...

3.    Pediremos perdão e perdoaremos, mesmo que para isso precisemos enterrar o nosso orgulho pessoal a setenta vezes sete palmos abaixo da terra...

4.    Não nos deixaremos vencer pelo mal, mas venceremos o mal com o bem...

5.    Seremos gentis e não ríspidos e mal educados no trato para com os nossos semelhantes...

6.    Trabalharemos muito na causa sem nenhum interesse de receber qualquer glória...

7.    E por aí vai...

c.    E a terceira razão para a vida cristã ser "estreita" é o fato de ela envolver lutas e sofrimentos...

                                  i.        A Bíblia fala de lutas e sofrimentos – aflições;

                                ii.        A experiência já demonstrou que há aflições, lutas e sofrimentos.

                               iii.        As próprias renúncias, muitas delas, implicam em aflições.

                               iv.        Estamos envolvidos em uma luta contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais.

10. Tudo isso desde o princípio até ao fim, neste mundo, da vida cristã, e desde o princípio as pessoas que vamos evangelizar devem estar conscientes disso.

11. Agora, talvez você esteja aí se perguntando: Se é assim, porque Jesus disse, e está registrado um pouco mais à frente, no capítulo 11, que seu jugo é suave e seu fardo é leve? Apenas três coisas quero dizer:

a.    Todas as lutas da vida cristã não as lutamos sozinhos – Jesus luta conosco e por nós.

b.    Paulo, depois de considerar suas lutas e sofrimentos, disse que "as aflições do tempo presente não podem se comparar com a glória que em nós há de ser revelada". Em outras palavras: tudo isso é muito leve diante da glória que aguarda aqueles que entram por esse caminho.

c.    O fim de ambos os caminhos é que revelará qual, na verdade, é mais "leve" e qual é mais "pesado".

12. Então, "entrem pela porta estreita" e "sigam pelo caminho estreito"...

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Muqui – Setembro de 2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 33 - A Regra de Ouro

 

A REGRA DE OURO

 

Estudo 33 de "Estudos no Sermão do Monte"

 

“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” (Mateus 7:12 RC)

 

            Apenas algumas observações precisamos fazer acerca desta que ficou sendo conhecida como a "regra áurea", ou a "regra de ouro:

 

            1) PRIMEIRA OBSERVAÇÃO: Era uma regra já existente e, certamente, bem conhecida dos judeus, uma vez que um de seus rabinos – Hilel – a havia proferido, em termos negativos (NÃO faça o que NÃO queres que lhe façam), cerca de 100 anos antes. Diz-se que um gentio, interessado na religião judaica, solicitou ao grande Sacerdote Shamai que se equilibrasse em uma perna e, no tempo que conseguisse ficar nessa posição, lhe ensinasse a substância da lei. Shamai, indignado, lhe virou as costas. Então o gentio fez o mesmo pedido a Hilel, e este, equilibrando-se em uma só perna, citou Tobite 4.15: "O que odeias, não faças a ninguém", e depois acrescentou: "O que te for odioso não faças a teu próximo. Isso resume a Torah inteira. Tudo o mais é interpretação".

 

            2) SEGUNDA OBSERVAÇÃO: Apesar de ser uma regra já existente, Jesus lhe dá novo sentido ao proferi-la de forma positiva, dizendo "faça o que queres que lhe façam". No sentido negativo a regra é passiva, mas nos sentido positivo ela torna-se ativa, o que demonstra que no Cristianismo não é simplesmente a abstinência de pecado e simplesmente a abstinência de más ações para com o próximo que interessam; antes, o que interessa e o que se ensina é a bondade positiva. Não se trata de simplesmente "NÃO fazer o mal", e sim de "fazer o bem".

            Algo semelhante temos em 1 Coríntios 13, o capítulo do amor. Duas das características do amor ali exposto são:

 

a) A paciência – na versão ARC lemos que "o amor é sofredor". O termo para "sofredor" é “makrothumeo”, que tem o sentido de ser demorado em enfurecer-se, paciente, longânimo, não abatido facilmente pelos insultos sofridos e que não busca vingança sobre aqueles que lhe injuriam (difamam, insultam, ofendem).

 

b) A benignidade – "o amor é benigno", isto é, age bondosamente.

 

            A paciência é, então, um aspecto do amor que refreia uma possível atitude má de nossa parte em retribuição a algo mal feito por alguém contra nós. Mas a benignidade vai além: ela nos leva a realizar feitos bondosos. É o amor em ação, que age bondosamente não apenas com os que lhe são favoráveis, mas também com os que lhe são contrários.

 

            A "Regra de Ouro", conforme proferida por Jesus, é positiva, e não negativa; é ativa e não passiva.

 

            3) TERCEIRA OBSERVAÇÃO: O termo "portanto" ou "pois" é tradução de uma partícula que significa "então, por esta razão...", constituindo-se em elo de ligação entre o que foi dito anteriormente e o que será dito imediatamente. Nas palavras de Champlim:

 

"Pois" se refere aos ensinos dos primeiros onze versículos, especialmente os ensinos referentes ao julgamento do próximo. Mas a atitude de Deus, ao dar a seus filhos aquilo que necessitam, ilustram a atitude que devemos assumir em relação aos nossos semelhantes. A atitude comum aos homens é fazer contra os outros as mesmas coisas que os outros lhes fazem, e essa atitude domina a vida da maior parte dos homens... [Mas] os discípulos do reino devem imitar a natureza de Deus, e não dos homens. A reciprocidade não transparece nos pensamentos de Jesus. A base deste ensino é o espírito de amor e misericórdia. O maior exemplo desse espírito foi dado por Deus. Os homens que se interessam pelos ensinos de Deus devem imitar a Deus nesse particular.

 

            4) QUARTA OBSERVAÇÃO: Minhas atitudes para com os outros não devem ser influenciadas "de lá para cá horizontalmente", isto é, não devem sofrer influência daquilo que o meu próximo faz comigo/por mim/em relação a mim; minhas atitudes para com os outros devem ser influenciadas "de lá para cá verticalmente", isto é, devo agir para com os outros conforme Deus age para comigo e/ou conforme Ele me orienta, em Sua Palavra, a agir. E como é que Ele orienta? Um exemplo que resume tudo temos aqui mesmo no Sermão da Montanha, em 5.38-48 – (Para um pouco mais de entendimento veja os estudos 20, 21 e 22 em www.prwalmir.blogspot.com.br)

 

            5) QUINTA OBSERVAÇÃO: Devemos continuar sempre fazendo o que queremos que os outros nos façam, mesmo que eles não correspondam à nossa ação. As reações negativas dos outros não nos dão "direito" de parar de observar esta "regra de ouro".

            Em Romanos 12.21 lemos: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem". **Vencer** e **vence** são traduções de uma mesma palavra do original deste texto, e tem o sentido de **conquistar**. Então, o servo de Deus deve ser o **conquistador** e não o **conquistado**, isto é, ele deve permanecer firme na sua fé até à morte diante do poder se seus inimigos, tentações e perseguições.

            Em o "Comentário Bíblico Popular" lemos alguns exemplos interessantes:

           

            Primeiro sobre não se deixar vencer do mal:

 

Darby explica a primeira parte desse versículo da seguinte forma: "se a má índole de outra pessoa o leva a reagir com maldade, você se deixou vencer do mal".

 

O eminente cientista George Washington Carver disse: "Jamais permitirei que outro homem estrague a minha vida fazendo-me odiá-lo". Como Cristão ele recusava-se a deixar-se vencer do mal.

 

            E, segundo, sobre Vencer o Mal com o Bem:

 

Edwin M. Staton (1814-1869), advogado e político Norte Americano, não escondia seu ódio de Abraham Lincoln. Afirmou que era tolice ir à África em busca de gorilas quando se podia encontrar um em Springfield, Illinois, cidade onde Lincoln morava na época. Lincoln não respondeu às provocações. Posteriormente nomeou Staton ministro da guerra, pois o considerou a pessoa mais qualificada para esse cargo. Depois do assassinato de Lincoln, Staton afirmou que o presidente havia sido o maior líder de todos os tempos. O bem havia vencido o mal.

 

            Repetindo a observação: Devemos continuar sempre fazendo o que queremos que os outros nos façam, mesmo que eles não correspondam à nossa ação. As reações negativas dos outros não nos dão "direito" de parar de observar esta "regra de ouro".

 

 

            Creio que estas observações nos bastam, então, paro por aqui deixando com vocês a responsabilidade de raciocinar mais, tendo em mente a orientação bíblica como um todo, acerca dessa palavra colocada por Jesus dessa forma.

 

 

Clamando sempre pela misericórdia do Senhor, para que nos ajude a viver como convém a filhos do Pai Celestial,

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

Muqui, Setembro de 2013

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PARA ESTAS CONSIDERAÇÕES:

 

BOL 3.0 Módulo Avançado (Strongs) – SBB

 

Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento – William Macdonald – Mundo Cristão

 

Estudos no Sermão do Monte – Martyn Lloyd-Jones – Editora Fiel

 

O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo – R. N. Champlim – Candeia

sábado, 14 de setembro de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 32 - Pedi, Buscai e Batei e Receberás

PEDI, BUSCAI E BATEI E RECEBERÁS

Mateus 7.7-11

 

– Estudo 32 da série "Estudos no Sermão do Monte", que tem como fonte a obra de Martyn Loyd-Jones, "Estudos no Sermão do Monte", publicada pela Editora Fiel –

 

1.    Veja bem o que temos aqui:

a.    Pedi e... (dar-se-vos-á).

b.    Buscai e... (encontrareis).

c.    Batei e... (abrir-se-vos á).

d.    Pois o que pede recebe, o que busca encontra e ao que bate abrir-se-lhe-á.

e.    Vosso Pai Celestial, mais que um Pai terreno, dará bens (**boas coisas** é a tradução mais correta) aos seus filhos que pedirem.

2.    Será que existe algo mais animador, para aqueles que creem, do que essa promessa de Jesus?

3.    Creio que todos já conseguimos entender que, biblicamente, a vida é uma jornada.

a.    Estamos aqui de passagem e "indo para algum lugar".

b.    E já nos demos conta de que essa jornada inclui, em muitos pontos, problemas e às vezes até incertezas, e não sabemos com exatidão em quais pontos da jornada nos encontraremos com esses problemas e incertezas.

c.    Sabemos para onde estamos indo, mas não sabemos o que nos está esperando no "caminho para lá".

d.    E, diante disso, uma promessa como essa é extremamente confortadora para aqueles que creem, por mostrar que "o Pai está com Sua atenção voltada para nós enquanto vamos"; "o Pai está conosco no caminho", e isso é o que realmente importa. Abraão, conforme observou um idoso Puritano há algumas centenas de anos, "saiu sem saber para onde ia; mas ele sabia com quem ia".

4.    Essa é, então, uma realidade para a qual a nossa mente pode se voltar quando lemos que Jesus disse que se pedirmos ser-nos-á dado, se buscarmos encontraremos e se batermos a porta se nos abrirá – o Pai se importa conosco, presta atenção em nós, está atento à nossa oração e está conosco em nossa jornada.

5.    Mas precisamos raciocinar mais. E esse raciocínio não pode ser simplesmente à luz do que pensamos ser nossas necessidades físicas/materiais e muito menos à luz de nossos desejos puramente mundanos. Se assim o fizermos poderemos ficar imaginando que *tudo*, indiscriminadamente, está incluído, quando, na verdade, o que a Bíblia nos ensina é que não é bem assim.

6.    A Bíblia ensina certo; nós é que lemos errado. E essa leitura errada a fazemos porque somos sujeitos à influencia de nossos desejos egoístas e mundanos – mesmo quando somos ensinados erradamente essa influência negativa não deixa de ter a sua participação.

7.    Por exemplo, eu posso ler, erradamente, apenas o verso 13 de Filipenses 4 e sair exigindo de Deus que atenda às minha reivindicações egoístas e que são puramente para o meu deleite pessoal, ou posso ler corretamente, observando o contexto (vs. 10-14), e descobrir que o significado é que *tendo* ou *não tendo*, estando em situação de *conforto* ou *desconforto*, eu permaneço firme na fé porque quem me fortalece é Deus, o Pai, que está comigo. Minha força não advém de *coisas* ou *conforto pessoal*, minha força tem sua origem no Pai que vai comigo pelo caminho.

8.    Então vamos raciocinar um pouquinho mais, pensando na questão da perseverança na oração, na questão sobre o que somos orientados, observando-se o contexto, a pedir principalmente e no fato de que Deus, sendo nosso Pai Celestial, só nos dá coisas boas e jamais coisas que desfavoreçam nosso progresso espiritual.

9.    Então vamos lá:

 

I. Pedir, Buscar E Bater – Uma Sequência Que Indica Perseverança Na Oração E Que É Demonstrativa Da Intensidade Espiritual Do Indivíduo.

 

Eu preciso ser perseverante na oração

 

1.    Em todos os tempos, ao se considerar essas palavras de Jesus, tem surgido a ideia de que tais palavras indicam a necessidade de haver perseverança na oração.

2.    Uma observação bem interessante que alguém fez é a de que pode se notar nessas palavras uma intensificação de esforço:

a.    pedir: um esforço pequeno;

b.    Buscar: um esforço mais diligente;

c.    Bater: o ápice do esforço.

3.    Essa observação é bem interessante por também demonstrar a intensidade espiritual de uma pessoa. Aquele que age assim, aquele que não desiste, porquanto crê, é o indivíduo que tem vida e caráter espiritual intenso. Muitas vezes nós nem bem começamos a nos esforçar em buscar no Senhor algo e já desistimos, e até nos esquecemos. Não recebemos ainda uma resposta e já paramos de buscar no Senhor.

4.    Às vezes isso pode nos parecer estranho – temos, em algumas ocasiões, que insistir com o Senhor?

5.    E fato é que, ainda que não entendamos, na Bíblia encontramos esse ensinamento.

6.    Não se trata de vãs repetições, mas de perseverança.

7.    Veja Gênesis 32.24-32

8.    Veja Lucas 18.1-8

9.    Perseverança é requisito bíblico para uma "busca bem sucedida" em Deus.

 

II. Perseverança Na Oração Visando O Que? O Que Pedir E Buscar? E Bater Pra Que Se Nos Abra A Porta Para Que Ou Onde?

 

Eu preciso pedir corretamente. Preciso ser perseverante em pedir coisas que contribuam para o meu progresso espiritual.

 

1.    É fato inegável que, na Bíblia, somos ensinados a pedir, buscar em Deus aquelas coisas de que necessitamos para bem viver neste mundo.

a.    Veja Filipenses 4.6

b.    Veja Mateus 6.11

c.    Veja 1 Pedro 5.7

d.    E nosso texto em questão também se aplica, porque o Pai dá boas dádivas a seus filhos.

2.    Entretanto, como já disse anteriormente, precisamos "ler certo", para não ficarmos "pensando errado". Se eu ler esse texto erradamente, sem considerar seu contexto, posso ficar pensando que TUDO, indiscriminadamente, incluindo aquilo que é só desejo pessoal e não necessidade real, TUDO pelo que eu "pedir, buscar e bater", Jesus tem que me conceder porque ele disse que se eu isso fizer alcançarei.

3.    Obviamente, sabemos,  que *em* e *para todas* as nossas necessidades podemos e devemos pedir, buscar e bater, e muitas delas *ser-nos-ão dadas*, *acharemos* e *abrir-se-nos-ão*;

4.    Porém não tudo *necessariamente* e nem tudo *indiscriminadamente*. Pode-se citar, por exemplo:

a.    O espinho na carne de Paulo – Veja 2 Coríntios 12.7-9

                                  i.    O que era esse espinho na carne de Paulo? (eu não sei)

                                ii.    Será que era algo *perturbador*?

                               iii.    Quantas vezes Paulo orou para se ver livre desse "espinho na carne"?

                               iv.    Ele "pediu", "buscou" e "bateu", isto é, foi insistente, perseverante?

                                v.    E qual foi a resposta que ele obteve e por que?

b.    Pedidos feitos por motivos errados: Tiago 4.3.

5.    Estes são dois bons exemplos, sendo o primeiro um exemplo de que não é *tudo necessariamente*, e o segundo de que não é *tudo indiscriminadamente*.

6.    Mas há um pedido principal, que está implícito no contexto, que se formos perseverantes, demonstrando assim que estamos realmente interessados, ser-nos-á dado.

7.    Qual é esse pedido? (Algum irmão gostaria de "arriscar"?) – Por que Jesus profere essas palavras nesse ponto do Sermão? O que tem a ver isso com o que ele estava ensinando?

8.    Vamos pensar no contexto: O que Jesus estava ensinando sobre como devem viver aqueles que são seus, os "bem-aventurados"? Algumas coisas aleatórias:

a.    Têm que ser sal da terra e luz do mundo;

b.    A sua justiça deve exceder a dos escribas e fariseus;

c.    Sua conformidade à lei de Deus não deve ser concebida apenas em termos de ações. Os pensamentos, os desejos e os motivos, isto é, aquilo que provoca as ações, são igualmente importantes;

d.    Não devem resistir ao perverso;

e.    Devem amar até os inimigos e orar pelos que os perseguem;

f.     Devem lutar para não se encontrarem agradando a si mesmos e buscando glória para si mesmos, senão para Deus. Não devem "trombetear", anunciando as coisas boas que fazem;

g.     Não devem ajuntar tesouros na terra e sim no céu;

h.    Devem ter plena confiança em Deus e não andar ansiosos por coisa alguma;

i.      Não devem julgar erradamente, pelas razões que vimos em estudo anterior.

9.    Todas essas coisas e muitas mais tivemos ocasião de estudar – e todos esses estudos estão disponíveis em nossa página virtual.

10. E tudo isso nos mostra uma coisa: o elevado padrão que Deus exige daqueles que são Seus filhos. E, nas palavras de Lloyd-Jones:

 

Assim que nos conscientizamos deste fato começamos a nos sentir humilhados, e começamos a perguntar: "Quem é idôneo para essas coisas? Como podemos viver à luz de tão alto padrão?" E não somente isso, mas também tomamos consciência da nossa necessidade de purificação, percebemos quão indignos e pecaminosos somos. E o resultado de tudo isso é que nos vemos como indivíduos totalmente incapazes e destituídos de esperança. E pensamos: "Como poderíamos viver o Sermão do Monte? Como é que alguém pode ter uma vida caracterizada por tão alto padrão? Precisamos de ajuda e graça! Mas, onde podemos obtê-las?" Eis a resposta: "Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á".

 

11. Ah, meus amados irmãos, essa é a conexão correta! Essa é a leitura correta!

12. O evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é glorioso demais e diante desse evangelho glorioso seremos insensatos se pesarmos poder alcançar seu elevado padrão através de nossa fraca moralidade pessoal. O padrão que nos é apresentado por Jesus Cristo nos esmaga, a qualquer um de nós, até ao chão, até ao pó, e nos leva a perceber a nossa incapacidade e a nossa desesperadora necessidade da graça de Deus. Não temos, definitivamente não temos, de nós mesmos o necessário para viver a vida que Deus quer que vivamos. Ma Deus tem, e disponibiliza a nós, se pedirmos, se buscarmos e se batermos.

 

III. Deus É Nosso Pai E Só Nos Dá Coisas Boas – E Ele Nunca Erra.

 

Eu preciso compreender e aceitar que Deus, sendo meu Pai Celestial, só me dará coisas boas. Ele não me dará TUDO necessariamente e nem TUDO indiscriminadamente.

 

1.    Bem, já vimos que "se pedirmos mal" não alcançamos o que pedimos.

2.    Deus jamais nos dará algo que seja prejudicial às nossas almas.

3.    E Deus nunca erra. Deus conhece perfeitamente a diferença entre o bom e o ruim, entre o bem e o mal.

a.    Nós não temos esse conhecimento perfeito, mas Deus sim.

b.    Nós podemos errar no tocante a isso, mas Deus não.

4.    Pais humanos podem se enganar e dar algo prejudicial a seus filhos julgando estar dando algo benéfico, mas nosso Pai Celestial jamais comete este equívoco.

5.    Nas palavras de Lloyd-Jones:

 

Somos filhos de um Pai que não somente nos ama, mas que cuida de nós e mantém atenta vigilância sobre nós. Ele jamais nos dará alguma coisa que nos seja prejudicial. Porém, além disso, Ele jamais nos desviará do bom caminho, Ele jamais cairá em erro no tocante àquilo que Ele tiver de dar-nos. Deus sabe de tudo; o Seu conhecimento é absoluto. Se ao menos pudéssemos compreender que estamos nas mãos de um Pai dessa qualidade, então a nossa perspectiva do futuro seria inteiramente modificada.

 

Conclusão

 

1.    Pedir, buscar e bater – perseverança na oração com promessa de resposta, é o que temos no texto. Porém, não "qualquer coisa", porque Deus é nosso Pai Celestial e não proverá para nós algo que seja prejudicial às nossas almas, ao nosso progresso espiritual.

2.    O contexto nos leva a pensar/entender que essa perseverança na busca por progresso espiritual tem resposta garantida.

3.    Como bem se expressou Lloyd-Jones:

 

Peçamos qualquer coisa que nos seja proveitosa, qualquer coisa que contribua para aprimorar a nossa ... perfeição... Qualquer coisa que nos aproxime mais do Senhor, que expanda a nossa vida e que nos faça progredir espiritualmente, e Deus nos dará. Talvez pensemos que certas coisas são boas, mas Ele sabe que essas coisas são más para nós. Deus jamais se engana e, sob hipótese nenhuma, nunca nos dará essas coisas prejudiciais. Ele nos dará coisas proveitosas. E sua promessa, literalmente, é a seguinte: se lhe pedirmos essas coisas boas, como a plenitude do Espírito Santo, ou uma vida caracterizada pelo amor, pela alegria e pela paz, pela longanimidade, etc., e todas aquelas virtudes excelentes que podiam ser vistas a brilhar esplendorosamente na vida terrena de Jesus Cristo, Ele no-las dará. Se realmente quisermos ser mais parecidos com ele... se realmente lhe solicitarmos  essas realidades espirituais, então haveremos de ser abençoados. Se as buscarmos, haveremos de achá-las; e, se batermos, a porta dessas bênçãos nos será aberta, e haveremos de entrar no gozo dessas possessões. A sua promessa é que se Lhe pedirmos coisas boas, nosso Pai Celeste haverá de dá-las para nós.

 

Em Cristo,

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

Muqui, Setembro de 2013