terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Estudos no Sermão do Monte / Parte 12 - A Lei e os Profetas


A LEI E OS PROFETAS

 

Alguns apontamentos sobre a palavra de Jesus acerca da lei e dos profetas.

 

Mateus 5.17-20

 

01. O que temos visto até aqui nessa nossa série de estudos no Sermão da montanha?

a.    Primeiro vimos o Senhor Jesus fazendo uma descrição do homem que pertence ao Reino celestial:

                                  i.    Ele é humilde de espírito – ele reconhece que nada tem em Deus e de Deus que não seja um favor imerecido.

                                ii.    Ele é alguém que chora/lamenta o seu estado espiritual pecaminoso.

                               iii.    Ele é manso, no sentido de ser alguém que rende a Deus toda a sua vontade pessoal.

                               iv.    Ele é alguém que tem fome e sede de justiça, sendo essa justiça a libertação do pecado em todas as suas formas e em sua própria manifestação.

                                v.    Ele é misericordioso, isto é, ele é alguém que age com compaixão bondade e perdão mesmo para com aquele que só merecem o desprezo e o abandono.

                               vi.    Ele é limpo de coração – tem um coração santificado a Deus.

                              vii.    Ele é pacificador – alguém que trabalha para promover a paz entre pessoas e pessoas e entre pessoas e Deus.

                            viii.    Ele é alguém que, sendo perseguido por causa da justiça, não se abala, não se entristece, antes se alegra.

b.    Em seguida vimos o Senhor Jesus no relembrando, ao dizer que somos sal da terra e luz do mundo, que devemos, em nosso viver diário, manifestar essas características de nossa natureza essencial. Assim como esperamos que o representante de nosso país comporte-se de forma que seja um reflexo da honra e do bom nome que temos, Deus espera que os representantes do reino celestial assim também se comportem.

02. Temos aí apenas uma bem pequena lembrança do que vimos. Se você quiser relembrar (ou vir, para quem não esteve estudando conosco) na íntegra, todos os estudos podem ser encontrados em www.igrejabatistaemmuqui.blogspot.com.br ou ainda em www.prwalmir.blogspot.com.br .

03. Agora, diante de nós está outra secção do sermão da montanha onde encontramos o Senhor Jesus discorrendo sobre a prática da Lei e dos profetas. Podemos dizer que aprenderemos com Jesus como ser, na prática, sal da terra e luz do mundo.

04. Jesus passa a abordar o tipo de vida reta que ao crente compete viver.

05. Prestemos, portanto, bastante atenção. Temos um longo caminho de estudos a percorrer, mas são estudos de importância primária para as nossas vidas como servos do Deus Vivo.

06. Comecemos por pensar em o que o Senhor Jesus nos diz nos versos 17 a 20:

07. O que está bem claro nesse texto?

a.    Jesus não veio para anular/abolir/destruir/acabar com a lei e os profetas. Jesus veio para cumprir.

                                  i.    O termo grego utilizado (kataluo) tem o sentido de dissolver / desunir o que está atado junto (strongs) – Jesus não veio para fazer isso. O A.T. está atado ao Novo.

08. Assim, Jesus dá uma resposta às acusações farisaicas de que ele estava destruindo a lei e os profetas e também dá uma resposta aos que afirmavam e afirmam que a liberdade em Cristo significa a abolição da lei, um pensamento antinomiano.

09. Para quem pensa como os fariseus e para quem pensa como os antinomianos se dirige a advertência de não se deve nem começar a pensar (essa é a força no grego original) que Jesus veio para abolir a lei e os profetas. Ele não veio abolir, mas para cumprir.

10. Pensemos por partes:

 

Primeiro, pensemos em o que está envolvido em “a Lei”, ou: o que devemos entender por “a Lei”.

 

11. Ora, quando se diz “a Lei”, só podemos entender que significa toda a lei, ou a lei em sua inteireza. A Lei em seu aspecto moral, judicial e cerimonial. Tudo quanto a Lei ensina diretamente sobre a vida, a conduta e o comportamento dos homens.

12. Era isso que qualquer Judeu entenderia ao ouvir Jesus assim falar, e ainda estaria incluso “tudo quanto era ensinado por intermédio dos diversos símbolos, pelas diferentes modalidades de oferendas e por todos os detalhes das mesmas que figuram nas páginas do Antigo Testamento” (Lloyd-Jones). Aqui Jesus está se referindo à lei em sua inteireza.

13. Jesus não veio para anular nada disso. Jesus não veio para destruir nada disso. Aliás ele, para enfatizar, diz que nem um iota (a menor letra do alfabeto hebraico) e nem um til (um risco que diferenciava uma letra da outra) da lei deixaria de ser cumprido.

14. Mais à frente encontraremos Jesus dando exemplos que fazem parte da lei em seu aspecto moral, mas aqui ele afirma que tudo o que Deus determinou como lei será cumprido.

 

Segundo, pensemos em o que está envolvido em “profetas”.

 

15. Evidentemente também só podemos entender aqui “tudo o que está nos livros proféticos do Antigo Testamento”.

 

Terceiro, o que significa o termo “cumprir”?

 

16. Cumprir aqui significa prestar obediência plena, levando até às últimas consequências tudo quando fora dito e declarado na lei e nos profetas (Lloyd-Jones). Significa que “tudo será realizado”, nada da Lei e dos profetas será deixado de lado, sem o devido cumprimento. Jesus cumpre toda a Lei e os Profetas.

 

Agora, em quarto lugar, pensemos em “como é que Jesus cumpre a Lei e os Profetas?”.

 

17. Como é que Jesus cumpre os profetas?

18. É interessante vermos aqui o que Pedro disse/escreveu quando já estava no final de sua vida terrena. Está no capítulo 1 de sua segunda carta:

 

“13  ... tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações, 14  sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo mo tem revelado. 15  Mas também eu procurarei, em toda a ocasião, que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas. 16  Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade, 17  porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. 18  E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo. 19  E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração, 20  sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação;” (2 Pedro 1:13-20 RC)

 

19. “Nós mesmos vimos a sua glória e Majestade”, disse Pedro se referindo à experiência que ele, Tiago e João tiveram no monte da transfiguração. E depois ele faz referência à palavra dos profetas. É como se ele estivesse dizendo que eles próprios eram testemunhas da glória e Majestade do Senhor Jesus, mas que seus ouvintes tinham também, além desse testemunho, a palavra dos profetas do Antigo Testamento. Por quê? É porque as profecias destes profetas se cumprem na pessoa de Jesus Cristo de Nazaré.

20. Em Lucas 24, a partir do verso 13, temos a história dos discípulos no caminho de Emaús, a quem Jesus se revela depois de ressurreto. Estes discípulos estavam tristes porque eles esperavam que Jesus fosse aquele que remiria Israel, mas já havia três dias que ele havia morrido. Repare bem nos versos 25 a 27 o que Jesus lhes diz antes de se dar a conhecer:

 

“25  ... Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! 26  Porventura, não convinha que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória? 27  E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” (RC)

 

21. O Apóstolo Paulo em 2 Coríntios 1.20, falando sobre Jesus diz que:

 

“... todas quantas promessas há de Deus são nele sim; e por ele o Amém, para glória de Deus, por nós.” (2 Coríntios 1:20 RC)

 

22. Todas as promessas de Deus encontram o “sim” e o “amém” na pessoa admirável de nosso Senhor Jesus Cristo.

23. Você pode pensar em qualquer profecia do Antigo Testamento – todas elas se cumpriram ou se cumprirão em Jesus, por causa de Jesus – tudo gira em torno de Jesus, toda a mensagem bíblica converge em Jesus; tudo na bíblia encontra sua razão de ser em Jesus.

24. Pense na aliança de Deus com Abraão, recheada de promessa proféticas – ela tem razão de ser em Jesus – Jesus é o descendente de Abraão em que todas as famílias da terra são abençoadas.

25. Pense na aliança Davídica, recheada de promessas proféticas – ela encontra seu cumprimento em Jesus.

26. Pense nas promessas acerca do Messias prometido ao Povo de Israel, mais de 400 – Elas tiveram pleno cumprimento em Jesus de Nazaré.

27. A inclusão dos gentios é promessa que se cumpre em Jesus.

28. Estude o livro de Daniel e veja se as palavras proféticas nele contidas não lhe remeterão o pensamento para Jesus a todo instante?

29. O que aconteceu no dia de pentecostes foi profetizado, e foi Jesus quem cumpriu porque foi ele quem derramou o Espírito Santo.

30. Nas palavras de Lloyd-Jones:

 

“jamais deveríamos enfiar uma cunha entre o Antigo e o Novo Testamento. Nunca deveríamos dizer que o Novo faz o Velho desnecessário... Esses dois segmentos da Bíblia estão indissoluvelmente ligados entre si, havendo muitos sentidos em que podemos dizer que o Novo Testamento não pode ser perfeitamente entendido exceto à luz daquilo que nos é revelado no Antigo Testamento. Por exemplo, é quase impossível entender o que a epístola aos Hebreus ensina, a menos que conheçamos bem as Escrituras do Antigo Testamento”.

 

31. É assim que Jesus cumpre os profetas.

 

32. E como é que Jesus cumpre a lei?

a.    Jesus cumpre a lei quando vai à cruz do Calvário e ali morre.

                                  i.    Na cruz do Calvário ele cumpre Lei de forma completa e cabal no tocante ao seu aspecto cerimonial – Nada foi anulado, nada foi desprezado, mas tudo foi cumprido de forma cabal.

1.    Na cruz do Calvário Jesus cumpre as próprias figuras da Lei cerimonial. Quanto a essas figuras informa-nos a Palavra em Colossenses 2.16-17 – e até o Sábado está aí incluído – que elas eram sombras do que haveria de vir. Ora, uma sombra é uma imagem projetada do objeto real. Assim é que Jesus, ele próprio é o Sumo Sacerdote; ele próprio é a oferenda; ele próprio é o Cordeiro do sacrifício; ele próprio é o propiciatório e a propiciação. Enfim, ele é o cumprimento de todo tipo de figura da lei cerimonial, todo tipo de sombra; todo tipo de figura da lei cerimonial é uma projeção daquele que viria a ser o “objeto” real: Jesus Cristo.

2.    O fato de o véu do templo ter-se rasgado de cima para baixo quando da morte do Senhor Jesus na cruz do Calvário demonstra esse cumprimento cabal.

                                ii.    Foi na cruz do calvário que Jesus cumpriu a Lei também no sentido de que nele todo o castigo pelo pecado imposto pela Lei foi devidamente executado. Nas palavras de Lloyd-Jones:

 

A Lei tinha de ser cumprida cabalmente. Deus não podia simplesmente arredá-la para um lado, sob nenhuma hipótese; e, dessa forma, o castigo por ela imposto também era inevitável. Ao perdoar-nos Deus não o faz resolvendo que na executará a sentença por Ele decretada contra o pecado. Isso implicaria em uma contradição com a Sua própria natureza santa. O que quer que Deus diga tem que suceder. Deus não retrocede diante daquilo que Ele próprio determinou. Ora, Deus dissera que o pecado tem que ser punido por meio da morte, e você e eu só poderemos ser perdoados porque o castigo contra o pecado foi devidamente aplicado. No tocante à punição contra o pecado, a Lei de Deus foi cumprida de maneira absoluta, porquanto Ele castigou o pecado no próprio corpo santo, inculpável e imaculado de Seu Filho, na cruz na colina do Calvário. Cristo cumpre a lei sobre a cruz, e, a menos que uma pessoa interprete a cruz e a morte de Jesus, que sobre ela teve lugar, em termos estritos do cumprimento da lei, tal pessoa não é detentora do ponto de vista bíblico da morte de Jesus na cruz.

 

1.    Isso significa que não precisamos mais ficar sob a condenação da lei. Podemos ser redimidos dessa condenação, podemos ser resgatados do poder da lei.

2.    Mas isso não significa que na há nada da lei para cumprirmos...

 

b.    ... em Jesus a lei cerimonial, as figuras da lei, a execução da justiça da lei foram cumpridas...

c.    ... Mas e o aspecto da lei que chamamos de aspecto moral, ou a lei moral? Bem, quanto à lei moral, Jesus também a cumpriu pessoalmente e cabe a nós cumprirmos também. A lei moral continua aplicável a nós no sentido de não estarmos isentos de cumpri-la. Novamente nas palavras de Lloyd-Jones:

 

O crente não está mais debaixo da lei no sentido que a lei é um pacto de obras. Esse é o argumento inteiro de Gálatas 3. O crente não está sob a lei nesse sentido, e a sua salvação independe de sua observância à lei. Ele foi libertado da maldição da lei; não está mais sob a lei como uma relação de pacto entre ele e Deus. Todavia isso não o isenta da lei como uma regra de vida... Tendemos por ter uma perspectiva errada da lei, pensando que ela é algo que se opõe à graça divina. Mas não é assim. A lei só é contrária à graça no sentido de que antes havia uma pacto da lei, mas agora estamos sob o pacto da graça.

 

                                  i.    A lei não foi dada para salvar ninguém. A Graça de Jesus sim. O problema dos Gálatas apontado por Paulo em Gálatas 3 não era andar de acordo com a lei de Deus, mas andar de acordo julgando que por isso eles seriam salvos. Abra sua bíblia e leia e você verá que Paulo não está menosprezando a lei, mas ensinando que não é por ela que somos salvos.

                                ii.    Em certo sentido ela foi dada até mesmo para mostrar que jamais poderemos justificar-nos a nós mesmos diante de Deus, e assim sermos levados aos pés do Senhor Jesus Cristo. Nas palavras de Paulo, o intuito da lei é que ela nos servisse de aio para nos conduzir a Cristo. (O Aio era o responsável por cuidar da criança, educando e disciplinando até ela se tornar de maior)

 

33. Mais adiante veremos Jesus apontando alguns pontos que fazem parte da lei de Deus e que precisam ser bem entendidos e cumpridos, não porque estamos debaixo da lei, e não porque seremos salvos se assim agirmos; Sabemos que estamos debaixo da graça e é pela graça que somos salvos; mas não podemos abusar da graça a fim de levarmos uma vida pecaminosa, indolente e frouxa. Precisamos nos lembrar das palavras de Paulo a Tito, no capítulo 2, quando ele diz que a graça de Deus se manifestou trazendo-nos salvação, mas também ensinando-nos a renunciar às impiedades e às concupiscências mundanas e a vivermos neste mundo sóbria, justa e piedosamente. E também precisamos nos lembrar do que o mesmo Paulo disse/escreveu aos Romanos:

 

1  Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? 2  De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? 3  Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? 4  De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. 5  Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; 6  sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado. 7  Porque aquele que está morto está justificado do pecado. 8  Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; 9  sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. 10  Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. 11  Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor. 12  Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; 13  nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.” (Romanos 6:1-13 RC)

 

 

 

Fontes que consultei:

 

Comentário Bíblico Broadman – Volume 8 – JUERP

Estudos n Sermão do Monte – Martin Lloyd-Jones (fonte principal) – Editora Fiel

Manual Bíblico – H. H. Halley – Vida Nova

O N. T. Int. Vers. Por Vers. – R. N. Champlin – Candeia

Os Fatos sobre Jesus, O Messias – John Ankerberg e John Weldon – Chamada da Meia Noite

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