sexta-feira, 1 de julho de 2011

O CRENTE–ÁUDIO

O CRENTE

MENSAGEM BÍBLICA EM ÁUDIO E TEXTO

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O CRENTE

Objetivo: Mostrar que o verdadeiro crente, por ser cidadão do céu, deve apresentar-se, em muitos aspectos, diferente daqueles que pertencem ao mundo.

Texto Bíblico: Romanos 12

Introdução.

01. Conta-se que certa vez um missionário pregava a um certo grupo de mulheres indianas. Num dado momento, uma delas levantou-se e saiu. Pouco tempo depois ela voltou e continuou a ouvir a pregação. Após o culto o missionário perguntou-lhe qual a razão de haver saído e voltado. E ela lhe respondeu: - “Fui perguntar ao seu criado se o senhor realmente praticava no seu lar os preceitos que estava recomendando do púlpito. Como a resposta foi afirmativa, não tive dúvida em voltar para ouvir falar mais acerca dos ensinos de Jesus”.

02. Já uma outra história nos diz de um jovem budista que estava trabalhando em uma pesquisa sobre as doutrinas básicas do cristianismo, e, particularmente, sobre a vida de Cristo. Em meio a essa pesquisa o jovem declarou a um seu colega de universidade, cristão: “O seu Cristo é deveras sublime, admirável, maravilhoso, mas, lamentavelmente, muitos dos que proclamam professar o seu credo não procuram ser semelhantes a ele”.

03. Qual a razão disso? A razão está no fato de existirem crentes e “crentes”.

04. Qual o significado da palavra crente? Alguns dicionários definem crente como alguém religioso, alguém que é adepto de determinado seguimento religioso. Mas nós sabemos que nem todas as pessoas que são adeptas de algum seguimento religioso são crentes no verdadeiro sentido da palavra.

05. O verdadeiro crente, biblicamente falando, é aquele indivíduo que, arrependido de seus pecados, recebeu a Cristo, pela fé, como seu único e suficiente Salvador, e deixou de viver para si mesmo e passou a viver pra Ele.

06. Esse crente, verdadeiro, é, como mostra Paulo em Filipenses 3.20, um cidadão celestial, e, como tal, deve apresentar-se, em muitos aspectos, diferente daqueles que pertencem ao mundo.

07. O texto que lemos mostra-nos isso de forma clara. Estudemos três pontos dentro do mesmo.

1) O crente deve ser diferente do mundo (vs. 1-2)

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.(Romanos 12:1-2 RC)

01. Dizer que o crente não deve conformar-se com esse mundo equivale a dizer que ele deve ser diferente do mundo.

02. Como, em que sentido o crente deve ser diferente do mundo?

03. Ser diferente do mundo não significa observar o que o mundo faz, da maneira como faz, os motivos pelos quais faz, e fazer diferente. Seria algo muito complicado isso.

04. Ser diferente do mundo significa que, nas palavras de John Murray: “estamos planejando nossas vidas por aquelas condições requeridas pelos interesses e pelas esperanças da era vindoura”. E se assim agimos, naturalmente seremos diferentes em muitas coisas.

05. O crente deve ser diferente

a. na maneira de lidar com as pessoas,

b. na maneira de se vestir,

c. na maneira de lidar com os seus negócios,

d. nas suas conversas,

e. na maneira de servir como empregado,

f. na maneira de agir para com os seus empregados,

g. na maneira de agir diante dos atos de violência, desonestidade e outros cometidos contra ele;

h. o crente não aprova e não participa de muitas festividades, como o carnaval, por exemplo;

i. o crente não freqüenta boates, salões de bailes ou locais semelhantes;

j. o crente evita a prática sexual antes do casamento;

k. o crente procura ser fiel ao seu cônjuge;

l. o crente não vive uma vida mentirosa;

m. enfim, há uma infinidade de coisas em que o crente se comporta diferentemente do mundo em geral.

06. Mas, não há muita gente no mundo que age semelhantemente? Onde está a diferença então?

a. A diferença está na motivação.

b. A diferença está em o que leva uns e outros a agirem da maneira que agem.

c. O crente age como age por amor a Cristo.

d. O crente não age de acordo com a orientação da Palavra de Deus porque o pastor ou a igreja mandou, o crente age assim porque ele ama a Cristo.

2) O crente deve estar cônscio de que, junto com os outros crentes, forma um só corpo – o de Cristo (vs. 3-5)

“Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros”.(Romanos 12:3-5 RC)

01. Analisemos alguns princípios básicos, princípios estes propostos por R. N. Champlin em O N. T. Interp. Vers. Por Vers.: (Obs. o fato de eu citar Champlin ou qualquer outro autor não significa que ele seja correto em tudo o que escreve – com respeito a Champlin, apesar de ser uma boa fonte de consulta, há alguns de seus escritos que diferem da fé evangélico em geral, incluindo a minha fé, mas o que coloco nesse texto é algo muito bom e de acordo com o que cremos)

a) Existem muitos membros, o que importa em multiplicidade. Cada um deles exerce a sua respectiva função; e cada uma dessas funções é importante para a vida coletiva da igreja, onde nenhum membro individual funciona com exclusividade. Por conseguinte, há uma importância decisiva em cada um, embora tal importância não deva ser exagerada; pois o exagero da importância individual é uma falsidade, inclinando os indivíduos ao orgulho pessoal. Nenhum membro de igreja tem o direito de mostrar-se orgulhoso, porquanto depende de todos os outros...

b) Considerados juntamente, todos os membros de uma igreja constituem uma unidade, unidade essa em torno da pessoa de Cristo. Aqueles que estão verdadeiramente vinculados em tal unidade, dificilmente podem mostrar-se espiritualmente altivos, porquanto o orgulho da unidade consiste na combinação de todos, tendo como centro o Senhor Jesus Cristo, que é o “cabeça” do corpo, ou, conforme outras considerações, que é a “alma” da igreja. Conforme qualquer desse ponto de vista, a igreja é o seu corpo ou veículo de ação; mas o próprio Cristo é a vida e a glória do organismo espiritual.

c) Cada crente individual é membro uns dos outros. Cada qual está vinculado aos demais na condição de membro. Isso porque possuem uma “vida em comum”, um propósito comum, e todos eles, juntamente, embora representem muitas funções, têm uma função em comum. Cada membro precisa de todos os outros membros. Cada qual é indispensável para os demais.

d) Existe uma unidade essencial, mas não da espécie em que a individualidade, a importância do crente individual, se perde. Essa individualidade é perfeitamente preservada, mas não às expensas dos outros crentes individuais, e certamente não às expensas da unidade do corpo. Aquele que enfatiza a sua importância de maneira exagerada destrói tanto a “unidade” quanto a “importância” do organismo inteiro. Desta forma, não está agindo como autêntico [membro] espiritual no corpo, mas ter-se-á tornado uma força destruidora que enferma e debilita o corpo.

e) O vocábulo aqui traduzido por “corpo” expressa uma “vida”, isto é, a vida em Cristo. Por conseguinte, não existem membros autênticos que não tenham sido regenerados pelo Espírito Santo. ... [Se tal regeneração não se manifesta na vida de um indivíduo, pode se duvidar, com toda razão, se o tal realmente faz parte do corpo de Cristo].

f) O valor de cada membro é retido, mas somente até onde ele está relacionado aos outros membros, porque todos são valiosos, em vista de formarem o corpo de Cristo. Nenhum membro, isoladamente considerado, pode representar o corpo de Cristo, motivo também pelo qual nenhum deles tem o direito de tentar destacar-se acima dos demais, preocupando-se com sua própria promoção e importância. Se assim o fizer, menos se preocupará com Cristo e com a exaltação da pessoa de Cristo.

3) O crente deve entregar-se por completo nas mãos do Senhor, inclusive no que respeita à sua defesa diante de outros que se lhe apresentam como inimigos (vs. 17-21)

“A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas perante todos os homens. Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”.(Romanos 12:17-21 RC)

01. Façamos algumas considerações da mensagem desse texto:

a. O crente não deve tornar mal por mal – Isto é, o crente jamais deve entregar-se à retaliação vingativa.

b. O crente deve procurar as coisas honestas perante todos os homens – Isto é, o crente deve viver de forma honrosa perante os homens, em tudo.

c. O crente deve, se possível, no que depender dele, ter paz com todos os homens – Isto é, o crente deve fazer tudo quanto está ao seu alcance para preservar a harmonia tanto com a comunidade fora da igreja como com os indivíduos em particular. Mas nem sempre isso é possível, especialmente quando a manutenção dessa harmonia exigir o ferir os padrões de Deus para as nossas vidas. Um exemplo: Imaginemos que você conheça uma família onde todos professam fanaticamente uma religião que você sabe não estar de acordo com a Palavra de Deus. Você se dá bem com essa família. É amigo de longa data dessa família. Mas, inesperadamente, alguém dessa família se interessa pelo evangelho e lhe procura. Você o traz na igreja e começa a ministrar, em sua casa, um estudo bíblico para ele. Os demais membros da família, ao descobrirem, naturalmente, ficam furiosos, e a harmonia é quebrada. A única possibilidade de retornar à harmonia anterior é abandonar e desfazer (se possível) todo o seu trabalho de evangelização dessa pessoa. Nesse caso é preferível abrir mão da harmonia.

02. Mas a principal consideração que eu gostaria de fazer é a de que o crente deve entregar-se por completo nas mãos do Senhor, inclusive no que respeita à sua defesa diante de outros que se lhe apresentam como inimigos.

“Não leve a cabo sua própria vingança. Deponha as armas. Tire do seu revólver todos os projéteis letais, coloque sua faca vingadora na bainha. Deixe que Deus seja seu defensor”. (Charles Swindoll)

03. O crente deve entregar o juízo a Deus. Isso não significa desejar que o nosso ofensor seja castigado por Deus de alguma maneira. Veja o que diz os versículos 14 e 20: “abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis”. / “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça”.(Romanos 12:20 RC)

04. Veja essa história:

Durante a guerra do Kosovo, em 1999, três americanos foram capturados e ficaram reféns por mais de um mês. Após intensas negociações, ocorreu um avanço nestas mesmas negociações e os prisioneiros puderam sair em liberdade. Roy Lloyd fazia parte da delegação que conseguiu a sua libertação. Ele declarou: "Cada um dos três soldados era muito religioso. Um deles, Christopher Stone, não sairia até que lhe fosse permitido ir ter com o soldado que serviu de seu guarda e orasse por ele. Aqui estava um jovem que sabia algo sobre os princípios de Jesus. Ele poderia ter ficado ressentido com as circunstâncias e odiado os seus captores. Ele poderia ter desenvolvido um profundo espírito de vingança. Ele poderia ter carregado uma profunda raiva fruto dessa situação. Mas seguindo o mandamento de Jesus (Mateus 5:44) e o exemplo de Paulo e Silas em Filipos (Atos 16:25-34), ele perdoou ao seu captor e atendeu às suas necessidades. Num mundo onde é comum a retaliação, os crentes são chamados a serem diferentes. Devemos orar pelos que nos perseguem, perdoar-lhes e fazer-lhes bem”.

Conclusão

01. Esse é o crente: alguém diferente do mundo nas práticas, mas principalmente na motivação que o leva a determinada prática; alguém consciente de que é UM membro do corpo de Cristo e que deve viver em harmonia com os demai para que o corpo seja saudável e alguém que se entrega nas mãos do Senhor inclusive no que respeita à sua defesa pessoal diante dos que lhe ofendem.

02. Você pode enxergar essas coisas em sua vida? Você é crente de verdade?

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

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