terça-feira, 17 de agosto de 2010

A COMUNHÃO COM DEUS.

A COMUNHÃO COM DEUS.

 

Segunda Parte

 

1.    No estudo passado vimos sobre a comunhão com Deus. Vimos que ela é importante, é possível, e precisa ser mantida. Vimos que para mantermos comunhão com Deus, não podemos andar em trevas, e, sim, na luz, porque Deus é luz. Também vimos algo do qual não podemos nos esquecer: a confissão dos nossos pecados, para sermos perdoados por Deus.

2.    No presente estudo continuaremos, dentro desta Primeira Epístola de João, analisando esse assunto, e, para tanto, leiamos, de início, os versículos 3 a 6 do capítulo 2:

 

"3 Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. 4 Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. 5 Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: 6 aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou." (1 João 2:3-6 RA)

 

3.    Atentem para a última frase do v. 5 e o v. 6. Esse trecho diz que aquele que diz que está, ou permanece, isto é, tem comunhão com ele, também deve andar como ele andou. "Ele" quem? Cristo, é claro!

4.    Num sentido negativo, podemos dizer que quem não anda como Cristo andou – e volto a lembrar aos irmãos que o termo "andar" aqui significa o sentido geral da vida – não pode dizer que tem comunhão com ele, e, se diz, não diz a verdade, e, talvez, esteja enganando até a si próprio.

5.    Mas como, o que é, andar como Cristo andou? Vamos ver só duas coisas principais. A primeira é:

 

I.              Andar conforme Cristo andou é andar em amor.

 

1.    Veja o que diz os vs. 3-5:

 

"3 Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. 4 Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. 5 Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele:..." (1 João 2:3-5 RA)

 

2.    Esse trecho mostra que o teste definitivo de nossa fé é a obediência aos mandamentos de Cristo, e, como todos os mandamentos se resumem no amor, quem os cumpre tem sido aperfeiçoado no amor de Deus, isto é, tem se tornado pleno do amor, o que, naturalmente, culmina em uma prática do mesmo.

3.    Sabemos que Cristo andou em amor. Aliás, o amor é um dos atributos de Deus, e, sendo Cristo Deus, o amor é um de seus atributos.

4.    Veja os seguintes textos:

 

"Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço." (João 15:10 RA)

 

"Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?" (Romanos 8:35 RA)

 

"pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos." (2 Coríntios 8:9 RA)

 

"e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus." (Efésios 3:19 RA)

 

"e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave." (Efésios 5:2 RA)

 

"conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós" (1 Pedro 1:20 RA)

 

"Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;" (Mateus 5:44 RA)

 

"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16 RA)

 

"logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim." (Gálatas 2:20 RA)

 

"4  Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5  e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos," (Efésios 2:4-5 RA)

 

"10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. 11  Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros." (1 João 4:10-11 RA)

 

"Nós amamos porque ele nos amou primeiro." (1 João 4:19 RA)

 

"Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor." (1 João 4:8 RA)

 

"E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele." (1 João 4:16 RA)

 

5.     Agora veja os vs. 7-11 de 1º João 2:

 

"7  Amados, não vos escrevo mandamento novo, senão mandamento antigo, o qual, desde o princípio, tivestes. Esse mandamento antigo é a palavra que ouvistes. 8  Todavia, vos escrevo novo mandamento, aquilo que é verdadeiro nele e em vós, porque as trevas se vão dissipando, e a verdadeira luz já brilha. 9  Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. 10  Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. 11  Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos." (RA)

 

6.    Aquele que diz estar em Cristo deve andar em amor, porque Cristo andou em amor.

7.    Aquele que não ama a seu irmão, ao contrário, o odeia, não está na luz, e, sim, nas trevas.

8.    Champlin diz, verdadeiramente, que

 

"... o amor é a prova de que possuímos a verdade divina, que é luz. Uma vez mais a teoria fica comprovada pela prática. O conhecimento intelectual da verdade espiritual pode cegar até mesmo o indivíduo que o possui, levando-o a pensar que conhece a Cristo. Mas, se tal indivíduo vive repleto de discórdia e ódio, na realidade, estará vivendo em trevas. Tal pessoa terá enganado a si mesma com o seu progresso intelectual. Não goza de um progresso espiritual correspondente a seu conhecimento intelectual. O "andar" de Cristo é algo que resultava em "amor". Isso também deve suceder conosco."[1]

 

9.    E, citando Tennyson e Hoon, ainda diz que

 

"Aquele que fecha fora o amor, por sua vez será separado do Amor, e ali fora só há uivos nas trevas exteriores."[2]

 

"A pessoa que não ama não sabe que não é amorosa; imputa a outros as falhas de si mesma. Também não sabe o desastre inevitável a que sua maneira de andar leva. Em certo sentido, anda nas trevas. Aquele que se recusa a ver, finalmente não pode mais ver. O ódio constante destrói progressivamente a capacidade para o bem. Finalmente, faz outros tropeçarem. O ódio enerva outros e os faz revidarem; a vindita com freqüência prejudica aos inocentes; a vingança envenena os motivos que se vêem nos outros; a hipocrisia do crente que diz que anda na luz, mas odeia a seu irmão, é um opróbrio para a igreja, repelindo ao inquiridor sincero e edificando aos cínicos... O ódio pode prejudicar os tecidos do corpo e induzir enfermidades. Um médico diz que meia dúzia de palavras amargas fazem a própria pepsina do estômago perder o seu efeito. O ódio desequilibra e inflama a mente. Subverte o pensamento, transformando-o em paixão, e mina o julgamento inteligente. Um comentador fez a seguinte paráfrase: "ele... anda nas trevas; não pode pensar direito"."[3]

10. O versículo 11 diz que "Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos." (1 João 2:11 RA).

11. É interessante o fato de que, nas águas de cavernas profundas, aonde a luz não chega, peixes que ali existem até possuem as órbitas dos olhos, mas não os olhos. Assim é, mostra-nos o texto, com quem não ama; não possui olhos espirituais, é cego espiritualmente.

12. Quem não anda em amor, conforme Cristo andou, não pode ter comunhão com ele.

13. Segundo:

 

II.  Andar como Cristo andou é andar em santidade.

 

"12  Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome. 13  Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno. 14  Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno. 15  Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; 16  porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. 17  Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente." (1 João 2:12-17 RA)

 

1.    Santidade é um dos atributos de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo), e significa que Ele é separado e acima de tudo o que é mau e imperfeito.[4]

2.    Mas santidade também é uma qualidade do membro do povo de Deus que o leva a se separar dos pagãos, a não seguir os maus costumes deste mundo, a pertencer somente a Deus e a ser completamente fiel a Ele.[5]

3.    Veja os seguintes textos:

 

"Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade." (Hebreus 12:10 RA)

 

"... a fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos." (1 Ts 3:13 RA)

 

4.    No ponto anterior falamos sobre o amor, que caracteriza aquele que tem comunhão com Deus. Mas há uma coisa que aquele que tem comunhão com Deus não deve amar de forma alguma: "o mundo e aquilo que nele há", segundo I João 2:15. Aqui precisamos tecer algumas considerações:

a.    João não está aqui falando sobre o mundo físico em si, como a natureza, por exemplo. Ele não quer dizer que devemos desprezar tudo o que é físico, pois fazendo isso incorreríamos no erro de desprezar a criação do próprio Deus.

b.    João também não está falando da humanidade em si, nem mesmo dos piores elementos que a compõem, pois o próprio Deus a ama e nos orienta a amá-la; até mesmo aos nossos inimigos.

c.    João está falando, então, do "sistema do mundo" dirigido por satanás. Notem que ele enumera três coisas:

                                  i.    A concupiscência (ou desejo ardente) da carne – aquilo a que os gnósticos se entregavam. Mui especialmente o sexo desaprovado por Deus, mas também "... idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam." (Gálatas 5:20-21 RA)

                                ii.    A concupiscência dos olhos – Podemos exemplificar essa classe de pecados usando a cobiça, por exemplo: "Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo." (Êxodo 20:17 RA) – "Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.  Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte." (Tiago 1:14-15 RA) – A concupiscência dos olhos faz com que a alma fique cativa ao aspecto externo das coisas. Há uma preocupação exagerada por aparência, posição, exibição, etc.

                               iii.    A soberba da vida – A soberba da vida tem a ver com a pretensão, a arrogância, o desejo de ser mais e viver acima dos outros. Tem a ver com a vida de presunção, com o desejo de ser louvado, de ser considerado importante, de estar em primeiro plano, de ter títulos só para exibi-los, etc. "Os homens fazem do próprio 'eu' um deus; gastam tudo quanto possuem, dinheiro e energias, para o próprio 'eu'. Esquecem-se do princípio do amor, do serviço que deveria ser feito em favor do próximo. Buscam apenas a glorificação própria..."[6]

d.    Destas coisas, e outras semelhantes a estas, nós devemos estar separados.

5.    Andar como Cristo andou é andar em santidade, isto é, separado do mundo, por Deus e para Deus.

 

Conclusão.

 

1.    Aquele que diz ter comunhão com Deus (com Santíssima Trindade) deve andar como Cristo andou. Basicamente, em amor e santidade.

2.    Se Deus viesse aqui hoje para nos dar uma nota entre dez negativo e dez positivo, analisando em nossa vida essas questões, que nota tiraríamos?

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves



[1] CHAMPLIN, R. N. – O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Décima reimpressão, São Paulo – SP. Editora Candeia, 1998. Comentário extraído da página 239 do volume 6.

[2] Ibid., página 238, citando TENNYSON.

[3] Ibid., citando HOON.

[4]  Dicionário Bíblico Almeida, em A Bíblia Online, da SBB

 

[5] Ibid.

[6] CHAMPLIN, R. N. – O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Décima reimpressão, São Paulo – SP. Editora Candeia, 1998. Comentário extraído da página 243 do sexto volume.

 

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