terça-feira, 15 de setembro de 2026

Não existe "guarda compartilhada" entre Deus e Satanás.

 

NÃO EXISTE “GUARDA COMPARTILHADA” ENTRE DEUS E SATANÁS

 

A humanidade pode ser observada, à luz das Escrituras, em três tipos de comportamento espiritual:

1.     Há aqueles que pertencem a Deus e vivem para Ele;

2.     Há aqueles que, permanecendo em rebelião contra Deus, estão debaixo do domínio do pecado e de Satanás;

3.     E há aqueles que imaginam poder viver entre os dois, dando a Deus uma parte da vida e reservando outra parte para si mesmos e para os valores deste mundo.

A Bíblia, porém, não reconhece essa terceira posição como uma verdadeira alternativa.

Entre Deus e Satanás não existe guarda compartilhada.

Jesus foi absolutamente claro: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6.24).

Ele não disse que é difícil servir a dois senhores. Disse que não é possível.

Mais adiante, declarou: “Quem não é comigo é contra mim” (Mt 12.30).

Biblicamente, portanto, não existe uma neutralidade espiritual permanente.

O coração humano pode até imaginar que está no meio, mas, diante de Deus, existe uma questão fundamental: a quem pertencemos e a quem servimos?

 

O PRIMEIRO GRUPO é formado por aqueles que pertencem a Deus.

Não são pessoas perfeitas nem pessoas que nunca pecam. São pecadores que foram alcançados pela graça, reconciliados com Deus por meio de Cristo e passaram a viver sob o senhorio de Jesus.

Paulo diz: “E vós sois de Cristo, e Cristo, de Deus” (1Co 3.23).

Pedro afirma que os cristãos são povo adquirido para Deus (1Pe 2.9).

Pertencer a Deus significa que a nossa vida já não nos pertence como antes: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co 6.20).

Essa exclusividade não significa que o cristão nunca tropeça.

Significa que sua lealdade fundamental mudou.

Ele pode cair, mas não deseja permanecer no chão;

pode pecar, mas não faz do pecado sua habitação;

pode ser tentado, mas não reconhece o pecado como seu senhor.

Ele pertence a Cristo.

Por isso Paulo pôde dizer: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).

 

O SEGUNDO GRUPO é formado por aqueles que permanecem fora de Cristo e debaixo do domínio das trevas.

A Bíblia utiliza uma linguagem bastante séria para descrever essa condição.

Jesus disse a alguns de seus opositores: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (Jo 8.44).

Paulo afirma que o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos (2Co 4.4),

E Efésios descreve os que vivem sem Cristo como estando mortos em delitos e pecados e andando “segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar” (Ef 2.1-3).

Isso não significa que todo incrédulo seja conscientemente um adorador de Satanás. Muitos jamais diriam que pertencem a ele. Pelo contrário, podem ser pessoas moralmente respeitáveis, religiosas, generosas e até sinceramente convencidas de que estão no caminho certo. Mas a Bíblia não define pertencimento espiritual simplesmente pela sinceridade da pessoa. Quem não está reconciliado com Deus por meio de Cristo permanece em seus pecados.

É justamente aqui que aparece o terceiro grupo...

 

O TERCEIRO GRUPO é composto por aqueles que, consciente ou inconscientemente, querem uma espécie de “guarda compartilhada”.

Querem Deus, mas também querem o pecado.

Querem Cristo, mas não querem abrir mão do senhorio próprio.

Querem a bênção de Deus, mas não necessariamente a autoridade de Deus.

Querem o céu, mas não querem viver sob o governo do Rei.

Querem Jesus como Salvador, mas não como Senhor.

Essa tentativa de dividir a vida entre Deus e o mundo é antiga. Israel, por exemplo, tentou misturar a adoração ao Senhor com a adoração a Baal. E o profeta Elias confrontou essa indecisão no monte Carmelo: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o.” (1Rs 18.21)

Observe a força da pergunta do profeta Elias.

Elias não oferece uma terceira alternativa.

Não diz: “Escolham quanto de Deus vocês querem e quanto de Baal desejam conservar”. Ele exige uma decisão: Se o Senhor é Deus, sigam o Senhor.

Séculos depois, Tiago trataria do mesmo problema sob outra forma: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?” (Tg 4.4). A palavra é dura porque o problema é sério. A pessoa que pretende manter comunhão com Deus enquanto abraça deliberadamente aquilo que Deus condena está tentando estabelecer uma aliança impossível.

João também não deixa espaço para essa “zona neutra”: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15). Não significa que devemos odiar as pessoas, abandonar a sociedade ou desprezar a criação de Deus. Significa não fazer do sistema de valores rebelde contra Deus o objeto de nosso amor e lealdade.

O próprio apóstolo Paulo apresenta o contraste de maneira impressionante: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1Co 3.11). Cristo não aceita ser apenas um cômodo acrescentado à casa da nossa vida. Ele é o fundamento.

É por isso que a conversão bíblica não é simplesmente acrescentar Jesus àquilo que já somos. É uma mudança de reino. Colossenses 1.13 diz que Deus “nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”. Veja os verbos: fomos tirados de um domínio e transportados para outro. Há uma transferência de pertencimento.

Antes de Cristo, éramos escravos do pecado; mas agora, em Cristo, tornamo-nos servos da justiça (Rm 6.17-18).

Antes, andávamos segundo o curso deste mundo; mas agora somos chamados a andar em novidade de vida (Rm 6.4).

Antes, vivíamos para nós mesmos; mas agora, “se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos” (Rm 14.8).

A grande tragédia do que estamos chamando aqui de “guarda compartilhada” espiritual é que ela cria uma falsa sensação de segurança. A pessoa pensa: “Eu sou de Deus, mas não preciso abandonar isso”; “Eu amo Jesus, mas quero continuar vivendo como antes”; “Eu pertenço à igreja, mas determinadas áreas da minha vida não dizem respeito a Deus.”

Mas o senhorio de Cristo não funciona por departamentos. Jesus não quer apenas uma parte de nossa vida, de nossa agenda... ele nos quer integralmente – quer nossa vida “toda”.

Quem fica “em cima do muro” quanto a isso ainda, por duro que seja dizer isso, “pertence a Satanás”. É como na história que diz que havia um muro, e que de um lado do muro estava Satanás, outros anjos caídos e algumas pessoas. Do outro lado estavam anjos não caídos e pessoas que servem a Cristo. E em cima do muro havia algumas pessoas também. E a essas pessoas que estavam em cima do muro, os do lado dos anjos não caídos e pessoas que servem a Cristo convidavam veementemente para que “pulassem para o lado deles”. Já os do lado do muro onde estavam satanás, anjos caídos e outras pessoas, nada faziam. Então um “observador”, curioso, perguntou: “Por que eles convidam os que estão em cima do muro para pularem para o lado deles e vocês não?”. E Satanás respondeu simplesmente: “o muro é meu”.

Não existe guarda compartilhada.

Não podemos entregar o coração a Deus aos domingos e ao pecado durante a semana.

Não podemos chamar Jesus de Senhor e reservar para nós mesmos o direito de decidir quais mandamentos obedeceremos.

Não podemos querer o reino de Deus e, ao mesmo tempo, fazer aliança com aquilo que se opõe ao Rei.

Ou pertencemos a Cristo, ou permanecemos fora dele.

Não existe guarda compartilhada entre Deus e Satanás.

 

Somente pela graça,

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

15 de setembro de 2026

domingo, 6 de setembro de 2026

Expectativa do Céu


EXPECTATIVA DO CÉU

Em o livro O Peregino, John Bunyan escreveu: “Para Cristão, a expectativa do céu é o que o impulsiona a ter uma vida piedosa e de serviço sacrificial”.

A frase expressa uma verdade profundamente bíblica: a esperança do céu nos fortalece para viver a vida cristã com santidade, perseverança e amor sacrificial.

Será que você e eu temos e vivemos verdadeiramente essa expectativa?

Às vezes, em algum momento e por alguma razão, dizemos que temos, mas a nossa maneira de viver é que mostra se ela é verdadeira ou não.

Então façamos um teste, analisando o seguinte:

1.     A expectativa do céu dá direção à vida presente – uma direção diferente da que o mundo segue

O cristão não vive apenas olhando para o que está diante dos seus olhos. Ele caminha tendo em vista a pátria celestial e não como quem vai “ficar por aqui mesmo”. Em O Peregrino, Cristão atravessa dificuldades porque sabe que sua jornada tem um destino: a Cidade Celestial.

Essa é também a perspectiva de Paulo: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.” Romanos 8.18. A esperança futura não torna os sofrimentos pequenos, mas mostra que eles não terão a palavra final.

E aí? Passou nesse primeiro teste? Você vive com os olhos voltados para o céu ou para a terra e, portanto, muito preocupado e ocupado com as coisas da terra ao ponto de não ter tempo para as “coisas do céu”?

Vamos adiante no teste:

2.     A esperança do céu estimula uma vida piedosa

A frase não significa que o cristão deve viver bem apenas para receber uma recompensa. A vida piedosa nasce do amor a Deus e da transformação operada pelo Espírito Santo. Entretanto, a esperança da glória alimenta esse desejo de santidade.

Paulo diz: “E todo o que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” 1 João 3.3

Quem aguarda encontrar-se com Cristo deseja viver de modo coerente com essa esperança. O céu não é apenas o lugar para onde vamos; é uma realidade que já começa a transformar a maneira como vivemos “agora”.

Uma “dica”: se você já não tem tempo ou disposição mais para um bom e substancioso “momento com Deus” onde você ora e lê a Palavra, e se não tem tempo ou disposição mais para viver a “vida da igreja”- não uma religiosidade sem vida, mas a vida da igreja –, e se para você não tem problema cometer um ato de infidelidade a Deus em “benefício próprio na terra”, é hora de acender a “luz de alerta”.

Passou no teste?

Então vamos a mais uma questão:

3.     A esperança do céu sustenta o serviço sacrificial

O cristão pode servir mesmo quando não recebe reconhecimento, quando enfrenta oposição ou quando seus esforços parecem pouco frutíferos. Por quê? Porque sabe que seu trabalho não é inútil diante do Senhor.

É o que Paulo afirma: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” 1 Coríntios 15.58

Observe a ligação: Paulo fala da ressurreição e, em seguida, chama os crentes à perseverança. A esperança futura não produz acomodação, mas firmeza e abundância no serviço.

Passou nesse também?

Então vamos à última questão, que é bem importante também:

4.     O céu nos ensina a servir sem transformar o serviço em um fim

Há um perigo até mesmo no trabalho cristão: podemos servir tanto que nos esquecemos de para quem estamos servindo. A expectativa do céu nos lembra que Cristo é o nosso verdadeiro tesouro.

O serviço sacrificial não é uma tentativa de comprar a salvação. É a resposta de quem já foi alcançado pela graça e aguarda a consumação dessa salvação.

“Porque a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” Filipenses 3.20

A pátria celestial nos dá uma identidade que não depende do reconhecimento deste mundo. Por isso, podemos servir com humildade, perseverar com paciência e sofrer sem perder a esperança.

Conclusão

Se você passou no “teste”. PARABÉNS! Continue assim e cresça cada vez mais.

Mas se não passou, é hora de deixar tudo de lado e parar para refletir seriamente sobre quem é você, em “que” e “quem” você crê e o que você está fazendo.

A expectativa do céu não nos faz abandonar a terra, mas nos ensina a viver nela com os olhos em Cristo, as mãos no serviço e o coração cheio de esperança.

 

E uma última palavra para você que é cristão, mas talvez esteja “cansado de servir”:

 

Essa frase do livro O Peregrino” fala especialmente ao cristão que está cansado de servir. Àquele que talvez pense: “Tenho feito tanto, mas parece que ninguém percebe.”

A esperança do céu nos lembra que o valor do nosso serviço não depende da quantidade de aplausos que recebemos, mas da fidelidade daquele a quem servimos.

Não servimos para que os homens nos vejam. Servimos porque Cristo nos amou, porque pertencemos a Ele e porque aguardamos o dia em que estaremos para sempre em sua presença.

 

Na graça, pela graça, dependente da graça...

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

06 de setembro de 2026

O mundo tornou-se um lugar estranho para mim

  O MUNDO TORNOU-SE UM LUGAR ESTRANHO PARA MIM O mundo tornou-se um lugar estranho para mim. Não sei exatamente quando comecei a sentir isso...