NÃO EXISTE “GUARDA COMPARTILHADA” ENTRE DEUS E SATANÁS
A humanidade pode ser observada, à luz das Escrituras, em três tipos de comportamento espiritual:
1.
Há aqueles que pertencem a Deus e vivem para
Ele;
2.
Há aqueles que, permanecendo em rebelião contra
Deus, estão debaixo do domínio do pecado e de Satanás;
3. E há aqueles que imaginam poder viver entre os dois, dando a Deus uma parte da vida e reservando outra parte para si mesmos e para os valores deste mundo.
A Bíblia, porém, não reconhece essa terceira posição como
uma verdadeira alternativa.
Entre Deus e Satanás não existe guarda compartilhada.
Jesus foi absolutamente claro: “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6.24).
Ele não disse que é difícil servir a dois senhores. Disse que não é possível.
Mais adiante, declarou: “Quem não é comigo é contra mim” (Mt 12.30).
Biblicamente, portanto, não existe uma neutralidade
espiritual permanente.
O coração humano pode até imaginar que está no meio, mas,
diante de Deus, existe uma questão fundamental: a quem pertencemos e a quem
servimos?
O PRIMEIRO GRUPO é formado por aqueles que pertencem a Deus.
Não são pessoas perfeitas nem pessoas que nunca pecam. São pecadores que foram alcançados pela graça, reconciliados com Deus por meio de Cristo e passaram a viver sob o senhorio de Jesus.
Paulo diz: “E vós sois de Cristo, e Cristo, de Deus” (1Co 3.23).
Pedro afirma que os cristãos são povo adquirido para Deus (1Pe 2.9).
Pertencer a Deus significa que a nossa vida já não nos pertence como antes: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co 6.20).
Essa exclusividade não significa que o cristão nunca
tropeça.
Significa que sua lealdade fundamental mudou.
Ele pode cair, mas não deseja permanecer no chão;
pode pecar, mas não faz do pecado sua habitação;
pode ser tentado, mas não reconhece o pecado como seu
senhor.
Ele pertence a Cristo.
Por isso Paulo pôde dizer: “Já estou crucificado com
Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).
O SEGUNDO GRUPO é formado por aqueles que permanecem fora de Cristo e debaixo do domínio das trevas.
A Bíblia utiliza uma linguagem bastante séria para descrever essa condição.
Jesus disse a alguns de seus opositores: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (Jo 8.44).
Paulo afirma que o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos (2Co 4.4),
E Efésios descreve os que vivem sem Cristo como estando mortos em delitos e pecados e andando “segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar” (Ef 2.1-3).
Isso não significa que todo incrédulo seja conscientemente um adorador de Satanás. Muitos jamais diriam que pertencem a ele. Pelo contrário, podem ser pessoas moralmente respeitáveis, religiosas, generosas e até sinceramente convencidas de que estão no caminho certo. Mas a Bíblia não define pertencimento espiritual simplesmente pela sinceridade da pessoa. Quem não está reconciliado com Deus por meio de Cristo permanece em seus pecados.
É justamente aqui que aparece o terceiro grupo...
O TERCEIRO GRUPO é composto por aqueles que, consciente ou inconscientemente, querem uma espécie de “guarda compartilhada”.
Querem Deus, mas também querem o pecado.
Querem Cristo, mas não querem abrir mão do senhorio
próprio.
Querem a bênção de Deus, mas não necessariamente a
autoridade de Deus.
Querem o céu, mas não querem viver sob o governo do Rei.
Querem Jesus como Salvador, mas não como Senhor.
Essa tentativa de dividir a vida entre Deus e o mundo é antiga. Israel, por exemplo, tentou misturar a adoração ao Senhor com a adoração a Baal. E o profeta Elias confrontou essa indecisão no monte Carmelo: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o.” (1Rs 18.21)
Observe a força da pergunta do profeta Elias.
Elias não oferece uma terceira alternativa.
Não diz: “Escolham quanto de Deus vocês querem e quanto de Baal desejam conservar”. Ele exige uma decisão: Se o Senhor é Deus, sigam o Senhor.
Séculos depois, Tiago trataria do mesmo problema sob outra forma: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?” (Tg 4.4). A palavra é dura porque o problema é sério. A pessoa que pretende manter comunhão com Deus enquanto abraça deliberadamente aquilo que Deus condena está tentando estabelecer uma aliança impossível.
João também não deixa espaço para essa “zona neutra”: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15). Não significa que devemos odiar as pessoas, abandonar a sociedade ou desprezar a criação de Deus. Significa não fazer do sistema de valores rebelde contra Deus o objeto de nosso amor e lealdade.
O próprio apóstolo Paulo apresenta o contraste de maneira impressionante: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1Co 3.11). Cristo não aceita ser apenas um cômodo acrescentado à casa da nossa vida. Ele é o fundamento.
É por isso que a conversão bíblica não é simplesmente acrescentar Jesus àquilo que já somos. É uma mudança de reino. Colossenses 1.13 diz que Deus “nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”. Veja os verbos: fomos tirados de um domínio e transportados para outro. Há uma transferência de pertencimento.
Antes de Cristo, éramos escravos do pecado; mas agora, em
Cristo, tornamo-nos servos da justiça (Rm 6.17-18).
Antes, andávamos segundo o curso deste mundo; mas agora
somos chamados a andar em novidade de vida (Rm 6.4).
Antes, vivíamos para nós mesmos; mas agora, “se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos” (Rm 14.8).
A grande tragédia do que estamos chamando aqui de “guarda compartilhada” espiritual é que ela cria uma falsa sensação de segurança. A pessoa pensa: “Eu sou de Deus, mas não preciso abandonar isso”; “Eu amo Jesus, mas quero continuar vivendo como antes”; “Eu pertenço à igreja, mas determinadas áreas da minha vida não dizem respeito a Deus.”
Mas o senhorio de Cristo não funciona por departamentos. Jesus não quer apenas uma parte de nossa vida, de nossa agenda... ele nos quer integralmente – quer nossa vida “toda”.
Quem fica “em cima do muro” quanto a isso ainda, por duro que seja dizer isso, “pertence a Satanás”. É como na história que diz que havia um muro, e que de um lado do muro estava Satanás, outros anjos caídos e algumas pessoas. Do outro lado estavam anjos não caídos e pessoas que servem a Cristo. E em cima do muro havia algumas pessoas também. E a essas pessoas que estavam em cima do muro, os do lado dos anjos não caídos e pessoas que servem a Cristo convidavam veementemente para que “pulassem para o lado deles”. Já os do lado do muro onde estavam satanás, anjos caídos e outras pessoas, nada faziam. Então um “observador”, curioso, perguntou: “Por que eles convidam os que estão em cima do muro para pularem para o lado deles e vocês não?”. E Satanás respondeu simplesmente: “o muro é meu”.
Não existe guarda compartilhada.
Não podemos entregar o coração a Deus aos domingos e ao pecado durante a semana.
Não podemos chamar Jesus de Senhor e reservar para nós mesmos o direito de decidir quais mandamentos obedeceremos.
Não podemos querer o reino de Deus e, ao mesmo tempo, fazer aliança com aquilo que se opõe ao Rei.
Ou pertencemos a Cristo, ou permanecemos fora dele.
Não existe guarda compartilhada entre Deus e Satanás.
Somente pela graça,
Pr. Walmir Vigo Gonçalves
15 de setembro de 2026
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