domingo, 11 de novembro de 2012

Estudos no Sermão do Monte / parte 10 - Regozijo na Tribulação


REGOZIJO NA TRIBULAÇÃO.

 

Extraído/adaptado de Estudos no Sermão do Monte – Martyn Lloyde-Jones – Editora Fiel

 

 

“bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” (Mateus 5:11-12 RC)

 

01. No estudo passado vimos sobre o sofrer por causa da justiça. Vimos que aquele que por causa da justiça divina, aquele que, pelo fato de ser convertido a Deus por intermédio de Jesus, pelo fato de ser um fidelíssimo servo do Senhor Jesus, parecido com Jesus, é, de alguma forma, em maior ou menor grau, perseguido, não é um infeliz, é um bem-aventurado.

02. Hoje veremos sobre o regozijo que o servo de Deus pode e deve ter quando sofre alguma perseguição ou tribulação dessa natureza.

03. Os versos 11 e 12 de Mateus 5 não se constituem em uma bem aventurança por si mesmos. Antes, são uma extensão da bem aventurança que encontramos no verso 10.

04. Conforme já dissemos antes, todas as bem-aventuranças devem ser entendidas como uma descrição do perfil do homem que é crente. Elas apresentam uma fotografia constituída de diversas partes, de tal maneira que cada uma delas expõe alguma parte do caráter cristão.

05. Nessa extensão da última bem-aventurança, Jesus mais uma vez lança luz sobre o caráter do crente, ao falar sobre sua reação diante das perseguições.

06. Por essas palavras de Jesus podemos aprender/rever...

 

TRÊS PRINCÍPIOS A RESPEITO DO CRENTE.

 

O primeiro desses princípios, que já vimos antes, é que o crente é diferente de todos quantos não são crentes.

 

07. Devo observar antes de tudo que quando falo de crente, falo no verdadeiro sentido da palavra.

08. O Evangelho de Jesus Cristo estabelece uma bem definida divisão e distinção entre quem é crente e quem é incrédulo. O crente não é alguém parecido com todo mundo, possuindo apenas algumas leves modificações. Antes, é alguém diferente na essência; ele possui uma natureza diferente (espiritual) e é uma pessoa diferente.

09. O fato de ele ficar alegre ao invés de triste quando alguém o persegue pelo fato de ele ser parecido com Jesus, sem se importar se essa perseguição é leve, um deboche apenas, ou pesada como muitas que acontecem mundo afora ocasionando às vezes até a morte... Esse fato por si só já demonstra essa diferença.

10. Veja esse episódio na vida dos apóstolos (Paulo ainda não era um deles), quando foram perseguidos por pregarem o evangelho:

 

E, chamando os apóstolos e tendo-os açoitado, mandaram que não falassem no nome de Jesus e os deixaram ir. Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo. (Atos 5:40-42 RC)

 

11. Agora me diga se não eram diferentes esses homens?

12. Eles eram, e nós devemos ser, e somos se somos verdadeiros crentes.

13. Semelhanças há, é verdade, mas são semelhanças que existem entre pessoas diferentes e não diferenças entre pessoas semelhantes, porque a diferença está na essência, na natureza – a do crente é espiritual e a do incrédulo ainda é carnal.

14. Obviamente que isso não nos dá o direito, como vimos no estudo anterior, de nos comportarmos diante das pessoas com atitude de superioridade. Aliás, essa atitude de superioridade não faz parte da nova natureza.

 

O segundo princípio é que a vida do crente é controlada e dominada por Jesus Cristo, pela lealdade a Cristo e pela preocupação em fazer tudo por causa de Cristo.

 

15.  Não é o que o texto diz?

16. O texto fala sobre ser injuriado e perseguido por causa de quem? Não é por causa de Jesus? Não é pelo fato de se estar vivendo para a causa de Cristo?

17. O objetivo inteiro do crente deve ser viver para Cristo e não para si mesmo.

18. O crente, por ser uma nova criatura, tendo recebido nova vida da parte de Cristo, e percebendo que deve tudo a Cristo e à Sua obra perfeita, particularmente a Sua obra na cruz, diz consigo mesmo (ou deveria dizer): “não pertenço mais a mim mesmo; fui comprado por um bom preço”.

19. Portanto, seu desejo é viver toda a sua vida para a glória dAquele que assim morreu em seu favor, que o redimiu e que retornou à vida.

20. Por isso é que o seu grande desejo é apresentar-se de corpo, alma e espírito, total e inteiramente a Cristo.

21. O grande motivo controlador da vida do crente é: “por causa de Cristo”.

22. Se somos crentes legítimos, então nosso desejo deve ser, por mais que falhemos na prática diária, viver para Cristo, glorificando o seu nome e a sua pessoa.

 

E o terceiro princípio é que a vida do crente deveria ser dirigida por pensamentos celestiais e sobre o mundo vindouro.

 

“Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós”

 

23. Se alegrem pensando no que está reservado para vocês no céu!

24. Este é um ensinamento vital que encontramos não só aqui como na Bíblia como um todo.

25. Consideremos, por exemplo, Hebreus 11. Consideremos aquelas pessoas que são alistadas ali, aqueles “heróis da fé”. Qual era o segredo deles?

a.    O segredo deles é revelado naquilo quem diziam (não necessariamente com palavras): “Não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura cidade...” – Trata-se da cidade, segundo vemos em Hebreus, da qual Deus é o Arquiteto e Edificador.

b.    Esse era o segredo deles! Eles olhavam “mais adiante”, para aquilo que DEUS tinha preparado para eles.

26. Essa atitude deve ser parte integrante da diferença do crente.

27. O incrédulo não gosta de pensar sobre o mundo vindouro conforme apresentado na Bíblia. Ele foge disso!

28. Já o verdadeiro crente não se importa e tem prazer e se sente confortado ao pensar sobre isso porque sabe que Deus tem algo grandioso reservado para ele.

 

29. Então, nunca se esqueça: se você é crente verdadeiro,

a.    Você alguém diferente de quem é incrédulo. Ainda que possua semelhanças, na essência você é diferente.

b.    Sua vida deve ser controlada e dominada por Jesus Cristo, pela lealdade a Cristo e pela preocupação em fazer tudo por causa de Cristo.

c.    E sua vida deve ser controlada por pensamentos celestiais e sobre o mundo vindouro.

30. Bem, tendo visto estes princípios, vejamos agora,

 

COMO ESSES PRINCÍPIOS SÃO ILUSTRADOS EM TERMOS DO MODO COMO O CRENTE ENFRENTA AS PERSEGUIÇÕES.

 

Primeiro, pensemos a respeito de como o crente deve enfrentar a perseguição, quais devem ser algumas de suas atitudes.

 

31. Dentre as muitas atitudes, cito três:

a.    O crente não deve retaliar – Retaliar significa agir a uma agressão como uma ação semelhante. O crente não deve fazer isso. O crente deve, ao contrário, procurar conter os seus impulsos. Retaliar é agir de forma semelhante ao homem natural. / É dificílimo não desejarmos revidar, e conter os próprios impulsos é mais difícil para alguns dentre nós do que para outros. Mas Jesus não revidou e nós, que somos seus seguidores, devemos ser semelhantes a ele. Não é assim que diz a Palavra? Veja:

 

“Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas, o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano, o qual, quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente, levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas, agora, tendes voltado ao Pastor e Bispo da vossa alma.” (1 Pedro 2:21-25 RC)

 

b.    O crente não deve ficar ressentido (melindrado, magoado, ofendido) – E como isso é difícil! Isso é deveras difícil! É algo que parece estar “entranhado” em nossa natureza carnal. Somos susceptíveis a nos ressentirmos até com coisas tão simples como uma palavra impensada, uma brincadeira, e até mesmo com algo verdadeiro que foi dito às vezes até em um sermão pregado pelo pastor e que tocou em nossa ferida (isso já aconteceu comigo – uma irmã se ofendeu...). O que dirá então um ataque direto a nós por causa de nossa fé! Mas ao ressentimento não deve ser permitido aninhar-se em nosso coração.

c.    O crente não deve sentir-se deprimido em face da perseguição – Talvez você não fique ressentido com ninguém, mas fique deprimido, infeliz por causa da perseguição. Mas essa não é a atitude proposta por Jesus; a atitude proposta por Jesus é “regozijai-vos e exultai”.

32. Diante disso, meus irmãos, somos mais uma vez obrigados a ressaltar a diferença entre o homem que nasceu de novo mediante o poder regenerador do sangue de Jesus e aquele que ainda não nasceu de novo. Não retaliar, não ficar ressentido e não ficar deprimido diante de uma situação de perseguição, e ainda ter que “regozijar e exultar”? Isso é coisa de gente doida!

33. É verdade! Isso é coisa de gente “maluca”.

34. Mas é a esses “malucos” que pertence o reino dos céus.

35. Você já é um desses “malucos”? Age de verdade como um, ou tá meio que vivendo como um “discípulo oculto”?

36. Tendo pensado nisso, pensemos agora em:

 

Por qual motivo o crente deve regozijar-se assim, e como é possível ele alegrar-se debaixo da aflição?

 

37. A essa altura talvez você esteja com alguns questionamentos em sua mente.

38. Talvez em sua mente haja agora um grande ponto de interrogação acerca dessa questão de alegrar-se debaixo da aflição por causa de Cristo.

39. E talvez eu consiga lhe ajudar dizendo que esse regozijo, essa exultação da qual Jesus fala não é por causa do sofrimento em si.

40. Ora, todos nós sabemos que nenhum tipo de sofrimento por si mesmo é bom.

41. Tomemos por exemplo uma vacina. A dor é ínfima, é uma “coisinha de nada”, mas nem isso nós poderíamos chamar de bom não fosse pelo fato de que está sendo introduzido em nosso organismo algo que ajudará na preservação de nossa saúde.

42. Ao crente não cabe alegrar-se pelo mero fato de estar sendo perseguido. Aquilo que a perseguição demonstra, e não a perseguição em si, é que é a razão da alegria.

43. Seguindo essa linha de raciocínio, vamos a duas considerações:

a.    A perseguição que o crente sofre por amor à causa de Cristo é uma prova de quem e do que ele é.

                                  i.    No texto Jesus o assemelha aos profetas de Deus: “Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós”.

                                ii.    E também, se formos caluniados e perseguidos por causa de Cristo, isso necessariamente significará que as nossas vidas tornaram-se semelhantes à dele e que pertencemos a ele.

b.    A perseguição que o crente sofre por amor à causa de Cristo é uma prova do seu destino certo.

                                  i.    “Exultai-vos e alegrai-vos.... porque é grande o vosso galardão nos céus” – Não foi isso que Jesus disse?

44. Então, meus amados, não se trata da perseguição em si, mas daquilo de que ela se tornou demonstrativo. Trata-se de mais uma comprovação, desta vez pelo mundo, de que estamos indo para os céus e para Deus.

45. Sendo assim, toda a minha perspectiva a respeito daquilo que acontece comigo deveria ser governada por três considerações:

a.    A percepção de quem sou;

b.    A consciência do lugar para onde eu estou indo;

c.    E o meu conhecimento daquilo que me espera quando eu ali chegar.

46. Esse argumento é encontrado em muitos trechos da Escrituras.

47. O Apóstolo Paulo, por exemplo, escrevendo aos Coríntios, diz que

 

... a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não vêem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.” (2 Coríntios 4:17-18 RC)

 

48. E o crente sempre deve viver na expectativa dessas realidades.

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

Estudos no Sermão do Monte – Martyn Lloyde-Jones – Editora Fiel

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