segunda-feira, 2 de outubro de 2017

QUE TIPO DE IGREJA PRECISAMOS SER

QUE TIPO DE IGREJA PRECISAMOS SER?

 

1.    “ Como é a sua igreja? ”. Não sei quantos irmãos já ouviram essa pergunta. E logo após ela vem muitas outras sobre a prática de culto, o que ela permite e o que não permite, o que ela crê e o que não crê, que tipo de música canta... e por aí vai.

2.    E às vezes o que ouvimos ou fazemos nem é pergunta, e sim, afirmação. Já sabem, ou já sabemos, ou pelo menos pensam que sabem ou pensamos que sabemos, sobre como é “tal igreja”, e dizem, ou dizemos: é fria... é quente... tem o Espírito Santo... não tem o Espírito Santo... dá glória a Deus... não dá glória a Deus... tem doutrina... não tem doutrina... e por aí vai...

3.    Infelizmente muitas dessas afirmações e muito do interesse que temos ou deixamos de ter por determinada igreja é baseado em superficialidades, coisas que não tem muita importância.

4.    Bem, hoje estamos aqui representando a Primeira Igreja Batista em Muqui e plantando uma Congregação desta igreja, uma igreja que tem sido alvo de algumas das afirmações citadas e outras mais. Mas também temos representantes de outras igrejas que certamente também tem sido alvejadas por muitas destas afirmações. Então, vamos por uns instantes esquecer que somos batistas ou assembleianos ou presbiterianos ou de qualquer outra denominação e vamos simplesmente pensar que aqui hoje, durante o tempo que aqui estivermos, somos uma só igreja. E então vamos pensar, não superficialmente, mas um pouquinho mais aprofundado, um pouquinho mais biblicamente, sobre que tipo de igreja nós precisamos ser?

5.    Obviamente muito se tem a dizer sobre isso, mas o tempo não nos permite. Poderíamos fazer vários encontros para tentar esgotar o tema, mas isso também não é possível, porque só seremos uma só igreja, no sentido local denominacional, ou no sentido de uma só igreja que se reúne em um só lugar, por alguns instantes. Daqui a pouco vamos embora e amanhã cada um estará reunido na sua igreja, no seu local de culto. Então vamos nos limitar a quatro pontos sobre que tipo de igreja precisamos ser.

6.    E o primeiro é:

 

UMA IGREJA SUBMISSA A CRISTO

 

Precisamos ser uma igreja submissa ao senhorio de Cristo

 

1.    Porque Cristo é o “edificador” da igreja – a igreja é de origem divina e é propriedade de Jesus. Jesus não disse que edificaria uma igreja “de Pedro”, ou “de João”, ou “de Tiago” ou de qualquer outro de seus discípulos e nem deixou autorização para quem quer que seja edificar uma igreja para si. Jesus disse “edificarei a minha igreja”.

2.    Porque Cristo é o Cabeça da igreja e a igreja o seu corpo. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Colossenses, no capítulo 1, diz que ele (Cristo) é a cabeça do corpo, que é a igreja. E escrevendo aos Efésios, no capítulo 5, diz que Cristo é a cabeça da igreja e é, ele próprio, o Salvador do corpo.

3.    Porque Cristo é o supremo pastor da igreja e suas ovelhas são apenas aqueles que o ouvem e seguem

a.    As ovelhas de Jesus não ouvem e seguem os seus desejos pessoais – elas ouvem e seguem a Jesus;

b.    As ovelhas de Jesus não ouvem e seguem o mundo – elas ouvem e seguem a Jesus;

c.    As ovelhas de Jesus não ouvem e seguem as insinuações do diabo – elas ouvem e seguem a Jesus.

                                  i.    No episódio da tentação de Jesus há algo interessante: quando Jesus está com fome, o diabo lhe sugere que transforme pedras em pães. Jesus podia fazer isso, e em fazendo isso estaria preservando a sua vida; mas não era essa a orientação do Pai para aquele momento, e Jesus não o fez, mesmo estando com fome, mesmo sendo para preservar sua vida. Isso, dentre outras coisas, nos mostra que preservar a vida física é menos importante do que obedecer a Deus. E o que mais é menos importante que obedecer a Deus? TUDO! Quais as razões que você dá para mentir, para burlar a lei intencionalmente, para falar mal de alguma pessoa, para tratar com indiferença e até mesmo desprezo alguma pessoa, para não perdoar, e tantas outras coisas mais... Quais as razões? Nenhuma delas é mais importante do que ouvir e seguir a Jesus. As ovelhas de Jesus ouvem e seguem a Sua voz.  

4.    Porque a igreja é arraigada e sobre-edificada em Cristo

5.    Porque só uma igreja submissa ao senhorio de Cristo não há de recuar ante a forte oposição de quem quer que seja

a.    Permanecerá em sua fé, firme na Palavra.

b.    Testemunhará de Jesus em qualquer circunstância.

c.    Não negociará a fé.

d.    Não aceitará ser massificada.

e.    Manter-se-á Militante na esperança e certeza de que será Triunfante.

f.     Proclamará a Palavra de Deus, resposta para todos os infortúnios humanos.

g.    Não brincará de ser igreja.

6.    Precisamos ser uma igreja submissa ao senhorio de Cristo

 

7.    E também – segundo ponto – precisamos ser...

 

UMA IGREJA CUJA MENSAGEM SEJA A PALAVRA DE DEUS

 

Precisamos ser uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus

 

1.    Há muita pregação hoje em dia que não é pregação da Palavra de Deus. Às vezes até se parece com pregação da Palavra de Deus, mas não é.

2.    Mas nós precisamos ser uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus. E há muitas razões para isso, e algumas delas são:

a.    Porque pregar A PALAVRA DE DEUS é o que somos orientados a fazer. O Apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo lhe disse: “ Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino, que pregues a palavra... ” (2 Timóteo 4:1-2 RC)

b.    Porque chegamos no tempo em que as pessoas estão tendo comichão no ouvido e amontoando para si doutores que lhes falem o que elas querem ouvir, segundo suas próprias concupiscências, como diz Paulo a Timóteo na continuidade do texto citado.

c.    Porque a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus

d.    Porque a Palavra de Deus é a única palavra da qual se pode dizer que é viva e eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes e que é apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração.

e.    Porque nós fomos gerados de novo... pela Palavra de Deus...

f.     Porque a Palavra de Deus é a lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho nesse mundo de trevas...

3.    Renato Vargens, em pequeno texto onde defende a ideia de que a pregação da Palavra de Deus deve ocupar o centro de nossos cultos, apresenta dez razões que bem nos servem aqui:

 

a.    Cristo é exaltado – As Escrituras quando pregadas exaltam o nome do Senhor. É impossível expor a Bíblia sem que o nome do Eterno seja glorificado.

b.    O homem é humilhado – Isto é, a exposição das Escrituras aponta para o estado de miserabilidade do homem. A pregação da Bíblia revela quem somos, nossa pecaminosidade, revelando-nos que fora de Cristo todos estão mortos em seus delitos e pecados.

c.    Somos reanimados no Senhor – As Escrituras quando pregadas trazem sobre a finitude humana o poder infinito de um Deus Soberano proporcionando com isso o reacendimento da chama da esperança.

d.    Nossa psiquê é envolvida por graça – a Palavra de Deus quando pregada traz remédio para a alma cansada, refrigério para o abatido, alento para o desesperançoso.

e.    A Igreja é edificada – Quando a Bíblia é proclamada nossas igrejas são edificadas. A exposição das Escrituras, ao contrário dos movimentos vazios contemporâneos, fazem com que o povo de Cristo cresça no conhecimento do Senhor.

f.     Somos protegidos dos erros doutrinários – Calvino costumava dizer que as Escrituras Sagradas é o escudo que nos protege do erro. A Bíblia quando pregada nos traz orientações importantíssimas que, se aplicadas em nosso cotidiano, nos protegem das heresias e distorções teológicas propagadas pelos falsos profetas.

g.    Nos tornamos pessoas mais comprometidas com Cristo – As Escrituras quando pregadas nos desafiam a viver como Cristo viveu. A Bíblia quando proclamada nos leva a desejarmos viver a vida cristã de forma santa, pura e abnegada.

h.    Vivemos para a glória de Deus – A Bíblia quando pregada leva-nos a querer viver exclusivamente para a glória de Deus.

i.      Ansiamos pela volta do nosso Redentor – As Escrituras quando proclamadas nos levam a uma santa ansiedade pelo glorioso dia em que o Rei dos reis e Senhor dos Senhores voltará para a sua igreja.

j.      Somos reavivados – A Bíblia quando pregada reaviva nossa alma, aquece os corações, desperta-nos para oração, desafia-nos a intercessão enchendo nossos corações com o santo desejo de estar continuamente em sua santa presença.

 

4.    Essa é a igreja da qual eu quero fazer parte; essa é a igreja que precisamos ser; uma igreja submissa ao senhorio de Cristo e uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus.

5.    O terceiro ponto é:

 

UMA IGREJA AMOROSA E UNIDA

 

Precisamos ser uma igreja amorosa e unida

 

1.    Porque a igreja precisa ser amorosa?

a.    Porque sem o amor as demais coisas nada valem – Veja 1 Coríntios 13:1-3

                                  i.    Não importa o quão bem você faça qualquer coisa... O que você faz? Você evangeliza? Você toca? Você canta? Você tem o dom da liberalidade? Você prega? Você ensina?...

Ø Você pode evangelizar um a um todos os habitantes de Muqui, mas se não amá-los nada será;

Ø Você pode tocar tão bem que sozinho pareça uma orquestra, mas se não ama...

Ø Você pode cantar tão bem que seu canto atraia multidões e arrebate os corações, mas se não amar...

Ø Você que tem o dom da liberalidade pode doar até a sua roupa do corpo, mas se não amar...

Ø Você que prega pode ser o melhor pregador do mundo, mas se não amar...

Ø E você que ensina, pode ensinar de forma tal que não haja outra sala de estudos que não a sua porque todos querem ser ensinados por você, mas se não amar...

b.    Porque quem não ama a seu irmão não pode amar a Deus – Veja 1 João 4:8, 20 e 21

c.    Porque Jesus nos ensinou que devemos amar até mesmo aos nossos inimigos – Veja Mateus 5:44-46

d.    Porque o amor é a evidência de que somos discípulos de Jesus – Veja João 13:35

 

2.    E porque a igreja precisa ser unida?

a.    Porque quando há união entre os irmãos a graça de Deus se manifesta abençoando. Veja o Salmo 133.

b.    Porque a união ou comunhão é resultado natural do amor fraterno.

c.    Porque a união ou comunhão é a expressão de vida no Corpo de Cristo.

d.    Porque a união ou comunhão é necessária para que o mundo creia em Jesus como o Enviado de Deus (João 17:21).

e.    Porque Jesus disse que uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir (repitam isso comigo: uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir). Por isso a união/comunhão é uma das características fundamentais da Igreja de Jesus.

 

3.    Vamos relembrar:

a.    Precisamos ser uma igreja submissa a Cristo

b.    Precisamos ser uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus

c.    Precisamos ser uma igreja amorosa e unida

4.    E agora, por último:

 

UMA IGREJA DE JOELHOS

 

Precisamos ser uma igreja de joelhos

 

1.    Porque uma igreja de joelhos é uma igreja que aprendeu que ela, por “melhor” que seja, por mais “poderosa” que seja, não é autossuficiente.

2.    John F. MacArthur Jr., em “Chaves Para o Crescimento Espiritual” tem uma interessante palavra sobre a oração:

 

“O cristianismo é a coisa mais maravilhosa que existe no universo! No entanto, muitos de nós temos de ser constantemente lembrados de como é maravilhosa a vida cristã. Precisamos apenas dar uma olhada no livro (carta) de Efésios, o qual nos mostra que somos ricamente abençoados (1:3), escolhidos (1:4), aceitos (1:6), e perdoados (1:7). Em Cristo somos sábios (1.8), ricos (1.11), e estamos seguros (1.14). Estamos vivificados com vida nova (2.5). Somos objetos da graça eterna (2.7). Somos obra prima de Deus (2.10) e estamos próximos de Deus, em uma união misteriosa com Ele e com todos os outros crentes (2.13). Somos um corpo (2.16), com acesso a Deus por meio do Espírito (2.18). Somos o templo de Deus (2.21) e a habitação do Espírito (2.2). E em nós opera o poder de Deus (3.20). Que declarações extraordinárias! Quão grandiosa é a vida cristã quando examinada à luz do que somos em Cristo! Não precisamos merecer essa posição exaltada, pois ela já é nossa através de nossa salvação no Senhor Jesus Cristo... Os três últimos capítulos de Efésios vão além desse aspecto posicional de nossa vida cristã, entrando no aspecto prático. Por exemplo, devemos andar inteligentemente (4.17), andar no amor de Deus (5.2) e andar na luz (5.8). Essa apresentação do aspecto prático do cristianismo não tem semelhante em toda a Palavra de Deus. Qualquer crente que estudar Efésios cuidadosamente e concluir que falta alguma coisa em sua vida, estará errado. Não precisamos ter mais do Espírito Santo, mais amor, mais graça ou de qualquer outra coisa. Em Cristo, temos tudo. Temos tudo que precisamos para crescer e alcançar a maturidade. Aqui, porém, surge um problema potencialmente destrutivo. Eu o chamo de super confiança espiritual ou egoísmo doutrinário. Há um perigo latente na vida dos crentes que possuem um conhecimento profundo de doutrinas e uma compreensão efetiva dos princípios espirituais práticos. É o perigo de se tornarem autossuficientes e acharem que não precisam de nada. Então, a oração constante, fervorosa e que procede do fundo do coração não será encontrada em suas vidas. ... Por terem conhecimento, permitem que uma autodependência evolua, eliminando a vitalidade de uma verdadeira vida de oração. Paulo ordena que os crentes orem sem cessar, a fim de se guardarem desse perigo. Ele nos chama a uma vida de oração. Não importa o quanto já temos em Cristo, temos de orar. A oração é uma chave essencial para o crescimento espiritual.

 

3.    Léo Francisco Pais, em seu livro “Oração”, ao falar sobre a importância da oração, destaca várias razões, dentre elas:

 

a.    A oração ocupou o centro do ministério público de Jesus – Em Marcos 1.35 encontramos o Mestre em privação do sono para dedicar-se ao labor da oração. Houve ocasiões em que ele passou noites inteiras em oração. Lucas 6.12 nos revela uma dessas noites.

b.    A oração ocupou o centro do ministério apostólico – Veja Atos 6.1-4.

c.    A oração ocupa o centro do ministério atual de nosso Senhor Ressurreto – Veja Hebreus 7.23-25 e 9.24.

d.    A oração é o meio pelo qual entramos em comunhão com Deus – A oração é um lugar de encontro entre o Pai e o filho querido.

e.    A oração é o meio pelo qual recebemos as coisas que pedimos a Deus – Veja Mateus 7.7 e 8.

f.     A oração é a maior obra que Deus requer dos cristãos.

g.    A oração é a preparação do caminho do Senhor.

h.    A oração do cristão é a semente de todo avivamento espiritual.

 

4.    E se assim o é, com toda certeza precisamos ser uma igreja de joelhos.

 

CONCLUSÃO

 

1.    Então, resumindo e encerrando, que tipo de igreja precisamos ser?

a.    Precisamos ser uma igreja submissa a Cristo

b.    Precisamos ser uma igreja cuja mensagem seja a Palavra de Deus

c.    Precisamos ser uma igreja amorosa e unida

d.    Precisamos ser uma igreja de joelhos

2.    Nós precisamos ser essa igreja, e São Gabriel (Camará), Muqui, o Brasil e o mundo, ainda que não saibam e não reconheçam, precisam de uma igreja assim.

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

Preparado para ser pregado na inauguração da Congregação na localidade de Camará (São Gabriel) na cidade de Muqui.

 

30 de Setembro de 2017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Por que fazer missões

POR QUE FAZER MISSÕES

 

1.    Chegou o tempo de mais uma campanha missionária, a campanha de Missões Estaduais.

2.    São três as campanhas que fazemos no ano: Missões Mundiais, Missões Estaduais e Missões Nacionais.

3.    Nós, batistas da Convenção Batista Brasileira, segundo estatística até Março de 2016, que consta do site da CBB, somos cerca de 1.350.000 espalhados em cerca de 7.000 igrejas e 4.000 missões. Temos uma junta Missionária Mundial e uma Nacional que estão em operação há 110 anos e que, juntas, administram cerca de 2.100 missionários. Além disso, cada estado tem a sua junta missionária estadual que, calculo eu, juntas administram mais de 700 missionários. E, ainda além disso, cada igreja desenvolve seu trabalho evangelístico e há igrejas que mantém missionários seus próprios, e há igrejas que mantém missionários batistas que estão nos campos através de outros órgãos missionários como a JOCUM por exemplo.

4.    Por que? Qual a razão de nos preocuparmos assim em fazer missões?

5.    É em torno dessa pergunta que refletiremos nesta manhã, e, para tanto, leiamos alguns trechos bíblicos:

 

“ E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.” (Mateus 4:23 RC)

 

“ E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.  Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;  ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mateus 28:18-20 RC)

 

“ Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1:8 RC)

 

“ E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.  E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?  E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.  E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele.  E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e desatar os seus sete selos.  E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra.  E veio e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.  E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.  E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação;  e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.  E olhei e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças.  E ouvi a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.  E os quatro animais diziam: Amém! E os vinte e quatro anciãos prostraram-se e adoraram ao que vive para todo o sempre.” (Apocalipse 5:1-14 RC)

 

6.    O grande missionário Adoniran Judson disse certa feita: "Muitos crentes consagrados jamais atingirão os campos missionários com os seus próprios pés, mas poderão alcançá-los com os seus joelhos”. Poderíamos acrescentar “e com os seus bolsos” às palavras de Adoniran Judson.

7.    Houve um tempo na história da igreja em que Missões era assunto proibido. Quando o inglês William Carey buscou ajuda para pregar o evangelho aos hindus na Índia, ele ouviu, em tom de repreensão: "se Deus quiser salvar os perdidos, Ele mesmo fará isto, sem precisar de missionários".

8.    Graças a Deus este tempo já ficou para trás.

9.    Em nossa declaração doutrinária, a Declaração Doutrinária da CBB, o 13º tópico é sobre evangelização e missões, e assim está escrito:

 

A missão primordial do povo de Deus é a evangelização do mundo, visando à reconciliação do homem com Deus. (Mt 28.19,20; Jo 17.20; At 1.8; 13.2,3)

 

É dever de todo discípulo de Jesus Cristo e de todas as igrejas proclamar, pelo exemplo e pelas palavras, a realidade do Evangelho, procurando fazer novos discípulos de Jesus Cristo em todas as nações, cabendo às igrejas batizá-los e ensiná-los a observar todas as coisas que Jesus ordenou. (Mt 28.18-20; Lc 24.46-49; Jo 17.20)

 

A responsabilidade da evangelização estende-se até aos confins da terra e por isso as igrejas devem promover a obra de missões, rogando sempre ao Senhor que envie obreiros para a sua seara. (Mt 28.19; At 1.8; Rm 10.13-15)

 

10. Você pode ler a Declaração Doutrinária da CBB na íntegra no seguinte endereço eletrônico: http://www.batistas.com/institucional/declaracao-doutrinaria

11. Em nossa declaração de princípios, na parte que versa sobre nossa tarefa contínua, sobre o evangelismo e missões assim lemos:

 

Evangelismo:

O evangelismo é a proclamação do juízo divino sobre o pecado, e das boas novas da graça divina em Jesus Cristo. É a resposta dos cristãos às pessoas na incidência do pecado, é a ordem de Cristo aos seus seguidores, a fim de que sejam suas testemunhas frente a todos os homens. O evangelismo declara que o evangelho, e unicamente o evangelho, é o poder de Deus para a salvação. A obra de evangelismo é básica na missão da igreja e no mister de cada cristão.


O evangelismo, assim concebido, exige um fundamento teológico firme e uma ênfase perene nas doutrinas básicas da salvação. O evangelismo neotestamentário é a salvação por meio do evangelho e pelo poder do Espírito. Visa à salvação do homem todo; confronta os perdidos com o preço do discipulado e as exigências da soberania de Cristo; exalta a graça divina, a fé voluntária e a realidade da experiência de conversão.


Convites feitos a pessoas não salvas nunca devem desvalorizar essa realidade imperativa. O uso de truques de psicologia das massas, os substitutivos da convicção e todos os esquemas vaidosos são pecados contra Deus e contra o indivíduo. O amor cristão, o destino dos pecadores e a força do pecado constituem uma urgência obrigatória.


A norma de evangelismo exigida pelos tempos críticos dos nossos dias é o evangelismo pessoal e coletivo, o uso de métodos sãos e dignos, o testemunho de piedade pessoal e dum espírito semelhante ao de Cristo, a intercessão pela misericórdia e pelo poder de Deus, e a dependência completa do Espírito Santo.


O evangelismo, que é básico no ministério da igreja e na vocação do crente, é a proclamação do juízo e da graça de Deus em Jesus Cristo e a chamada para aceitá-lo como Salvador e segui-lo como Senhor.


Missões:

Missões, como usamos o termo, é a extensão do propósito redentor de Deus através do evangelismo, da educação e do serviço cristão além das fronteiras da igreja local. As massas perdidas do mundo constituem um desafio comovedor para as igrejas cristãs.


Uma vez que os batistas acreditam na liberdade e competência de cada um para as próprias decisões, nas questões religiosas, temos a responsabilidade perante Deus de assegurar a cada indivíduo o conhecimento e a oportunidade de fazer a decisão certa. Estamos sob a determinação divina, no sentido de proclamar o evangelho a toda a criatura. A urgência da situação atual do mundo, o apelo agressivo de crenças e ideologias exóticas, e nosso interesse pelos transviados exigem de nós dedicação máxima em pessoal e dinheiro, a fim de proclamar-se a redenção em Cristo, para o mundo todo.


A cooperação nas missões mundiais é imperativa. Devemos utilizar os meios à nossa disposição, inclusive os de comunicação em massa, para dar o Evangelho de Cristo ao mundo. Não devemos depender exclusivamente de um grupo pequeno de missionários especialmente treinados e dedicados. Cada batista é um missionário, não importa o local onde mora ou posição que ocupa. Os atos pessoais ou de grupos, as atitudes em relação a outras nações, raças e religiões fazem parte do nosso testemunho favorável ou contrário a Cristo, o qual, em cada esfera e relação da vida, deve fortalecer nossa proclamação de que Jesus é o Senhor de todos.


As missões procuram a extensão do propósito redentor de Deus em toda parte, através do evangelismo, da educação, e do serviço cristão e exige de nós dedicação máxima.

 

12. http://www.batistas.com/institucional/principios-batistas é o endereço eletrônico onde você pode ler na íntegra os Princípios Batistas.

13. Estamos já acostumados em nossa igreja a realizarmos todos os anos, além do trabalho normal de evangelização, algumas campanhas missionárias, conforme já falamos.

14. Por quê?

15. Quais seriam algumas razões para isso, para fazermos missões?

16. Pensemos em apenas quatro razões:

 

I. Fazemos Missões porque Jesus fazia Missões

 

1.    Os evangelhos são claros em nos mostrar que Jesus fazia missões.

2.    Bastam alguns trechos para constatarmos isso.

3.   Em Mateus 4.23 lemos que Jesus “percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o Evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”

4.   Em Mateus 9.35 lemos que ele “percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”

5.   Em Lucas 9.1-2 vemos Jesus enviando “missionários”: “convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, e para curarem enfermidades; e enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos”

6.   E em Lucas 19.10 Jesus diz dele mesmo que “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”, e, aprendemos com o Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 1.21, essa “busca e salvamento” se dá através da pregação do evangelho.

7.    Jesus fazia Missões, portanto, nada mais natural que os seus discípulos também façam Missões, isto é, ajam de alguma forma em prol da salvação dos perdidos.

8.    O segundo motivo que quero apresentar é:

 

II. Fazemos Missões porque Jesus ordenou que fizéssemos Missões

 

1.    Pesquisando um pouco sobre esse assunto encontrei a seguinte frase, originalmente em inglês (tradução do Google):

 

“Pergunte a si mesmo esta pergunta: "Por que Jesus veio à Terra?”. Qualquer pessoa, mesmo com um conhecimento superficial da Bíblia sabe a resposta. Foi para reconciliar o homem consigo mesmo. Foi para restaurar o relacionamento que foi rompido entre o homem e Deus como resultado da rebelião. Ele na terra tinha essa missão em mente, e agora, como ele já voltou para o céu, a missão foi deixada para nós, como indicado em 1 Coríntios 5:18, "Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da Reconciliação”.

 

2.   E não é verdade isso?

3.   Sim, é verdade!

4.   Jesus deixou conosco a responsabilidade de fazer Missões, de levar a mensagem do evangelho a todas as pessoas em todos os lugares.

5.    Assim lemos em Mateus 28.18-20:

 

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes (aos discípulos), dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;  Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém.”

 

6.   Em Atos 1.8 Jesus diz:

 

“recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”

 

7.    E é com base nesse fato que a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira diz que a missão primordial do povo de Deus é a evangelização do mundo, visando a reconciliação do homem com Deus e que é dever de todo discípulo de Jesus Cristo e de todas as igrejas proclamar, pelo exemplo e pelas palavras, a realidade do evangelho, procurando fazer novos discípulos de Jesus Cristo em todas as nações, cabendo às igrejas batizá-los e ensinar a observar todas as coisas que Jesus ordenou, e também que a responsabilidade da evangelização estende-se até aos confins da terra e por isso as igrejas devem promover a obra de missões, rogando sempre ao Senhor que envie obreiros para a sua seara.

8.   Jesus mandou, por isso, além das outras razões, fazemos Missões.

9.   Vamos à terceira razão.

 

III. Fazemos Missões porque pessoas de todas as tribos, povos, línguas e nações precisam ouvir o evangelho da graça.

 

1.    Pergunto para os irmãos: existe alguém neste mundo que seja imaculado, sem pecado e que não careça da graça de Deus?

2.    Atribui-se a Dick Hills a seguinte frase: “Cada coração com Cristo é um missionário, e cada coração sem Cristo é um campo missionário”.

3.    Onde houver um coração sem Cristo, aí o evangelho precisa ser pregado. Se num lugar remoto da terra houver uma, apenas uma pessoa, e se essa for uma pessoa que nunca ouviu falar de Cristo, precisamos levar o evangelho até essa pessoa. Se não houver outro meio, alguém precisará ir lá lhe falar do amor e da Graça de Deus em Cristo Jesus.

4.    Textos que já lemos aqui hoje dizem que o evangelho deve ser pregado:

a.    Em todas as nações;

b.    Em Jerusalém, toda a Judéia, Samaria e até aos confins da terra.

5.    Em Apocalipse 5.9 e 7.9 lemos:

 

“E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação;” / “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos”

 

6.    E para ouvirem é preciso que alguém lhes pregue a Palavra. Assim lemos em Romanos 5:

 

“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. 

 

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. 

 

Como, pois, invocarão aquele em quem não creram?

 

e como crerão naquele de quem não ouviram?

 

e como ouvirão, se não há quem pregue? 

 

E como pregarão se não forem enviados?...

 

7.    Então, precisamos pregar; e precisamos enviar pregadores.

8.    E, por último, uma razão que para pronunciá-la tomo emprestadas as palavras do artigo “Por que fazer missões é uma tarefa tão urgente?”, de Hernandes Dias Lopes:

 

IV. A conversão daqueles por quem Cristo morreu traz glória ao nome de Deus

 

1.    Ainda nas palavras de Hernandes Dias Lopes no referido artigo:

 

Fazemos missões para que os povos venham e se prostrem aos pés de Jesus e deem a Deus toda a glória devida ao seu nome. A glória de Deus deve ser a nossa motivação mais elevada para evangelizarmos todos os povos, tribos, línguas e nações!

 

2.    "A glória de Deus deve ser a nossa motivação mais elevada...".

3.    Não podemos negar que somos tendentes em buscar glória para nós. Nossa carne, em geral, é inclinada a isso. Se tocamos bem, se cantamos bem, se trabalhamos bem, se pregamos bem... se tudo "deu certo"... às vezes o orgulho tenta aflorar... e às vezes até fazemos com o objetivo de nos autopromover. Às vezes nem nos damos conta, negamos, e até nos enganamos a nós mesmos esquecendo-nos de que “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9 RC)

4.    Eu disse "às vezes" e não "sempre" – e talvez nem seja o caso de todos; cada qual julgue-se a si mesmo.

5.    Fazer missões orando, indo e contribuindo deve ter como motivo a glória de Deus e não a nossa glória pessoal ou a glória de nossa igreja local ou a glória de nossa denominação.

 

Concluindo

 

1.    Valdir Steuernagel, em “Obediência Missionária e Prática”, escreveu a certa altura:

 

"Uma espiritualidade sadia vive na presença de Deus, alimenta-se da Palavra, se expressa em comunidade e se caracteriza por um espírito missionário”.

 

2.    Um dia uma mulher criticou o grande evangelista do século XIX, D.L. Moody pelos seus métodos de evangelismo no intuito de ganhar pessoas para Cristo. Moody respondeu:

 

"Concordo com você, eu não gosto do jeito com que faço isso também. Diga-me, como fazê-lo?" A mulher respondeu, "Eu não sei fazer isso!" Moody então disse, "Então eu gosto do meu jeito de fazer isso melhor que o seu jeito de não fazê-lo!"

 

3.    Se somos discípulos de Cristo, precisamos fazer missões. Não importa como e nem o quanto fazemos, desde que não nos acomodemos em fazer menos e com menor qualidade do que realmente podemos.

4.    Precisamos fazer porque Jesus fez; o Mestre deixou o exemplo para seguirmos.

5.    Precisamos fazer porque Jesus ordenou que fizéssemos

6.    Precisamos fazer porque há muita gente, de todos os povos, tribos, raças e nações carentes de ouvir o evangelho da Graça de Deus.

7.    E precisamos fazer porque a conversão daqueles por quem Cristo morreu trará glória ao nome de Deus.

8.    Então, vamos fazer Missões.

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

IBMuqui – Junho de 2017

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