segunda-feira, 22 de junho de 2026

Não use o erro dos outros para deixar de ir à igreja

  

NÃO USE OS ERROS DOS OUTROS PARA DEIXAR DE IR À IGREJA

Vivemos em uma época marcada por uma crescente desilusão com as instituições em geral, e a igreja não está imune a isso. Não são poucas as pessoas que afirmam ter se afastado da congregação por causa da atitude de algum membro, líder ou pastor. Em muitos casos, as feridas são reais e profundas. Entretanto, existe uma reflexão importante que precisa ser feita: será que os erros dos homens são uma justificativa válida para abandonarmos aquilo que Deus estabeleceu?

Esse texto é resultado de uma frase que me chegou pela internet: “Jesus não deixou de ir à sinagoga só porque lá tinha hipócritas. Não use os erros dos outros para deixar de ir à igreja.”

Embora simples, essa afirmação contém uma verdade que merece nossa atenção.

Os evangelhos mostram claramente que Jesus conviveu com pessoas hipócritas.

Os escribas e fariseus foram duramente repreendidos por Ele em diversas ocasiões.

O Senhor denunciou sua religiosidade superficial, sua busca por reconhecimento humano e sua incoerência entre discurso e prática.

No entanto, apesar de tudo isso, Jesus continuava frequentando a sinagoga.

Lucas registra que entrar na sinagoga aos sábados era seu costume (Lucas 4:16).

Isso nos ensina que a presença de pessoas erradas em um ambiente não invalida o propósito daquele ambiente. A sinagoga continuava sendo um local de leitura das Escrituras, de oração e de ensino da Palavra de Deus. Da mesma forma, a existência de falhas dentro da igreja não anula sua importância no plano divino.

Muitas vezes o problema está nas expectativas equivocadas que criamos.

Algumas pessoas esperam encontrar uma comunidade perfeita, formada apenas por indivíduos maduros, coerentes e espiritualmente exemplares.

Porém, a igreja não é um museu de santos impecáveis; ela é um ajuntamento de pecadores alcançados pela graça de Deus e que estão em processo de transformação.

Isso não significa que devamos ignorar pecados ou passar pano para atitudes erradas. A Bíblia ensina a disciplina, a correção e a busca pela santidade.

Entretanto, uma coisa é combater o erro; outra completamente diferente é abandonar a comunhão por causa dele.

Há ainda um aspecto que merece consideração. Quando alguém deixa de congregar por causa do comportamento de outra pessoa, acaba transferindo para terceiros a responsabilidade por sua própria vida espiritual. É como se dissesse: “Eu me afastei de Deus por causa de fulano”.

Contudo, diante do Senhor, cada pessoa responderá por si mesma.

O hipócrita responderá por sua hipocrisia; o ausente responderá por sua ausência.

A verdade é que quem coloca sua fé nos homens inevitavelmente se decepcionará.

Homens falham.

Pastores falham.

Líderes falham.

Membros falham.

Mas Cristo permanece perfeito, fiel e imutável.

Por isso, nossa permanência na igreja não deve estar baseada na perfeição das pessoas, mas na perfeição daquele que é o Cabeça da Igreja.

Além disso, a comunhão dos santos é uma necessidade espiritual.

Deus não nos chamou para uma caminhada solitária.

O Novo Testamento apresenta a vida cristã sendo vivida em comunidade, com encorajamento mútuo, ensino, adoração e serviço. Quando alguém abandona a congregação, perde muito mais do que imagina.

Portanto, é preciso cuidado para não permitir que as falhas dos outros roubem aquilo que Deus deseja realizar em nossa vida.

Se houve decepções, elas devem ser tratadas.

Se houve feridas, precisam ser curadas.

Mas abandonar a igreja por causa dos erros humanos não é a solução.

Jesus conhecia perfeitamente a hipocrisia presente em seus dias, mas continuou frequentando a sinagoga. Seu foco estava no Pai e na Sua vontade. Que o nosso também esteja.

Afinal, a igreja não existe porque seus membros são perfeitos.

Ela existe porque Cristo é perfeito.

E é por Ele, e para Ele, que continuamos congregando.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não use o erro dos outros para deixar de ir à igreja

    NÃO USE OS ERROS DOS OUTROS PARA DEIXAR DE IR À IGREJA Vivemos em uma época marcada por uma crescente desilusão com as instituições ...