quarta-feira, 13 de maio de 2026

DEUS NOS DEU “O MELHOR” ... NÃO VAMOS ESTRAGAR TUDO ESCOLHENDO “O PIOR”.

 
DEUS NOS DEU “O MELHOR” ... 
NÃO VAMOS ESTRAGAR TUDO ESCOLHENDO “O PIOR”.

A igreja estava silenciosa naquela noite.
 
Não completamente silenciosa, é verdade.
Havia o barulho tímido de um ventilador antigo girando no teto,
um banco rangendo vez ou outra
e o som das páginas de uma Bíblia sendo folheadas por uma irmã já idosa,
dessas que parecem carregar décadas de oração nos ombros.
 
Mas estava silenciosa para os padrões de antigamente.
 
O irmão Joel sentou-se no último banco e ficou observando o salão.
Fez isso sem amargura,
mas com aquela tristeza calma de quem percebe mudanças que ninguém comenta.
Lembrou-se de quando os cultos de oração quase não comportavam o povo.
Quando havia crianças correndo pelo corredor,
jovens afinando violão às pressas,
diáconos procurando mais cadeiras
e irmãs conversando animadamente antes do culto começar.
 
Mas agora sobravam bancos...
 
... Muitos bancos.
 
Joel olhou discretamente para a porta,
como quem ainda esperava alguém entrar atrasado dizendo:
Desculpem a demora!
 
Mas ninguém entrou.
 
Pegou o celular no bolso.
Sem perceber, abriu uma rede social.
Vídeos rápidos,
piadas,
notícias inúteis,
receitas que nunca faria,
discussões que não mudariam o mundo.
Rolou a tela por alguns segundos e então travou o dedo no aparelho.
 
Pensou consigo:
“Engraçado… temos tempo para tudo.”
Tempo para séries.
Tempo para maratonas.
Tempo para jogos.
Tempo para conversas intermináveis.
Tempo para vídeos curtos que roubam horas longas.
Mas falta tempo para oração.
 
E aquilo lhe apertou o coração.
 
Não porque entretenimento seja pecado automaticamente.
Joel nem era desses homens que demonizam tudo.
Gostava de futebol,
ria de vídeos engraçados
e até assistia a um filme de vez em quando.
 
O problema não era usar certas coisas.
Era substituir as melhores pelas menores.
Era trocar a profundidade pela distração.
A comunhão pelo isolamento.
A presença pelo conforto.
A Palavra pelos algoritmos.
O secreto com Deus pelo barulho constante.
 
O culto começou.
Pouca gente cantando.
Pouca voz.
Pouca força.
Mas, curiosamente,
a irmã idosa cantava como se estivesse num templo lotado.
“Tu és fiel, Senhor…”
 
E Joel percebeu uma coisa estranha:
talvez o problema da igreja moderna não seja falta de recursos.
Nunca tivemos tantos livros,
tantos pregadores disponíveis,
tantos aplicativos bíblicos,
tantas facilidades.
Talvez o problema seja outro.
Talvez estejamos cercados de distrações demais
e fome de Deus de menos.
 
Enquanto o pastor pregava,
Joel observou os bancos vazios novamente.
E imaginou como seria dali alguns anos.
O que acontece quando uma geração prefere a cama ao culto?
O entretenimento à comunhão?
O cansaço à oração?
O conforto ao compromisso?
Os cultos de oração enfraquecem.
A EBD perde alunos.
A comunhão vira formalidade.
A próxima geração cresce sem raízes.
A igreja de Cristo continua viva, porque pertence a Ele.
Mas igrejas locais podem virar apenas lembrança...
... mesmo as centenárias...
Um prédio.
Uma placa antiga.
Uma fotografia amarelada.
 
No fim do culto, a irmã idosa aproximou-se devagar e disse sorrindo:
“Valeu a pena estar aqui hoje, não valeu?”
 
Joel sorriu de volta.
“Valeu!”
Porque, apesar de tudo,
Deus ainda continua oferecendo “o melhor”.
E talvez ainda haja gente disposta a trocar o passageiro pelo eterno outra vez.
 
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