QUEM SOU EU NA VIDEIRA?
Em João 15, Jesus fala de si mesmo como sendo a Videira
Verdadeira.
E o Pai, diz Jesus, é o Lavrador.
No versículo 5, Ele diz que nós somos as varas –
os ramos – dessa videira.
Então, temos uma imagem muito clara: Jesus é a Videira
Verdadeira, nós somos os ramos e o Pai é o Lavrador.
Agora, observe o que Jesus diz no versículo 2 sobre o
cuidado do Lavrador com a videira, para que ela continue frutificando. A
videira está saudável, mas os ramos precisam ser tratados. Alguns precisam
apenas ser limpos e podados; outros, porém, precisam ser retirados.
Isso nos coloca diante de uma pergunta séria: Quem sou
eu na videira?
Sou um ramo frutífero que precisa apenas de uma poda?
Ou sou um ramo que precisa ser arrancado porque se recusa
a frutificar?
Todo servo de Deus precisa cumprir o seu papel. Precisa
trabalhar com os “talentos” que Deus lhe confiou, como Jesus demonstra na
parábola registrada em Mateus 25.
É preciso trabalhar de acordo com aquilo que recebemos.
Quem recebeu cinco, trabalha com cinco.
Quem recebeu dois, trabalha com dois.
Quem recebeu um, trabalha com um.
O que não podemos fazer, de forma alguma, é esconder o
talento.
O que não podemos fazer é simplesmente não fazer nada.
Em outra parte das Escrituras, em Jeremias 48, lemos: “Maldito
aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente...”
O contexto é uma profecia contra Moabe e uma advertência
àqueles que seriam instrumentos na execução do juízo de Deus. A advertência é
para que a obra do Senhor não fosse realizada de maneira negligente,
displicente ou preguiçosa. A ideia é clara: a obra de Deus exige seriedade,
zelo e obediência. Não pode ser feita de qualquer maneira.
Agora, voltemos a João 15.
Depois de tudo isso, a pergunta continua diante de nós:
Quem sou eu na videira?
Que tipo de ramo sou eu?
Um ramo que precisa apenas de uma poda? Um ramo que
precisa ser limpo e tratado para continuar produzindo? Ou um ramo que precisa
ser arrancado?
O Grande Lavrador encontrará fruto em mim?
E aqui precisamos entender uma coisa: fruto, nesse
contexto, não significa apenas “almas ganhas para Cristo”. Fruto também é amor,
alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Fruto
é obediência, serviço, evangelização, perseverança, santidade, adoração,
oração, perdão, humildade, generosidade, presença...
São virtudes espirituais, virtudes relacionais e atitudes
práticas que demonstram que a vida de Cristo está, de fato, produzindo efeitos
em nós.
Se essas coisas estão presentes – ainda que de maneira
imperfeita – então sou um ramo que o Lavrador continuará limpando, tratando e
podando para que produza ainda mais fruto, porque poda também é cuidado. Às
vezes, Deus precisa retirar coisas de nós para que possamos produzir mais para
Ele.
Mas e se não há fruto?
E se não há mais interesse pela vinha?
E se, mesmo sem dizer isso com os lábios, a minha vida
demonstra que pouco me importa se a vinha cresce ou morre?
O que fará o Lavrador?
É Jesus quem responde: “Ele tira.”
E, mais adiante, fala sobre aquele que não permanece
nEle: “é lançado fora”.
É uma palavra séria.
Uma palavra que não deveria ser recebida apenas pensando
nos outros, mas olhando para dentro de nós mesmos.
Quem sou eu na videira?
Não é uma pergunta para o meu irmão.
Não é uma pergunta para o pastor.
Não é uma pergunta para aquele que está sentado ao meu
lado.
É uma pergunta para mim.
Que ramo sou eu?
Estou frutificando?
Preciso de poda?
Preciso ser limpo?
Estou permanecendo na Videira?
Encontrará o Grande Lavrador fruto em mim?
Que cada um de nós tenha coragem para olhar para a
própria vida e responder, porque o tempo está passando.
Paulo nos lembra:
“E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de
despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do
que quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos,
pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz.” (Romanos
13:11-12 – ARC)
Somente pela graça,
Pr. Walmir Vigo Gonçalves
08 de outubro de 2026