sábado, 11 de julho de 2026

Tempos trabalhosos

 

TEMPOS TRABALHOSOS

A expressão “tempos trabalhosos” aparece em 2 Timóteo 3.1 (ARC): “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.”

A palavra grega traduzida por “trabalhosos” é χαλεποί (chalepoí). Ela é muito rica e não significa apenas “tempos difíceis”. A ideia é de tempos:

·        perigosos;

·        violentos;

·        cruéis;

·        moralmente degradados;

·        difíceis de suportar;

·        que exercem intensa pressão sobre os servos de Deus.

A mesma palavra aparece em Mateus 8.28, descrevendo os dois endemoninhados gadarenos, que eram “tão ferozes” que ninguém conseguia passar por aquele caminho. Isso mostra que Paulo não estava falando apenas de crises econômicas, guerras ou desastres naturais, mas principalmente de uma sociedade marcada por uma perversidade crescente.

Logo em seguida, ele explica por que esses tempos seriam “trabalhosos”. Não é por causa das circunstâncias, mas por causa das pessoas. Ele lista dezenove características da humanidade dos últimos dias: amantes de si mesmos, avarentos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder (2Tm 3.2-5).

Portanto, os “tempos trabalhosos” são aqueles em que o pecado se manifesta de forma cada vez mais aberta, tornando a fidelidade a Cristo mais custosa. A dificuldade não está apenas nas circunstâncias externas, mas na deterioração moral da sociedade e até na presença de uma religiosidade sem transformação.

Há, porém, uma mensagem de esperança...

Paulo não escreveu essas palavras para produzir medo, mas para preparar Timóteo. Em meio aos tempos trabalhosos, a resposta continua sendo:

·       permanecer firme na Palavra de Deus (2Tm 3.14-17),

·       perseverar na pregação do evangelho (2Tm 4.2)

·       e confiar que o Senhor sustenta os seus.

Assim, a profecia sobre os tempos trabalhosos não é um convite ao desespero, mas à vigilância, à santidade e à perseverança na fé.

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Coisas necessárias de acontecer antes do fim

 

COISAS NECESSÁRIAS DE ACONTECER ANTES DO FIM

Lucas 21.5-19

Ontem – terça-feira, 30 de junho de 2026 – irmão Norival Elias pregou sobre esse texto na Congregação Betel.

O texto é profético e chama a nossa atenção. Então resolvi escrever essas linhas, com base nele, sobre “COISAS NECESSÁRIAS DE ACONTECER ANTES DO FIM”. São coisas que estão no texto. Não são TODAS AS COISAS, mas apenas as que estão no texto em questão.

Quando os discípulos admiravam a beleza do templo, Jesus surpreendeu a todos ao afirmar que chegaria o dia em que não ficaria pedra sobre pedra. Em seguida, eles perguntaram quando essas coisas aconteceriam e quais seriam os sinais. A resposta do Senhor apresenta uma série de acontecimentos que deveriam ocorrer antes do fim. Vejam:

1. O surgimento de falsos cristos

Jesus declarou: “Vede não sejais enganados; porque muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e: É chegado o tempo. Não vades após eles.” (Lucas 21.8)

Desde o primeiro século surgiram indivíduos afirmando possuir autoridade divina especial, e alguns chegaram a reivindicar para si o título de messias. A história registra vários desses personagens.

No século II apareceu Simão Bar Kochba, que foi considerado por muitos judeus como o messias prometido. Ao longo dos séculos outros líderes religiosos reivindicaram posição semelhante. Nos tempos modernos, nomes como Jim Jones, David Koresh e diversos líderes de seitas enganaram milhares de pessoas, conduzindo-as ao erro.

Além disso, existem os falsos cristos mais sutis. Não necessariamente afirmam ser Jesus, mas apresentam um “cristo” diferente daquele revelado nas Escrituras. Pregam um evangelho sem arrependimento, sem cruz, sem santidade e sem submissão à Palavra de Deus.

O alerta de Cristo continua atual: “Não vades após eles.”

2. Guerras e sedições

Jesus prosseguiu: “E, quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis; porque é necessário que isso aconteça primeiro...” (Lucas 21.9)

A história humana tem sido marcada por conflitos praticamente ininterruptos.

O século XX testemunhou duas guerras mundiais que causaram milhões de mortes. Tivemos ainda a Guerra Fria, os conflitos no Oriente Médio, guerras civis em vários continentes e, em nossos dias, continuam ocorrendo confrontos entre nações.

As sedições, revoltas, golpes de Estado e conflitos internos também têm sido frequentes. O cenário mundial parece constantemente instável.

Jesus não disse que essas coisas seriam o fim em si mesmas, mas sinais que antecederiam o fim. Elas demonstram a profundidade da queda humana e a incapacidade do homem de produzir paz duradoura sem Deus.

3. Grandes terremotos

O Senhor também mencionou: “E haverá, em vários lugares, grandes terremotos...” (Lucas 21.11)

Ao longo dos séculos, inúmeros terremotos devastadores marcaram a história.

Podemos lembrar do terremoto de Lisboa em 1755, que destruiu grande parte da cidade. Mais recentemente, ocorreram os terremotos do Haiti em 2010, do Japão em 2011 e da Turquia e Síria em 2023, causando destruição, sofrimento e milhares de mortes. E, mais recentemente, dias atrás, em 24 de junho de 2026, dois terremotos de grande magnitude atingiram o norte da Venezuela, incluindo Caracas, resultando em mais de 1.450 mortos, tornando-se o mais letal da história recente da Venezuela. 

Sempre que a terra treme, somos lembrados da fragilidade da vida humana. Aquilo que parece firme pode ser abalado em poucos segundos. Esses acontecimentos apontam para a veracidade das palavras de Cristo.

4. Fomes

Jesus declarou ainda que haveria fomes.

A própria Bíblia registra uma grande fome nos dias da igreja primitiva (Atos 11.28). Depois disso, a história continuou registrando períodos de extrema escassez.

No século XX, milhões morreram em fomes na Ucrânia, na China e em diversas regiões da África. Ainda hoje organismos internacionais alertam para populações inteiras vivendo sob risco de insegurança alimentar severa.

É impressionante perceber que, mesmo em uma era de grande avanço tecnológico, a fome continua sendo uma realidade para milhões de pessoas. Mais uma vez vemos o cumprimento das palavras do Senhor.

5. Pestilências

O texto menciona também as pestilências.

Ao longo da história, epidemias e pandemias deixaram marcas profundas na humanidade. A Peste Negra, na Idade Média, matou milhões de pessoas. Tivemos surtos de cólera, gripe espanhola, HIV e tantas outras doenças.

Mais recentemente, toda a humanidade experimentou os efeitos da pandemia de COVID-19. Em poucos meses, o mundo inteiro foi impactado. Igrejas fecharam temporariamente suas portas, sistemas de saúde ficaram sobrecarregados e milhões de famílias sofreram perdas.

Quando observamos essas coisas, percebemos que as palavras de Jesus continuam ecoando diante dos nossos olhos.

6. Coisas espantosas e grandes sinais no céu

O Senhor disse: “Haverá também coisas espantosas e grandes sinais do céu.” (Lucas 21.11)

Ao longo da história, muitos fenômenos extraordinários têm despertado a atenção da humanidade. Cometas, eclipses, chuvas de meteoros e outros eventos celestes frequentemente causam admiração e até temor.

Além disso, o avanço da tecnologia permitiu que observássemos fenômenos cósmicos impressionantes, como explosões estelares, impactos de asteroides e imagens extraordinárias do universo profundo.

Embora nem todo fenômeno celestial deva ser interpretado como cumprimento direto de profecias específicas, o fato é que o Senhor afirmou que acontecimentos espantosos relacionados aos céus fariam parte do cenário que antecederia o fim.

O universo continua proclamando que existe um Deus soberano governando todas as coisas.

7. Perseguição aos servos de Deus

Talvez este seja um dos sinais mais constantes da história da igreja.

Jesus disse: “Mas, antes de todas essas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão...” (Lucas 21.12)

Os apóstolos experimentaram exatamente isso. Pedro, João, Paulo e tantos outros sofreram prisões, açoites e perseguições por causa do evangelho.

Nos séculos seguintes, milhares de cristãos morreram durante as perseguições promovidas pelo Império Romano. Em tempos mais recentes, irmãos continuam sofrendo em diversos países onde o cristianismo é severamente restringido.

Ainda hoje há cristãos presos, expulsos de suas casas, discriminados e até mortos por permanecerem fiéis a Cristo.

Entretanto, nesse mesmo contexto de perseguição, Jesus fez uma promessa maravilhosa: a perseguição se transformaria em oportunidade de testemunho. O que parecia derrota se tornaria ocasião para a proclamação do evangelho.

Conclusão

Ao olharmos para Lucas 21.5-19, não devemos fazê-lo com medo, mas com fé. O propósito de Jesus não era aterrorizar seus discípulos, mas prepará-los.

Os falsos cristos surgiram. As guerras continuam acontecendo. Os terremotos, as fomes, as pestilências e os fenômenos espantosos continuam sendo vistos. A perseguição aos servos de Deus permanece uma realidade em muitas partes do mundo.

Tudo isso confirma que a Palavra de Deus é verdadeira.

Mas a mensagem principal do texto não é apenas que esses sinais aconteceriam. A mensagem principal está na exortação final do Senhor: “Na vossa paciência, possuí as vossas almas.” (Lucas 21.19)

Enquanto aguardamos a volta de Cristo, somos chamados a permanecer firmes, vigilantes, fiéis à Palavra, comprometidos com o evangelho e cheios de esperança. O mesmo Senhor que anunciou os sinais do fim é o Senhor que prometeu voltar. E quando Ele voltar, todo sofrimento dará lugar à glória eterna dos remidos.

Deus seja com todos os irmãos!

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

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sábado, 27 de junho de 2026

Eu sou um pastor fraco

 

EU SOU UM PASTOR FRACO.

O pastor Cleber Montes Moreira compartilhou em seu canal do WhatsApp um texto do também pastor Felipe Costa onde ele expõe algumas razões porque ele é um “péssimo pastor”

Gostei do texto, mas ao invés de compartilha-lo resolvi revelar outras razões porque eu também sou um péssimo pastor. Só que ao invés de “péssimo pastor” vou usar a expressão “pastor fraco”.

Obviamente, “péssimo” ou “fraco” pastor aos olhos de algumas pessoas que apreciam algumas práticas e “maneiras de fazer a obra de Deus” que eu não aprecio, não creio serem bíblicas e não vou fazer.

Então, eu sou um pastor fraco.

Agora vamos aos porquês.

Sou um pastor fraco porque não acredito que a força do ministério esteja em produzir emoções, mas em pregar fielmente a Palavra de Deus.

Sou um pastor fraco porque prefiro abrir a Bíblia e expor o texto sagrado do que apresentar novidades que chamem mais atenção do que as Escrituras.

Sou um pastor fraco porque não prometo aquilo que Deus não prometeu.

Sou um pastor fraco porque não transformo o púlpito em palco, nem o culto em espetáculo.

Sou um pastor fraco porque acredito que a conversão é obra do Espírito Santo e não resultado de técnicas humanas.

Sou um pastor fraco porque valorizo mais a santificação progressiva do que experiências passageiras.

Sou um pastor fraco porque creio que uma igreja saudável é edificada ao longo dos anos, e não construída da noite para o dia.

Sou um pastor fraco porque continuo ensinando doutrina quando muitos preferem apenas ouvir mensagens motivacionais.

Sou um pastor fraco porque acredito que a fé cristã precisa estar fundamentada na verdade, e não apenas em sentimentos.

Sou um pastor fraco porque considero que a maior necessidade do pecador não é prosperidade financeira, mas reconciliação com Deus por meio de Jesus Cristo.

Sou um pastor fraco porque não faço do evangelho um produto, nem da igreja um negócio.

Sou um pastor fraco porque creio que a autoridade do pastor vem de sua submissão a Cristo e à Sua Palavra, e não de títulos, fama ou influência.

Sou um pastor fraco porque prefiro ser fiel a Deus do que popular entre os homens.

Sou um pastor fraco porque acredito que o crescimento numérico jamais deve ser buscado à custa da verdade bíblica.

Sou um pastor fraco porque ainda penso que oração, pregação, evangelização, discipulado e comunhão são os meios estabelecidos por Deus para o crescimento da igreja.

Sou um pastor fraco porque continuo acreditando que a cruz de Cristo é suficiente.

E, se isso é, para alguns, fraqueza, então sou realmente fraco. Mas estou em boa companhia. Há muitos colegas de ministério, dentre eles os citados pastores Cleber e Felipe, que são assim fracos, como eu.

A verdadeira força do ministério não está na capacidade de impressionar pessoas, mas na disposição de permanecer fiel ao Senhor, mesmo quando isso parece fraqueza aos olhos do mundo.

Pense nisso!

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Muqui, 27 de junho de 2026

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A matemática triste da beira do caminho

 

A MATEMÁTICA TRISTE DA BEIRA DO CAMINHO


(Com base na parábola do semeador)

 

Naquela manhã, o semeador saiu cedo.
Como sempre fazia,

lançou sementes sem escolher demais o terreno.

Jogava com mãos generosas.

Algumas caíam à beira do caminho.

Outras entre pedras.

Outras entre espinhos.

E algumas, finalmente, em boa terra.

 

Curioso é que,

entre os solos que receberam a semente com algum tipo de resposta inicial,

nem todos chegaram ao fim.

 

Houve quem recebesse a palavra com alegria imediata,

emoção intensa,

entusiasmo quase contagiante.

Jesus descreve gente assim.

O coração aquece rápido.

Os olhos brilham.

As palavras são fortes.

Os projetos são grandiosos.

Parece que agora vai.

Parece que, finalmente, criou raiz.

Mas nem sempre criou.

 

Na parábola,

dos que receberam com alegria,

uma parte secou sob o calor das lutas;

outra foi sufocada pelos espinhos das preocupações,

riquezas e desejos desta vida.

Apenas um solo permaneceu frutificando.

 

É uma matemática desconfortável.

 

Às vezes, olhando em volta,

parece que a parábola saiu do campo da Galileia

e atravessou os séculos intacta.

Como se Jesus não estivesse apenas contando uma história agrícola,

mas descrevendo com precisão dolorosa o coração humano

em todas as épocas...

inclusive a nossa.

 

Há pessoas que se encantam com o Evangelho,

mas não suportam profundidade.

Gostam da euforia do começo,

mas não da perseverança do caminho.

Querem a promessa do Reino,

mas não a renúncia da cruz.

Enquanto tudo é favorável,

cantam alto,

falam bonito,

emocionam-se facilmente.

Porém, quando chega o sol da oposição,

da disciplina,

da luta contra o próprio pecado,

começam a murchar silenciosamente.

 

Não foi o sol que matou a planta. Foi a falta de raiz.

 

Outros até continuam presentes por algum tempo.

Frequentam cultos,

repetem jargões,

mantêm aparência religiosa.

Mas os espinhos crescem junto.

E espinhos têm uma característica terrível:

não arrancam a planta de imediato;

apenas roubam seu ar devagar.

 

O coração começa a se ocupar demais com dinheiro,

status,

vaidades,

distrações,

preocupações incessantes,

desejos de conforto,

ambições pessoais.

A Palavra ainda está lá,

em algum canto da alma,

mas já não governa mais nada.

O Reino vai sendo apertado lentamente até perder espaço.

E talvez uma das tragédias mais silenciosas da igreja moderna seja esta:

muita gente ainda tem linguagem de discípulo,

mas já vive sufocada há muito tempo.

 

A parábola não fala de pessoas que odiaram a semente.

Fala de gente que, em algum nível, a recebeu com alegria.

Esse detalhe assusta.

Porque existe uma alegria que não nasce de arrependimento profundo,

mas apenas de empolgação momentânea.

Uma alegria sem raiz.

Uma fé fascinada com benefícios,

mas não transformada pela verdade.

Uma espiritualidade que floresce rápido para as pessoas verem,

mas que não resiste quando Deus começa a trabalhar no subterrâneo do coração.

 

E o mais inquietante é que, olhando certas atitudes de muitos que se dizem cristãos hoje,

às vezes parece que a proporção da parábola continua assustadoramente atual.

Muitos começam. Poucos perseveram.

Muitos gostam da multidão seguindo Jesus;

poucos permanecem quando Ele fala sobre negar-se a si mesmo.

Muitos celebram milagres; poucos suportam podas.

Muitos querem consolo; poucos querem transformação.

Talvez porque raiz exige profundidade.

E profundidade dói.

 

A boa terra da parábola não é o coração perfeito.

É o coração que permanece.

O coração que suporta o sol,

luta contra espinhos

e continua guardando a Palavra mesmo nos dias secos.

 

No fim, a parábola do semeador não é apenas sobre agricultura espiritual.

É sobre permanência.

E talvez a pergunta mais importante não seja: “Eu recebi a semente com alegria?”

Mas: “O que está acontecendo com ela “hoje” no meu coração?”

 

 

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WhatsApp: (28) 99903-3773

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Não use o erro dos outros para deixar de ir à igreja

  

NÃO USE OS ERROS DOS OUTROS PARA DEIXAR DE IR À IGREJA

Vivemos em uma época marcada por uma crescente desilusão com as instituições em geral, e a igreja não está imune a isso. Não são poucas as pessoas que afirmam ter se afastado da congregação por causa da atitude de algum membro, líder ou pastor. Em muitos casos, as feridas são reais e profundas. Entretanto, existe uma reflexão importante que precisa ser feita: será que os erros dos homens são uma justificativa válida para abandonarmos aquilo que Deus estabeleceu?

Esse texto é resultado de uma frase que me chegou pela internet: “Jesus não deixou de ir à sinagoga só porque lá tinha hipócritas. Não use os erros dos outros para deixar de ir à igreja.”

Embora simples, essa afirmação contém uma verdade que merece nossa atenção.

Os evangelhos mostram claramente que Jesus conviveu com pessoas hipócritas.

Os escribas e fariseus foram duramente repreendidos por Ele em diversas ocasiões.

O Senhor denunciou sua religiosidade superficial, sua busca por reconhecimento humano e sua incoerência entre discurso e prática.

No entanto, apesar de tudo isso, Jesus continuava frequentando a sinagoga.

Lucas registra que entrar na sinagoga aos sábados era seu costume (Lucas 4:16).

Isso nos ensina que a presença de pessoas erradas em um ambiente não invalida o propósito daquele ambiente. A sinagoga continuava sendo um local de leitura das Escrituras, de oração e de ensino da Palavra de Deus. Da mesma forma, a existência de falhas dentro da igreja não anula sua importância no plano divino.

Muitas vezes o problema está nas expectativas equivocadas que criamos.

Algumas pessoas esperam encontrar uma comunidade perfeita, formada apenas por indivíduos maduros, coerentes e espiritualmente exemplares.

Porém, a igreja não é um museu de santos impecáveis; ela é um ajuntamento de pecadores alcançados pela graça de Deus e que estão em processo de transformação.

Isso não significa que devamos ignorar pecados ou passar pano para atitudes erradas. A Bíblia ensina a disciplina, a correção e a busca pela santidade.

Entretanto, uma coisa é combater o erro; outra completamente diferente é abandonar a comunhão por causa dele.

Há ainda um aspecto que merece consideração. Quando alguém deixa de congregar por causa do comportamento de outra pessoa, acaba transferindo para terceiros a responsabilidade por sua própria vida espiritual. É como se dissesse: “Eu me afastei de Deus por causa de fulano”.

Contudo, diante do Senhor, cada pessoa responderá por si mesma.

O hipócrita responderá por sua hipocrisia; o ausente responderá por sua ausência.

A verdade é que quem coloca sua fé nos homens inevitavelmente se decepcionará.

Homens falham.

Pastores falham.

Líderes falham.

Membros falham.

Mas Cristo permanece perfeito, fiel e imutável.

Por isso, nossa permanência na igreja não deve estar baseada na perfeição das pessoas, mas na perfeição daquele que é o Cabeça da Igreja.

Além disso, a comunhão dos santos é uma necessidade espiritual.

Deus não nos chamou para uma caminhada solitária.

O Novo Testamento apresenta a vida cristã sendo vivida em comunidade, com encorajamento mútuo, ensino, adoração e serviço. Quando alguém abandona a congregação, perde muito mais do que imagina.

Portanto, é preciso cuidado para não permitir que as falhas dos outros roubem aquilo que Deus deseja realizar em nossa vida.

Se houve decepções, elas devem ser tratadas.

Se houve feridas, precisam ser curadas.

Mas abandonar a igreja por causa dos erros humanos não é a solução.

Jesus conhecia perfeitamente a hipocrisia presente em seus dias, mas continuou frequentando a sinagoga. Seu foco estava no Pai e na Sua vontade. Que o nosso também esteja.

Afinal, a igreja não existe porque seus membros são perfeitos.

Ela existe porque Cristo é perfeito.

E é por Ele, e para Ele, que continuamos congregando.


domingo, 21 de junho de 2026

A igreja não morre por perseguição... mas uma igreja local pode morrer por acomodação

 

A IGREJA NÃO MORRE POR PERSEGUIÇÃO...

MAS UMA IGREJA LOCAL PODE MORRER POR ACOMODAÇÃO

 

Eu nunca vi uma igreja morrer por perseguição. Você já viu ou ouviu falar?

Até escuto, por coincidência, enquanto trabalho nesse texto, irmã Mirna na sala ao lado citando a frase do historiador que disse, no passado, num período de intensa perseguição, que “o sangue dos mártires é o adubo dos cristãos”.

 

Mas existem igrejas que morrem por acomodação.

Heresia também, mas a acomodação é ainda mais perigosa.

 

A perseguição vem de fora.

A heresia corrompe a verdade por dentro.

Porém, a acomodação é ainda mais perigosa porque muitas vezes passa despercebida.

Ela não faz barulho.

Não provoca escândalos imediatos.

Não produz necessariamente divisões visíveis.

Simplesmente vai enfraquecendo a igreja aos poucos, até que sua vida espiritual se torne apenas uma sombra do que já foi.

 

Uma igreja acomodada continua realizando cultos.

Continua tendo membros.

Continua mantendo sua estrutura organizacional.

Continua abrindo as portas semanalmente.

Entretanto, algo essencial foi perdido: a consciência de que estamos em uma batalha espiritual e de que fomos chamados para viver para a glória de Deus.

 

O problema da acomodação espiritual é que ela cria a ilusão de normalidade.

 

As pessoas continuam frequentando a igreja – alguns com mais falhas do que presença –, mas sem verdadeiro envolvimento.

Continuam ouvindo sermões, mas sem permitir que a Palavra transforme suas vidas.

Continuam falando sobre Deus, mas cada vez menos falam com Deus em oração.

Continuam desejando bênçãos, mas demonstram pouco interesse em obedecer.

 

Foi exatamente esse cenário que o profeta Ageu encontrou em seus dias.

 

O povo havia retornado do exílio.

O templo deveria ser reconstruído.

A obra de Deus deveria ser prioridade.

Contudo, os anos passaram, e cada um começou a cuidar dos próprios interesses.

A casa de Deus permanecia abandonada enquanto as casas particulares recebiam atenção.

Então veio a palavra do Senhor:

 

“Considerai os vossos caminhos.” (Ageu 1.5)

 

Essa exortação continua extremamente necessária para a igreja atual.

 

Precisamos considerar nossos caminhos quando o culto de oração se torna cada vez mais vazio.

Precisamos considerar nossos caminhos quando o ensino bíblico é tratado como algo opcional.

Precisamos considerar nossos caminhos quando quase não há disposição para evangelizar.

Precisamos considerar nossos caminhos quando poucos sustentam a obra de Deus com fidelidade.

Precisamos considerar nossos caminhos quando líderes e membros encontram facilidade para faltar aos compromissos espirituais, mas dificuldade para abrir mão de atividades pessoais.

Precisamos considerar nossos caminhos quando pais desejam que seus filhos sejam abençoados, e os trazem para “receber uma oração” depois de alguns dias de nascidos, mas não assumem a responsabilidade de criá-los na disciplina e admoestação do Senhor.

 

Há também um perigo crescente quando os cristãos começam a brincar com práticas e ambientes que, mesmo não sendo pecaminosos em todos os seus aspectos, podem servir de tropeço para outros irmãos e enfraquecer o testemunho da igreja.

 

A Escritura não nos chama apenas a perguntar se tal pratica ou frequentar tal ambiente é pecado.

Ela nos ensina a perguntar também se isso glorifica a Deus, se edifica os irmãos, se fortalece o testemunho, se contribui para a santidade.

 

Uma igreja espiritualmente desperta não vive buscando os limites mínimos da obediência. Ela procura agradar ao Senhor em tudo.

 

Talvez um dos sinais mais preocupantes da acomodação seja quando as pessoas passam a enxergar a igreja apenas como um lugar onde recebem algo.

Recebem oração.

Recebem aconselhamento.

Recebem ensino.

Recebem apoio.

Recebem cuidado.

Mas esquecem que também foram chamadas para servir, contribuir, participar, ensinar, evangelizar, discipular e carregar responsabilidades.

 

A igreja local não é um evento semanal.

A igreja local é uma comunidade de discípulos comprometidos com Cristo.

Por isso, antes de perguntarmos o que a igreja pode fazer por nós, devemos perguntar o que temos feito pela igreja que Cristo comprou com Seu próprio sangue.

 

O despertamento espiritual não começa quando surgem novos programas.

Não começa quando chega um novo pastor.

Não começa quando aparece uma nova estratégia.

O despertamento começa quando o povo de Deus se arrepende de sua negligência e volta a obedecer ao Senhor.

 

Foi isso que aconteceu nos dias de Ageu.

Quando o povo ouviu a voz de Deus e retomou a obra, o Senhor declarou:

 

“Eu sou convosco.” (Ageu 1.13)

 

Essa continua sendo a grande necessidade da igreja contemporânea.

 

Mais do que métodos, precisamos da presença de Deus.

Mais do que entretenimento, precisamos de arrependimento.

Mais do que movimento, precisamos de transformação.

Mais do que atividades, precisamos de compromisso.

A hora é de despertar.

A hora é de examinar nossos caminhos.

A hora é de abandonar a indiferença espiritual.

A hora é de voltar a colocar Deus no centro de nossas prioridades.

 

Que não sejamos uma geração que assistiu passivamente ao enfraquecimento da igreja.

 

Que sejamos uma geração que ouviu a voz de Deus, despertou do sono espiritual e respondeu com fé, temor e obediência.

 

“E digo isto, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.” (Romanos 13.11)

 

Na graça, com amor e por amor à igreja,

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

 

P.S.:

 

O perigo de transferir culpa

 

Quando uma igreja atravessa períodos difíceis, surge uma tentação muito comum: encontrar um responsável humano para todos os problemas.

 

Alguns culpam o pastor.

Outros culpam a liderança.

Outros culpam as circunstâncias.

Outros culpam as gerações mais jovens.

 

Mas a orientação bíblica continua sendo:

 

“Considerai os VOSSOS caminhos.”

 

Antes de apontar para os outros, precisamos olhar para nós mesmos.

 

EU tenho sido fiel na oração?

EU tenho sido fiel na adoração?

EU tenho sido fiel na contribuição?

EU tenho sido fiel no evangelismo?

EU tenho sido fiel no ensino dos meus filhos?

EU tenho sido fiel nos compromissos da igreja?

EU tenho sido exemplo de santidade?

 

Avivamento não começa quando encontramos culpados.

Avivamento começa quando encontramos arrependimento.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Quem hoje tem ouvidos para ouvir?

 

QUEM HOJE TEM OUVIDOS PARA OUVIR?


Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.

 

Eis aí uma frase ecoa pelas páginas da Escritura no afã de nos chamar à atenção.

 

Foi dita pelos profetas em espírito.

 

Foi repetida pelo Senhor Jesus em suas parábolas.

 

Foi escrita às igrejas do Apocalipse.

 

É uma frase antiga, mas continua assustadoramente atual.

 

Curiosamente, Jesus não dizia: “Quem tem inteligência para entender”.

Nem: “Quem tem cultura para compreender”.

Nem sequer: “Quem tem conhecimento religioso”.

Ele dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir”.

 

O nosso problema nunca foi a falta de voz.

O nosso problema, nesse caso, sempre foi a falta de audição espiritual.

 

Nos dias de Isaías, Deus lamentou que o povo tinha ouvidos, mas não ouvia.

Nos dias de Jeremias, a Palavra era anunciada, mas rejeitada.

Nos dias de Cristo, o próprio Filho de Deus falava diante das multidões, e muitos voltavam para casa sem terem escutado nada além de palavras.

Os lábios de Jesus se moviam;

os ouvidos deles funcionavam;

mas seus corações permaneciam fechados.

 

E hoje?

 

Hoje vivemos na geração, até agora, mais barulhenta da história.

Há vozes em toda parte.

Notificações,

vídeos,

opiniões,

notícias,

discussões,

entretenimentos,

influenciadores,

especialistas,

comentaristas

e pregadores.

 

Nunca houve tanta informação.

 

E talvez nunca tenha havido tão pouca disposição para ouvir a Deus.

 

Muitos escutam tudo, menos a voz do Senhor.

 

Têm ouvidos treinados para as novidades do mundo,

mas não para as antigas verdades das Escrituras.

 

Têm paciência para horas diante de uma tela,

mas não para alguns minutos diante da Palavra.

 

Ouvem conselhos sobre finanças, saúde, política e sucesso,

mas se cansam quando Deus começa a falar sobre arrependimento, santidade, obediência e cruz.

 

Isso, essa atitude, é motivo de tristeza.

 

Toda vez que a Bíblia é aberta e um coração permanece fechado, algo trágico acontece.

Toda vez que um sermão é ouvido apenas pelos ouvidos físicos, mas não pelo coração, uma oportunidade preciosa é desperdiçada.

Toda vez que Deus fala e o homem responde com indiferença, a alma empobrece um pouco mais.

É impossível ler as cartas às sete igrejas sem sentir esse peso.

Repetidas vezes o Espírito diz: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

Como se o próprio céu perguntasse: “Há alguém aí disposto a escutar?”

 

É realmente lamentável!

 

Mas a história não é feita apenas de lamentos.

 

Graças a Deus, ainda existem os que ouvem.

 

Ainda existem Marias assentadas aos pés de Jesus.

 

Ainda existem pessoas como Samuel que respondem: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”.

 

Ainda existem corações que tremem diante da Palavra.

 

Ainda existem crentes que chegam ao culto esperando ouvir algo vindo de Deus.

 

Ainda existem jovens, adultos e idosos que abrem suas Bíblias com fome espiritual.

 

Ainda existem pecadores que escutam o chamado do Evangelho e se rendem a Cristo.

 

Ainda existem igrejas onde o Espírito Santo encontra ouvidos atentos.

 

Que alegria saber disso!

 

Em meio ao ruído deste século, Deus continua encontrando pessoas que param para ouvi-Lo.

 

Em meio à distração geral, ainda há homens e mulheres que valorizam cada palavra que procede da boca de Deus.

 

Talvez o maior desafio da igreja hoje seja esse: disciplinar os ouvidos para ouvir.

 

A audição espiritual não cresce por acidente.

Ela é cultivada.

É preciso silenciar outras vozes.

É preciso reservar tempo para a Palavra.

É preciso comparecer ao culto com expectativa.

É preciso aprender a ouvir mesmo quando a mensagem confronta nossos pecados.

É preciso ouvir não apenas o que nos agrada, mas também o que nos corrige.

O discípulo maduro não fica considerando se gostou ou não do sermão, desde que ele tenha sido fiel às Escrituras.

O que o discípulo maduro considera é sobre o que Deus lhe quis dizer.

 

E talvez esta seja a consideração mais importante para nossa geração.

 

Porque Deus continua falando.

A Palavra continua sendo pregada.

O Espírito continua operando.

 

A questão não é se Deus tem algo a dizer.

A questão é: Quem hoje tem ouvidos para ouvir?

 

E mais importante ainda: Quando Deus falar, nós estaremos ouvindo?

 

 

Pense nisso!

 

 

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