quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 29 – Não Andeis Ansiosos

 

NÃO ANDEIS ANSIOSOS – CONFIEM EM DEUS

 

Mateus 6.25-34

 

01. Em estudo anterior (na verdade anterior ao anterior – estudo 27: “Tesouros no céu e na terra”) percebemos ter chegado a uma parte do sermão do monte que contempla o homem em sua relação para com a vida em geral, como uma pessoa que se preocupa com alimentação, vestuário, abrigo, etc. E consideramos que precisamos destas coisas para viver aqui neste mundo, mas que essa necessidade traz consigo o perigo do mundanismo. Corremos o risco de nos tornarmos mundanos de duas formas:

a.    A forma de um afeto positivo pelo mundo;

b.    E a forma de preocupação/ansiedade com relação às coisas do mundo.

02. A primeira forma já a estudamos, e a segunda veremos agora.

03. Vamos ler o texto bíblico:

 

“Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, porque andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas; Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.  Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:25-34 RC)

 

04. O que podemos, de forma breve, pensar a partir dessa palavra de Jesus? Vejamos:

 

I. EXISTEM BOAS RAZÕES PARA NÃO ANDARMOS ANSIOSOS.

 

01. Quais seriam algumas dessas boas razões? Vejamos:

 

1.1. A Soberania de Deus.

 

02. A Soberania de Deus é o atributo pelo qual Ele domina (de forma absoluta) sobre toda a criação (Tozer).

03. Esse domínio de Deus sobre toda a criação assenta-se sobre os fatos de que Ele é Onisciente, Onipotente e absolutamente livre.

a.    Por Onisciência entendamos conhecimento total e perfeito sobre todas as coisas;

b.    Por Onipotência entendamos que Deus possui total poder sobre todas as coisas;

c.    E por absoluta liberdade entendamos que Deus não é, nunca foi e nunca será limitado por nada e nem ninguém; Ele pode sempre fazer o que Lhe agrada

04. Então, o nosso Deus conhece todas as coisas total e perfeitamente, tem poder absoluto sobre todas essas coisas e é livre para agir conforme Ele quiser sobre todas as coisas. NADA acontece sem a permissão e o controle de Deus. Para citar apenas alguns poucos exemplos:

d.    Balaão não pôde amaldiçoar Israel. Foi contratado para amaldiçoar, mas só pôde abençoar. (Números 2, 23 e 24);

e.    Satanás só pôde fazer a Jó o que Deus deixou e porque Deus deixou.

f.     As autoridades religiosas judaicas que queriam prender e matar Jesus não puderam fazê-lo enquanto não chegou o tempo determinado por Deus – veja João 7.25-30, 8.19-20, 13.1, 18.1-12, 19-21, 19.9-11

05. Então, se assim o é, tudo o que acontece, por menos que sejamos psicologicamente capazes de entender, acontece sob o olhar de Deus e sob Sua Soberana permissão.

06. Mas esse conhecimento não nos seria de forma alguma confortante, tranquilizador, não fosse o fato subsequente de que:

 

1.2. Esse Deus Soberano é – se integramos o grupo dos “bem-aventurados” do início do Sermão da montanha – mais que nosso Criador: Ele é “nosso Pai que está nos céus”.

 

07. Essa é a segunda razão para não andarmos ansiosos.

08. Ele cuida das aves, Ele cuida dos lírios do campo e cuidará muito mais de seus filhos. Conquanto a providência divina atinja a todos os homens, a promessa específica de cuidado no que respeita à manutenção da vida é para os filhos. Se você é filho essas promessas são para você, e, portanto, sentir-se ansioso e preocupado é falta de confiança em Deus e, consequentemente, pecado.

09. Eu volto a repetir o que já disse recentemente em um de nossos cultos de oração: eu sei que dizer isso pra vocês, falar sobre a ilogicidade e até pecaminosidade da ansiedade pelas coisas desta vida e que isto vocês devem evitar, é bem mais fácil que fazer. Falar é mais fácil que praticar. Entretanto, eu preciso falar porque Jesus falou, e, creiam, ao falar falo não apenas para vocês; falo também para mim – e talvez muito mais para mim.

10. Então, voltando ao assunto, não precisamos e não devemos ficar ansiosos pelas coisas desta vida porque o Deus Soberano que sabe todas as coisas e tem poder sobre todas as coisas e é absolutamente livre para agir conforme Sua vontade sobre todas as coisas e de quem nada, absolutamente nada, foge ao controle, tudo o que acontece é sob seus olhos e permissão, esse Deus é “nosso Pai que está nos céus”, e Ele cuida das aves do céu, das flores do Campo e também cuidará de seus filhos.

 

1.3. A ansiedade não melhora nada.

 

11. Esta é outra boa razão.

12. “Qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado...?” – Algumas versões dizem “estatura” e outras dizem “curso da vida” – a tradução é difícil. Talvez, de acordo com o contexto, a melhor seja “curso da vida”. Mas em qualquer uma delas a mensagem a ser transmitida não se altera: a ansiedade não melhora nada. Quem pode, pela ansiedade, acrescentar um côvado que seja ao curso de sua vida neste mundo?

13. Ter consciência da necessidade que temos de coisas desta vida, como alimento, vestuário, moradia, etc., e trabalhar de forma natural e tranquila para suprir essas necessidades é um coisa, mas nutrir ansiedade por causa delas, ao ponto até de nossa mente e nossa vitalidade ficar tomada por essas preocupações e nem conseguirmos mais nos dedicar ao reino de Deus (que deve vir em primeiro lugar em nossa busca), é outra coisa – aí já é falta de confiança de nossa parte de que Deus cuida de nós. E, pior: essa ansiedade não melhora nada...

14. Tendo visto esta boas razões para não andarmos ansiosos, pensemos agora no fato de que:

 

II. NÃO ANDAR ANSIOSO NÃO SIGNIFICA PASSIVIDADE.

 

01. Jesus não disse para ficarmos parados esperando que tudo aquilo de que necessitamos venha até nós “num passe de mágica”.

02. Em Gênesis 3, logo após o homem pecar, Deus lhe diz que, a partir dali ele, para seu sustento, teria que “suar o rosto”, indicando um certo grau de dificuldade imposta, apesar da providência divina geral. Entretanto, mesmo antes do pecado, Deus pôs o homem recém-criado no jardim do Éden “para guardar e lavrar”.

03. Em toda a Bíblia vemos Deus provendo o sustento de seu povo não o livrando, porém, do trabalho, a não ser em algumas ocasiões e por motivos muito específicos. Pensemos, por exemplo, em Abraão, Isaque ou em Jacó, a quem Deus proveu de muitas posses, mas não os livrou do trabalho, da busca, do “cultivo”, e eles até tiveram que contratar mais trabalhadores quando as posses já eram tantas que eles não davam conta de cuidar sozinhos.

04. Temos que agir/sair em busca do emprego, em busca de com que adquirir nosso sustento, vestuário, habitação, saúde... Até mesmo o desenvolvimento da obra de Deus neste mundo demanda muito trabalho de nossa parte.

05. Não há espaço para a passividade em nossa vida, mas também não deve haver para a ansiedade.

06. Atitude, ação, trabalho, porém com fé e tranquilidade – nem ansiedade e nem passividade.

07. E, por último:

 

III. O REINO DE DEUS E A SUA JUSTIÇA DEVEM SER A NOSSA PRIORIDADE MÁXIMA.

 

01. Buscai, portanto, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça...

a.    Primeiro aqui significa:

                                  i.    Antes de qualquer outra coisa;

                                ii.    Mais importante que qualquer outra coisa;

                               iii.    Melhor que qualquer outra coisa.

02. Textos paralelos para reflexão:

a.    2 Coríntios 4.16-5.1

b.    Colossenses 3.1-4

 

CONCLUSÃO

 

[...]

 

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves.

Fontes de consulta:

Estudos no Sermão do Monte – Lloyde-Jones

Bíblia Online 3.0 – SBB

Mais Perto de Deus – A. W. Tozer

Estudos no Sermão do Monte / parte 28 – Efeitos do Pecado


EFEITOS DO PECADO

 

- Quatro Terríveis Efeitos do Pecado -

 

Estudo baseado em “A Imunda Servidão ao Pecado”, do Dr. Martin Lloyde-Jones em “Estudos no Sermão do Monte” (Editora Fiel)

 

01. Texto bíblico:

 

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6:19-24 BRP)

 

02. O Dr. J. Wilbur Chapman conta a história de

 

um ministro que pregava com profético poder, a respeito do pecado. Falava aberta e penetrantemente, referindo-se ao pecado como "uma coisa abominável que Deus odeia". Certo dia, um membro da igreja foi ao escritório do ministro e disse-lhe:

— Nós não queremos que o senhor fale assim tão abertamente sobre o pecado, porque se os nossos filhos e filhas ouvirem tanto sobre esse assunto, mais facilmente eles se tornarão pecadores. Chame-o um erro, se lhe parecer bem, mas não fale assim claramente sobre o pecado.

O ministro foi a uma prateleira de remédios, trouxe um vidrinho de estriquinina marcado "veneno" e disse:

— Veja o que o senhor quer que eu faça; deseja que eu mude o rótulo. Suponhamos que eu tire esse rótulo e coloque outro mais ameno, por exemplo, "essência de hortelã-pimenta"; pode o senhor prever o que aconteceria? Quanto mais brando fizermos o rótulo, tanto mais perigoso faremos o veneno.

           

03. Hoje vamos pensar sobre o pecado; mais precisamente, sobre Efeitos do Pecado – quatro terríveis efeitos.

04. Quantos de vocês já pararam para pensar no fato de que a Bíblia está repleta de instruções, muitas vezes no sentido positivo, isto é, no sentido de “faça assim”, mas também muitas vezes no sentido negativo, isto é, no sentido de “não faça assim”.

05. Por que a necessidade de tantas instruções?

06. A resposta é simples e objetiva: é por causa do pecado e seus efeitos malignos.

07. O Dr. Martin Lloyde-Jones, em “Estudos no Sermão do Monte” (Editora Fiel), sob o título de “A Imunda Servidão ao Pecado”, aponta quatro terríveis efeitos do pecado.

08. Nossa reflexão hoje vai se basear nesses quatro efeitos.

09. E o primeiro efeito é:

 

I. O pecado perturba e desorganiza o equilíbrio normal de um homem e o funcionamento normal de suas qualidades de ser humano.

 

01. Precisamos aqui pensar na constituição do ser humano.

02. De quê somos constituídos?

03. O ser humano é constituído de corpo, alma e espírito.

04. Em ordem de importância relativa, o espírito vem em primeiro lugar, a alma em segundo e o corpo em terceiro.

05. O espírito tem a ver com a mente, a alma com os sentimentos e o corpo com a expressão prática da vontade. E isso significa que o funcionamento normal do ser humano, pelo interagir de suas três partes constituintes, deveria se dar da seguinte maneira:

a.    A mente deveria figurar em primeiro lugar percebendo e analisando as coisas;

b.    Em segundo lugar deveria figurar os afetos, os sentimentos e as sensibilidades conferidas ao homem pelo Senhor;

c.    E em terceiro lugar deveria vir a vontade expressa através do corpo. A vontade é, podemos assim dizer, a faculdade pala qual colocamos em operação as coisas que compreendemos e que temos desejado.

06. Mas o que temos visto, em geral, é uma perturbação, uma desorganização desse equilíbrio normal de um homem, causado pelo pecado.

07. O homem deixou de ser governado pela sua mente e compreensão em primeiro lugar, e passou a ser governado pelos seus desejos, pelos seus afetos, pelas suas paixões e concupiscências.

08. Isso tem colocado o homem em uma terrível situação.

09. Em João 3.19 lemos: “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”. (João 3:19)

10. A luz veio ao mundo, e continua vindo ao encontro dos homens, mas o que acontece?

a.    Eles amam mais as trevas que a luz.

b.    Eles contemplam a vida não com a mente, eles a contemplam por meio de desejos e paixões e se deixam governar por estes desejos e paixões.

c.    E o problema está justamente aí: o homem está sendo governado por seus desejos e paixões, ele não usa mais a cabeça.

11. Por que é que muitos dizem que com a mente, pela razão, até querem servir a Cristo, mas não conseguem fazer com que o corpo siga segundo esse querer? É porque são governados pelos desejos e paixões. E isso é efeito do pecado. O pecado perturbou e desorganizou o equilíbrio normal do homem, bem como o funcionamento de suas qualidades normais de ser humano.

12. Passemos ao segundo efeito do pecado:

 

II. O pecado cega o ser humano no tocante a determinadas questões vitais.

 

01. Isso, depois de pensarmos no primeiro ponto, é algo que nos parece lógico; e é lógico mesmo.

02. O pecado cega o ser humano para as coisas que são óbvias, e torna-os incapazes de perceber tais coisas.

03. Jesus ilustra bem isso ao falar dos tesouros terrenos em contraste com os celestiais. Todos sabemos que os tesouros terrenos, nenhum deles, perdura.

a.    As pessoas se orgulham de sua aparência pessoal, mas a mesma não perdura.

b.    Todos sabemos que o corpo envelhece, cria rugas e um dia morre.

                                  i.    Powerpoint com fotos minhas.

c.    No entanto, pessoas há que, cegas pelo pecado, são capazes de até mesmo sacrificar sua fidelidade a Deus por causa de sua aparência física.

d.    E o que dizer do dinheiro, dos objetos materiais e outras coisas mais?

 

Todas essas coisas acabam perecendo; elas são passíveis de destruição. Se um homem se sentasse para verdadeiramente meditar sobre isso, teria de admitir que essa é a pura verdade. Não obstante, [muitas pessoas há] que tendem por viver em harmonia com o pressuposto contrário. Mostram-se invejosas e ciumentas umas com as outras, e se dispõem em sacrificar tudo e qualquer coisa em troca desses valores terrenos – por causa dessas coisas que estão destinadas a ter fim, e que não poderão levar para sempre consigo. A situação real é tão óbvia; mas, no entanto, os homens não parecem vê-la tão obviamente assim.

 

04. O pecado cega tanto o ser humano que ele perde até o valor relativo das coisas.

a.    Um exemplo bem comum é o de um crente que infringe a lei de trânsito e, para não arcar com o valor da multa, paga um suborno. O que é relativamente mais importante: quinhentos reais “poupados” ou uma consciência limpa diante dos homens, de si mesmo e de Deus?

05. O que é relativamente mais importante: o tempo ou a eternidade?

a.    Sabemos que somos criaturas presas ao tempo, mas destinadas a viver na eternidade, e que o tempo ao qual estamos presos é brevíssimo.

b.    A Bíblia nos ensina a buscar e pensar nas coisas que são de cima.

c.    Mas o que fazemos?

d.    Não é fato que os homens, mesmo os crentes, se dedicam muito mais diligentemente às coisas que são temporais do que às que são eternas?

e.    Alguns há que até ignoram por completo as eternas.

06. Quem tem mais valor: Deus ou o homem?

a.    E o homem tem vivido para Deus ou para o homem mesmo?

b.    Deus está esquecido, Deus está ignorado, até mesmo por muitos que dizem ser cristãos. Em muitos casos Deus até é lembrado por alguns, mas não pelo valor que dão a Ele ou porque O amam, mas porque necessitam que Ele os abençoe em alguma questão. Estão pensando em Deus ou em si mesmos?

07. Mas ainda há aqueles a quem o pecado cegou para a impossibilidade de se misturar opostos, e estes se encontram numa cegueira tão grande que pensam que podem misturar a luz com as trevas, mas a Bíblia diz que não se pode servir a dois senhores. Um precisa ser aborrecido.

08. Se você se encontra nessa situação, não deixe o pecado continuar lhe cegando. Clame a Jesus agora! Arrependa-se! Peça perdão! Faça um compromisso de vida sério com Ele.

09. O terceiro efeito do pecado é:

 

III. O pecado reduz o homem a um escravo das coisas que foram criadas para servi-lo.

 

01. Onde está o seu tesouro?

02. Saiba que onde ele estiver, é aí que ele mantém cativo o seu coração.

03. Todas as coisas que Deus nos deu – alimento, vestuário, casa, família, amigos... tudo – são manifestações de Sua graça e de Sua bondade para conosco. Tudo isso é para nós usufruirmos e nos alegrarmos. O que acontece, porém, é que muitos, cegados pelo pecado, se tornam escravos destas coisas. Essas coisas passam a ocupar o primeiro lugar, o lugar de preeminência em suas vidas. Até mesmo muitos crentes estão escravizados pelas coisas temporais, porque estão dando lugar ao pecado em suas vidas. Não estudam a Palavra, não têm comunhão com Deus na oração, não têm comunhão com a igreja, estão raquíticos, franzinos espiritualmente, e o pecado faz ninho e cega e o reduz à escravidão.

04. Onde está o seu tesouro? Aí está também o seu coração.

05. Chegamos ao último efeito:

 

IV. O pecado arruína inteiramente o homem.

 

01. Esse é o efeito final.

02. Como é que o pecado arruína o homem?

 

“O pecado arruína o homem no sentido que, tendo ele gasto sua vida inteira acumulando certas coisas neste mundo (pensando apenas no que é temporal), no final da vida ele se encontra de mãos vazias. Após haver amealhado para si tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões escavam e roubam, ele se encontra face a face com o mais poderoso de todos os adversários, que é a própria morte. E então esse pobre e mísero homem, que viveu exclusivamente para essas coisas, repentinamente se vê destituído de tudo – desnudo de tudo, excetuando a sua alma. E a sua ruína é completa, pois, ‘que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?’ (Marcos 8.36)”

 

03. Veja a parábola do rico e Lázaro, em Lucas 16.19-31

04. Certamente que o rico da parábola pensava que tudo estava bem com ele. Mas ele estava cego, e, quando, de súbito, viu corretamente a sua realidade, já era tarde demais para ele. Foi um insensato a vida inteira, pensando o contrário. O pecado o arruinou inteiramente e eternamente.

 

Conclusão

 

01. Relembrando os pontos:

a.    O pecado perturba e desorganiza o equilíbrio normal de um homem e o funcionamento normal de suas qualidades de ser humano.

b.    O pecado cega o ser humano no tocante a determinadas questões vitais.

c.    O pecado reduz o homem a um escravo das coisas que foram criadas para servi-lo.

d.    O pecado arruína inteiramente o homem.

02. Existe solução?

03. Felizmente a resposta é sim!

04. A solução é sempre e somente Jesus Cristo!

05. O apóstolo Paulo, Falando sobre Jesus em uma sinagoga em Antioquia da Pisídia, disse: “Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados (Atos 13:38 RC)

06. Em Colossenses 1.14 é-nos dito que pelo seu sangue (o de Cristo) temos a redenção, isto é, a remissão dos pecados.

07. João 3.16 nos diz que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”

08. Romanos 6.23 diz que “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor”

09. E por aí vai... A solução é Jesus Cristo! Você já pertence a Jesus Cristo?

 

 

Muqui – Julho de 2013

sábado, 20 de julho de 2013

Estudos no Sermão do Monte / parte 27 - Tesouros no Céu e na Terra


 

TESOUROS NO CÉU E NA TERRA

 

Estudos no Sermão do Monte – parte 27

Livro base para estes estudos: Estudos No Sermão do Monte, de Martyn Lloyd-Jones

 

01. Os irmãos devem estar lembrados de que quando iniciamos este capítulo 6 de Mateus dissemos que nele podemos perceber os dois lados da vida do crente, sendo o primeiro a sua vida religiosa, isto é, a sua vida em sua relação para com o Pai celeste.

02. Este primeiro lado encerramos seu estudo no domingo passado e abrangeu as questões das esmolas da oração e do jejum, exemplos citados para apregoar o princípio de que tudo o que fizermos em relação ao próximo, a Deus e a nós mesmos, não devemos fazer com o intuito de “sermos vistos pelos homens”.

03. Agora chegamos, a partir do verso 19, ao segundo lado, o lado que contempla o homem em sua relação para com a vida em geral, como uma pessoa que se preocupa com alimentação, vestuário, abrigo, etc. O crente precisa destas coisas para viver aqui neste mundo e essa necessidade traz consigo um perigo: o perigo do mundanismo.

04. O mundanismo geralmente assume duas formas principais, demonstradas aqui em Mateus 6 a partir do verso 19:

a.    A forma de um afeto positivo pelo mundo;

b.    E a forma de preocupação/ansiedade com relação às coisas do mundo.

05. Veremos Jesus tratando destas duas formas de mundanismo e nos ensinando que ambas são perigosas para o crente.

06. Vamos, então, sem mais delongas, à primeira forma, a forma de um afeto positivo pelo mundo.

07. Jesus trata dessa questão com as seguintes palavras:

 

19 ¶ Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. 20  Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam. 21  Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. 22  A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. 23  Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! 24  Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6:18-24 RC)

 

08. Aí está a exortação de Jesus e as razões para a mesma. Nos versos 19 e 20 a exortação e nos versos restantes a razão. Agora precisamos analisar a amplitude desta exortação. Hoje vamos analisar o que temos nos versos 19-21

 

Primariamente Jesus diz “Não ajunteis tesouro na terra...”

 

09. O que Jesus quis dizer com isso?

10. Em primeiro lugar, devemos evitar interpretar essa declaração como se ela girasse torno de dinheiro ou outras coisas que façam de nós pessoas ricas, monetariamente falando.

a.    Jesus não disse “não ajunteis dinheiro; ele disse “não ajunteis tesouros.

b.    Jesus não disse “não sejam ricos”, monetariamente falando; ele disse “não ajunteis tesouros.

c.    Ora, “tesouro” é um vocábulo bem amplo, que inclui muita coisa, inclusive o dinheiro e outras coisas mais que possam fazer de nós pessoas ricas monetariamente falando, mas não só e não necessariamente essas coisas.

d.    Um correto entendimento dessa palavra de Jesus deve contemplar o fato de que Ele aqui não se interessava tanto pelas nossas possessões, e, sim, pela nossa atitude em relação a essas possessões. Não está em evidência aqui o que um homem porventura possua, mas antes, o que ele pensa sobre seus bens materiais, e qual é a sua atitude em relação a eles. Nada há de errado em se possuir bens, mas pode haver grande erro na relação de uma pessoa para com os seus bens.

11. Avançando em nosso raciocínio, está aqui em pauta a nossa total atitude em relação a este mundo. Jesus, podemos assim dizer, alerta para o perigo em que uma pessoa pode incorrer de derivar a sua principal ou mesmo total satisfação de coisas desta vida; de confinar/limitar/atrelar os seus interesses e as suas esperanças a esta vida, e, vista a partir desta ótica, a advertência de Jesus ultrapassa os limites das meras posses. Indivíduos pobres precisam desta exortação tanto quanto os abastados, porque, sob este ponto de vista, todos temos os nossos “tesouros”. Pode ser marido, mulher ou filhos; pode ser uma “posição” (na igreja, por exemplo, a posição de pastor, evangelista, diácono, presbítero, presidente... se eu não tiver lugar / for reconhecido em uma dessas posições, “tô fora” – tem gente que até sai de sua igreja e “monta” outra, “sua”, só para “ser” o que almeja), pode ser dinheiro, joias, poder, amigos, namorado(a), um emprego, conforto pessoal, honra pessoal... qualquer coisa! Não importa o que seja e nem o quanto valha (ou não valha), se representa tudo para você, então isso é o seu tesouro; se por esse “algo” você é capaz de comprometer até mesmo a sua fidelidade a Cristo, então isso é o seu tesouro; se a esse “algo” o seu coração pertence, então aí está o seu tesouro.

12. Na Bíblia encontramos alguns exemplos. Talvez os dois mais propícios sejam o do Mancebo de qualidade e o de Zaqueu; um negativo e o outro positivo. Veja esses exemplos em Lucas 18.18-24 e 19.1-10.

13. Jesus disse em Lucas 14.26 que quem quiser segui-lo tem que ama-lo mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua esposa, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a si mesmo. E logo depois orienta a quem quer segui-lo a que, munido dessa informação, calcule o preço para ver se pode “pagar”.

14. Após advertir a que não ajuntemos tesouros na terra, Jesus nos faz lembrar que tais tesouros, mais cedo ou mais tarde encontram um fim – são corroídos, são roubados... de uma forma ou de outra um dia deles ficamos destituídos, nem que seja apenas na eternidade – veja Lucas 16.19ss.

15. Veja o que Jesus disse certa vez a seus discípulos:

 

“Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mateus 16:24-26 RC)

 

A seguir, Jesus diz onde devemos ajuntar tesouros: nos céus.

 

16. Quando Jesus é mais importante que tudo para nós, estamos ajuntando tesouros no céu, ou, dizendo de outra forma, isto é sinal de que nossos “tesouros”, isto é, as coisas que mais nos importam, as coisas que mais são valorosas para nós, são as celestiais, ou as que dizem respeito ao reino celestial, o que, por sua vez, é sinal de que nós somos os bem aventurados do início desse sermão de Jesus a quem, dentre outras coisas, pertence o reino dos céus e serão chamados filhos de Deus. Estas “coisas” não podem ser roubadas ou corroídas.

 

...se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.  Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;  porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.  Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.  Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria;  por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.  Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas.  Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.  Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos  e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;  no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos.  Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.  Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;  acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.  Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.  Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.  E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Colossenses 3:1-17 RA)

 

“Onde estiver o vosso tesouro aí estará também o vosso coração”

 

17. Meus irmãos, que palavras profundas e sérias temos aqui: “Onde estiver o vosso tesouro aí estará o vosso coração”.

18. Isso significa que é com essas coisas que você vai se importar em primeiro lugar; é com estas coisas que você vai se ocupar mais que tudo e acima de tudo.

19. Onde está o seu coração? Com o que você tem se importado e tem se ocupado mais e acima de tudo?

20. Deixe-me narrar uma história que está num dos primeiros livros de nossa atual biblioteca em formação, livro que chegou esta semana. A história é sobre um missionário que viveu no fim do século 18 e início do século 19, chamado Henry Martin, que está no livro “É Difícil Crer”, de John MacArthur:

 

Depois de uma vida longa e difícil de serviço cristão na Índia, ele anunciou que estava se mudando para a Pérsia (atual Irã), porque Deus havia colocado no seu coração a necessidade de traduzir o Novo Testamento e o livro de Salmos para a língua persa.

 

A essa altura, ele era um homem idoso. Muitos lhe disseram que se permanecesse na Índia ele morreria em consequência do calor, e que a Pérsia era ainda mais quente do que a Índia. Porém, apesar de tudo, ele foi. Lá chegando, estudou a língua persa e traduziu o Novo Testamento e os Salmos num espaço de nove meses. Então, descobriu que não poderia imprimir nem fazer circular seu trabalho antes de receber permissão do Xá (título do monarca persa). Assim sendo, ele viajou 965 Km até Teerã; mas lá chegando não recebeu permissão para ver o Xá.. Henry Martin voltou e percorreu 640 Km para falar com o embaixador britânico, o qual lhe deu as cartas de apresentação necessárias e o enviou de volta outros 640 Km até Teerã. Isso foi em 1812, e Martyn fez toda essa viagem montado numa mula, viajando à noite e descansando durante o dia, protegido do sol escaldante do deserto apenas por uma tira de lona.

 

Finalmente chegou a Teerá e foi recebido pelo Xá que lhe deu a permissão para que as escrituras fossem impressas e postas em circulação na Pérsia. Dez dias depois ele morreu. Pouco antes de sua morte ele tinha escrito esta frase em seu diário: “Eu me sentei no jardim e pensei em meu Deus, com doce conforto e paz; na solidão, meu Companheiro, meu Amigo e Confortador”.

 

21. Esse homem já tinha trabalhado muito para a causa de Deus, e poderia ter voltado para seu país e gozar de uma merecida aposentadoria, mas o seu coração não estava nisso, o seu coração estava em Deus e nas coisas de Deus...

22. Onde está, meu irmão, o seu coração? Onde está o seu coração?

a.    É justamente aí que se encontra o que acima de tudo é precioso para você.

b.    Será Jesus Cristo precioso acima de tudo para você?

                                  i.    Você tem dado a ele o seu tempo, tempo que poderia usar para outras coisas como lazer, descanso?

                                ii.    Você tem dado a ele o seu talento? Qual é o seu talento? Está usando ou enterrando? Está usando pra quem?

                               iii.    Você tem dado a ele o seu dinheiro/bens?

1.    Se não, por que não? O que está lhe impedindo?

2.    Você pode ter diversas razões, mas será que elas são razões legítimas, aceitáveis diante de Deus?

23. Onde está o seu coração? No céu ou na terra?

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Muqui – Julho de 2013

 

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