EXPECTATIVA DO CÉU
Em o livro O Peregino, John Bunyan escreveu: “Para
Cristão, a expectativa do céu é o que o impulsiona a ter uma vida piedosa e de
serviço sacrificial”.
A frase expressa uma verdade profundamente bíblica: a
esperança do céu nos fortalece para viver a vida cristã com santidade,
perseverança e amor sacrificial.
Será que você e eu temos e vivemos verdadeiramente essa
expectativa?
Às vezes, em algum momento e por alguma razão, dizemos que temos,
mas a nossa maneira de viver é que mostra se ela é verdadeira ou não.
Então façamos um teste, analisando o seguinte:
1. A
expectativa do céu dá direção à vida presente – uma direção diferente da que o
mundo segue
O cristão não vive apenas olhando para o que está diante dos
seus olhos. Ele caminha tendo em vista a pátria celestial e não como quem vai “ficar
por aqui mesmo”. Em O Peregrino, Cristão atravessa dificuldades porque sabe que
sua jornada tem um destino: a Cidade Celestial.
Essa é também a perspectiva de Paulo: “Porque para mim
tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados
com a glória a ser revelada em nós.” Romanos 8.18. A esperança futura não
torna os sofrimentos pequenos, mas mostra que eles não terão a palavra final.
E aí? Passou nesse primeiro teste? Você vive com os olhos
voltados para o céu ou para a terra e, portanto, muito preocupado e ocupado com
as coisas da terra ao ponto de não ter tempo para as “coisas do céu”?
Vamos adiante no teste:
2. A
esperança do céu estimula uma vida piedosa
A frase não significa que o cristão deve viver bem apenas
para receber uma recompensa. A vida piedosa nasce do amor a Deus e da
transformação operada pelo Espírito Santo. Entretanto, a esperança da glória
alimenta esse desejo de santidade.
Paulo diz: “E todo o que nele tem esta esperança
purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” 1 João 3.3
Quem aguarda encontrar-se com Cristo deseja viver de modo
coerente com essa esperança. O céu não é apenas o lugar para onde vamos; é uma
realidade que já começa a transformar a maneira como vivemos “agora”.
Uma “dica”: se você já não tem tempo ou disposição mais para
um bom e substancioso “momento com Deus” onde você ora e lê a Palavra, e se não
tem tempo ou disposição mais para viver a “vida da igreja”- não uma
religiosidade sem vida, mas a vida da igreja –, e se para você não tem problema
cometer um ato de infidelidade a Deus em “benefício próprio na terra”, é hora
de acender a “luz de alerta”.
Passou no teste?
Então vamos a mais uma questão:
3. A
esperança do céu sustenta o serviço sacrificial
O cristão pode servir mesmo quando não recebe
reconhecimento, quando enfrenta oposição ou quando seus esforços parecem pouco
frutíferos. Por quê? Porque sabe que seu trabalho não é inútil diante do
Senhor.
É o que Paulo afirma: “Portanto, meus amados irmãos, sede
firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no
Senhor, o vosso trabalho não é vão.” 1 Coríntios 15.58
Observe a ligação: Paulo fala da ressurreição e, em seguida,
chama os crentes à perseverança. A esperança futura não produz acomodação, mas
firmeza e abundância no serviço.
Passou nesse também?
Então vamos à última questão, que é bem importante também:
4. O
céu nos ensina a servir sem transformar o serviço em um fim
Há um perigo até mesmo no trabalho cristão: podemos servir
tanto que nos esquecemos de para quem estamos servindo. A expectativa do céu
nos lembra que Cristo é o nosso verdadeiro tesouro.
O serviço sacrificial não é uma tentativa de comprar a
salvação. É a resposta de quem já foi alcançado pela graça e aguarda a
consumação dessa salvação.
“Porque a nossa pátria está nos céus, de onde também
aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” Filipenses 3.20
A pátria celestial nos dá uma identidade que não depende do
reconhecimento deste mundo. Por isso, podemos servir com humildade, perseverar
com paciência e sofrer sem perder a esperança.
Conclusão
Se você passou no “teste”. PARABÉNS! Continue assim e cresça
cada vez mais.
Mas se não passou, é hora de deixar tudo de lado e parar
para refletir seriamente sobre quem é você, em “que” e “quem” você crê e o que
você está fazendo.
A expectativa do céu não nos faz abandonar a terra, mas nos
ensina a viver nela com os olhos em Cristo, as mãos no serviço e o coração
cheio de esperança.
E uma última palavra para você que é cristão, mas talvez
esteja “cansado de servir”:
Essa frase do livro O Peregrino” fala especialmente ao
cristão que está cansado de servir. Àquele que talvez pense: “Tenho feito
tanto, mas parece que ninguém percebe.”
A esperança do céu nos lembra que o valor do nosso serviço
não depende da quantidade de aplausos que recebemos, mas da fidelidade daquele
a quem servimos.
Não servimos para que os homens nos vejam. Servimos porque
Cristo nos amou, porque pertencemos a Ele e porque aguardamos o dia em que
estaremos para sempre em sua presença.
Na graça, pela graça, dependente da graça...
Pr. Walmir Vigo Gonçalves
06 de setembro de 2026
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