quinta-feira, 24 de março de 2011

SE ME ABENÇOARES MUITÍSSIMO

SE ME ABENÇOARES MUITÍSSIMO

 

"E foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; e sua mãe chamou o seu nome Jabez, dizendo: Porquanto com dores o dei à luz. Porque Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Se me abençoares muitíssimo e meus termos amplificares, e a tua mão for comigo, e fizeres que do mal não seja aflito!… E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido." (1 Crônicas 4:9-10 RC)

 

1.    Hoje vamos pensar um pouquinho sobre bênçãos.

2.    O texto que lemos fala sobre um homem chamado Jabez. Alguém sabe quem foi esse homem?

3.    A única informação que temos dele é a que está aí no texto lido, e uma delas nos chama a atenção: Jabez foi um homem que invocou ao Senhor, e O invocou de forma tal que teve o seu pedido atendido.

4.    Agora notem que a primeira frase da oração desse homem, aí apresentada, foi: "se me abençoares muitíssimo".

5.    Não sei o que Jabez estava pensando, mas o que VOCÊ pensa sobre o que é ser abençoado muitíssimo?

6.    Vamos pensar um pouquinho sobre isso, pensando antes sobre alguns tipos de bênçãos.

 

I. Há bênçãos que são bênçãos apenas no nome

 

1.    São coisas que satisfazem os nossos desejos por um instante, mas terminam por decepcionar as nossas expectativas – pode ser um emprego ou uma atividade que nos renderia algum dinheiro. Quantas vezes não agradecemos por um emprego ou atividade que arranjamos e, não demorou muito, já começamos a pedir a Deus que nos arranjasse um outro.

2.    São coisas que fascinam os olhos, mas que não são agradáveis ao paladar – Me lembro de certa vez que fomos a um determinado hotel muito famoso em Foz, com o objetivo de falar alguma coisa por ocasião da comemoração de 81 anos de uma distinta senhora. Ficamos para o jantar. Havia uma espécie de creme que pareceu muito gostoso aos olhos de minha esposa, mas, quando à mesa ela levou o creme à boca, com aquela satisfação, que decepção! E pior, teve que comer tudo o que colocou no prato.

3.    E por aí vai... Bênçãos apenas no nome!

 

II. Há bênçãos que são temporárias

 

1.    São bênçãos, às vezes até excelentes, mas que, embora por algum tempo, satisfaçam aquele que as recebeu, se gastam com o tempo ou ficam para trás quando "partimos", e não podem, portanto, satisfazer os anseios mais elevados de nossa alma.

2.    Vejamos algumas dessas bênçãos:

a.    Dinheiro

                                  i.    Quem nessa vida não precisa de dinheiro?

                                ii.    É certo que encontramos alguns textos na Bíblia que nos ensinam a termos alguma precaução quanto ao dinheiro. Vejamos dois:

 

"Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.  Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." (1 Timóteo 6:7-10 RC)

 

"Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei." (Hebreus 13:5 RC); ou: "Não se deixem dominar pelo amor ao dinheiro e fiquem satisfeitos com o que vocês têm, pois Deus disse: "Eu nunca os deixarei e jamais os abandonarei"." (NTLH)

 

                               iii.    Mas notem que esses textos falam sobre o amor ao dinheiro, a busca desenfreada por riquezas, e não excluem as necessidades legítimas que temos.

                               iv.    Todos precisamos de dinheiro; pra quase tudo precisamos de dinheiro. Trabalhamos duro porque precisamos do dinheiro. Água, energia elétrica, alimentação, vestuário, moradia, remédios, estudo, e tantas outras coisas necessárias nos custam algum dinheiro. Até Jesus e os doze precisaram de dinheiro. Os apóstolos precisaram de dinheiro. Quem vive aqui nessa terra sem o dinheiro? Alguns podem até viver sem um dinheirinho próprio, mas sempre dependerão do que o dinheiro de alguém comprou e lhes foi ofertado. A igreja precisa de dinheiro...

                                v.    O dinheiro, se com ele sabemos lidar, dentro das devidas proporções é uma bênção, e uma bênção grande. Mas o dinheiro é uma dessas bênçãos temporárias. Ele nos traz alguma satisfação, mas essa é temporária, é "enquanto aqui", e ele não pode satisfazer os anseios mais elevados de nossa alma.

b.    Saúde física

                                  i.    Quem pode negar que ter saúde física é uma bênção, uma das maiores?

                                ii.    O valor da saúde não pode ser medido.

                               iii.    Que o diga aqueles que estão com falta dela!

                               iv.    Que maravilha, que bênção é estar bem de saúde!!!

                                v.    Se eu tenho saúde, meus ossos estão ajustados, meus músculos estão fortes, se eu mal conheço um mal-estar ou dor e posso me levantar de manhã com um passo ágil e ir ao trabalho, e deitar-me à noite e dormir bem, que bênção é!

                               vi.    Mas a saúde é uma bênção, de certa forma, passageira. Ela pode passar mais rápido do que imaginamos. Em um minuto ela pode me faltar. Algumas semanas podem reduzir a força de um homem a um esqueleto. O corpo pode minguar, a face empalidecer com a sombra da morte...

                              vii.    Ela pode passar enquanto ainda aqui, mas mesmo que não passe, de que ela nos valerá na eternidade? No inferno só haverá tormento e no céu não haverá enfermidade.

c.    Que bênçãos mais poderíamos citar e que são temporárias?

                                  i.    A bênção do lar – uma família constituída de esposo, esposa, pai, mãe, filhos, avós...

                                ii.    Coisas que facilitam nossa vida diária – um carro, uma moto, uma bicicleta, um computador, uma máquina de lavar roupas...

d.    Todas essas coisas, e muitas outras, são bênçãos; mas são bênçãos temporárias, são bênçãos, mas são para o aqui e o agora, são coisas que vão ficar para trás, são coisas que, algumas delas, têm o poder de nos trazer grande satisfação, mas que não têm o poder de satisfazer o anelo mais profundo de nossa alma, do qual às vezes demoramos para nos dar conta, ou nem nos damos conta.

 

III. Há bênçãos que são imaginárias

 

1.    Infelizmente há isso também, e como há!

2.    Em Lucas 18.10ss vemos sobre um homem do qual, se o víssemos, sem conhecê-lo de fato, talvez pensássemos ser ele a própria bênção em pessoa. E pior, acho que ele próprio se imaginava assim. Veja lá a história.

3.    Em Mateus 7.22-23 vemos sobre gente que talvez imaginássemos serem a própria bênção, e eles também; mas veja lá o que Jesus lhes dirá.

4.    Uma outra bênção imaginária é aquela que é baseada em pressuposições.

a.    Tem muita gente, por exemplo, que pressupõe que irá habitar o céu na eternidade.

                                  i.    Alguns porque acham que, no final das contas, Deus não vai cumprir o que disse em Sua Palavra acerca da perdição, e vai salvar todo mundo;

                                ii.    Outros porque estão confiantes nos seus méritos pessoais;

                               iii.    Outros porque são membros de uma determinada igreja...

                               iv.    Mas a verdade é que a habitação celestial é para aqueles que, de fato, de coração, crêem em Cristo. Crêem que Ele é o Filho de Deus, o Messias prometido, o Salvador, que ele é o Deus que se fez carne, habitou entre nós, morreu na cruz e ressuscitou ao terceiro dia, tendo ele vindo para isso mesmo. Crêem assim e entregam, então, a sua vida aos cuidados e direção desse Jesus.

                                v.    Qualquer pessoa que pensa ser abençoado com a benção de possuir os céus por herança, mas que não têm essa fé que a Bíblia apresenta como necessária, sua bênção é apenas imaginária.

 

IV. E há bênçãos que, daqueles que com elas foram, são e forem abençoados, podemos dizer que foram, são e serão "abençoados muitíssimo"

 

1.    Nas palavras de Spurgeon:

 

"Somos abençoados muitíssimo quando tais bênçãos vêm de mãos marcadas pelos cravos; bênçãos que vêm da árvore sangrenta do Calvário, escorrendo da ferida no tórax do Salvador - seu perdão, sua aceitação, sua vida espiritual... a unidade com Cristo, e tudo o que vem disso - assim serei abençoado muitíssimo. Toda bênção que vem como resultado do trabalho do Espírito em nossa alma nos abençoa muitíssimo; apesar de te humilhar, apesar de te desnudar, apesar de te matar, serás abençoado muitíssimo. Apesar do arado passar muitas vezes sobre tua alma, e a patrola cortar seu coração; apesar de você ser mutilado e ferido, e deixado para morrer, se o Espírito de Deus o fizer, serás abençoado muitíssimo. Se ele te convenceu do pecado, da justiça e do juízo, mesmo que até agora ele não o tenha levado a Cristo, você será abençoado muitíssimo. As riquezas talvez não o façam. Talvez haja uma parede de ouro entre você e Deus. Saúde não o fará: mesmo a força e tutano de seus ossos podem mantê-lo distante de seu Deus. Mas tudo o que o atraia a Deus, o abençoará muitíssimo. E se uma cruz o levantar? Se o levantar até Deus, você será abençoado muitíssimo. Tudo o que alcançar a eternidade, com uma preparação para o mundo que há de vir, tudo o que pudermos carregar ao atravessar o rio, a alegria santa que vai brotar daqueles campos além da enchente, o amor sem nuvens dos irmãos que será a atmosfera de verdade para sempre - tudo o que tem a flecha eterna - a marca eterna - te abençoará muitíssimo. E tudo o que me ajudar a glorificar a Deus me abençoará muitíssimo. Se eu estiver doente, e isto me ajudar a louvar a Deus, serei abençoado muitíssimo. Se eu for pobre, e puder servir a Ele melhor na pobreza do que na riqueza, serei abençoado muitíssimo. Se eu for desprezado, me regozijarei neste dia e darei pulos de alegria, pois é por Cristo - serei abençoado muitíssimo. Sim, minha fé destitui o disfarce, remove a máscara da clara face da bênção, e computa tudo isto como alegria, como tribulações pelo amor de Jesus e a recompensa que ele prometeu..."

 

2.    Abençoado muitíssimo é aquele que recebe a Cristo e a quem Cristo recebe.

 

Concluindo

 

1.    Não nos contentemos, amados, em simplesmente sermos abençoados. Vejamos se as bênçãos abençoam muitíssimo, e não fiquemos satisfeitos a menos que saibamos que elas vêm de Deus.

2.    "Pesemos". Esta deve ser a próxima coisa. Tudo o que tivermos, pesemos numa balança, e certifiquemo-nos se somos abençoados muitíssimo, conferindo se esta graça produz em nós amor abundante, e abundância de boas palavras e boas obras.

3.    E, finalmente, "Oremos". Oremos para que qualquer coisa que Deus nos dê ou não permita que tenhamos seja para nos abençoar muitíssimo.

 

Adaptado de "A Oração de Jabez" – (The Prayer of Jabez) – Um Sermão (Nº 0994) pregado pelo Reverendo C. H. Spurgeon No Metropolitan Tabernacle, Newington– Inglaterra

sexta-feira, 11 de março de 2011

O QUE VALE MAIS

O QUE VALE MAIS

 

"E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse: Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que se não deixará pedra sobre pedra que não seja derribada" (Lc. 21:5-6)

 

Nossa reflexão de hoje a tiramos da afirmativa de Jesus em referência à destruição do templo de Jerusalém.

Algumas pessoas estavam falando a respeito do templo, de como ele estava ornado de formosas pedras e dádivas. Exaltavam o templo por causa de sua beleza exterior; admiravam seu tamanho, grandeza arquitetônica e riquíssima decoração. E isso é muito natural. Não é assim que também nos comportamos quando vamos a determinados lugares? A Itaipu, por exemplo, quão magnífica é aquela obra!

Entretanto, as pessoas que falavam com Jesus sobre o templo não receberam nenhuma resposta positiva. O que foi que Jesus disse? Em momento algum ele pareceu comungar da mesma admiração daquelas pessoas, mas disse simplesmente que não ficaria pedra sobre pedra; tudo seria derrubado, e o foi, daí a mais alguns anos.

É difícil imaginar o quão estranhas e alarmantes essas palavras soaram aos ouvidos dos judeus. Afinal, foram proferidas a respeito de uma construção que eles reverenciavam com veneração idólatra. Era um edifício que continha a arca da aliança, o Santo dos Santos e a mobília simbólica, feita de acordo com o modelo apresentado pelo próprio Deus (Veja em êxodo, a partir do capítulo 25). Foram proferidas a respeito de uma construção associada aos nomes mais proeminentes da história deles – Davi, Salomão, Ezequias, Josias, Isaías, Jeremias, Esdras e Neemias. Foram proferidas a respeito de uma construção em direção a qual todo judeu piedoso curvava sua fronte, em qualquer lugar do mundo, quando apresentava suas orações diárias – Veja 1 Reis 8.44 e Daniel 6.10.

No entanto, tais palavras foram ditas com sabedoria. Tinham, certamente, como um dos propósitos, o de ensinar que a verdadeira glória de um lugar de adoração não consiste em beleza externa.

A beleza externa, é óbvio, tem a sua importância. Já pensou se todas as janelas do templo em que cultuamos juntos a Deus estivessem quebradas, as paredes todas riscadas e sujas...? Seria ruim, não é? Certamente que logo daríamos um jeito de arrumar tudo. Mas o que é mais importante, e o que mais conta para o Senhor, é se há nesse lugar verdadeira adoração espiritual.

Sem dúvida, é adequado e correto que os edifícios separados para adoração a Cristo sejam dignos do propósito para o qual são utilizados. Tudo o que fazemos para Cristo deve ser bem feito. No prédio em que o evangelho é proclamado, a Palavra de Deus é exposta e orações são dirigidas a Deus, não deve faltar nada que possamos adquirir para que o torne mais agradável. Porém, devemos sempre lembrar que o aspecto material de uma igreja cristã é o menos importante. Tudo isso será sem valor aos olhos de Deus a menos que a verdade esteja sendo proclamada do púlpito e a graça de Deus reine no coração dos que ali se reúnem.

O templo com o qual o Senhor Jesus mais se deleita é um coração quebrantado, contrito e regenerado pelo Espírito Santo. Isso é o que tem mais valor.

 

Adaptado por Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Fonte: Meditações no Evangelho de Lucas – J. C. Ryle

 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

UM DIA A CASA CAI

 

UM DIA A CASA CAI

 

Leia Mateus 7.24-27

A história é conhecida de muitos cristãos e foi contada inicialmente por Jesus. O ensinamento final é de que aquele que ouve e põe em prática o que o Senhor ensinou é como um homem que construiu sua casa sobre a rocha – nenhuma tempestade poderá destruí-la. Entretanto, levar a vida na contramão da vontade do Senhor, isto é, ouvir a Palavra de Deus e não praticá-la é como quem constrói sua casa sobre o terreno arenoso. O Senhor é claríssimo: "Todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína." (Mt. 7:26-27).

Ler esse texto com um certo romantismo torna o ensinamento de Jesus distante da realidade. A leitura que fazemos é, geralmente, em nosso favor. Sempre imaginamos nossa casa sobre a rocha; os outros é que edificam suas casas na areia. Afinal, estamos semanalmente no templo (quando estamos) e somos membros de uma boa igreja, pensamos.

O que é construir uma casa sobre a areia? Eis apenas alguns exemplos, apenas para nos fazerem lembrar que nem sempre nossa casa está em terreno firme:

 

1.    Construir uma casa na areia é fugir sempre dos problemas e nunca enfrentá-los; antes, ser mestre em contorná-los, com o objetivo maior de sempre manter sua paz pessoal, ainda que custe grandes guerras e conflitos na vida dos outros;

2.    Construir a casa na areia significa ser um assíduo freqüentador de igrejas aos domingos, mas, durante a semana, viver uma vida totalmente em desacordo com a Palavra de Deus, dando um muito ruim testemunho;

3.    Construir a casa na areia é viver para julgar os outros e não se avaliar pessoalmente diante da Palavra;

4.    Construir a casa na areia é contar vantagem do que não se fez e não confessar o que de mal se fez;

5.    Construir a casa na areia é viver de aparências e deixar que a vaidade domine o pensamento a ponto de se valorizar mais o que se tem, do que o que se é, porque o que se é realmente é muito pequeno.

6.    Construir a casa na areia, enfim, é fazer tudo o que o Senhor não quer que se faça e deixar de fazer tudo o que Ele intenta que se faça: é ouvir Suas palavras e não as praticar.

 

O caminho entre um cristão e um fariseu é muito curto. Facilmente podemos tornar-nos um fariseu da melhor qualidade e um cristão da pior. Não é sem razão que na história do cristianismo muitos que começaram bem sua caminhada com Cristo vão se distanciando gradativamente até não se reconhecer neles um cristão, mas um fariseu cínico com Deus e sua igreja; tornaram-se "sepulcros caiados" cuja aparência é alva, mas seu interior podre.

É preciso fundamentar a vida pessoal, a casa, sobre a rocha segura, a Palavra de Deus, pois não há outra maneira de ficar de pé, quando vier a tempestade. (Mt. 7:24-25). Agir de outra maneira é brincar de ser crente, é não levar Deus a sério, é duvidar de Seu juízo, é construir o fundamento da vida sobre areia. Por um bom tempo a casa poderá ficar de pé, mas um dia, disse Jesus, ela cai.

     

"Adaptado de um artigo de Samuel Costa"

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ESTAR SEMPRE NO TEMPLO

ESTAR SEMPRE NO TEMPLO

 

01. Leia Lucas 24.53.

02. Esse texto fala sobre a atitude dos discípulos imediatamente após a ascensão de Jesus. Eles "estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus".

03. Atitude interessante e importante esta, mas que, infelizmente, tem sido perdida no decorrer dos anos.

04. Muitos crentes não estão mais preocupados em estar sempre no templo unidos a outros irmãos em adoração a Deus e no aprendizado de Sua Palavra.

05. Muitos há que já nem sentem mais falta de estar na igreja.

06. Achei a seguinte história no e-book de sermões e ilustrações do Pr. Walter Pacheco, o qual me tem sido muito precioso no que respeita a histórias ilustrativas:

 

Foi muito interessante o que uma senhora disse ao doutor, seu médico. Ela estava enferma e após ter-se consultado e sido medicada, seu médico, com a receita de remédios na mão, lhe disse: "Agora por seis meses, repouso absoluto. Não saia de casa". A senhora não concordou e disse ao médico: "Pois, é, eu sou crente. Como é que vai ser? E a minha igreja, doutor?" "Ora", protestou o médico, "a igreja pode passar muito bem sem a senhora". "Sim, eu sei", retrucou a mulher, "eu é que não posso passar muito bem sem a minha igreja"!

 

07. A história é boa, mas quero fazer uma observação em nome da nossa igreja: a igreja conseguirá sobreviver sem a sua presença, mas ela não deseja isso, ela quer você presente. AMÉM?

08. Vamos agora a algumas considerações:

 

I. O significado de "sempre".

 

01. Qual o significado de "sempre"?

02. Literalmente o termo "sempre" significa 'em todo o tempo', 'ininterruptamente', o que poderia nos levar a pensar que eles permaneciam no templo vinte e quatro horas por dia, todos os dias.

03. Entretanto sabemos que na língua portuguesa nem sempre fazemos uso dos termos em seu sentido absolutamente literal, e este é, certamente, um caso.

04. Sempre pode significar, e certamente é o caso aqui, todas as vezes em que a igreja ali se reunia, sendo não poucas estas vezes, no decorrer da semana.

05. No nosso caso seria o equivalente a dizer que em todas as semanas do ano às quintas-feiras e nos Domingos de manhã e à noite, nos horários designados, todos os irmãos, com poucas exceções (por força de enfermidade, estudo, trabalho...) no nosso caso, estão presentes no templo.

06. Cabe ainda observar que "sempre" também não exclui a possibilidade de uma vez ou outra alguém ter uma necessidade real e muito forte de não se fazer presente; mas tal necessidade certamente era (é), e deveria (deve) continuar sendo, sempre uma exceção, e não tão freqüente, acabando por se tornar a regra ao invés da exceção.

07. Visto isso, passemos à nossa segunda consideração:

 

II. Estar "sempre" no templo é dever de TODO crente

 

01. O texto não diz que depois que Jesus ascendeu aos céus e que eles voltaram jubilosos para Jerusalém, ALGUNS passaram a se reunir no templo. Não! O texto diz simplesmente que eles, e isso nos leva a crer que todos eles, estavam sempre no templo.

02. Cabe observar aqui que o importante não é o templo em si, mas o fato de estarem todos juntos em torno de um objetivo comum.

a.    Poderia ser numa casa;

b.    poderia ser embaixo de uma lona;

c.    poderia ser embaixo de uma árvore;

d.    poderia ser num lugar qualquer.

e.    Mas, como existe o templo, e nós temos um templo onde reunir, e temos outras construções ao redor do templo que facilitam e tornam agradáveis as reuniões, e se nós gostamos do templo e o elegemos como o nosso lugar oficial de reunião, então é aí que devemos estar nos dias marcados, não pelo templo em si, mas por causa de quem vai estar presente e por causa do que vai acontecer ali. E tal presença não é dever só de alguns, mas de TODOS os crentes.

03. Vamos à terceira consideração:

           

III. É da vontade de Jesus que o crente esteja sempre no templo, reunido com a igreja e como igreja.

 

01. Isso é facilmente verificável!

02. Constantemente vemos, no Novo Testamento, a igreja reunida. Vemos no Novo Testamento que havia organização, havia liderança, havia envio de pessoas que pudessem ajudar inicialmente outros em outras localidades que haviam se convertido, havia o comissionamento de pessoas que pudessem atuar como ministros do evangelho. Havia, então, inicialmente em Jerusalém e depois em muitas outras localidades, uma igreja reunida. Entenderam os apóstolos que essa era a vontade de Jesus e ensinaram isso aos que iam se convertendo.

03. Veja o que diz Hebreus 10:25: "Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima"

04. Na versão na linguagem de hoje: "Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que o dia está chegando".

05. A quarta consideração é a seguinte:

 

IV. O objetivo de se estar sempre no templo

 

01. Qual é o objetivo?

02. O texto diz que no templo eles, juntos, louvavam e bendiziam a Deus.

03. Não é isso que fazemos juntos no templo?

04. Mas podemos pensar um pouco mais, e chegaremos à conclusão de que, o objetivo de estarmos sempre no templo, significando isso que estamos unidos, reunidos em torno de um objetivo comum, interessados de fato nesse objetivo, é trabalhar fundamentados nos propósitos de Deus para a igreja, que são (podemos concordar com Rick Warren nesse ponto, ainda que não concordemos em muitos outros): adoração, evangelização, discipulado, comunhão e ministério.

05. Devemos estar unidos na adoração a Deus, na evangelização dos perdidos, para discipularmos e sermos discipulados, para servirmos uns aos outros e para, de fato, vivermos em comunhão uns com os outros.

06. E a nossa última consideração é:

 

V. O que tem lhe impedido?

 

01. Bem, esta é uma resposta que cabe a você se dar, se é que você se encaixa no quadro daqueles cuja regra é a ausência ao invés da presença.

02. Qual é o seu motivo?

03. E mais: o seu motivo é, de fato, um motivo real?

04. Há motivos que não o são, de fato; são apenas "desculpas". O pastor "engole" e os demais irmãos também; o pastor não fica investigando nada, e creio que os demais irmãos também não. Mas temos que entender de uma vez por todas que de Deus nada se esconde. Toda a verdade está nua e patente aos olhos daquele a quem teremos de prestar contas. Não será ao pastor ou à igreja que você terá que prestar contas; será àquele que tudo sabe e tudo vê.

 

Conclusão

 

01. Estas são algumas considerações que já há algum tempo esbocei, mas as deixei guardadas em meu computador. Hoje, entretanto, trago-as para os irmãos, a título de reflexão.

02. É nosso dever e é da vontade de Deus estarmos sempre reunidos como igreja;

03. Deus tem propósitos grandiosos para a igreja local, mas a realização de tais propósitos depende de a igreja assumir o fato de que ela é uma igreja com uma missão a cumprir e depende de cada um de nós assumir a sua parte nessa missão.

04. O meu desafio hoje é que os irmãos assumam, reassumam, fortaleçam o compromisso. Estejam sempre presentes! Presentes nas reuniões da igreja e presentes na vida da igreja.

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ORAÇÃO

ORAÇÃO

 

 

A importância da oração:

1) Como demonstração de dependência de Deus,

2) Como demonstração de devoção e

3) Como geradora de alegria mesmo em meio às dificuldades

 

 

1.    Leitura inicial: 1º. Tessalonicenses 5.17

2.    A oração ocupa um lugar de muita importância na vida do crente. Alguém já disse acertadamente que "Satanás treme quando vê o mais fraco santo de joelhos".

3.    No texto sugerido como leitura inicial, Paulo orienta: "Orai sem cessar".

4.    Em Efésios 6.18, depois de orientar-nos a nos equiparmos com toda a armadura de Deus, Paulo diz que isso deve ser feito "orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica...".

5.    Em Lucas 18 Jesus conta uma parábola para enfatizar o dever de orarmos sempre e nunca esmorecermos.

6.    Vemos exemplos de vida de oração em muitos servos de Deus na Bíblia e na vida do próprio Cristo.

7.    Há muitos Salmos que são orações, onde o salmista pede perdão, comunhão com Deus, santificação, proteção em meio aos perigos, onde ele expressa o seu louvor a Deus, etc.

8.    São muitos os ensinamentos e exemplos bíblicos.

9.    Certo homem contou esta história: "Quando eu era menino muitas vezes ouvi a história de um alfaiate que obteve grande sucesso em sua carreira, de maneira que veio a ser admirado, e até invejado, por muitos. / Já bem velhinho ele sentiu o desejo de beneficiar alguns de seus colegas de ofício, e, para tanto, mandou anunciar-lhes que a tal dia e a tal hora iria pronunciar o segredo de seu sucesso. / No dia e hora marcados muitos alfaiates compareceram para conhecer o grande segredo. Ficaram todos em silêncio, e o velho alfaiate, com a voz já bem fraca, pronunciou uma curta frase: 'sempre dêem nó na linha'."

10. Amados, a oração é um dos mais importantes "nós" na linha da vida cristã que garantem o seu sucesso. Portanto, orem! Orem sem cessar!

11. Bem, vamos pensar então nos três pontos propostos inicialmente e que enfatizam a importância da oração.

 

I. A oração a Deus é importante, dentre outras coisas, porque constitui-se em um cultivo do senso de dependência desse mesmo Deus.

           

1.    TODOS SOMOS DEPENDENTES DE DEUS!!! Até mesmo aqueles que não reconhecem tal dependência ou nem mesmo crêem que exista Deus, dependem do Deus que nós sabemos existir.

2.    Tomás de Aquino, filósofo cristão que viveu entre 1225 e 1274, na era medieval, escreveu um trabalho intitulado Summa Theologica, e, nesse trabalho ele aponta cinco argumentos em prol da existência de Deus. Um deles consiste do fato de que toda causa tem um causador, ou seja, todo movimento depende de um movimentador, toda modificação depende de um modificador. Não há nada neste mundo que seja uma causa eficiente em si mesma. Por exemplo, este púlpito não causou a si mesmo; ele dependeu de um causador. Se ele tivesse causado a si mesmo, seria anterior a ele próprio, o que sabemos ser impossível. Tudo o que existe dependeu, para sua existência, de algo anterior a ele mesmo. E se formos retrocedendo o nosso pensamento, teremos que chegar à conclusão de que deve ter havido uma causa primária eficiente e, é óbvio, inteligente, que não foi causada por nenhum outro causador, que é simplesmente auto-existente e eterna. "A esse ser chamamos Deus" – Dizia Aquino.

3.    Então, Deus é a causa de todas as coisas e não é causado por ninguém, isto é, Ele é o Criador de tudo, sendo Ele mesmo, entretanto, incriado, auto-existente. Se Ele pudesse ser suprimido, todas as coisas simplesmente deixariam de existir, pois Ele continua sendo a causa de todas as leis que garantem a existência. E, então, mesmo que alguns não creiam, ainda assim são dependentes desse Deus.

4.    Nós, quando oramos, estamos reconhecendo que somos dependentes de Deus, e, no caso, não só nas coisas mais gerais, porém também nas mais pessoais. Nós que cremos em Deus não somos dependentes d'Ele somente pelo fato de Ele ser o Causador de tudo, mas por Ele ser o nosso Pai.

5.    Adam Clarke escreveu: "Dependeis de Deus em cada bem; sem Ele nada podeis fazer; senti a vossa dependência a todos os instantes e sempre vos encontrareis no espírito de oração; e aqueles que sentirem essa atitude, tão freqüentemente quanto for possível, serão encontrados no exercício da oração" (Extraído de O N. T. Interp. Vers. Por Vers., volume 5, p. 218)

6.    Denny, na mesma obra citada acima, diz: "... essa forte consciência de dependência de Deus torna-se algo bem presente somente quando nos apresentamos a Ele, em cada uma de nossas necessidades..."

7.    Muitos de nós reconhecemos nossa dependência de Deus, mas a negamos na prática quando não cultivamos uma vida de oração.

8.    Todas as pessoas que foram tremendamente usadas por Deus foram pessoas que tiveram uma vida de oração.

 

II. A Devoção deve constituir-se em a principal ocupação na vida do Crente, e a oração sem cessar é importante justamente por propicia isso, dentre outras coisas.

 

1.    Qual o significado de devoção?

2.    Devoção significa dedicação, consagração, tributação, destinação.

3.    E, no caso, como ato de adoração, nós nos devotamos a Deus, isto é, nós dedicamos, consagramos, tributamos, destinamos a Ele todo o nosso ser.

4.    A oração incessante propicia essa entrega.

5.    Orar sem cessar significa viver em espírito de oração

a.    consultando sempre a Deus na hora das decisões para saber a vontade dEle, já que dEle somos;

b.    clamando a Deus nas horas difíceis

c.    e agradecendo-Lhe  pelas respostas,

d.    coisas essas que podem ser expressas com ou sem palavras.

6.    Esse hábito com certeza nos levará a sermos mais dedicados, consagrados, devotos a Deus.

 

III. A Oração é importante também por ser geradora de alegria constante mesmo em meio às dificuldades.

 

1.    Geradora talvez não seja a Palavra correta – talvez distribuidora ou propagadora ou talvez ainda uma espécie de fertilizante. Mas não importa, creio que todos hão de entender o que estou querendo dizer.

2.    Quem nunca experimentou a paz de espírito depois de um momento passado em oração, dedicando-se a Deus e colocando diante dele as dificuldades? Eu já... algumas vezes.

3.    Veja o que diz Filipenses 4.6-7:

a.    Versão RC – "Não estejais inquietos por coisa alguma: antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus."

 

b.    Versão RA – "Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus."

 

4.    Quando nossa mente e coração estiverem guardados pela paz de Cristo, que excede todo o entendimento, não haveremos de estar constantemente alegres?

 

Conclusão

           

1.    Quando oramos demonstramos que não só somos como nos reconhecemos dependentes de Deus;

2.    Quando oramos demonstramos que somos devotos, consagrados a Deus;

3.    E quando oramos a paz de Deus guarda nosso coração e nossa mente e a alegria surge e se desenvolve nesse ambiente.

4.    Concluo então essa reflexão relembrando o conselho do alfaiate da história que contei no início: "Sempre dêem o nó na linha!"

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

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