ECLESIASTES 11.9-12.7
Texto poético:
“QUANDO O TEMPO SUSSURRA O NOME DE DEUS”
Alegra-te, ó jovem,
como quem corre livre pelos campos da vida,
como quem sente o vento no rosto
e acredita que o amanhã nunca chegará.
Segue o impulso do coração,
deixa teus olhos brilharem
com as cores intensas do agora,
mas não te esqueças:
há um olhar eterno que te vê.
Há passos que ecoam além do instante,
há escolhas que atravessam o tempo
e repousam diante do trono invisível.
Por isso, limpa o peito das sombras,
afasta das mãos o que fere a alma,
porque a juventude...
ah, a juventude é como a neblina da manhã,
bela, leve, mas logo se dissipa.
Lembra-te do teu Criador
enquanto o sol ainda aquece teus dias,
antes que venham as tardes cinzentas
e os anos digam em silêncio:
“já não há prazer”.
Antes que a luz se torne suave demais,
e os olhos, outrora vivos,
cansem de contemplar o mundo.
Quando os braços já não sustentarem
o peso da própria história,
e os joelhos aprenderem a linguagem do tremor,
quando a voz se fizer baixa
e o riso mais raro;
quando até o cantar dos pássaros
parecer distante demais,
lembra-te...
Antes que as portas se fechem devagar,
e a vida, como um fio de prata,
se estique até quase romper.
Porque haverá um dia
em que o pó retornará à terra,
em que o sopro voltará Àquele que o deu,
e tudo o que restará
será o eco do que fomos diante dEle.
Então, vive,
mas vive com os olhos no eterno.
Corre,
mas na direção do Criador.
Alegra-te,
mas sem esquecer
que o tempo sussurra,
a cada instante,
o nome de Deus.
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