A IGREJA NÃO MORRE POR PERSEGUIÇÃO...
MAS UMA IGREJA LOCAL PODE MORRER POR ACOMODAÇÃO
Eu nunca vi uma igreja morrer por perseguição. Você já
viu ou ouviu falar?
Até escuto, por coincidência, enquanto trabalho nesse
texto, irmã Mirna na sala ao lado citando a frase do historiador que disse, no
passado, num período de intensa perseguição, que “o sangue dos mártires é
o adubo dos cristãos”.
Mas existem igrejas que morrem por acomodação.
Heresia também, mas a acomodação é ainda mais perigosa.
A perseguição vem de fora.
A heresia corrompe a verdade por dentro.
Porém, a acomodação é ainda mais perigosa porque muitas
vezes passa despercebida.
Ela não faz barulho.
Não provoca escândalos imediatos.
Não produz necessariamente divisões visíveis.
Simplesmente vai enfraquecendo a igreja aos poucos, até
que sua vida espiritual se torne apenas uma sombra do que já foi.
Uma igreja acomodada continua realizando cultos.
Continua tendo membros.
Continua mantendo sua estrutura organizacional.
Continua abrindo as portas semanalmente.
Entretanto, algo essencial foi perdido: a consciência de
que estamos em uma batalha espiritual e de que fomos chamados para viver para a
glória de Deus.
O problema da acomodação espiritual é que ela cria a
ilusão de normalidade.
As pessoas continuam frequentando a igreja – alguns com
mais falhas do que presença –, mas sem verdadeiro envolvimento.
Continuam ouvindo sermões, mas sem permitir que a Palavra
transforme suas vidas.
Continuam falando sobre Deus, mas cada vez menos falam
com Deus em oração.
Continuam desejando bênçãos, mas demonstram pouco
interesse em obedecer.
Foi exatamente esse cenário que o profeta Ageu encontrou
em seus dias.
O povo havia retornado do exílio.
O templo deveria ser reconstruído.
A obra de Deus deveria ser prioridade.
Contudo, os anos passaram, e cada um começou a cuidar dos
próprios interesses.
A casa de Deus permanecia abandonada enquanto as casas
particulares recebiam atenção.
Então veio a palavra do Senhor:
“Considerai os vossos caminhos.” (Ageu 1.5)
Essa exortação continua extremamente necessária para a
igreja atual.
Precisamos considerar nossos caminhos quando o culto de
oração se torna cada vez mais vazio.
Precisamos considerar nossos caminhos quando o ensino
bíblico é tratado como algo opcional.
Precisamos considerar nossos caminhos quando quase não há
disposição para evangelizar.
Precisamos considerar nossos caminhos quando poucos
sustentam a obra de Deus com fidelidade.
Precisamos considerar nossos caminhos quando líderes e
membros encontram facilidade para faltar aos compromissos espirituais, mas
dificuldade para abrir mão de atividades pessoais.
Precisamos considerar nossos caminhos quando pais desejam
que seus filhos sejam abençoados, e os trazem para “receber uma oração” depois
de alguns dias de nascidos, mas não assumem a responsabilidade de criá-los na
disciplina e admoestação do Senhor.
Há também um perigo crescente quando os cristãos começam
a brincar com práticas e ambientes que, mesmo não sendo pecaminosos em todos os
seus aspectos, podem servir de tropeço para outros irmãos e enfraquecer o
testemunho da igreja.
A Escritura não nos chama apenas a perguntar se tal
pratica ou frequentar tal ambiente é pecado.
Ela nos ensina a perguntar também se isso glorifica a
Deus, se edifica os irmãos, se fortalece o testemunho, se contribui para a
santidade.
Uma igreja espiritualmente desperta não vive buscando os
limites mínimos da obediência. Ela procura agradar ao Senhor em tudo.
Talvez um dos sinais mais preocupantes da acomodação seja
quando as pessoas passam a enxergar a igreja apenas como um lugar onde recebem
algo.
Recebem oração.
Recebem aconselhamento.
Recebem ensino.
Recebem apoio.
Recebem cuidado.
Mas esquecem que também foram chamadas para servir,
contribuir, participar, ensinar, evangelizar, discipular e carregar
responsabilidades.
A igreja local não é um evento semanal.
A igreja local é uma comunidade de discípulos
comprometidos com Cristo.
Por isso, antes de perguntarmos o que a igreja pode fazer
por nós, devemos perguntar o que temos feito pela igreja que Cristo comprou com
Seu próprio sangue.
O despertamento espiritual não começa quando surgem novos
programas.
Não começa quando chega um novo pastor.
Não começa quando aparece uma nova estratégia.
O despertamento começa quando o povo de Deus se arrepende
de sua negligência e volta a obedecer ao Senhor.
Foi isso que aconteceu nos dias de Ageu.
Quando o povo ouviu a voz de Deus e retomou a obra, o
Senhor declarou:
“Eu sou convosco.” (Ageu 1.13)
Essa continua sendo a grande necessidade da igreja
contemporânea.
Mais do que métodos, precisamos da presença de Deus.
Mais do que entretenimento, precisamos de arrependimento.
Mais do que movimento, precisamos de transformação.
Mais do que atividades, precisamos de compromisso.
A hora é de despertar.
A hora é de examinar nossos caminhos.
A hora é de abandonar a indiferença espiritual.
A hora é de voltar a colocar Deus no centro de nossas
prioridades.
Que não sejamos uma geração que assistiu passivamente ao
enfraquecimento da igreja.
Que sejamos uma geração que ouviu a voz de Deus,
despertou do sono espiritual e respondeu com fé, temor e obediência.
“E digo isto, conhecendo o tempo, que já é hora de
despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do
que quando aceitamos a fé.” (Romanos 13.11)
Na graça, com amor e por amor à igreja,
Pr. Walmir Vigo Gonçalves
P.S.:
O perigo de transferir culpa
Quando uma igreja atravessa períodos difíceis, surge uma
tentação muito comum: encontrar um responsável humano para todos os problemas.
Alguns culpam o pastor.
Outros culpam a liderança.
Outros culpam as circunstâncias.
Outros culpam as gerações mais jovens.
Mas a orientação bíblica continua sendo:
“Considerai os VOSSOS caminhos.”
Antes de apontar para os outros, precisamos olhar para
nós mesmos.
EU tenho sido fiel na oração?
EU tenho sido fiel na adoração?
EU tenho sido fiel na contribuição?
EU tenho sido fiel no evangelismo?
EU tenho sido fiel no ensino dos meus filhos?
EU tenho sido fiel nos compromissos da igreja?
EU tenho sido exemplo de santidade?
Avivamento não começa quando encontramos culpados.
Avivamento começa quando encontramos arrependimento.
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