domingo, 16 de dezembro de 2012

Estudos no Sermão do Monte / parte 14 – A LETRA E O ESPÍRITO


A LETRA E O ESPÍRITO

 

Este texto, apenas um guia para falar à minha igreja sobre este assunto, tem como fonte Estudos no Sermão do Monte, de Martyn Lloyd-Jones. Trata-se de um resumo da parte que fala sobre a letra e o espírito, mesclado com algum comentário meu.

 

01. Chegamos a uma parte do Sermão do Monte em que Jesus vai fazer declarações acerca da lei usando a fórmula “ouvistes o que foi dito... eu, porém vos digo...”.

02. Em outras palavras, Jesus está dizendo: “esta é a pregação que vocês têm ouvido nas Sinagogas quando ali buscam instrução Bíblica, mas EU vos digo...”. E então Jesus passa a ensinar que aquilo que os Escribas e Fariseus diziam não era exatamente o que a Lei realmente ensinava.

03. Leiamos, então, Mateus 5.21-48

04. Ora, amados, em todos os tempos, nessa questão de distorção do texto sagrado, os homens continuam os mesmos, e hoje não é diferente. Por “boas” ou “más” intenções ou por falta de compreensão (que pode ser fruto de relaxamento no estudo), nós podemos facilmente distorcer o texto bíblico. Temos que cuidar para não fazermos isso e temos que cuidar para não sermos enganados por aqueles que isso fazem.

a.    Um clássico exemplo de texto ampla e constantemente distorcido é o de Filipenses 4.13...

05. Para o que esse ensino de Jesus, com os exemplos que foram dados e da forma como foi feito, abre os nossos olhos? Façamos algumas considerações:

 

I. Abre os nossos olhos para o fato de que o espírito da lei importa mais que a letra da lei.

 

01. Por exemplo, na questão do homicídio, observando-se simplesmente a letra da lei, enquanto não se assassina uma pessoa, a lei está sendo cumprida. Este era o entendimento dos Escribas e Fariseus, mas Jesus, dando ênfase ao espírito da lei, vai ensinar que, na verdade, toda a nossa atitude para com o próximo deve ser correta e amorosa.

02. A letra da lei obviamente tem a sua importância, mas ao espírito da lei deve ser dado o lugar de proeminência.

 

II. Abre os nossos olhos para o fato de que a conformidade à lei não deve ser concebida apenas em termos de ações.

 

01. Os pensamentos, os desejos e os motivos, isto é, aquilo que provoca as ações, são igualmente importantes. O ato tem importância, mas ele não é o único elemento importante. A condição íntima, a atitude do coração é constantemente observada.

02. Temos aqui, meus amados irmãos, um grande princípio válido para muito daquilo que a gente faz ou deixa de fazer. Por exemplo, no capítulo 6, vamos encontrar Jesus falando sobre esmola, oração e Jejum que são praticados, mas que “não chegam a Deus” por causa da motivação.

03. Às vezes a gente faz aquilo que a Palavra de Deus orienta com a motivação correta, e isso é muito bom. Às vezes a gente faz aquilo que a Palavra de Deus orienta, mas com a motivação errada, e isso não é bom. E às vezes a gente não faz como ato visível aos homens algo que Deus em Sua Palavra nos orienta a não fazer, mas faz como ato invisível aos homens, porém visível a Deus...

 

III. Abre os nossos olhos para o fato de que devemos conceber a lei também positivamente e não apenas negativamente.

 

01. Nas palavras de Lloyd-Jones:

 

O propósito final da lei não é meramente o de impedir que pratiquemos certos erros; seu objetivo real é conduzir-nos por um caminho positivo, a fim de que não somente façamos o que é direito, mas também que amemos o que é direito... O conceito judaico da lei era [bem] negativo. Não devo cometer adultério, não devo cometer homicídio, e assim por diante. Mas nosso Senhor salientou, do princípio ao fim, que aquilo que realmente chama a atenção de Deus, em nós, é que sejamos amantes da retidão. Deveríamos ter fome e sede de justiça não apenas negativamente, [não apenas] evitando aquilo que é mau... Desafortunadamente, ainda há pessoas que parecem pensar acerca da santidade e da santificação em termos puramente mecânicos. Elas pensam que enquanto não se tornarem culpados de alcoolismo, do jogo... tudo lhes irá bem. A atitude delas é puramente negativa. Não parecem ficar preocupadas quando se mostram invejosas, ciumentas ou despeitadas com os seus semelhantes. O fato de [se viver] marcado pelo orgulho da vida não parece ter, para elas, a mínima importância, contanto que não pratiquem certas coisas...

 

IV. Abre os nossos olhos para o fato de que o propósito da lei, conforme Jesus expôs, não é o de simplesmente conservar-nos em uma atitude de obediência a certas regras, mas é o de promover o livre desenvolvimento de nosso caráter espiritual e levar-nos ao conhecimento de Deus.

 

01. Em outras palavras, o objetivo da lei de Deus não é que estejamos sob algumas regras para que haja “opinião pública favorável” a nosso respeito, e sim imprimir em nós uma qualidade distintiva.

02. Os escribas e Fariseus tinham a reputação, mas não tinham o caráter espiritual condizente com a reputação que os judeus comuns lhes atribuíam.

03. A lei de Deus não existe para nos dar boa reputação. Ainda que isso possa acontecer, não devemos cumpri-la tendo em vista este objetivo. O objetivo da lei de Deus é nos levar a dar a Deus o lugar supremo em nossas vidas; e nos levar a viver de forma élosa para com a honra e a glória de Deus.

 

Concluindo

 

01. Nas palavras de Lloyd-Jones:

 

A disciplina na vida cristã é algo bom e essencial. Contudo, se nosso principal objetivo e intuito é nos conformarmos à disciplina que tivermos delineado para nós mesmos, isso bem poderá vir a constituir-se a mais grave ameaça contra nossas almas. O jejum e a oração são coisas recomendáveis; porém, se jejuarmos duas vezes por semana e orarmos em uma hora determinada todos os dias, meramente a fim de pormos em execução a norma disciplinar que estabelecemos para nós mesmos, então é que teremos perdido inteiramente de vista o objetivo inteiro do jejum e da oração. Não há qualquer valor em qualquer dessas coisas, assim praticadas... Se durante esse período não se tiver acentuado a minha qualidade de humildade de espírito... se a minha fome e sede de justiça e de Deus não se tiver aumentado grandemente, então terá sido dispensável qualquer coisa que porventura eu tenha feito... Poderíamos nos tornar culpados do mesmo erro no que concerne à adoração pública. Se a adoração pública for transformada em uma finalidade em si mesma, se meu único objetivo em um púlpito for pregar um sermão, e não esclarecer a meus ouvintes o bendito evangelho de Cristo, a fim de que você e eu venhamos a conhecê-Lo e a amá-Lo melhor, então minha pregação terá sido perfeitamente inútil...

 

Este texto, apenas um guia para falar à minha igreja sobre este assunto, tem como fonte Estudos no Sermão do Monte, de Martyn Lloyd-Jones. Trata-se de um resumo da parte que fala sobre a letra e o espírito, mesclado com algum comentário meu.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Estudos no Sermão do Monte / parte 13 - Justiça maior que a dos Escribas e Fariseus


JUSTIÇA MAIOR QUE A DOS ESCRIBAS E FARISEUS

 

Mateus 5.20

 

 

Grande parte desse estudo tem como fonte o livro

Estudos no Sermão do Monte, de Martin Lloyd-Jones.

Extraído/resumido/adaptado/formatado

 

01. No estudo passado demos ênfase ao fato de que Jesus não veio para anular a lei e os profetas, mas para cumprir.

02. Jesus faz essa afirmação para, dentre outras coisas, combater as acusações farisaicas de que ele estava destruindo a lei.

03. Por que assim pensavam os fariseus acerca de Jesus? Algumas possíveis razões são:

a.    A não hesitação de Jesus em rebater as práticas deles (especialmente a motivação para tais práticas);

b.    O fato de Jesus não evitar certas companhias consideradas impróprias e até fazer questão de tê-las, fato por causa do qual ele chegou a ser chamado de “amigo de publicanos e pecadores” (Mateus 11.19);

c.    E o fato de seu ensino conter certo elemento que já destacava a doutrina da graça.

04. Será que o ensino de Jesus era incoerente com a lei e os profetas?

a.    Não!

b.    Mas era bem diferente do ensino dos escribas e fariseus. Por isso ele assevera aqui que a nossa justiça tem que ser em muito excedente à dos escribas e fariseus, isto é, temos que cumprir a lei de Deus melhor e mais corretamente que os escribas e fariseus.

05. Os escribas e os fariseus pareciam ser os homens mais santificados que havia. Entretanto, Jesus demonstra que, na verdade, eles eram bem deficientes no campo da justiça e da santidade, porque compreendiam e interpretavam erroneamente a lei. Por isso mesmo nossa justiça deve exceder em muito a deles.

06. Os escribas e os fariseus, de muitas maneiras eram os homens mais destacados da nação judaica.

a.    Os ESCRIBAS eram homens que passavam a vida ensinando e expondo a lei; eram as grandes autoridades sobre assuntos da lei da Deus. Dedicavam toda a sua vida ao estudo e à pratica da lei. Mais do que qualquer outro grupo de pessoas, portanto, eles podiam reivindicar a posição de estarem bem envolvidos na lei. Também eram homens que constantemente preparavam cópias da lei, exercendo o máximo cuidado nesse trabalho. A vida deles era gasta inteiramente em torno da lei, e, por esse motivo, todos lhes davam grande atenção.

b.    Os FARISEUS, por sua vez, eram os homens que se tinham notabilizado por sua pretensa piedade. Eram indivíduos que se separavam dos outros, e assim faziam por terem formulado um código sobre os atos cerimoniais vinculados à lei, um código que ia além da lei de Moisés. Eles haviam criado regras e regulamentos atinentes à vida e à conduta que, quanto à sua severidade, ultrapassavam as coisas ordenadas pelas Escrituras do Antigo Testamento. Por exemplo, no quadro verbal traçado por Jesus sobre o fariseu e o publicano que tinham ido orar no templo (Lucas 18.10-14), o fariseu dissera que costumava jejuar duas vezes na semana, mas não há essa determinação no Antigo Testamento; há apenas a determinação de um jejum anual. E foi assim que eles foram formulando um código extremamente severo de moral e conduta; e, em virtude disso, todo o povo pensava que eles, os fariseus, e os escribas eram os grandes modelos da virtude.

07. Como conseguir ser tão extraordinário quanto esses homens? Certamente era isso que pensavam os judeus comuns. Daí chega Jesus e diz que se deve excedê-los em muito. Ora, se já era impossível ser igual, como exceder, e em muito? – poderia perguntar alguém.

08. Mas será que eles eram tão extraordinários assim?

09. O povo pensava que sim, e em certo sentido, o que Jesus passaria a fazer dali por diante era demonstrar que não; demonstrar o quão vazio e oco eram muitos dos ensinos dos escribas e fariseus e, feito isso, apresentar ao povo a doutrina verdadeira.

10. Cumpre-nos, então, dar uma breve olhada na religião praticada pelos fariseus a fim de verificarmos seus defeitos e suas exigências. E uma das maneiras mais convenientes de isso fazermos é examinando aquele quadro verbal aqui já referido e que se encontra em Lucas 18.10-14, acerca do fariseu e do publicano que foram ao templo orar.

a.    O fariseu postou-se em pé, em lugar proeminente, de onde se pôs a agradecer a Deus por não ser igual aos demais homens, especialmente por não ser igual ao publicano.

b.    Em seguida, o fariseu começou a alegar certas coisas sobre si mesmo: ele não era roubador, injusto, adúltero e muito menos era como aquele publicano.

c.    Além disso, os fariseus tinham a sua característica modalidade de justiça externa: jejuavam duas vezes por semana.

d.    E mais: eram dizimistas meticulosos, dando o dízimo até de ervas como o endro, a hortelã e o cominho.

e.    E tudo isso era real em suas vidas. Entretanto, Jesus se indignava com a religiosidade deles. Em Mateus 23 percebemos claramente a indignação de Jesus – leia lá.

11. É por tudo isso que Jesus diz que nossa justiça precisa exceder em muito a dos escribas e fariseus.

12. Prossigamos analisando a religião praticada pelos escribas e fariseus:

a.    Era apenas formalidade externa (para ser vista pelos homens – Veja Mateus 6.1-5) – ao invés de uma religião do coração.

                                  i.    O objetivo deles era se autojustificarem diante dos homens – Veja Lucas 16.15.

                                ii.    Eles se ufanavam de suas práticas e faziam de tudo para que fossem vistas para serem, podemos assim dizer, “louvados”. Temos que cuidar para não cairmos no mesmo erro – corremos o risco de FAZER A COISA CERTA e mesmo assim errarmos na motivação – e corremos o risco de começarmos certo, pela motivação certa e nos tornarmos orgulhosos no meio do caminho. Se isso acontecer, corremos o risco de descansar sobre coisas que apenas dizem respeito à verdadeira adoração sem sermos adoradores autênticos.

b.    Preocupavam-se mais com os aspectos cerimoniais, como lavar as mãos, por exemplo, do que com as realidades morais. (muitos hoje se preocupam com o templo físico e com as coisas físicas do templo mais do que com a vida da igreja – ser zeloso é uma coisa, mas ultrapassar o limite do zelo e sacralizar objetos é outra coisa – há igreja que têm irmãos que não deixam de jeito nenhum, por exemplo, mover o púlpito para melhor realização de, por exemplo, uma peça teatral, não por medo de estragar o púlpito, mas por ele “ser sagrado”)

c.    Por causa de algumas regras e normas que eles inventaram acabavam por violar a própria lei – veja Marcos 7.5-13. – Eles eram casuístas, ou seja, pessoas que criavam ou se utilizavam de regras para justificar um ato ou acontecimento exclusivo, sem importar se tal ato ou acontecimento ataca as virtudes.

d.    Eles “coavam mosquitos”, mas “engoliam camelos” (Mateus 23.24 – a referência nem é a um mosquito grande, mas a um mosquitinho que é procriado na evaporação e fermentação do vinho, conhecido como mosquito do vinho ou mosquito pólvora).

e.    Só se preocupavam com eles mesmos e com sua própria forma de justiça – o objetivo final deles não era glorificar a Deus, mas a si mesmos. O objetivo não era a glória de Deus, mas serem vistos como “os caras”, como gostam de dizer os cariocas. (Isso não significa que vamos deixar de viver corretamente só para não sermos vistos como pessoas corretas – o problema não é ser considerado assim pelos outros, o problema é “fazer para”...). Queridos, não nos iludamos, nós somos inclinados a essa atitude; somos inclinados a nos “incharmos” por causa de nossas virtudes pessoais e nos desviarmos do alvo. Tendemos a pensar: “Nossa! Como eu prego bem!”; “Nossa! Como eu oro bem”; “Nossa! Como eu ensino bem na EBD”; “Nossa! Como eu desenvolvo bem esse ministério”; “Nossa! Como eu sou santo – alcancei altos degraus”... e tendemos a olhar os outros de cima para baixo – “Senhor, me livre disso! Coloque temor e tremor em meu coração!”. (Isso não significa que não vamos mais exortar, admoestar, disciplinar, corrigir os erros uns dos outros, mas significa que vamos fazer isso com muito temor e tremor e com muita humildade de espírito segundo o entendimento que tivemos ao estudar esse aspecto das bem-aventuranças; e também com muita mansidão, muita misericórdia e com atitude de pacificador, conforme o significado que obtivemos dessas virtudes ao estudarmos as bem aventuranças).

 

                                  i.    Os fariseus, quando executavam as normas de sua religião, na verdade só estavam pensando em si mesmos e no cumprimento de seus deveres religiosos e não na glória e honra de Deus. Jesus demonstra em sua história ilustrativa do fariseu e do publicano que tinham ido ao templo orar, que o fariseu fizera e dissera tudo isso sem ter realmente prestado qualquer adoração. “Ó Deus, graças te dou porque não como os demais homens...” – tal forma de agir / falar / pensar é, na verdade, um insulto a Deus. Cuidemos para não cair no mesmo erro. Lloyd-Jones em o livro que é a fonte principal desses nossos estudos coloca algo que sempre me foi objeto de preocupação e policiamento em relação a mim. Diz ele:

 

“Pergunto se às vezes não nos fazemos culpados de idêntica atitude. Não é esse um dos pecados permanentes daqueles que a si mesmos se intitulam evangélicos? Vemos outras pessoas obviamente negando a fé e vivendo na impiedade. Quão fácil é ficarmos satisfeitos conosco porque somos melhores do que outras pessoas e então pensarmos: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, principalmente como aquele modernista ali”. A nossa grande dificuldade é que nunca olhamos para nós mesmos, conforme somos vistos POR DEUS: jamais nos lembramos do caráter, da pessoa e da natureza de Deus... Por certo entre nós manifesta-se abundantemente a presunção, a lisonja prestada a nós mesmos e a autossatisfação”.

 

f.      Voltando aos fariseus, em sua vida diária exibiam total ausência daquelas atitudes delineadas nas bem-aventuranças.

g.    A grande falha dos fariseus é que eles se interessavam pelos detalhes e deixavam de lado os princípios básicos. Estavam mais interessados nas ações do que nos motivos; estavam mais interessados em fazer do que ser.

13. Esses eram os fariseus e sua “justiça” a qual devemos exceder em muito e vamos exceder se realmente fomos salvos pela graça. Vamos exceder não “para” sermos salvos, mas “porque”...

a.    “Porque” se fomos salvos pela graça mediante a fé, e, portanto, nos foi proporcionada uma nova natureza, Jesus Cristo está sendo formado em nós, habita em nós e o Espírito Santo também habita em nós.

b.    “Porque” o homem que assim nasceu do alto e que dispõe da natureza divina em seu interior é o homem que não vive mais para si mesmo, para as suas próprias realizações (lembrando que mesmo o que a gente acha que está fazendo para Deus às vezes estamos fazendo para nós mesmos), e nem mais é alguém que se acha justo segundo seus próprios conceitos conforme faziam os fariseus, e nem é mais alguém satisfeito consigo próprio, sendo, antes, humilde de espírito e tudo mais que encontramos nas bem aventuranças.

c.    “Porque” vamos agora cumprir a lei, a verdadeira lei de Deus, não mais a tendo como um fim em si mesma, mas porque, conforme aprendemos por Efésios 2.10, somos “poiema”, feitura, obra de arte de Deus em Cristo Jesus, e como tais devemos glorificá-lo. O grande objetivo nosso então é Deus e não nós mesmos. O nosso grande anelo é contribuir para a honra e a glória de nosso Senhor.

14. Caminho para o encerramento com as palavras/perguntas de Lloyd Jones:

 

Algumas das mais vitais perguntas que podemos fazer, por conseguinte, são estas:

 

·        Você conhece a Deus?

·        Você ama a Deus?

·        Você pode dizer, com honestidade, que a maior e primeira coisa em sua vida é a glória de Deus, e que você quer contribuir para ela com tão intensa disposição que não lhe importa o quanto lhe possa custar? [E se Deus lhe pedir...]

·        Você sente que ISSO deve vir em primeiro lugar, e não que você pareça melhor que qualquer outra pessoa, mas antes, que você de fato possa honrar, glorificar e amar Àquele Deus que, embora você tenha pecado tão ofensivamente contra Ele, enviou o Seu Filho Unigênito até à cruz do Calvário, a fim de morrer por você, tendo em vista que você fosse perdoado e que ele o restaurasse para Si mesmo?

 

15. E finalmente encerro dizendo que, conhecendo bem agora os fariseus, só podemos concordar com Jesus que nossa justiça tem realmente que exceder em muito à deles, porque a “justiça” que Deus de nós requer tem que provir Dele, glorificar a Ele e nos remeter a Ele. E cuidemos para que nenhum espírito de farisaísmo encontre guarida em nossos corações.

 

Com muito temor e tremor, e clamando para que Deus nos livre do espírito farisaico,

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

Muqui – Dezembro de 2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Estudos no Sermão do Monte / Parte 12 - A Lei e os Profetas


A LEI E OS PROFETAS

 

Alguns apontamentos sobre a palavra de Jesus acerca da lei e dos profetas.

 

Mateus 5.17-20

 

01. O que temos visto até aqui nessa nossa série de estudos no Sermão da montanha?

a.    Primeiro vimos o Senhor Jesus fazendo uma descrição do homem que pertence ao Reino celestial:

                                  i.    Ele é humilde de espírito – ele reconhece que nada tem em Deus e de Deus que não seja um favor imerecido.

                                ii.    Ele é alguém que chora/lamenta o seu estado espiritual pecaminoso.

                               iii.    Ele é manso, no sentido de ser alguém que rende a Deus toda a sua vontade pessoal.

                               iv.    Ele é alguém que tem fome e sede de justiça, sendo essa justiça a libertação do pecado em todas as suas formas e em sua própria manifestação.

                                v.    Ele é misericordioso, isto é, ele é alguém que age com compaixão bondade e perdão mesmo para com aquele que só merecem o desprezo e o abandono.

                               vi.    Ele é limpo de coração – tem um coração santificado a Deus.

                              vii.    Ele é pacificador – alguém que trabalha para promover a paz entre pessoas e pessoas e entre pessoas e Deus.

                            viii.    Ele é alguém que, sendo perseguido por causa da justiça, não se abala, não se entristece, antes se alegra.

b.    Em seguida vimos o Senhor Jesus no relembrando, ao dizer que somos sal da terra e luz do mundo, que devemos, em nosso viver diário, manifestar essas características de nossa natureza essencial. Assim como esperamos que o representante de nosso país comporte-se de forma que seja um reflexo da honra e do bom nome que temos, Deus espera que os representantes do reino celestial assim também se comportem.

02. Temos aí apenas uma bem pequena lembrança do que vimos. Se você quiser relembrar (ou vir, para quem não esteve estudando conosco) na íntegra, todos os estudos podem ser encontrados em www.igrejabatistaemmuqui.blogspot.com.br ou ainda em www.prwalmir.blogspot.com.br .

03. Agora, diante de nós está outra secção do sermão da montanha onde encontramos o Senhor Jesus discorrendo sobre a prática da Lei e dos profetas. Podemos dizer que aprenderemos com Jesus como ser, na prática, sal da terra e luz do mundo.

04. Jesus passa a abordar o tipo de vida reta que ao crente compete viver.

05. Prestemos, portanto, bastante atenção. Temos um longo caminho de estudos a percorrer, mas são estudos de importância primária para as nossas vidas como servos do Deus Vivo.

06. Comecemos por pensar em o que o Senhor Jesus nos diz nos versos 17 a 20:

07. O que está bem claro nesse texto?

a.    Jesus não veio para anular/abolir/destruir/acabar com a lei e os profetas. Jesus veio para cumprir.

                                  i.    O termo grego utilizado (kataluo) tem o sentido de dissolver / desunir o que está atado junto (strongs) – Jesus não veio para fazer isso. O A.T. está atado ao Novo.

08. Assim, Jesus dá uma resposta às acusações farisaicas de que ele estava destruindo a lei e os profetas e também dá uma resposta aos que afirmavam e afirmam que a liberdade em Cristo significa a abolição da lei, um pensamento antinomiano.

09. Para quem pensa como os fariseus e para quem pensa como os antinomianos se dirige a advertência de não se deve nem começar a pensar (essa é a força no grego original) que Jesus veio para abolir a lei e os profetas. Ele não veio abolir, mas para cumprir.

10. Pensemos por partes:

 

Primeiro, pensemos em o que está envolvido em “a Lei”, ou: o que devemos entender por “a Lei”.

 

11. Ora, quando se diz “a Lei”, só podemos entender que significa toda a lei, ou a lei em sua inteireza. A Lei em seu aspecto moral, judicial e cerimonial. Tudo quanto a Lei ensina diretamente sobre a vida, a conduta e o comportamento dos homens.

12. Era isso que qualquer Judeu entenderia ao ouvir Jesus assim falar, e ainda estaria incluso “tudo quanto era ensinado por intermédio dos diversos símbolos, pelas diferentes modalidades de oferendas e por todos os detalhes das mesmas que figuram nas páginas do Antigo Testamento” (Lloyd-Jones). Aqui Jesus está se referindo à lei em sua inteireza.

13. Jesus não veio para anular nada disso. Jesus não veio para destruir nada disso. Aliás ele, para enfatizar, diz que nem um iota (a menor letra do alfabeto hebraico) e nem um til (um risco que diferenciava uma letra da outra) da lei deixaria de ser cumprido.

14. Mais à frente encontraremos Jesus dando exemplos que fazem parte da lei em seu aspecto moral, mas aqui ele afirma que tudo o que Deus determinou como lei será cumprido.

 

Segundo, pensemos em o que está envolvido em “profetas”.

 

15. Evidentemente também só podemos entender aqui “tudo o que está nos livros proféticos do Antigo Testamento”.

 

Terceiro, o que significa o termo “cumprir”?

 

16. Cumprir aqui significa prestar obediência plena, levando até às últimas consequências tudo quando fora dito e declarado na lei e nos profetas (Lloyd-Jones). Significa que “tudo será realizado”, nada da Lei e dos profetas será deixado de lado, sem o devido cumprimento. Jesus cumpre toda a Lei e os Profetas.

 

Agora, em quarto lugar, pensemos em “como é que Jesus cumpre a Lei e os Profetas?”.

 

17. Como é que Jesus cumpre os profetas?

18. É interessante vermos aqui o que Pedro disse/escreveu quando já estava no final de sua vida terrena. Está no capítulo 1 de sua segunda carta:

 

“13  ... tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações, 14  sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo mo tem revelado. 15  Mas também eu procurarei, em toda a ocasião, que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas. 16  Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade, 17  porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. 18  E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo. 19  E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração, 20  sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação;” (2 Pedro 1:13-20 RC)

 

19. “Nós mesmos vimos a sua glória e Majestade”, disse Pedro se referindo à experiência que ele, Tiago e João tiveram no monte da transfiguração. E depois ele faz referência à palavra dos profetas. É como se ele estivesse dizendo que eles próprios eram testemunhas da glória e Majestade do Senhor Jesus, mas que seus ouvintes tinham também, além desse testemunho, a palavra dos profetas do Antigo Testamento. Por quê? É porque as profecias destes profetas se cumprem na pessoa de Jesus Cristo de Nazaré.

20. Em Lucas 24, a partir do verso 13, temos a história dos discípulos no caminho de Emaús, a quem Jesus se revela depois de ressurreto. Estes discípulos estavam tristes porque eles esperavam que Jesus fosse aquele que remiria Israel, mas já havia três dias que ele havia morrido. Repare bem nos versos 25 a 27 o que Jesus lhes diz antes de se dar a conhecer:

 

“25  ... Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! 26  Porventura, não convinha que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória? 27  E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” (RC)

 

21. O Apóstolo Paulo em 2 Coríntios 1.20, falando sobre Jesus diz que:

 

“... todas quantas promessas há de Deus são nele sim; e por ele o Amém, para glória de Deus, por nós.” (2 Coríntios 1:20 RC)

 

22. Todas as promessas de Deus encontram o “sim” e o “amém” na pessoa admirável de nosso Senhor Jesus Cristo.

23. Você pode pensar em qualquer profecia do Antigo Testamento – todas elas se cumpriram ou se cumprirão em Jesus, por causa de Jesus – tudo gira em torno de Jesus, toda a mensagem bíblica converge em Jesus; tudo na bíblia encontra sua razão de ser em Jesus.

24. Pense na aliança de Deus com Abraão, recheada de promessa proféticas – ela tem razão de ser em Jesus – Jesus é o descendente de Abraão em que todas as famílias da terra são abençoadas.

25. Pense na aliança Davídica, recheada de promessas proféticas – ela encontra seu cumprimento em Jesus.

26. Pense nas promessas acerca do Messias prometido ao Povo de Israel, mais de 400 – Elas tiveram pleno cumprimento em Jesus de Nazaré.

27. A inclusão dos gentios é promessa que se cumpre em Jesus.

28. Estude o livro de Daniel e veja se as palavras proféticas nele contidas não lhe remeterão o pensamento para Jesus a todo instante?

29. O que aconteceu no dia de pentecostes foi profetizado, e foi Jesus quem cumpriu porque foi ele quem derramou o Espírito Santo.

30. Nas palavras de Lloyd-Jones:

 

“jamais deveríamos enfiar uma cunha entre o Antigo e o Novo Testamento. Nunca deveríamos dizer que o Novo faz o Velho desnecessário... Esses dois segmentos da Bíblia estão indissoluvelmente ligados entre si, havendo muitos sentidos em que podemos dizer que o Novo Testamento não pode ser perfeitamente entendido exceto à luz daquilo que nos é revelado no Antigo Testamento. Por exemplo, é quase impossível entender o que a epístola aos Hebreus ensina, a menos que conheçamos bem as Escrituras do Antigo Testamento”.

 

31. É assim que Jesus cumpre os profetas.

 

32. E como é que Jesus cumpre a lei?

a.    Jesus cumpre a lei quando vai à cruz do Calvário e ali morre.

                                  i.    Na cruz do Calvário ele cumpre Lei de forma completa e cabal no tocante ao seu aspecto cerimonial – Nada foi anulado, nada foi desprezado, mas tudo foi cumprido de forma cabal.

1.    Na cruz do Calvário Jesus cumpre as próprias figuras da Lei cerimonial. Quanto a essas figuras informa-nos a Palavra em Colossenses 2.16-17 – e até o Sábado está aí incluído – que elas eram sombras do que haveria de vir. Ora, uma sombra é uma imagem projetada do objeto real. Assim é que Jesus, ele próprio é o Sumo Sacerdote; ele próprio é a oferenda; ele próprio é o Cordeiro do sacrifício; ele próprio é o propiciatório e a propiciação. Enfim, ele é o cumprimento de todo tipo de figura da lei cerimonial, todo tipo de sombra; todo tipo de figura da lei cerimonial é uma projeção daquele que viria a ser o “objeto” real: Jesus Cristo.

2.    O fato de o véu do templo ter-se rasgado de cima para baixo quando da morte do Senhor Jesus na cruz do Calvário demonstra esse cumprimento cabal.

                                ii.    Foi na cruz do calvário que Jesus cumpriu a Lei também no sentido de que nele todo o castigo pelo pecado imposto pela Lei foi devidamente executado. Nas palavras de Lloyd-Jones:

 

A Lei tinha de ser cumprida cabalmente. Deus não podia simplesmente arredá-la para um lado, sob nenhuma hipótese; e, dessa forma, o castigo por ela imposto também era inevitável. Ao perdoar-nos Deus não o faz resolvendo que na executará a sentença por Ele decretada contra o pecado. Isso implicaria em uma contradição com a Sua própria natureza santa. O que quer que Deus diga tem que suceder. Deus não retrocede diante daquilo que Ele próprio determinou. Ora, Deus dissera que o pecado tem que ser punido por meio da morte, e você e eu só poderemos ser perdoados porque o castigo contra o pecado foi devidamente aplicado. No tocante à punição contra o pecado, a Lei de Deus foi cumprida de maneira absoluta, porquanto Ele castigou o pecado no próprio corpo santo, inculpável e imaculado de Seu Filho, na cruz na colina do Calvário. Cristo cumpre a lei sobre a cruz, e, a menos que uma pessoa interprete a cruz e a morte de Jesus, que sobre ela teve lugar, em termos estritos do cumprimento da lei, tal pessoa não é detentora do ponto de vista bíblico da morte de Jesus na cruz.

 

1.    Isso significa que não precisamos mais ficar sob a condenação da lei. Podemos ser redimidos dessa condenação, podemos ser resgatados do poder da lei.

2.    Mas isso não significa que na há nada da lei para cumprirmos...

 

b.    ... em Jesus a lei cerimonial, as figuras da lei, a execução da justiça da lei foram cumpridas...

c.    ... Mas e o aspecto da lei que chamamos de aspecto moral, ou a lei moral? Bem, quanto à lei moral, Jesus também a cumpriu pessoalmente e cabe a nós cumprirmos também. A lei moral continua aplicável a nós no sentido de não estarmos isentos de cumpri-la. Novamente nas palavras de Lloyd-Jones:

 

O crente não está mais debaixo da lei no sentido que a lei é um pacto de obras. Esse é o argumento inteiro de Gálatas 3. O crente não está sob a lei nesse sentido, e a sua salvação independe de sua observância à lei. Ele foi libertado da maldição da lei; não está mais sob a lei como uma relação de pacto entre ele e Deus. Todavia isso não o isenta da lei como uma regra de vida... Tendemos por ter uma perspectiva errada da lei, pensando que ela é algo que se opõe à graça divina. Mas não é assim. A lei só é contrária à graça no sentido de que antes havia uma pacto da lei, mas agora estamos sob o pacto da graça.

 

                                  i.    A lei não foi dada para salvar ninguém. A Graça de Jesus sim. O problema dos Gálatas apontado por Paulo em Gálatas 3 não era andar de acordo com a lei de Deus, mas andar de acordo julgando que por isso eles seriam salvos. Abra sua bíblia e leia e você verá que Paulo não está menosprezando a lei, mas ensinando que não é por ela que somos salvos.

                                ii.    Em certo sentido ela foi dada até mesmo para mostrar que jamais poderemos justificar-nos a nós mesmos diante de Deus, e assim sermos levados aos pés do Senhor Jesus Cristo. Nas palavras de Paulo, o intuito da lei é que ela nos servisse de aio para nos conduzir a Cristo. (O Aio era o responsável por cuidar da criança, educando e disciplinando até ela se tornar de maior)

 

33. Mais adiante veremos Jesus apontando alguns pontos que fazem parte da lei de Deus e que precisam ser bem entendidos e cumpridos, não porque estamos debaixo da lei, e não porque seremos salvos se assim agirmos; Sabemos que estamos debaixo da graça e é pela graça que somos salvos; mas não podemos abusar da graça a fim de levarmos uma vida pecaminosa, indolente e frouxa. Precisamos nos lembrar das palavras de Paulo a Tito, no capítulo 2, quando ele diz que a graça de Deus se manifestou trazendo-nos salvação, mas também ensinando-nos a renunciar às impiedades e às concupiscências mundanas e a vivermos neste mundo sóbria, justa e piedosamente. E também precisamos nos lembrar do que o mesmo Paulo disse/escreveu aos Romanos:

 

1  Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? 2  De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? 3  Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? 4  De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. 5  Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; 6  sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado. 7  Porque aquele que está morto está justificado do pecado. 8  Ora, se morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; 9  sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. 10  Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. 11  Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor. 12  Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; 13  nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.” (Romanos 6:1-13 RC)

 

 

 

Fontes que consultei:

 

Comentário Bíblico Broadman – Volume 8 – JUERP

Estudos n Sermão do Monte – Martin Lloyd-Jones (fonte principal) – Editora Fiel

Manual Bíblico – H. H. Halley – Vida Nova

O N. T. Int. Vers. Por Vers. – R. N. Champlin – Candeia

Os Fatos sobre Jesus, O Messias – John Ankerberg e John Weldon – Chamada da Meia Noite

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