terça-feira, 9 de novembro de 2010

O FRUTO DO ESPÍRITO - Parte 3 de 10

O FRUTO DO ESPÍRITO

 

Gálatas 5.22-23

 

 

Parte 3 de 10

 

 

1.5. O amor não se ensoberbece (v.4)

 

1.    É um complemento do que foi dito anteriormente.

2.    O verbo grego usado aqui é, segundo os estudiosos, "phusioo", e significa, literalmente, "inchar".

3.    O soberbo está inchado com o senso de sua própria importância; é orgulhoso, arrogante, presunçoso, altivo, e não se dá conta de que a Palavra de Deus diz que "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda. (Provérbios 16:18 RC).

4.    O verdadeiro amor impede esse tipo de atitude.

           

1.6. O amor não se porta com indecência, inconvenientemente (v.5)

 

1.    O amor não age com desonra, não se comporta sem boas maneiras. Ele não se importa se os outros são incivilizados e se portam de maneira grosseira. Ele não age da mesma forma, não paga com a "mesma moeda". Ele não deseja ferir nem mesmo aqueles que lhe ferem. Esse é o seu caráter e ele não age fora dele, mesmo que os ventos sejam contrários.

           

"O amor jamais age fora de lugar ou contrariamente ao seu caráter; mas observa o verdadeiro decoro e as boas maneiras; não se mostra rude, vil e brutal... Nenhum homem malcriado, rude e sem boas maneiras pode ser um cristão. Um homem (cristão, que ama) pode se caracterizar por certa aspereza, ou então ser um "palhaço", mas jamais será vil e maldoso em suas maneiras" (Adam Clarke, citado por R. N. Champlin em o N. T. Int. Vers. por Vers., vol. 4, p.207)

 

1.7. O amor não busca os seus próprios interesses (v.5)

 

1.    O amor é altruísta e não egoísta.

2.    Os egoístas, que só pensam em si mesmos, podem ser comparados ao mar morto, que só recebe, sem nada dar.

3.    O verdadeiro amor não é assim. Não fica insistindo sobre seus próprios direitos.

4.    Foi por causa da arrogância das pessoas, e insistência em fazer valer os seus próprios direitos, que a igreja dos coríntios se repartiu em várias facções. E Paulo repreendeu-os severamente por isso.

5.    A pessoa que busca seus próprios interesses pensa que tudo gira em torno dela. Suas opiniões, seus pensamentos... é que de fato valem, e deveriam ser observados acima de tudo. E as opiniões dos outros só valem quando estão em concordância com as suas. Ela ignora o fato de que a Palavra de Deus diz que

 

"o amor não busca os seus próprios interesses" (1Co.13.5)

 

e:

 

"Ninguém busque o proveito próprio; antes, cada um, o que é de outrem." (1 Coríntios 10:24 RC)

e:

 

"Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar." (1 Coríntios 10:32-33 RC)

 

e, ainda:

 

"Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros." (Filipenses 2:4 RC)

 

6.    R. N. Champlin, em seu N. T. Interp., à página 208 do volume 4 insere um comentário de alguém de nome Besser:

 

"O amor não busca o seu aprazimento, seu prazer, sua própria reputação, sua própria bem-aventurança, porquanto, como algo geral, nada busca que queira apenas para si mesmo"

 

7.    Veja a seguinte história ilustrativa:

 

Numa tarde muito quente, um pobre paralítico sentou-se, como habitualmente fazia, num dos bancos de certa praça em Viena, na Áustria, para ali esmolar. Era do produto das esmolas que ele se mantinha. Para atrair os transeuntes, ele tocava um velho violino. Tinha esperanças no efeito da sua música sobre os corações mais generosos. O seu cão, fiel companheiro e amigo inseparável, segurava na boca uma cestinha velha de vime, para que ali fossem depositadas as esmolas que entregavam. Naquela tarde, entretanto, as esmolas não vinham. Sem dar a mínima atenção ao pobre aleijado, o público passava de um lado para outro apressado e distraído. Ninguém parecia ouvir os seus acordes e muito menos se apercebiam da sua presença ali na praça. Esta situação fazia aumentar ainda mais a infelicidade do pobre paralítico, que tanto carecia das esmolas para a sua sobrevivência. De súbito, ao lado do deficiente postou-se um cavalheiro bem vestido, que o olhou com compaixão. Vendo o infeliz pousar o instrumento, já cansado e desanimado, reparando ainda nas grossas lágrimas que lhe rolavam pelas faces, aproximou-se um pouco mais e, metendo uma moeda de prata em sua mão, pediu-lhe licença para tocar no seu violino. Ajustou as cordas, preparou o arco e se pôs a tocar. O público, agora atraído pela maviosidade da música, começou a aproximar-se. Aglomerou-se ao ponto de se tornar uma multidão. As moedas de cobre, prata e até algumas de ouro foram enchendo de tal maneira a pequena cesta, que o cão já não podia sustentar o peso na boca. Teve de pousá-la ao seu lado, no chão. O povo aglomerado não só apreciava a música, mas muito mais admirava o gesto do artista. Este, depois de haver tocado uma melodia que foi cantada pelo público, entusiasticamente, depositou o instrumento nos joelhos do paralítico, agora feliz, e desapareceu sem dar tempo a que lhe agradecesse ou fizesse qualquer pergunta. Mas a indagação ficou: - Quem é este homem que tão bem sabe tocar? - foi a pergunta que se ouviu de todos os lados. A curiosidade tomou conta do povo. O paralítico também estava curioso, além de extremamente agradecido. De repente, do meio da multidão, alguém informou com conhecimento: - Esse homem é Armando Boucher, o célebre violinista que só toca nos grandes concertos, mas, hoje, parece haver também colocado a sua arte ao serviço do amor. Esse gesto tão singular raramente imitado, foi, sem dúvida, uma perfeita demonstração de amor ao próximo.

 

1.8. O amor não se irrita (v.5)

 

1.    O amor não se deixa provocar tão facilmente, e nem provoca os outros. Os seus "direitos" são ameaçados, mas ele não perde a compostura.

2.    Mas isso não significa a ausência de uma atitude enérgica quando esta se faz necessária. Atitudes enérgicas podem ser tomadas, quando elas se fazem necessárias, sem a presença da irritabilidade. A irritabilidade provoca ressentimento e gera tristeza. O amor deve governar até mesmo as atitudes enérgicas necessárias.

 

1.9. O amor não suspeita mal (v.5)

 

1.    O melhor sentido dessa frase é: "não leva em consideração o mal praticado contra si".

2.    Isso se torna especialmente difícil quando encontramos alguém que insiste em continuar fazendo o mal contra nós, e, às vezes, hipocritamente. Faz-nos o mal e ainda, em sua hipocrisia e falsa piedade, faz com que todos a enxerguem como "boazinha". Se o amor cristão não fosse algo "derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado" (Rm. 5.5), eu diria que isso seria impossível de realizar. Porém, por vir de Deus o amor cristão, é possível tal realização.

 

"...o amor não conserva uma contracorrente de méritos e desméritos, com base no que os outros lhe tenham feito. Não guarda ressentimento, não se lembra do mal sofrido por parte de outrem. Também não cultiva a malícia, não se vinga. O amor não atribui mal a outrem, e nem se lembra de possíveis desméritos. O amor não fica afagando na memória os males sofridos, mas sempre perdoa e esquece, conservando limpo o registro, a folha corrida de outros. Isso é psicologicamente benéfico, porquanto é fato bem conhecido que a atitude daquele que guarda ressentimentos contra outros sofre detrimento em sua saúde física e mental". (R. N. Champlin, em o N. T. int. Vers. por Vers., vol.4, p. 208)

 

3.    Jesus, na oração modelo, ensinou a necessidade do perdão.

 

1.10. O amor não folga com a injustiça (v.6)

 

1.    Em outras palavras, o amor não se regozija, não se alegra diante da injustiça, da maldade, do erro. Ele se entristece, tanto pelo erro em si quanto pela pessoa que cometeu o erro. Ele não se regozija ante o fato de que o outro caiu e agora a sua bondade própria é manifestada mais nitidamente em contraste com aquele.

2.    Comentário de Champlin:

 

"... Há crentes que gostam de fazer intrigas entre seus irmãos ou semelhantes humanos, os quais porventura tenham caído em algum pecado ou desgraça, ao mesmo tempo que pretendem sentir-se 'horrorizados' pelo que tem sido praticado. A grande verdade é que esses crentes, infelizmente, se regozijam com o mal, através de uma forma de participação secundária. Além disso, existem crentes que chegam mesmo a participar dessas vilezas, sobretudo da categoria moral, que se regozijam e que secretamente se gloriam delas. Ora, o amor não se assemelha a isso. Não pode encontrar lugar para satisfação ou regozijo ante o mal. Os bisbilhoteiros se regozijam com o mal. Ao contarem histórias sobre outros, usualmente em uma versão expandida, os bisbilhoteiros se tornam culpados de se regozijarem com o mal. Muitos bisbilhoteiros se disfarçam de pessoas morais ultra-sensíveis, extremamente chocadas pelo que ficaram sabendo, como se fossem reformadores, que narram suas histórias a fim de corrigir os ofensores. Mas tudo isso não passa de hipocrisia. A pessoa verdadeiramente moral, verdadeiramente sensível ante o mal, o verdadeiro reformador, não é o indivíduo que se entrega à bisbilhotice. Por conseguinte, a bisbilhotice deve ser vigorosamente rejeitada, pelos seguintes motivos: 01) Com freqüência não corresponde à realidade; ou então só parte expressa a verdade; 02) Nunca é necessária a repetição de histórias; 03) Nunca é demonstração de bondade envolver alguém na reiteração da bisbilhotice. É interessante que o bisbilhoteiro causa dano contra si mesmo, porquanto nenhum homem pode ferir a outro sem ferir a si mesmo, psicológica e espiritualmente falando. Aquele contra quem se faz a bisbilhotice é injuriado em sua reputação, a qual é vilipendiada. E aquele que dá ouvidos à bisbilhotice é ferido porque chegou a pensar menos bem de seu semelhante do que deveria fazer; e, fará muito pior se propalar para outros aquilo que ouviu. O bisbilhoteiro é alguém que odeia disfarçadamente. Aquele que ama jamais poderá ser um bisbilhoteiro, e não é demonstração de amor cristão encorajar a bisbilhotice, tornando-se ouvinte atento.

 

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