terça-feira, 2 de novembro de 2010

O FRUTO DO ESPÍRITO - Parte 1 de 10

O FRUTO DO ESPÍRITO

 

Gálatas 5.22-23

 

Parte 1 de 10

 

1.    O que é um fruto?

2.    Os dicionários definem fruto como sendo "produto comestível das árvores frutíferas", e, no sentido figurado, "um filho; um resultado; o proveito que tiramos de algo".

3.    Sobre o Fruto do Espírito, o mesmo é o resultado, aquilo que o Espírito de Deus que em nós habita produz em nós.

4.    Falando aos Gálatas, Paulo apresenta o que podemos chamar de nove "gomos" desse fruto: caridade (amor), gozo (alegria), paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé (fidelidade), mansidão e temperança (domínio próprio).

5.    O nosso propósito aqui é refletir um pouco sobre cada um desses nove gomos, dessas nove qualidades que o Espírito Santo produz na vida daquele que se entrega a Jesus.

6.    Vejamos então:

 

I. O AMOR

 

1.    Antes de tudo convém-nos lembrar que o amor aqui é o amor ágape.

2.    Sobre esse tipo de amor, William Barclay diz algo interessante no livro "As Obras da Carne e o Fruto do Espírito":

 

Como devemos determinar o significado de ágape? Podemos determinar o seu significado tendo por fundamento a maneira de o próprio Jesus falar dele. A passagem básica é Mateus 5.43-48. Ali, Jesus insiste em que o amor humano deve seguir o padrão do amor de Deus. E qual é a grande característica do amor de Deus? Deus faz vir chuvas sobre justos e injustos, e faz nascer o sol sobre maus e bons. Logo, o significado de ágape é a benevolência invencível, a boa vontade que nunca é derrotada. Ágape é o espírito no coração que nunca procurará outra coisa senão o sumo bem do seu próximo. Não se importa com o tratamento que recebe do seu próximo, nem com a natureza dele; não se importa com a atitude do próximo para com ele, nunca procurará outra coisa a não ser o sumo bem do próximo, o melhor para ele.

 

3.    Barclay ainda escreve algo bem interessante a que ele chama de "qualidade básica do amor em ação na vida cristã". Eu me delicio lendo aquilo que ele escreveu (apesar de ele não poder ser chamado de evangélico por não crer em algumas doutrinas que são fundamentos da fé evangélica). É um pouco extenso, mas vale a pena ler:

 

(i) O amor é a atmosfera da vida cristã. O cristão, diz Paulo, deve andar em amor (Ef 5.2). Toda vida leva consigo a sua própria atmosfera. Uma das alunas da grande mestra norte-americana Alice Freeman Palmer disse acerca dela: "Ela fazia com que me sentisse banhada pelos raios do sol". Por outro lado, Richard Church em seu ensaio autobiográfico fala a respeito do primeiro dia que passou na escola. Tinha consciência daquilo que chamou de "um fingimento frio e impessoal de benevolência no ar". Há uma atmosfera que é como uma túnica quente, e outra que é como uma ducha fria. O cristão leva esta atmosfera de benevolência radiante por onde for. Paulo expressa esta mesma verdade de outra maneira. O amor, diz ele, é a vestimenta da vida cristã. Conclama os colossenses a se vestirem com o amor (CI 3.14). Falamos de uma pessoa revestida de beleza, ou armada em virtude. A vida cristã veste-se desta boa vontade que se estende a todos os homens.

 

(ii) O amor é o motivo universal da vida crista: "Todos os vossos atos sejam feitos com amor", Paulo escreve aos coríntios (1 Co 16.14). O Sermão no Monte nos deixa sem dúvidas quanto à importância dos motivos do coração na vida cristã (Mt 5.21-48). Há um tipo de generosidade cujo motivo principal é obter prestígio. Há um tipo de advertência e repreensão que brota do deleite em ferir as pessoas e em vê-Ias afastando-se. Há até mesmo um tipo de labuta e serviço que provém do orgulho. Um dos deveres mais negligenciados da vida cristã é o auto-exame, e talvez isto seja negligenciado por ser um exercício muito humilhante. Se nos examinarmos, é bem possível que descubramos que não há quase nada neste mundo que façamos com motivos puros e sem mistura. Ainda que seja assim, devemos continuar a colocar diante de nós o padrão pelo qual devemos viver, a insistência de que o único motivo cristão é o amor.

 

(iii) O amor é o segredo da unidade crista: Os cristãos são unidos pelo amor (CI 2.2). O que há de significante neste amor cristão é que ele se espalha em círculos que se expandem cada vez mais. (a) Começa sendo amor pelos santos, ou seja, amor pelos demais membros da comunidade cristã e pelos nossos irmãos cristãos (Ef 1.15; CI 1.4; 1 Ts 3.12). (b) E amor pelos líderes da Igreja (1 Ts 5.12, 13). É um fato muito simples que a única dádiva que Paulo pediu da parte das suas igrejas foi que orassem por ele, que o conservassem em seus corações e que o sustentassem através da oração (Rm. 15.30). (c) Torna-se amor por todos os homens. Os cristãos devem abundar em amor uns para com os outros, e com todos os homens (1 Ts. 3.12)

 

(iv) O amor é o enfatizar da verdade cristã. O cristão deve necessariamente ser um amante da verdade (2 Ts 2.1 O), mas a todo tempo deve falar a verdade em amor (Ef 4.15). É fácil falar a verdade de tal maneira a ferir e machucar; não é impossível alguém ter prazer ao ver uma pessoa encolher-se e estremecer sob as chicotadas da verdade. "A verdade," diziam os cínicos, "é como a luz para olhos irritados." Florence Allshom foi uma famosa e muito amada diretora de um grande instituto missionário para mulheres. Inevitavelmente havia ocasiões em que ela tinha de repreender suas estudantes; mas dizia-se a respeito dela que, quando tinha motivo para repreender, sempre o fazia como se estivesse abraçando a pessoa a ser repreendida. A verdade falada com o intuito de ferir nada pode produzir senão ressentimento; mas a verdade falada em amor pode despertar o arrependimento que é algo que traz restauração.

 

(v) O amor é o controlador da liberdade cristã. A liberdade deve ser usada, não como desculpa para a licenciosidade, mas como dever de servirmos uns aos outros (Gl 5.13). Existem muitas coisas que são perfeitamente seguras para o irmão mais forte, e que poderia legitimamente ser permitida, sem dúvida alguma; mas ele abstém-se dessas coisas porque ama e recusa-se a prejudicar com o seu exemplo o irmão por quem Cristo morreu (Rm 14.15). Se o amor é a base da vida, a responsabilidade é a sua tônica, Nenhum cristão pensa nas coisas somente porque afetam a sua própria pessoa. O privilégio da liberdade crista é condicionado pela obrigação do amor cristão.

 

(vi) Este amor cristão não é nenhuma emoção fácil e sentimentalista. O amor tem os olhos abertos. A oração de Paulo pelos filipenses é no sentido de que abundem em todo o conhecimento e em toda a percepção sensível, de modo que sejam capacitados a distinguir entre as coisas que diferem entre si, escolhendo as que são certas (Fp 1.10). O amor cristão na vida é acompanhado por uma nova sensibilidade para com os sentimentos, necessidades e problemas dos outros, uma nova consciência da bondade, e um novo horror pelo pecado. Longe de ser cego, o amor cristão ensina o

homem a ver com clareza e a sentir com uma intensidade nunca antes experimentada. Da mesma maneira, o amor cristão é forte. Na correspondência de Paulo com a igreja em Corinto há dois usos muito iluminadores da palavra "amor." Em 2 Co 2.4 Paulo escreve a respeito da carta dura e severa que havia enviado à igreja em Corinto, carta esta que causara aos coríntios mágoa e dor. Mas, diz ele, aquela carta foi escrita, não para lhes causar mágoa e tristeza, mas para comprovar seu amor por eles. A sentença final da primeira carta aos coríntios é: "O meu amor seja com todos vós!" (1 Co 16.24). As cartas a Corinto estão muito longe de serem cartas sentimentais. Administram a disciplina; transmitem a repreensão; não hesitam em ameaçar com o uso da vara de correção; distribuem a correção mais severa; até mesmo exigem a exclusão do perturbador da comunhão da Igreja - contudo, são o resultado do amor. O amor no sentido neotestamentário do termo nunca comete o engano de pensar que amar é deixar uma pessoa fazer o que ela quer. O NT deixa claro que há momentos quando a ira, a disciplina, a repreensão, o castigo e a correção fazem parte do amor.

 

(vii) É fácil ver que a aquisição e a prática do amor cristão não são uma tarefa fácil. Em 1 Co 14.1, Paulo usa uma expressão muito significativa. A ARA traduz: "Segui o amor." Mas o verbo que é traduzido por seguir é diokein que significa perseguir, correr atrás. O amor cristão não é algo que Simplesmente acontece; é algo que deve ser buscado, desejado, perseguido, algo que exige a oração e a disciplina do homem para obtê-lo. Longe de ser uma posse automática, é a realização suprema da vida. Pode-se até dizer que o amor cristão não é somente difícil; humanamente falando, é impossível. O amor cristão não é uma realização humana; faz parte do fruto do Espírito. É derramado em nosso coração pelo Espírito Santo. E, assim, chegamos à outra verdade a respeito deste amor cristão. Há um versículo magnífico na carta aos filipenses. Nele, a palavra "amor" propriamente dita não aparece, mas a idéia é a que está no centro do amor cristão. Paulo escreve, conforme diz a AV: "Anseio por todos vós nas entranhas de Jesus Cristo" (Fp 1.8). Literalmente, isto significa: "Amo-vos

com o próprio amor de Cristo. Através de mim Cristo vos ama. O amor que eu vos tenho não é outro senão o amor do próprio Cristo". Agape tem a ver com a mente: não é simplesmente uma emoção que surge em nosso coração sem ser convidada; é um princípio segundo o qual vivemos deliberadamente. Agape tem a ver, de modo supremo, com a vontade. É uma conquista, uma vitória e uma realização. Ninguém já amou por natureza os seus inimigos. Amar os inimigos é uma conquista de todas nossas inclinações e emoções naturais. Este amor cristão, não é meramente uma experiência emocional que vem a nós sem convite e sem ser procurada; é um princípio deliberado da mente, uma conquista e realização da vontade. É, na realidade, o poder de amar os que não são amáveis, de amar as pessoas das quais não gostamos. O cristianismo não pede que amemos nossos inimigos e os homens em geral da mesma maneira que amamos nossos entes queridos e os que estão

mais próximos de nós; isto seria tanto impossível quanto errado. Mas realmente ele exige que tenhamos a todo tempo uma certa atitude e direção da vontade para com todos os homens, sem nos importarmos com que são eles.

 

Qual, pois, é o significado deste agape'! A principal passagem para a interpretação do significado de agape é Mt 5.43-48. Ali, somos ordenados a amar os nossos inimigos. Por que? A fim de que sejamos como Deus. E qual é a ação típica de Deus que é citada? Deus envia Sua chuva aos justos e injustos, maus e bons. Ou seja: a natureza do homem não importa, Deus não procura outra coisa senão o sumo bem dele. Quer o homem seja santo, ou um pecador, o único desejo de Deus é o seu sumo bem. Ora, isto é agape. Agape é o espírito que diz: "Não importa o que o homem me faça, eu nunca procurarei lhe fazer mal; nunca intentarei a vingança; sempre buscarei exclusivamente o sumo bem dele". Isto quer dizer que o amor cristão, é a benevolência invencível, a boa vontade insuperável. Não é simplesmente uma onda de emoção; é uma convicção deliberada da mente que tem como resultado uma política deliberada na vida; é a realização, conquista e vitória da vontade. Atingir o amor cristão exige a totalidade do homem; exige não somente seu coração, mas também sua mente e vontade. Sendo assim, duas coisas devem ser notadas.

 

(i) O amor humano para com o nosso próximo, é forçosamente fruto do Espírito. O amor cristão não é natural no sentido de que não é possível ao homem natural. O homem somente pode exercer esta benevolência universal, sendo purificado do ódio, da amargura e da reação humana natural à inimizade, injúria e antipatia, quando o Espírito tomar posse dele e derramar no seu coração o amor de Deus. O amor cristão é impossível a qualquer pessoa que não seja cristã. Ninguém pode pôr em prática a ética cristã até que se torne cristão. Pode-se ver bem claramente a qualidade desejável da ética cristã; pode-se perceber que é a solução para os problemas do mundo; pode-se aceitá-Ia mentalmente; mas, na prática, não pode ser vivido se Cristo não viver dentro da pessoa.

 

(ii) Quando entendemos o que agape significa, refutamos amplamente a objeção de que uma sociedade baseada neste amor seria um paraíso para os criminosos, e que isto significa simplesmente deixar o malfeitor fazer o que quer. Se buscarmos somente o sumo bem do homem, é bem possível que tenhamos de resisti-lo; é bem possível que tenhamos de castigá-lo; é bem possível que tenhamos de agir com severidade diante dele - para o bem da sua alma imortal. No entanto, permanece o fato de que tudo quanto fizermos ao homem nunca será por vingança; nunca será uma simples retribuição; sempre será feito com o amor que perdoa e que procura, não o castigo do homem, e muito menos a eliminação do homem, mas sempre o seu sumo bem. Noutras palavras, agape importa em lidar com os homens conforme Deus lida com eles – e isso não significa deixá-lo agir desenfreadamente segundo sua própria vontade.

 

4.    O amor, esse tipo de amor, é parte do Fruto do Espírito, e, podemos dizer, é a parte mais substanciosa, o mais suculento gomo desse fruto.

5.    Tem uma história interessante que diz que

 

Uma mulher saiu de sua casa e viu três homens com longas barbas brancas, sentados em frente ao quintal dela. Ela não os reconheceu. Ela disse: - "Acho que não os conheço, mas devem estar com fome. Por favor, entrem e comam algo. - O homem da casa está? - Perguntaram. - Não, ela disse, está fora. - Então não podemos entrar" - eles responderam. À noite quando o marido chegou, ela contou-lhe o que aconteceu. - "Vá diga que estou em casa e convide-os a entrar". A mulher saiu e convidou-os a entrar. - "Não podemos entrar juntos". Responderam. - "Por que isto?" - ela quis saber. Um dos velhos explicou-lhe: - "Seu nome é Fartura" - ele disse apontando um dos seus amigos e, mostrando o outro, falou: - "Ele é o Sucesso e eu sou o Amor". E completou: - "Agora vá e discuta com o seu marido qual de nós você quer em sua casa". A mulher entrou e falou ao marido o que foi dito. Ele ficou arrebatado e disse: - "Que bom!" Ele disse: - "Neste caso, vamos convidar Fartura. Deixe-o vir e encher nossa casa de fartura". A esposa discordou: - "Meu querido, por que não convidamos o Sucesso?" A cunhada ouvia do outro canto da casa. Ela apresentou sua sugestão: - "Não seria melhor convidar o Amor? Nossa casa então estará cheia de amor". - "Atentemos pelo conselho da cunhada" - disse o marido para a esposa. - "Vá lá fora e chame o Amor para ser nosso convidado". A mulher saiu e perguntou aos três homens: - "Qual de vocês é o amor? Por favor, entre e seja nosso convidado". O Amor levantou-se e seguiu em direção à casa. Os outros dois levantaram-se e seguiram-no. Surpresa a senhora perguntou-lhes: - "Apenas convidei o Amor, por que vocês entraram?" Os velhos homens responderam juntos: - "Se você convidasse o Fartura ou o Sucesso, os outros dois esperariam aqui fora, mas se você convidar o Amor, onde ele for iremos com ele". Onde há amor, há também fartura e sucesso!!!

 

6.    O amor é – já dissemos – o mais suculento gomo do Fruto do Espírito. Onde há amor há fartura e sucesso!

7.    Talvez não fartura e sucesso segundo o pensamento humano, mas certamente fartura e sucesso segundo o pensamento de Deus.

8.    Se houver o amor, as demais qualidades descritas em nosso texto base serão quase que conseqüências naturais.

9.    É o amor que leva ao cumprimento de toda a lei de Deus.

10. Portanto, os cristãos, como nos diz Gálatas 5.13-15, ao invés de se "morderem" e "devorarem" uns aos outros, devem se amar.

11. Veja o que diz Romanos 13.7-10:

 

"Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor." (Romanos 13:7-10 RC)

 

12. É interessante notar que esse texto diz-nos que a ninguém devemos ficar devendo coisa alguma, a não ser o amor.

13. Será que Paulo estava querendo dizer que podemos ficar em falta uns para com os outros no que respeita ao amor?

14. Certamente que não!

15. A única maneira de entender essa passagem é olhando para o amor como sendo uma dívida muito grande, infinita, uma dívida que, por mais que você pague, não diminui.

16. Também, amados, o amor é uma dívida bem interessante que temos uns para com os outros – interessante porque quando nós a estamos "pagando" direitinho, os maiores beneficiados somos nós mesmos.

17. Que bom, então, que essa dívida seja infinita. Vamos pagá-la uns aos outros, diariamente, e em altas prestações!!!

18. Agora, a melhor descrição de amor está em I Coríntios 13, mais especificamente os versículos 4-7. Vejamos o que temos lá:

 

Continua...


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